
Tema em debate:
GOSTAR OU NÃO GOSTAR?
Oi Rubens! Peço ao amigo que não se zangue com minhas colocações. Mas, acho que está fugindo do cerne da
questão. Trata-se aqui de gostar ou não gostar de "Literatura Panfletária", e agora de "textos
adolescentes", que entraram na história sem serem convidados... Prezado. Não quero aqui defender meu texto, que você classificou de "clichê", ou o texto de Pisoler, que você classificou de "adolescente"...
Acho somente que a coisa está exposta de maneira errada.
Trata-se de "gostar" ou "não-gostar", simplesmente.
Ou então, dito de outra maneira: a literatura é boa ou ruim.
É assim que entendo...
É fácil citar autores consagrados, depois da consagração.
Eu quero ver discernimento para farejá-los enquanto estão vivos e atuantes...
Saludos!
Maria José Limeira.
De Rubens da Cunha - 1
Olá Maria José,
não sou nem estou zangado, não entrei na oficina para ficar zangado, mas para expor idéias, argumentar, contrargumentar. Pensei que o objetivo da oficina, que além do nosso aprimoramento como escritores, fosse feito o nosso aprimoramento como analistas ou críticos, e isso ao meu ver só acontece com o debate das idéias.
Sinceramente, tenho como idéia participar de uma oficina onde as coisas vão além do gostar ou não gostar.
Por exemplo. Apontei versos que considero clichês ou panfletários no teu texto, você discorda? então me aponta onde não é clichê, onde não é panfleto e sim literatura, arte mesmo, ou seja, vamos aprofundando, aprimorando nossos conceitos, vamos defendendo ou abandonando nossas idéias, mas vamos debatendo.
Quantos aos autores consagrados, você cita Vinicius e Neruda. O que eles tem em comum: a voz pessoal, única e intransferível. A voz única que torna cada poeta único. E esta voz que eu sempre peço dos autores dos poemas que analiso. O teu olhar sobre o mundo é único, então por que teu poema tem que vir escrito com a 'voz' que todo mundo já conhece, ou seja o clichê? É na tentativa de conseguir esta 'marca' do autor que eu insisto em questões como 'adolescência' ou 'panfleto', porque eu gosto muito de poetas 'vivos e atuantes', mas como leitor, exijo que eles me digam algo que eu não sei, ou que até então eu não tinha imaginado que poderia ser dito daquela forma, algo que está com eles e como artistas eles podem me dar, que é a sua capacidade de escrever o que até então ninguém tinha escrito. Se você perceber, eu nunca questiono a idéia do autor, mas sempre o modo como ele a expôs, pois é no 'como se escreve' que se diferencia um autor do outro.
De Rubens da Cunha - 2
Então, quando você diz: "Trata-se de "gostar" ou "não-gostar", simplesmente. Ou então, dito de outra maneira: a literatura é boa ou ruim.", fico na dúvida: é esse o objetivo da lista: gostar ou não gostar, dizer ao autor: é literatura boa ou ruim.?
Gostaria que você me esclarecesse este ponto, pois minhas análises são sempre no intuito de apontar novos caminhos, novas possibilidades poéticas ao autor, aponto no texto, e só no texto, os momentos onde a poesia não está tão evidente, onde o arranjo das palavras poderia se dar de outra forma, conseguindo assim um efeito poético maior, tudo, claro, sob minha ótica, o que eu gostaria de receber de novo é uma resposta em relação a este meu olhar, mas com argumentos, com colocações que possam gerar reflexões, é o que sempre tento nas minhas análises.
Sempre tratei o texto, meu e o dos outros, como um objeto, que pode ser modelado, lapidado, construído e reconstruído o tempo todo. Ao colocar um texto meu na lista espero que os participantes o desconstruam totalmente , que cada um o 'destrua' conforme suas preferências, ou seja, se você olha o texto no campo das 'idéias' pode destruí-lo sob este olhar ou como no meu caso, no campo das 'palavras' aponte onde as palavras não se resolveram. é esse meu objetivo na oficina, ouvir palpites, críticas, receber de novo o poema todo 'quebrado', voltar para o meu canto e tentar erguê-lo novamente.
Foi isso que fiz nas análises efetuadas até agora, minha experiência maior se dá no campo das palavras, por isso insisto nas palavras que me parecem 'fracas'.
Peço desculpas, se entrei de 'sola', mas é que estou acostumado nas outras listas e com o meu grupo de poetas a 'pegar pesado", pensei que aqui fosse igual.
Gostaria que você me dissesse qual é o objetivo real da lista. Como devem ser feitas as análises? Se realmente tudo se limita a 'gostar' 'não gostar'?.
