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que se imortaliza.

(Rogério Santos)

http://poesia.sobretudo.zip.net/



- Postado por: Oficina às 23h03
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HAI-KAI?

 

Com licença, senhoras & senhores. Interessa a todos nós:

 

Dia de finados

Ontem se finou meu filho

Paz na terra, amém

(André Chalom)

----------

 

Isto é hai-kai?

Ou não?

Saludos.

Maria José Limeira

..........

  

Olha eu de novo...

Dei uma estudada sobre o hai-kai e encontrei diversas informações interessantes.

O que pude concluir é que o hai-kai tem uma relação intima com as estações do ano, com algo que acontece agora e, não no passado, não tem  sentimentalismos do autor que deixa a sua marca e a marca de seus sentimentos de forma sutil no texto.

É descrever um evento real e deixar com que o apreciador tome suas conclusões?

Então é ou não um Hai-kai?

Qua tal o pessoal aqui também opinar sobre, jájá eu vou ser "persona non grata" por aqui hein...

Abraços.

(Hilton)

..........

  

Hehehehe... Obrigado pela citação, Maria. Eu condensei tudo (nada) que eu sei sobre haikais com uma pitada de Tolstói e algo de nacionalismo nesses três versos... então eu sou meio suspeito para opinar!

(André Chalom)

..........

 

Se for hai-kai, rasgo todos meus versos!

Obrigada, André, pela sua delicadeza. Obrigada ao Hilton, pela sua colaboração. Não tenham medo de opinar, porque aqui não se trata daquelas outras comunidades onde quem discorda é banido. Nossa função aqui é elogiar e também falar mal... Ah-ah! Sem medo de ser feliz, graças a Deus!

Se este poema citado de André for hai-kai, eu rasgo todos os versos que fiz até agora, os livros que publiquei, e desisto de ser escritora! Disseste-o bem, Hilton amigo. No hai-kai, não existe o "eu", e sim um observador imparcial que contempla as quatro estações... Saludos! Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h47
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Haikai? - Continuação

balanç-hai mas não kai...

É...como na anedota, tem pé de porco, orelha de porco, rabo de porco, mas não é porco...talvez uma bela feijoada...

Brincadeiras com o nosso amigo André a parte, nas Arcadas, de onde tenho a formação, há um inigualável poeta e autor de hai-kais: Guilherme de Almeida. Para quem tiver curiosidade:

www.unicamp.br/~franchet/haikai0.htm.

saudações.

(José Nunes)

 

 Esse será?

 

A chuva sem hora

Cai, precisa, na semente,

Do tempo senhora.

..........

 

O hai kai, amigos é arte para os Grandes Mestres. Amigo José Nunes, você esqueceu de colocar a autoria. Mas, se for contar as sílabas, pode olhar que a primeira acho que tem seis. A segunda tem oito, e a terceira tem...? Ainda pergunto a todos. É hai-kai? Ou não?

Saludos. Maria José Limeira.

........... 

 

Maria; primeiro, é de minha autoria. Segundo, o tema evoca natureza, estação do ano (chuva e plantio), narração na qualidade de observador, sem sentimento subjetivo, tudo conforme requer o haikai. Por fim, a métrica, 17 sílabas, em 5-7-5 (com elisão das fracas finais).

 

Como exemplo de símile, posto um do mestre Guilherme de Almeida, no qual utiliza as mesmas técnicas que usei no de minha lavra.

 

 

Desfolha-se a rosa.

Parece até que floresce

O chão cor-de-rosa.

 

saudações acadêmicas.

(José Nunes)

..........

  

 Não. Não. Não!

 

A(1) chu(2) va(3) sem(4) ho(5) ra(6).

Estão aí: seis sílabas no primeiro verso).

 

José Nunes. Cadê as cinco sílabas?

A pergunta continua: é hai-kai? Ou não?

