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REFLEXÕES SOBRE NOSSA OFICINA LITERÁRIA

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Amigos, 

Ando muito atarefada e por isso, tenho sumido um pouco daqui. O mestrado tem me  tomado mais tempo do que eu imaginava, além de outras atividades que me ocupam todo o tempo. Mas queria provocar aqui, algumas reflexões:

Hoje, recebi um mail em uma outra lista de produção literária de nosso amigo Di  Maio, lembram? Pois é, nos encontramos em outra lista e ele me segredou que essa lista é uma das melhores listas das quais ele já participou e que se arrepende de ter saído daqui, porque as discussões eram interessantes e nunca foi perseguido por dizer o que pensa, se gostava ou não gostava de algum texto. Segundo ele, a discussão aqui era a mais democrática de todas as listas literárias em que ele participou. (Dira Vieira)

 

RESPOSTA:

E até hoje não entendi por que o Di Maio deixou a Lista. Era um começo de lista, com muito nervosismo de todos os lados. As pessoas querem dizer o que pensam, mas não aceitam as respostas que vêm como reação. (Maria José Limeira)

- Postado por: Oficina às 00h55
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Reflexões - Continuação

Tenho perdido o estímulo de analisar os textos, e de participar ativamente da lista e por quê?

Primeiro, as pessoas postam os seus trabalhos e o silêncio é geral. Algumas pessoas analisam e a maioria cala. Não há uma troca conteudística do que se está discutindo aqui. E aí, os textos vão caindo no vazio.  Isso me entristece. (Dira Vieira)

..........

RESPOSTA: 

É muito fácil falar “das pessoas”, como se não fizéssemos parte delas. Os textos caem no vazio porque são deixados cair. Se cada um fizesse sua parte, não cairiam. Há muito tempo, amiga Dira, que não vejo você analisar textos por aqui. E não me venha dizer que é porque perdeu o estímulo. Se não me engano, nem você nem ninguém analisou meu último texto que foi divulgado para análise. Eu jamais me importei se analisam ou não os textos, se dizem que as rimas são ricas ou pobres, se são poesia ou prosa, etc. Faço a minha parte (tenho a honra de ser Moderadora desta Linda Lista, e de dar um exemplo de heroísmo, e até mais do que isto). Venho estudando análise literária desde que assumi a responsabilidade desta lista, e analiso todos os livros que caem em minhas mãos, e textos de poetas em outras listas... Com isto, sou convidada para fazer prefácio de livros, orelhas e para analisar textos, porque minhas análises críticas não se restringem a esta lista... Vocês vão me desculpando a sinceridade. Mas, se é de briga que esta lista precisa para sair da falência, ei-la agora! Vamos começar a brigar. (Maria José Limeira)

- Postado por: Oficina às 00h48
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Reflexões - Continuação

A maioria da lista está calada. Nesse caso, qual seria o motivo? E os que estão calados, qual o interesse de permanecer numa lista de DISCUSSÃO LITERÁRIA, se permanece em silêncio? O que significa esse silêncio, pois? Insatisfação? Falta alguma coisa? E se falta, o que? (Dira Vieira)

..........

 

RESPOSTA:

Se todos estão em silêncio, não serei eu a me calar. Analiso os textos. Digo o que penso! Se eu me calar, e ficar acusando os outros de silêncio, cairei no mal da maioria. Eu não quero ser maioria. Quero ser sempre minoria, e bem original! Há uma pessoas nesta Linda Lista as quais convidei e concordaram em participar como Observadoras. (Um deles pediu asilo nesta lista e é meu primo Ramon, de Campina Grande, estudante de Medicina). Faça cada um seu trabalho. Quem mal fizer, pra se é, já dizia minha linda vó! (Maria José Limeira)

..........

 

Acho que além de trazermos outras pessoas para o debate, seria bom que as pessoas se colocassem e dissessem se continuam (e se vão continuar que abram a boca, ou botem os dedos para trabalhar) ou se saem de vez. (Dira Vieira)

...........

 

RESPOSTA:

Amiga Dira, com todo respeito, acho que a filosofia da coisa está mal colocada. Ninguém é obrigado a nada nesta lista. Fala quem quiser. Não fala quem não quiser. Porém, o que venho notando, pela continuação e experiência adquirida no decorrer dos trabalhos, é que as pessoas usufruem do nosso espaço onde deságuam enxurradas de textos, seus textos são analisados e debatidos, e essas pessoas não emitem qualquer opinião, por mínimas que sejam, sobre os textos dos outros. Não estamos exigindo aqui testes de erudição. Apenas queremos saber o que as pessoas acham dos textos, e como eles lhes tocaram... (Maria José Limeira)



- Postado por: Oficina às 00h39
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Reflexões - Continuação

O que faz alguém ficar numa lista em silêncio? Divulgar seus textos?