Dependendo de sua resposta decido minha permanência ou não na lista, já avisando de antemão que eu gostaria muito de ficar.
Abraços
RubensMaria,
primeiramente, gostaria de desculpar-me pela ausência dos últimos dias, estou finalizando um projeto e preciso dedicar todo meu tempo nele.
Quando você, Maria, citou que se trata de "gostar" ou "não-gostar" de certos textos, tenho que discordar de sua posição, pois me parece que agindo dessa forma estaríamos apenas expondo um soluço imprevisto.
Já disse Olavo Bilac: "Lima, malteia, dá brilho", acredito que em análise também se faz isso, devemos ler e reler o texto com atenção em busca de falhas, de arestas mal acabadas. De nada servem elogios, o que nos ajuda é a
visão pessimista, acredito que é esse tipo de visão vai nos ajudar a buscar sempre o melhor em nossos textos.
Acredito que quem insere um texto nessa lista, pelo menos eu acredito nisso, o faz para ouvir o eco de sua poesia no leitor e se o texto tiver falhas apontadas, acho que o autor tem mais é que ir limar e dar brilho no seu texto, caso contrário qual a finalidade dessa crítica. Concordo com o Rubens quando ele diz que todo autor deve buscar a sua linguagem para escrever um poema. Também concordo que isso é muito difícil,
uma vez que tantos escritores geniais já passaram antes de nós. Sobrou muito pouco de inusitado para dizer? Sim, sobrou, mas enquanto cada autor não encontrar sua própria "voz" ou sua própria linguagem irá produzir textos com a voz ou a linguagem de outros, e isso é escrever por clichês. O mesmo se pode dizer sobre textos ingênuos ou como o Rubens gosta de taxar: "adolescentes", o autor que usa sua própria linguagem e busca o inusitado,
que busca a desestruturação da linguagem padrão, que busca sempre o novo, esse autor jamais irá escrever textos ingênuos, é assim que penso.
Te+ (Marcelino Costa)
Prezados. Creio que ainda não me fiz entender. O doce Rubens, apesar de dizer que não se zangaria com minhas
colocações, terminou zangado. E impondo condições para continuar nossos trabalhos nesta Linda Lista. (Maria José Limeira)
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Maria, não se trata de impor, mas de definir objetivos, os meus são claros, se os objetivos da lista não forem compatíveis com os meus, a harmonia não vai existir. Mas já vi que eu vou ficar :)) - (Rubens da Cunha)
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Marcelino. Rubens. O que eu quis dizer em "gostar" e "não-gostar" foi justamente isto: a literatura do
autor presta? Ou não presta? Não me reportei, de maneira alguma, à prática corrente das listas
convencionais, onde o máximo de comentário que se consegue é dizer "gostei" ou "não-gostei"
simplesmente, sem explicação. Não sou crítica literária. Não tenho bagagem para isto. Mas, sei quando um texto é bom. Sei interpretá-lo como leitora. Como disse antes, não estou defendendo meu texto ou de
qualquer outro autor. Apenas dei minha humilde opinião "não-técnica" sobre o assunto, enfatizando que não se
pode dizer simplesmente que um texto é "adolescente" para explicar que o mesmo não presta, quando existem
milhares de textos adolescentes que prestam... (Maria José Limeira)
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Aqui, vou explicar, uso o termo 'adolescente' para toda poesia que eu considero não esteja pronta, que ainda careça de força, de 'presença', independente da idade do autor, ou seja, se um poeta de 16 anos me
apresentar um poema consistente, não será um poema adolescente, mesmo feito por um adolescente. é um termo
que eu uso para designar poemas geralmente romãnticos em excesso ou revoltados em excessos, ou seja
aqueles 'defeitos' típicos dos adolescentes :)) (Rubens da Cunha)
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Doce Rubens? Estamos combinados? Eu gostei muito do encaminhamento de suas análises sobre os textos em
discussão, e acredito que todos nós aqui temos muito a aprender com você.
Fique à vontade neste Lindo Espaço Rubens, onde quem manda são os cadastrados, e não as moderadoras (no
caso, eu e a Dira). O que movimenta esta Linda Lista é a divergência! Saludos y gracias.(Maria José Limeira).
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Obrigado, Maria, minhas análises são sempre mais estruturalistas, sempre mais voltadas para a
arquitetura do poema. Agora que tem poema meu na lista. vamos à destruição :))
beijos
Rubens
Oi Maria, desculpe a demora na resposta, é que eu estava viajando.