Saludos.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h38
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Haikai? - Continuação

Sim, sim, sim

 

A/chu/va/sem/HÓ...5

Cai/pre/ci/sa/na/se/MEN...7

Do/tem/po/se/NHÓ...5

 

como se aprende, na prática, com o mestre Guilherme de Almeida:

 

 

Des/fo/lha/-se_a/RÓ...5

Pa/re/ce_a/té/que/flo/RES...7

O/chão/cor/-de/-RÓ...5

 

(notar que G. almeida ainda rima as terceira e (...oitava...) sílabas da segunda estrofe. Em outros rima a segunda e a sétima (qdo a sétima é a final). exemplo:

 

Por que estás assim, – – – – a

violeta? Que borboleta – b – – – – b

morreu no jardim? – – – – a

 

 

Parece que é isso....

 

Anote-se que alguns consideram possível a elisão, como fiz (entre eles, como dito, o mestre poeta), outros, preferem contar por inteiro - o que importa é a sonoridade final, também problema difícil de resolver. A melhor coisa, depois de pronto, é ler várias vezes em voz alta...pelo menos é isso que faço. Melhor discutir o conteúdo, pois esse o grande ponto do haikai...muitos fazem poemetos com a mesma métrica, mas sem respeito a filosofia que ele representa. Essa, parece, a questão maior a ser debatida.

(José Nunes)

..........

 

Ninguém se aventura?

Ninguém mais se aventura a discutir este lindo assunto? Eu vi uma comunidade inteira de hai-kais no orkut, cujos textos não têm nada a ver com hai-kais. São garatujas muito mal escritas! Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h25
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Haikai? - Continuação

Olá pessoal...

Escrevi um texto de nome

Uma singela contribuição que diz algo a esse respeito quem tiver curiosidade se encontra no não vou editar

ele por aqui por é um tanto extenso, obrigada pela atenção:

 

http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5550

(Rosângela Aliberti)

...........

 

O texto de Rosângela

Divulgo aqui trecho do texto de Rosângela Alibert sobre o assunto, retirado do site que ela citou. Saludos. Maria José Limeira.

----------

O 5-7-5 é a métrica mas não se deve ficar preso ao 5-7-5 (mais ou menos, não seja escravo); dispensa o `ego´ do autor; não contem verbos ´ser´, ´parecer´; versa sobre a natureza o subjetivo, não é admitido; adjetivos são colocados apenas quando necessário; nada de filosofia, o haicai não é elaborado de idéias pré-concebidas; as sensações são genuínas sem efeitos calculados; expressa coisas simples com palavras simples, aqui e agora; usa palavras de uso comum conforme a região; ausente de artifícios dos ´enfeites de termos poéticos´; não direciona a emoção do leitor; nunca dá portas a comparações; não contem sentimentalismo vazio; o haicai não explica tudo, mas sugere; apresenta verdades através de experiências concretas; está aberto dando a oportunidade para novos ´ganchos´; dispensa o explicar e o opinar; enfim a natureza é o que é sem abstrações seguindo também as dicas de Manoel Fernandes Manendez (contido no folheto: Seleções em folha distribuido no Centro Cultural da Vergueiro em São Paulo capital), o haicai contém poesia pura e mais nada. É como filme ou foto, aqui e agora, sem retoques em seu negativo. (Rosângela Aliberti)

- Postado por: Oficina às 23h19
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Haikai? - Continuação

OS 10 MANDAMENTOS DO HAIKU

Por H. Masuda Goga

 

1. O haiku é um poema conciso, formado por 17 sílabas, distribuídas em 5-7-5. Sem rima nem título e com a indicação da estação do ano (Kigo).

 

2. O Kigo é uma palavra que designa uma das quatro estações: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Por exemplo:

 

For de cereja (Primavera) Primeira flor.

Calor (Verão) Fenômeno ambiental.

Libélula (Outono) Inseto outonal.

Neve (Inverno) Fenômeno natural.

 

3. Cada estação do ano tem sua própria característica sob o ponto de vista da sensibilidade do poeta:

Primavera = Alegria

Verão = Vivacidade

Outono = Melancolia

Inverno = Tranqüilidade

- Postado por: Oficina às 23h13
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Haikai? - Continuação

4. O haiku é um poema que expressa fielmente a sensibilidade do autor.

Por isto:

Deve respeitar a simplicidade.