 A finalidade da lista é o debate, a troca, e a interação dos participantes. Se isso não ocorre, o que estamos fazendo aqui? Minha caixa continua lotada de textos que chegam, mas só isso? (Dira Vieira)

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RESPOSTA:

É o que eu venho dizendo desde tempos imemoriais:

Nossa Linda Lista não é depósito de espermas! Oopps! De textos! Não somos uma lista convencional, onde as pessoas desfilam textos que ninguém lê, em quantidades exorbitantes, onde ninguém lê ninguém, e qualquer reparo é considerado ofensa! Esta é nossa Oficina Literária, de reflexão e debate, e quanto mais detalhes, melhor para todos! Quanto mais contradições e “ofensas”, ainda melhor! Uma Oficina Literária não mede seu valor pela quantidade de mensagens em circulação. Análise literária não é tapioca que, virou mexeu, está pronta. Mas  que droga! Vejam, amigos, o desplante de um megalomaníaco que se orgulha do número de mensagens que circulam em sua lista, sem se importar com a qualidade dos textos. (Maria José Limeira).



- Postado por: Oficina às 00h32
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Reflexões - Continuação

O blog foi abandonado. Se fosse um site, seria abandonado do mesmo jeito. As pessoas não se animam a fazer alguma coisa e eu realmente já trago nas costas coisas demais na minha vida. Acho que podíamos dividir tarefas do tipo:

a. Fulano posta  os textos pra debate;

b. Cicrano recolhe as analises e publica no blog;

c. Beltrano media as discussões.

(Dira Vieira)

 

RESPOSTA:

Dira, nós já conversamos pessoalmente sobre isto. Blog, Homepage ou site, tem que ser assumido tecnicamente por um webmaster. Não adianta querer dar uma de profissional, sendo amador, e não adianta se fazer de amador sendo profissional. Tentei visitar o Blog várias vezes, não consegui localiza-lo na UOL, e o convite que você me mandou para acessa-lo e divulgar mensagens não funcionou. Está faltando técnica. Ou assumimos o blog e abandonamos os trabalhos na lista, ou vice-versa. Que acha? (Maria José Limeira)



- Postado por: Oficina às 23h19
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Reflexões - Continuação

Gostaria de ouvir as pessoas. E assim, poder definir a minha participação e permanência nessa lista a qual tenho o maior orgulho de pertencer. Mas sinceramente, preciso ouvir vocês. O que me dizem? (Dira Vieira) 

RESPOSTA:

 Você fez muito bem em levantar as questões que estão emperrando o funcionamento de nossa Linda Lista. E acho que está na hora de repensarmos tudo, começando do zero. Só não concordo que você tenha de colocar os problemas nos termos de “definir” sua “participação” ou “permanência” na lista. Está querendo desistir? Pelo que sei, você não é pessoa de desistir ou abandonar a luta. Você é Poetisa Guerreira, como todos nós aqui somos, idealista e lutadora, acostumada com as intempéries da vida... Puxa vida... Agora fiquei triste, sabe... Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 23h12
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Reflexões - Continuação

De minha parte, os interesses e prioridades variam. Retrospectivamente, parece que o que mais me estimulava nessa lista eram as brigas. Tendo saído alguns brigões curiosos e ficado apenas a irônica Maria, com quem não tenho tido divergências novas e o sarcástico Ricardo, cujas provocações não vão muito longe... parece que tenho tido pouco interesse

nessa lista.

(Régis)

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RESPOSTA:

O que mais gosto no Régis (e ele sabe disto!) é seu pavio curto, sua maneira desbocada de dizer as coisas, e sua necessidade de confronto. Régis foi uma “alma perdida” um “pecador sem remissão”  que encontrei na internet, disperso em outras listas, sem pouso certo. E, de certa maneira, nos identificamos à primeira vista por causa disso. Apesar de nossas divergências ideológicas (que são profundas), nós nos entendemos, e talvez essas divergências tenham nos aproximado. Ele tem me dado trabalho, pois é um osso duro de roer. Mas, poucas pessoas o entendem tão bem como eu... O caso é que Régis gosta de ver o circo pegar fogo. Nas primeiras horas de funcionamento desta Linda Lista, ele foi responsável pela debandada de todas as “dondocas” que aqui aportaram, com a melhor das intenções quando revelou, de cara, quantos centímetros mede seu pênis lindo... As moças eram da tradicional família mineira, e não esperaram para ver o fim da história. Poucas pessoas do começo de nossa lista sobreviveram às “abocanhadas” que Régis lhes deu a fim de promover brigas e contrariedades. Depois, ele pareceu cansado de si mesmo, e aquietou-se... (Maria José Limeira)

- Postado por: Oficina às 22h57
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Reflexões - Continuação