Os exemplos de poemas que você citou são clássicos da literatura (alta literatura) social. É essa diferença
entre um texto com 'mensagem' social mas que consegue ser literário e outro que carrega apenas a mensagem
mas não tem sustentação artística que eu gostaria que conceituássemos. Os autores citados são todos
mestres, todos possuem características pessoais que os tornaram os grandes escritores que são. E novamente, insisto na idéia da ingenuidade, aquele 'utopismo' que atrapalha tanto a vida do texto social. Graciliano não tinha
muitas esperanças com a humanidade :)) o mesmo se vê em Ferreira, e até o idealismo romântico de Vinicius não
contém muitas alegrias ou mensagems otimistas. Assim como Machado, ou os Russos, ou Victor Hugo. A
literatura sempre está acompanhada de uma certa amargura, uma certa inadequação e é isso que a torna
arte. Não sei se está certo, mas ouvi certa vez que Sartre disse: "a felicidade não produz bons textos".
É isso Maria, mais umas considerações a respeito desta vasteza que é a literatura.
beijos
RubensMaria,
essa conversa de zangado, linda lista, humilde opinião traz severos inconvenientes. Não vi irritação da parte de Rubens, apenas clareza. Manifestar em que condições se tem interesse não é "impor condições", mas esclarecer que condições exige-se de si mesmo.
Régis
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E quais são os inconvenientes da Linda Lista, Régis? Posso saber? Conversa de zangado também não pode?
Diálogo e debate também estão proibidos? Quem disse? Obrigada pela ajuda que está dando ao Rubens e a mim,
neste brilhante caso. Saludos y gracias... Maria José Limeira.
MAGIA À MAJESTADE
Um texto de Marcelino Costa
(Análise crítica)
Maria José Limeira
O texto “Magia à majestade”, de Marcelino Costa, é interessantíssimo.
Tem movimento.
Tem plasticidade.
Tem imagens ricas, etc., necessárias a um bom poema.
Mexe com a imaginação da gente.
Apesar do mistério das palavras, e do sentido oculto que há nelas, é tão explícito, que dá até para ouvir a
música que acompanha este bailado.
O sentido de entrega no final foi uma boa solução.
A linguagem é culta.
O texto é conciso.
Numa palavra: é um texto atual.
Belíssimo!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
MAGIA À MAJESTADE
Um texto de Marcelino Costa
(Análise crítica)
Dira Vieira
Começando do título, como se a magia se curvasse à majestade, nunca vi essa expressão, pois não compreendo como a magia pode se curvar à majestade, mas é a idéia que o autor nos passa, o de reverenciamento da
magia, do oculto à majestade. Que majestade é o que vamos descobrir lentamente, como uma flor que se abre através das figuras de linguagem, cheias de lirismo, ritmo, cor e argumentos poéticos.
É o poema do Marcelino que se desmancha numa sinfonia, tão sonora que é, tão perfumada e melodiosa, da visão poética diante da orquestra da vida, da natureza. Não poderia ser melhor.
O autor se utiliza de imagens belíssimas, como no verso: passos em brotamento, simbolizando o surgimento de ações da natureza.
A contemplação poética da vida que se abre delicamente, ante o olhar preciso do poeta.
Na primeira estrofe, o autor se utiliza de uma referência ao Gênesis "e o verbo se fez carne", para solidificar o acontecimento. A única ressalva, seria a forma como está escrito o primeiro verso, no meu entender, melhor seria se ele tivesse escrito assim:
A música se fez carne
e veio dançar entre nós.
Mesmo que todo o poema esteja no presente. É um poema belo, com certeza.
ANÁLISE: de Rubens da Cunha ,
Então Marcelino, vamos ao nosso velho conhecido Magia a Majestade, lendo agora com distanciamento do motivo de sua 'feitura', acho que o poema está bom, conciso, com estrofes pequenas, mas a estrofe final ainda está destoando do conjunto, explicativa demais, distanciada da linguagem minimalista do resto do poema. Não sei se você tem estrutura pra mexer neste texto :)) se tiver recomendo a tentativa de igualar a linguagem da última
estrofe com a das anteriores, sem dúvidas bem mais poéticas.
é isso
valeu
RubensMagia à Majestade
A música se faz carne,
vem dançar entre nós.
Esparrama-se
em palcos
boreais.
É a flor, que sucumbe ao fruto,
convertendo
a cadência:
passos em brotamento.
Quando as ribaltas
clamam, surge a vésper,
entregue ao ritmo do
sonho coreografado.
Enquanto os jurados
se quedam embevecidos,
a apoteose,
que se alimenta
de aplausos,
se emociona e, curvada, entrega a magia à majestade.
© Marcelino Costa