Evitar enfeites (em termos poéticos)

Captar o instante em seu núcleo de eternidade ou em seu momento transitório.

Evitar a racionalização.

 

5. A métrica ideal do haiku é a seguinte:

5 sílabas no primeiro verso.

7 no segundo

5 no terceiro.

Mas não é uma exigência rigorosa, contanto que siga a regra e não passe de 17 sílabas no total, e não as tenha menos de 17.

Há que se levar em conta que as palavras agudas no final do verso contam como duas sílabas e as mudas contam só uma sílaba.

 

6. O haiku é um poema popular, por isso requer palavras de uso cotidiano e de fácil compreensão.

 

7. O haikuista (haijin) autêntico capta o instante, como a objetiva de uma máquina fotográfica.

 

8. O autor é considerado dono do haiku e por isto deve evitar-se imitação, buscando sempre o espírito haikuista que exige consciência e realidade.

 

9. O haiku é considerado uma espécie de diálogo entre autor e leitor, por isto não é preciso explicar tudo. A emoção, o sentimento do autor, deve ser levemente sugerido, a fim de permitir ao leitor recriar a mesma emoção para que possa concluir, à sua maneira, o poema apresentado. Em outras palavras, o haiku não deve ser um poema discursivo e acabado.

 

10. O haiku é um produto da imaginação que emana da sensibilidade do Haijin, e por isto devem evitar-se expressões de causalidade, sentimentalismo, vazio ou besteiróis.

 

H. G. Henderson teoriza dizendo: “O haiku pode ser de muitas facetas: grave ou buliçoso, profundo ou superficial, religioso, satírico, triste, humorístico ou encantador; mas todos os haikus, dignos de tal nome, são documentos de momentos únicos, mais - ou menos - altos que o plano circundante. E nas mãos de um Mestre, um haiku pode ser a essência concentrada da poesia pura”.

----------------------

 

Rosas de mayo.

Vuelo de las abejas.

Canta la lluvia

(E. Antonio Torres Glez - México)

............

Saludos!

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h08
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Haikai? - Continuação

sendo didático...

 

Desde as primeiras tentativas de tradução para o português – que parecem ter sido as de Wenceslau de Moraes, na virada do século –, o haicai apresentava um problema de métrica. No original japonês, o poema tinha 17 sons (mais exatamente, 17 durações). Traduzir o haicai em 17 sílabas poéticas, distribuídas em três versos de medida diferente (5, 7 e 5 sílabas) e sem rima, não parecia um bom caminho. Quer dizer, do ponto de vista musical o haicai não tinha, a rigor, uma estrutura reconhecível e assimilável à nossa tradição. Era difícil perceber qualquer ritmo nessa distribuição de versos sem rima e com número diferente de sílabas e foi por isso que Wenceslau de Moraes tratou de traduzir os tercetos japoneses em forma de quadra popular portuguesa: para conseguir um equivalente, na nossa tradição, do metro mais corrente em língua japonesa. A solução, entretanto, não parecia completamente adequada, uma vez que o ritmo ternário da composição – isto é, a exposição dos conceitos em três segmentos poéticos –, tem, muitas vezes, bastante importância no haicai japonês.  

Guilherme de Almeida, que era um bom ritmista do verso português, ao defrontar- se com esses problemas tratou logo de adaptar o haicai às necessidades formais da nossa tradição poética, mantendo de certa forma o ritmo estrófico ternário. Começou por atribuir um título ao terceto, o que lhe permitia aumentar um pouco o tamanho do mesmo e torná-lo mais palatável por essa espécie de orientação de leitura que um título muitas vezes proporciona. Também tratou de dar ao poemeto uma estrutura rímica muito cerrada, de modo a tornar musical – em nossos termos – o que de outro modo poderia parecer um tanto desarticulado. Na estrutura de versos de cinco/se te/cinco sílabas métricas dispôs duas rimas: uma unindo o primeiro com o terceiro verso, e outra interna ao segundo verso, ocupando a segunda e a última sílaba.