E, claro, para mim não faz mais sentido discutir se tal ou qual texto é prosa ou poesia, já que meus critérios e razões já foram expostos. E como as críticas vão em sentidos que para mim fazem pouco sentido (teve rima, métrica... ou é prosa ou poesia...) também tenho tido pouco interesse em enviar os textos para cá. Há alguns meses escrevi alguma coisa sobre o Iraque mas como a discussão aqui de certo seria mais sobre o aspecto ideológico que literário (e a discussão literária seria naqueles termos que já não me interessam), nem enviei para análise... (Régis Antonio Coimbra)

 

RESPOSTA:

Se isto é uma alusão velada à minha maneira de criticar os textos classificando-os como “prosa” ou “poesia”, vá tirando seu cavalinho da chuva, ou então me dê ensinamentos, que eu mudarei. Aprendi a analisar os textos nesta linda Lista, com João Andrade, que colocou textos esclarecedores sobre o assunto nesta Oficina, e me mostrou o caminho. Se acha que não há ninguém nesta Linda Lista que enfrente seu mau-humor e seus desafios, aqui estou eu, meu caro Régis, respondendo à altura sua necessidade de briga. Brigue com eu!!! Hehehehehe... (Maria José Limeira)

..........

 

Isso pode mudar. Como já mudou outras vezes. Por isso continuo. Porque se não tenho grandes motivos para ficar, menos ainda tenho para sair. (Régis)

 

RESPOSTA:

Só haverá mudanças se alguém se dispuser a mudar. E saiba, caríssimo Régis, que é hora de você arregaçar as mangas e expor suas necessidades nesta linda Lista, dando sugestões para que a mesma melhore o desempenho... (Maria José Limeira)

- Postado por: Oficina às 22h50
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Reflexões - Continuação

Maria,

Não me lembro de ter detalhado os centímetros de meu “pênis lindo” (mas não especialmente grande). Mas, tudo bem. É sempre bom esclarecer que nove centímetros já é “normal” (embora bastante incomum e, nesse sentido, certamente pequeno “até para japonês”). Eu até acho que há uma desvantagem num pau relativamente pequeno ou meramente “médio” (entre 12 e 15 centímetros), que é a necessidade de maior cuidado para que, em movimentos muito amplos, não acabe saindo fora de seja lá onde se o estiver enfiando. No entanto, o que realmente importa é prestar alguma atenção no que se está fazendo... adequando as práticas às possibilidades dos envolvidos (se é perneta, tem problema de coluna, está com o cotovelo machucado, tem pau pequeno ou grande, está com excesso de peso, está grávida etc.).

Quanto ao “prosa ou poesia”... não és a única a focar-se nisso... Mas tudo bem, posso explicitar que se refere a ti, concretamente: não me interessa insistir na discussão sobre “prosa e poesia” com a cabeça dura da Maria Limeira.

Quanto a teres aprendido com João... parece-me que não aprendeste bem, apesar do professor ser bom. Ou talvez aprendeste alguns truques e te fixaste nos detalhes mais supérfluos da análise literária.

Quanto a se dispor a mudar... estou geralmente disposto e, disposto ou não, volta e meia mudo. Então não se trata tanto de me dispor a mudar. Como já disse, vario. No momento, não tenho discussões literárias que me interessem nesta lista, nem tenho alguma para propor. Se me ocorrer alguma, trarei...

- Postado por: Oficina às 22h43
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Reflexões - Continuação

Quer dizer, até tenho uma: qual a justificativa da ficção científica, principalmente quando se confunde com a fantasia na linha da observação de Arthur Clarke, que observou que referências a hipotéticas tecnologias muito mais avançadas que a nossa são indistinguíveis de magia, de contos de fada, razão pela qual ele geralmente limita-se a ficar dentro de certos limites ao menos razoavelmente verossímeis conforme a ciência atual, abdicando de trabalhar com viagem no tempo (totalmente vedada pela atual física), “hiper-espaço”(variações de viagens relativamente mais rápidas que a velocidade da luz, com “dobra espacial”,  “wormhole” e outras vagas possibilidades levantadas pela física, mas sem provável aplicação prática), tele-transporte (também vagamente possível, mas de certo sem possibilidade de ser usado para teletransportar coisas grandes e complexas como uma pessoa), anti-gravidade (que depende do mecanismo ainda não totalmente compreendido da gravitação e, portanto, pode ou não ser possível, apenas não sendo desde já sabido como impossível).

Seja como for, convenhamos, essa é uma discussão que interessará ao pessoal da lista? Tenho discutido este assunto em outra lista especializada em ficção científica.

(Régis)

- Postado por: Oficina às 22h36
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Reflexões - Continuação

Dira, minha boa amiga,

eu me encontro em uma situação similar à sua. Envolvido até o pescoço com minha tese. Gostaria de participar mais, mas concordo com o Régis, no momento argumentar se tal texto é prosa ou poesia, se a rima é pobre ou rica etc, não me parece tentador. Reconheço que a culpa é minha, pois o que disse já me foi instigante. Creio que assim que meu tempo voltar ao normal, também voltarei a me sentir estimulado. Mesmo assim prossigo divulgando a lista entre meus alunos. Por sinal meu "público" tem reclamado que não sai mais textos meus na lista. Digo-lhes que estão na fila.

Um grande abraço com carinho e admiração.

João Andrade  

- Postado por: Oficina às 20h41
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Reflexões - Continuação

RESPOSTA:

Está vendo aí, amiga Dira, o que acontece quando as lideranças desistem? Todo o exército restante cai, ou se dispersa, ou desanima... Uma pessoa como João Andrade, nosso braço direito, dizer que “não há nada de tentador na lista”... Realmente, esta foi a maior ofensa que a lista recebeu ultimamente. Ultrapassou os Régis da vida... Se eu fosse uma criaturinha frágil e irresponsável, juro-lhes por Deus! Desistiria na hora! Colocaria a viola naquele lugar e iria embora... Sinceramente...

Senhoras, Senhores, eu conheço gentes na internet que fecharam suas listas sem dar satisfação a ninguém, sem levar em conta que eram responsáveis pela comunidade e por todas aquelas pessoas que confiaram nelas. Outras sumiram do pedaço sem dar satisfação... Eu abandonei todas as listas para me dedicar exclusivamente àquelas onde sou Moderadora. Porque não encontrei nas listas a liberdade que vejo aqui.

Esta lista sobreviveu a todos os ataques de alguns safados que aqui aportaram para bangunçar o coreto e nos destruir...

Todos procuram nesta lista o que eu me cansei de procurar. Mas, parece que as pessoas gostam da ditadura e têm horror à liberdade.

Eu acho que devemos refletir irmãmente sobre este assunto. Mesmo que saia cada um de vocês, eu ficarei aqui (embora sozinha) e se alguém me procurar, é aqui que me encontrará...

Saludos tristes...

Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 20h36
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Reflexões - Continuação

Amiga Limeira,

A frase "não há nada de tentador na lista" atribuída a mim, é sua. Eu disse: "no momento argumentar se tal texto é prosa ou poesia, se a rima é pobre ou rica etc, não me parece tentador." Em seguida argumentei que a culpa era minha, achei que estava implícito que "no momento" minha prioridade era terminar minha tese. Acreditei que isso estava claro com  a afirmação: "Reconheço que a culpa é minha, pois o que disse já me foi

instigante. Creio que assim que meu tempo voltar ao normal, também voltarei a me sentir estimulado." Esperava que isso fosse entendido como:"me dá um tempinho, eu tou por aqui, mas estou muito aperreado."

Não afirmei e nunca ao menos pensei que "não há nada de tentador na lista", pois para mim, ler a produção dos colegas, mesmo sem no momento me posicionar, ainda é tentador. A sensação de estar entre amigos, mesmo quando estou "ausente", ainda é tentador.

Estranho a minha afirmação ter sido a maior ofensa que a lista já sofreu, quando fora dela só faço propaganda, só estimulo os meus alunos a participarem. Reconheço que exceção da Margot, os outros não  apresentaram maturidade para continuar, mas tenho tentado. O meu pequeno desabafo e ainda assumindo minha culpa é maior que a difamação feita na Internet

por pessoas citadas aqui e por inúmeras vezes considerada pela senhora como amigas? Se a resposta for sim, não devo continuar no grupo.

Adianto que não é minha intenção sair, mas minha intenção muito antes  de continuar fazendo parte do grupo, pois o ainda acho tentador, é fazer ofensas.

Um abraço com carinho e admiração.

João Andrade

- Postado por: Oficina às 20h29
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Reflexões - Continuação

Ao meu bom menino João Andrade:

Prezado João Andrade (bom menino!). Com você, tenho aprendido muitas coisas.

Você é meu Mestre na arte de Criticar. Você tem sido o baluarte desta Linda Lista. É meu bom amigo, Poeta do meu Coração, pelo qual tenho grande amor e carinho. Sei que sair ou ficar neste espaço é um problema pessoal de cada um. Mas, eu estava caladinha no meu cantinho, sem fazer mal a ninguém, olhando o desenrolar dos acontecimentos. Fui chamada à briga. Entrei  nela. Não com o fim de destruição, mas para passar tudo a limpo. O que eu

disse a seu respeito não é nenhuma ofensa, é somente o que penso. Você sempre teve a

liberdade de dizer o que pensa também, como todos aqui. E ninguém deve sair

para fugir da raia, ou por ciúme, ou por amúo... Você já teve provas do quanto pode o nosso trabalho, e do valor de nossa lista, como oásis da Internet, onde tudo acontece e tudo é possível. Se você quiser, eu peço desculpas, porque a intenção minha não foi ofender ninguém. Estamos numa hora de decisão. E esta é a primeira fase do nosso diálogo. Em seguida, virá o nosso trabalho de repensar a lista, esclarecer procedimentos e direcionar

nossos esforços no sentido de enriquecê-la cada vez mais. Eu lhe peço perdão. Não quis compará-lo a pessoas que você não gosta, no sentido de destruir seu trabalho. Você sabe como eu o amo e lhe respeito. Esta lista sem você ficará vazia... Você quer ver esta sua velha amiga morrendo de saudade? Um abraço dolorido, amigo João Andrade, pois você sabe muito  bem o quanto tudo isto dói em mim também... Saludos tristes... Maria José