(José Nunes)

- Postado por: Oficina às 22h56
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Haikais? - Continuação

Conversa fiada!

Ah-ah! Guilherme de Almeida nunca foi hai-kaísta, meus amigos. Ele escrevia tercetos (aliás, foi quem inaugurou esta prática no Brasil) com a maior desenvoltura, sem se preocupar com métrica nem com os temas, preocupando-se somente com o ritmo e a metáfora, musicalidade, etc., que são as qualidades dos bons poemas no mundo inteiro. Certo grupo de triste memória "copiou" os grandes mestres e divulgou nos quatro cantos que o inventor dos tercetos foi um tal Matusalém da Bahia. Ê-Ê! Saravá. Te esconjuro, estopor balaio! Saludos. Maria José Limeira.

.......... 

  

Cara Maria: não sei quem está assessorando vc nas informações sobre haikai, nem sobre esse negócio de haikai-saravá-pai-de-santo-axé-Porto Seguro, mas as que coloquei no tópico (que, aliás, não são de minha lavra - um lapso que agora corrijo - mas de Paulo Franchetti - Professor do Dpto. de Teoria Literária da UNICAMP - gente séria, não dada a gracinhas nem fala-fala) tem procedência. Repito o site, para quem quiser informações fidedignas e, no lugar de conversa fiada, ficar com a conversa afiada:

http://www.unicamp.br/~franchet/index.html.

(José Nunes)

...........

  

Desculpe-me, eu não quis ofender

Realmente, temos que tirar o chapéu para você, e os pais-de-santo que se cuidem. A verdade é que não admiro os tercetos (noutra palavra: tenho verdadeira ojeriza a eles, sejam hai-kais ou lá o que for). Isto se deve porque a internet está coalhada deles, a maioria ruins, intragáveis, sem nenhum valor literário, com pretensão de serem geniais... Um abraço e saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h49
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Haikai? - Continuação

Poisé. Eu não vejo tamanha diferença qualitativa entre os tercetos (poetrix, pseudo-haikais e etcs) que coalham a internet e os quartetos que também coalham a internet. Eu acredito que todos estes pequenos poemas tem a "missão" de síntese. Uma das grandes vantagens deles é a questão da memória. Se você consegue que um poema seu seja citado de memória, você se torna mais facilmente conhecível! :)

(André Chalom)

...........

  

Quantidade X qualidade

Quantidade ou qualidade? Eis a questão. Plagiando aquele nosso amigo inglês e velho conhecido, com o qual ainda estamos aprendendo um bocado de coisas. (E "poetrix" por aqui é sinônimo de "palavrão"). Saludos. Maria José Limeira.

...........

  

Maria o seu nome principia....

Maria: primeiro não fiquei ofendido, até por que está claro que jamais quis me ofender...segundo, como diz a música, o seu nome principia na palma da mão de todos nós...terceiro, bem...acho uma vantagem nos poemas pequenos, sejam tercetos sejam quadras...quando são porcaria...são pouca porcaria. saudações a todos.

(José Nunes)

- Postado por: Oficina às 22h39
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Haikai? Final

Olhem eu aqui!

Não tenho conseguido navegar no orkut com tranquilidade. Há excessos de badbadbad, e as mensagens não chegam ao destino. Mas, quero dizer ao André Chalom que nossas críticas não querem dizer que ele não é um bom poeta. Eu gosto muito dos textos de André. Um abraço e tenham paciência com o orkut. Saludos. Maria José Limeira.

...........

 

Puxa, obrigado pelo elogio, Maria! Vindo de você, ele vale muito!

(André Chalom)

...........

  

Nossa proposta de trabalho

A proposta desta linda comunidade não é juntar trocentas pessoas, como eu vejo por aí, em torno do nada, discutindo poesia pseudo-erótica e banindo quem não concorda com os termos... Nossa proposta é conversar entre amigos em torno da fogueira, contar estórias e histórias, discutir tudo francamente, cantar bonitas canções e falar mal da vida alheia... Ah-ah! Saludos, e obrigada a todos por aceitar nosso desafio.Maria José Limeira.