Limeira

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Tudo bem, amiga Limeira. Tudo bem. Avante!

João Andrade

- Postado por: Oficina às 20h24
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Reflexões - Continuação

 concordo com todos.

acho que a oficina anda mal das pernas, e, se fosse um negócio, estaria bem perto da falência. Acho que estão todos esgotados, quem tinha o que falar, já falou, quem não tinha, nem ouviu, ou se ouviu, não ouviu nada que tenha lhe motivado posteriormente para dizer alguma coisa.

Comecei um debate com o rubens sobre influências ou não de um texto sobre a semana santa, ou de Jesus, que seja, que havia postado.

Os debates não rendem mais, quando se concorda ou não, todos se calam. Ninguém mete o bedelho nas conversas alheias, sinal de educação, não, falta de interesse, penso. Penso que todos os textos deveriam ser discutidos muito mais no campo filosófico e criativo de que apenas técnicas e formatos. Estes são exatos demais para se haver uma discussão mais calorosa e progressiva, porém contudo todavia, não ampliam o pensamento dos criadores, mas tão somente os moldam para uma técnica mais apurada.

Acho que talvez seja hora de descansar, dar uma volta por aí, sem rupturas ou promessas.

Saudações, Ricardo.

- Postado por: Oficina às 19h42
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Reflexões - Continuação

RESPOSTA:

Pisoler, Pisoler, ó meu doce amigo Pisoler. Dar uma volta por aí talvez não seja a melhor solução. Seria melhor dar umas voltas por aqui, amigo Pisoler. Sei que, nessa volta por aí que você der, sentiria imensas saudades de mim, porque nós dois somos os “mais juntinhos” desta meiga lista. Acostumamo-nos com a presença um do outro, sem exigências, como soe acontecer em toda amizade, e sem pedir nada em troca. Você é o mais sincero, sem ferir ninguém. Você é o mais honesto. Você é o mais meigo. O mais despojado. O mais simples. Que seria de nós sem você?

Você tem razão em tudo que diz. Os debates morrem no meio do caminho. Mas isto acontece em todo canto, nos feriados prolongados, nos períodos de cansaço, nas doenças, nas depressões a que os Poetas estão sujeitos. Há vida fora da Internet.

Precisamos discutir, debater muito, e eu não quero mais ouvir falar de ninguém aqui propondo dar voltas por aí... Todos somos amigos, unidos pelos mesmos interesses de aprendizado.

Eu quero que me tomem como saco de pancada. Gritem comigo, quando eu exceder os limites. Digam-me a verdade...

Um cheiro, amigo Pisoler.

Saludos! Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 19h38
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Reflexões - Continuação

SOBRE SEXO & FICÇÃO CIENTÍFICA

Eu proponho aos doces companheiros & companheiras que deixemos o sexo de Régis deitado em berço esplêndido e nos peguemos com esta questão da ficção científica que este autor levantou.

Eu gosto muito da Ficção Científica, é um dos meus gêneros preferidos. Mas, nunca me preocupei em olhá-la sob o prisma da Teoria (que acho muito chata...)

Temos, no Brasil, um autor de ficção científica e de fantástico, chamado Fausto Cunha, inteiramente esquecido. Pesquei, no Google, um autor que transporta romances de ficção científica para o cinema, com muita competência. Aí está ele. Saludos. Maria José Limeira.

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O futuro segundo Spielberg

 

Por Felipe Lavignatti

 

            Época de eleição é época de promessas. E sempre há espaço para promessas sobre segurança. Em termos de segurança, o cineasta Steven Spielberg apresenta uma alternativa eficiente, porém com questões éticas complicadas.

            Se o limite da ficção e realidade fosse mais tênue, a proposta do último filme dele teria voto certo com milhares de pessoas que temem a violência

cotidiana. A trama é sobre um sistema policial do futuro que prende as pessoas antes do assassinato ocorrer. O método é eficiente graças às previsões de três pré-cogs, criaturas criadas em um líquido cujo único propósito de existência é fazer previsões.

- Postado por: Oficina às 19h33
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Reflexões - Final

               Com o crime premeditado na mão, os policiais tratam de prender o criminoso antes da tragédia. Eis que um policial padrão, o eterno galã, e atuando cada vez melhor, Tom Cruise, é acusado pelo sistema. Aí o filme entra numa ação sem fim.

            A direção de Spielberg está cada dia mais precisa, e depois de "A.I." ele vem provando que ficção científica é o seu melhor gênero. Sempre com efeitos na medida certa e convincentes. Para aqueles que não gostaram do filme dos robôs com sentimento, podem ficar tranqüilos que aqui a história é diferente.

            Isso se deve muito ao conto em que é baseada a história. O autor do original é o pessimista Philip K. Dick. Para quem não liga o nome à pessoa, ele é o homem por trás de histórias como "Blade Runner" e "O Vingador do Futuro". Tendo os exemplos acima, pode se ter uma noção do quanto a ficção dele é suja, no melhor sentido da palavra.

            E o "limpo" Spielberg, quem diria, soube muito bem se encaixar nos padrões dele. E cenas nunca antes imaginadas em um filme dele podem ser vistas aqui, como vômitos, nariz escorrendo e outras nojeiras atípicas ao diretor.

            Mas ainda se trata de um filme com a cara do diretor, onde heróis não se dão mal no final. E referências a seus ídolos, como Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock. É uma atrás da outra, principalmente de Kubrick. Se não bastasse a boa história, a ação ininterrupta, os efeitos incríveis, Tom  Cruise e Spielberg, o filme ainda traz ótimas atuações do novato Colin Farrel e do eterno padre de "O Exorcista", Max Von Sydow.

            Até agora a melhor ficção do ano. Arrisco-me a dizer até que é o melhor filme do ano.

Aqueles das críticas preparadas vão pegar no pé do diretor, com aquele discurso pré-concebido sobre o diretor de blockbuster. E dái? É Blockbuster sim, e de qualidade. E Spielberg sabe fazer isso como ninguém.

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Fonte: 

projecao@thiagogardinali.com.br

- Postado por: Oficina às 19h29
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Concredo: Rubens-1

CONCREDO: UM TEXTO DE DALVA LYNCH, EM DEBATE

 

Olá Dalva, vamos às minhas impressões do teu texto. Discursivo, um certo tom de manifesto que o prejudica em determinados momentos, quando a ironia não existe.

Há versos originais como:

 

'Busco soluções no espelho

Mas descubro só uns olhos arregalados

Uma expressão de assombro e espanto

E um chumaço ruivo caindo na cara.

Isso não é material de musa. Só de poeta.'

 

Neste exemplo se concentra aquela ironia amarga, meio  Manuel Bandeira, meio Drummond, que torna o texto forte, reflexivo. Mesmo que 'assombro' e 'espanto'  sejam quase a mesma coisa :))

Outro bom exemplo é o verso:

 

'Quero ser amada em prosa e verso e sentir a sensação

vazia e divertida

mas divertida não é tradução de exhilarating!

 

onde você se utiliza de um clichê como 'ser amada em prosa e verso' para logo depois desestruturá-lo com o verso "Mas divertida não é tradução de exhilarating!".

Este humor acrescenta um inusitado ao texto bastante bom.

Já em versos como

 

"Que é ser inspiração.

Ah, droga! Cansei de ser inspirada."

 

mesmo fazendo parte do conjunto, esta 'interjeição' destoa do resto, este 'ah! droga' é prosaico demais,

não carrega a fina ironia dos versos anteriores, em última instância vulgariza o texto sem que isso o torne

melhor.

- Postado por: Oficina às 23h35
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Concredo: Rubens-2

Outro exemplo deste desequilíbrio entre o humor bem colocado e um verso que não acompanha este humor está nesta passagem:

 

"E sei fazer poemas na cama melhores ainda do que os

que profiro

Nas páginas vãs de livros que talvez nunca sejam lidos.

Mas em que cama hei de proferi-los?

Ah, que me calasses a boca com um verso!"

 

Na minha percepção, o verso inicial é quase erótico, como se piscasse para o leitor  com um sorriso no canto dos lábios, e enquanto estamos saboreando / imaginando esta 'safadeza' (no melhor dos sentidos) você nos arremessa em um mundo de explicações tipo 'páginas vãs

de livros que talvez nunca sejam lidos", aqui bastava um 'nas paginas dos livros". Ou indagações 'Mas em que cama hei de proferi-los?" e por fim (agora a Maria me

mata :)) - insere um 'tu' ainda não visto no poema, e que também depois desaparece, já que não há menção nenhuma a outra pessoa no resto do texto:

 

"Ah, que me calasses a boca com um verso!".

 

Para mim, escrever é equilibrar palavras/informações.

Você nos deu uma informação poeticamente capciosa, dúbia no primeiro verso, com isso colocou originalidade sobre o texto, mas depois continuou falando coisas que não

continham mais esta originalidade, ou seja, neste momento acho que houve um desequilíbrio no texto.