..........

 

Fontes:

Comunidade “”Oficina Literária”

www.orkut.com/

Comunidade “Eróticos & Sensuais”

www.gazzag.com/

Lista de Discussão “Oficina Literária”

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br



- Postado por: Oficina às 22h34
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Existe um fogo invisível dentro de nós,

um paiol incendiário prestes a explodir

esperando apenas uma chama ígnea:

pele, cheiros, mãos, braços e corpos...

(Cintia Melo)

http://noturna.zip.net



- Postado por: Oficina às 21h31
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Não há nada

mais desprezível

do que fugir

do próprio destino...

(Hilton Júnior)

http://massaraiete.zip.net



- Postado por: Oficina às 21h03
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Na minha visão, contos são para entreter

e fazer sonhar.

Se fosse de outra forma,

eu escreveria textos científicos.

(Denise Ferreira)

http://contosdadeni.weblogger.com.br



- Postado por: Oficina às 20h46
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A LISTA DAS DIVERGÊNCIAS

 

Vejam bem, amigos, como as divergências se apóiam nesta Linda Lista. Temos aqui opiniões contrárias quanto aos textos, por mais pobres que estes textos sejam, ou por mais insignificantes que possam parecer.

A crítica os endossa, dá-lhes a importância que têm.

Um escritor não vive sozinho a olhar o alto mar, em cima de um mastro de navio. Ele tem que ver o que acontece ao redor, discutir o mundo, saber a quantas anda sua própria produção. Nem só de elogios vive o Poeta.

Eu gostaria que alguém aqui colocasse um roteiro de crítica para as pessoas terem um ponto de referência para postura neste espaço. Por exemplo, o que deve ser levado em consideração em relação ao texto:

 

1.Escola literária?

2.Linguagem?

3.A obra do autor como um todo?

4.Etc. etc.

 

Quem puder nos dar uma luz neste sentido será bem-vindo. Saludos.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h15
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Divergências - Continuação

Olá Maria,

Eu penso que nosso comentário a respeito do texto deva se pautar em nossa impressão de leitor/escritor. Eu particularmente penso muito na forma como a linguagem foi usada, na sua aproximação/distância do lugar comum, do clichê e sempre tento apontar possibilidades que tornem o texto o mais literário possível, o mais próximo daquilo que considero como arte literária.

O autor me ouve ou não. É escolha dele. Outra coisa também, penso que não se deva questionar o tema/assunto do texto, mas o caminho percorrido pelo autor. E tentar, na medida do possível, inserir-se no universo do autor, numa comparação grosseira: Um crítico de samba pode perfeitamente criticar heavy metal, mas vai ter que criticar sob o ponto de vista do heavy metal e não do samba. O que quero dizer é que eu, por exemplo, não sou romântico, não sou coloquial e não faço literatura pra entretenimento, não faço e pouco leio este tipo de literatura, mas ao ver um texto destes para análise, não posso deixar que meus princípios interfiram diretamente no meu julgamento. Tenho que dentro do universo do autor tentar apontar caminhos. sugestões que possam melhorar o texto para que ele atinja o objetivo do autor com o texto. Não se pode analisar Paulo Coelho com os mesmos critérios que Saramago, já que os objetivos dos autores são absolutamente diferentes.

Fico feliz que a "linda lista" volte ao seu objetivo inicial que é a crítica direta, clara e construtiva dos textos apresentados. A medida do possível vou fazer meus comentários para os textos apresentados

abraços

Rubens da Cunha

..........

 

Meu caro Rubens. Obrigada pela colaboração. Acho da maior importância este seu roteiro para análise de textos, embora eu pense diferente, e digo por que:

 

1.Cada leitor tem sua maneira original de sentir um texto e traduzi-lo para si mesmo: educação, bagagem cultural, idiossincrasias, "preconceitos", ojerizas, etc. etc.

2.Partindo desse ponto de vista, o Paulo Coelho, por exemplo, que eu detesto, não existiria sem a conivência dos seus milhões de leitores (e menos uma: eu! ah-ah!).