- Postado por: Oficina às 23h19
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Concredo: Rubens-3

Outro ponto, que acredito você deva analisar seja a parte final.

 

"Só não sei onde se compra o ser-se algo mais do que sou

Porque o que sou não basta

Para ser poema.

Poema é o que faço, não o que sou.

Mas não quero ser o que sou!

Quero ser palavras, mas não as minhas.

Quero ser, apenas.

E depois do poema findo, que não seria o meu

Eu teria o direito de me encerrar em reticências.

Ou em ponto.

Final."

 

está prolixo, você usa repetições desnecessárias :

 

"Poema é o que faço, não o que sou.

Mas não quero ser o que sou!

Quero ser palavras, mas não as minhas.

Quero ser, apenas.".

 

Onde está a ironia do começo, a inventividade de por uma palavra em Inglês? Os versos mais questionadores como

 

'Sei de todos os endereços onde se compra inspiração

E as esquinas todas onde se compra versos.".

 

Além disso o verso final já foi muito usado, finalizar  o poema com a expressão 'ponto final' não acrescenta nada em originalidade.

 

 “Acredito que o verso 'eu teria o

direito de me encerrar em reticências"

 

é muito mais um final do que o apresentado.

Bem Dalva, acho teu texto interessante, mas ele precisa de uma lapidação, para que os pontos positivos, como a ironia, o humor, os questionamentos apresentados se

sobressaiam aos pontos negativos que são o excesso de explicações e o uso dos clichês sem que haja a subversão, conforme eu indiquei acima.

é isso, no aguardo de outros textos e considerações.

Abraços

Rubens da Cunha

- Postado por: Oficina às 22h59
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Concredo - Continuação

CONCREDO

Um texto de Dalva Lynch

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O texto "Concredo", de Dalva Lynch, é bem inquietante,  a partir do título, para o qual não achei explicação.  (Confesso que já vivi?!).

Apesar de alinhado como Poema, é Prosa.

Prosa prolixa, diga-se de passagem.

Trata-se de um discurso vazio, enfocando a dualidade Poeta/Musa.

É um texto sem emoção.

(Cerebral, eu diria).

Não tem dramaticidade, nem arredondamento.

A linguagem é rebuscada, cheia de requififes  e reentrâncias.

Lá pelo meio, surge uma palavra estrangeira (exhilarantig!), que eu não soube decifrar, por ser pouco usual.

(Confesso minha ignorância?)

Embora o tema seja rico, o texto é pobre.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista  democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 22h52
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Concredo - Continuação

Maria,

Concredo é latim. Um verbo. Significa "abrir-se", ou "confiar".

Sobre "prosa" ou "poesia", veja Fernando Pessoa et cetera.

Sobre ser vazio... talvez pq vc não vivenciou ainda o negócio.

Sobre ser sem emoção e dramaticidade, é porque tanto o  existencialismo quanto a "poèsie maudite" é assim mesmo, cara... 

Sobre arredondamento, angústia existencial não  tem "arredondamento".

Sobre linguagem rebuscada... putz! Adadidonde vc tirou isso?

Sobre ser pobre, não era pra ser rico... Vazio nunca é rico.,

 Sobre exhilarating, a tradução está bem ali mesmo, na mesma linha,

mas é algo como "saudade". Sem tradução que se aplique. Como penso

em inglês, às vezes fica difícil. Aprendi com Ari Quintella a deixar fluir na língua que vier, trabalhando em torno disto.

Abreijos.

(Dalva Lynch)

..........

 

Dalva,

não gostei do título (que não é rebuscado, é obscuro), mas gostei do poema. Não achei pobre. Vazio? Acho que estava mais para angústia existencial... e sexual. Vá lá que isso envolva um virtual vazio a  ser preenchido... Mas parece mais uma reclamação sobre o olhar recebido e, em parte, cultivado ou aceito (auto-imagem, papel...).

(Régis)

..........

 

Sei lá, Regis. De repente dei pra colocar títulos em latim. É fase - logo passa. Rs.

(Dalva)



- Postado por: Oficina às 22h45
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O texto em análise:

Concredo

 

© Dalva Agne Lynch

 

Escreva para mim, que quero ser musa. Cansei de ser

poeta.

Arremesso palavras como quem lança setas, mas não sou

cupido.

Só poeta. Mas cansei de ser poeta.

Busco soluções no espelho

Mas descubro só uns olhos arregalados

Uma expressão de assombro e espanto

E um chumaço ruivo caindo na cara.

Isso não é material de musa. Só de poeta.

Mas poeta não é amado a não ser vicariamente

E não quero ser amada vicariamente.

Quero ser amada em prosa e verso e sentir a sensação

vazia e divertida

Mas divertida não é tradução de exhilarating!

Que é ser inspiração.

Ah, droga! Cansei de ser inspirada.

Tenho curvas e enleios e anseios como qualquer musa

que se preze

E sei fazer poemas na cama melhores ainda do que os

que profiro

Nas páginas vãs de livros que talvez nunca sejam

lidos.

Mas em que cama hei de proferi-los?

- Postado por: Oficina às 22h38
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O texto em análise - Continuação

Ah, que me calasses a boca com um verso!

Eu me calaria.

Pelo menos calaria minha própria verve

Ouvindo elegias às minhas graças, que bem as tenho.

Talvez até descansasse de ser poeta.

Onde se pode comprar vestimentas de musa?

Sei de todos os endereços onde se compra inspiração

E as esquinas todas onde se compra versos.

Só não sei onde se compra o ser-se algo mais do que

sou

Porque o que sou não basta

Para ser poema.

Poema é o que faço, não o que sou.

Mas não quero ser o que sou!

Quero ser palavras, mas não as minhas.

Quero ser, apenas.

E depois do poema findo, que não seria o meu

Eu teria o direito de me encerrar em reticências.

Ou em ponto.

Final.



- Postado por: Oficina às 22h33
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 RESOLVI PÔR UM LIVRO PARA APRECIAÇÃO 

 

Resolvi pôr um livro para apreciação,

Enchi-me de ânimo e decidi-me a remetê-lo.

De boa índole lá me responderam, mas

Antes não o fizessem, do que dizerem que

Os meus poemas tinham uma boa construção.

Boa construção!? Os meus poemas são tudo

Menos obras pré-concebidas, são puros.

Porque disseram eles então que os meus poemas

Tinham uma boa construção? Para serem 

Simpáticos? Mas eu não pedi para serem simpáticos,

Se eu pedisse para serem simpáticos, então poderiam ter dito: 

Os seus poemas têm uma boa construção!, mas eu não 

Pedi para serem simpáticos, mas para lerem

Com atenção os meus poemas, então porque disseram eles

Que os meus poemas tinham uma boa construção?

Dissessem eles da pureza de meus poemas,

Que não era do seu agrado, e eu entenderia, para isso

Eu lhes tinha enviado desde sempre os meus poemas,

Para que os apreciassem e fossem correctos com eles,

Não que os tratassem como coisa outra.

Mas se os meus poemas são puros não podem ter boa

Construção, então porque disseram que os meus poemas

Tinham uma boa construção, quando eu apenas pedi

Um pouco de atenção?

 

 Jorge Humberto 

 29/03/05

 



- Postado por: Oficina às 21h27
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GEOGRAFIA DA ÁRVORE

Um livro de José Félix

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Falar sobre o Poeta José Félix é dizer Poesia com responsabilidade.

É falar de diálogo, de ética, e de preocupação do escritor com o seu tempo.

É fundir autor e obra numa única entidade.

É discorrer sobre o óbvio, quando o assunto é Amizade.

Porque José Félix é o amigo que aprendemos a amar e respeitar, ao longo do tempo. E os olhos da amizade fazem muito mais que ver quando se trata de Poesia. Esta ponte nos coloca bem íntimos e próximos, apesar da distância física que nos separa.

Foi, portanto, como amiga, que li “Geografia da árvore (a reinvenção da memória)”, livro de Félix recebido através de correio convencional.

Não sou crítica profissional.

Tudo que posso dizer sobre o livro é somente isto: é lindo, como produto acabado, capa, textura do papel, diagramação, organização gráfica e coordenação editorial.

Como Poesia, é impecável.

A Poesia de Félix é como um pássaro em pleno vôo: sereno, impermeável, elegante, misterioso e indecifrável.

Sobretudo, é a Poesia da palavra usada no timbre certo e no lugar que lhe cabe, cheia de honra e dignidade.

Este Poeta constrói sua Poesia a partir de um passado que começou em Luanda, Angola, sua terra natal, e vai beber nas fontes do Tejo português, onde pesca textos de uma singularidade admirável, fazendo uma Literatura nova, enxuta, concisa, sem perder o seu “sentir telúrico”, como bem o diz José António Gonçalves (JAG) no prefácio da obra, e acrescenta:

“O percurso desta Poesia é revestido também de uma sensível viagem pela memória, em cuja reinvenção se debruça o autor”.

Árvore é símbolo de raiz e sinônimo de pés-no-chão.

Casa é seu sub-produto e extensão, sinônimo de seguridade.

Estes dois temas, que se completam nos poemas de Félix, formam um conjunto onde não faltam sutilezas, reflexões e, sobretudo, linguagem.

- Postado por: Oficina às 00h59
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Geografia da árvore - Final

Eis alguns exemplos do poder de José Félix como Poeta:

 

vi-te abril a encostar os olhos

nas faldas das ondas

e assim distraidamente ausente

perscrutavas a existência na geometria

das mágoas

(A justificação das águas)