3.A gente luta com as armas que tem. Jamais me passaria pelo juízo analisar uma obra por outro meio senão com o meu sentir, em primeiro lugar. Se o texto não me causa nenhuma emoção, não terá lugar na minha estante. Por isso abomino aquelas análises "cerebrais" dos acadêmicos, que só me dão muito sono. É a partir do sentimento que eu penso uma obra. Depois, vejo o restante...

 

Este assunto pode dar muito "pano para as mangas", neste Lindo Lugar, e gostaria que os demais companheiros & companheiras tomassem posição para discuti-lo, independente das brigas nas análises. Que digam como fazem e qual o ponto de partida e quais as referências na discussão de um texto.

Um abraço e saludos.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h05
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Divergências - Continuação

Em parte concordo com um, e outra parte com o outro. Acho Maria Limeira corretissima quando da sua análise sobre  a forma como disseca um texto. Sua visceralidade me encanta, porque eu prefiro dissecar um texto pelo tanto que ele me toca do que fazer um tratado analítico sobre ele.

Até porque sou visceral como ela. Aqui temos professores de letras, e excelentes críticos literários, por exemplo, João Andrade e Margot que dissecam o texto sem, no entanto, sufocá-lo. Dá gosto ler as análises do povo dessa lista. Todos, incluindo o desaparecido Régis, vão fundo nas análises e até agora todos temos nos dado muito bem, dentro de nossas linhas de pensamento.

Acho que a diversidade funciona por aqui. O pessoal dá show de análise sim, pra todos os gostos e isso nos deixa extremamente orgulhosos de ter um texto lido nessa lista.

(Dira Vieira)

...........

 

Mais um pitaquinho meu.. rs

Acompanhei atentamente esta brilhante confrontação de idéias.

Parabenizo a cada um pela defesa de sua posição.. mas sabe o que concluí? Todos estão dizendo, no frigir dos ovos, a mesma coisa: que a leitura de um texto/poema/crônica, seja lá o que for é pessoal e que as premissas para análise também o são.

E aí mora a magia do ato de escrever: a certeza de que cada leitor terá uma reação diferente, cada um enxergará suas verdades ao seu modo.  

Nunca recebi uma crítica a um poema meu que sequer se aproximasse do meu intuito ao escrevê-lo e entretanto essas críticas me enriqueceram tanto, me deram uma visão que eu não havia tido no ato da criação... 

É isso, eu acho,.  Ou não. rs

abraços gerais

(Nel Meirelles)

- Postado por: Oficina às 22h58
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Divergências - Final

Eu acho que os textos devem ser comentados de todas as formas, pelo gosto, pela qualidade, pela técnica, pela criatividade, pelo impacto, pela conotação, pela emoção e pelo o que não sei dizer, o que talvez outros dirão.

(Ricardo Pisoler)

..........

 

Concordo Ricardo.

Os textos sempre serão comentados levando-se em conta o gosto e as demais características. O importante é não manter o silêncio, isso é pior do que a critica mais severa.

Abraços

(Hilton Júnior)

- Postado por: Oficina às 22h51
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UMA OUTRA VISÃO SOBRE O TEXTO “POEMÓIDE XIX”, DE JOÃO ANDRADE.

por Margot Marie

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POEMÓIDE XIX

João Andrade

 

 

As coisas causam pausas,

quase sempre náuseas,

menopausas.

 

As coisas causam causas,

quase sempre pousam,

repousam.

 

As coisas causam quases,

quase sempre morto,

aborto.

 

As coisas causam coisas,

quase sempre em êxtase,

orgasmadas.

 

As coisas causam cio,

quase sempre coitos,

coitadas.

- Postado por: Oficina às 01h57
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Uma outra visão - Continuação

A literatura é a arte da palavra. O poeta e o escritor detêm um “poder”  sobre as palavras. Há uma espécie de comportamento de subordinação: ora  do autor, ora da criatura.

Um compositor brasileiro faz a seguinte comparação:

 

“E sei que a poesia está para a prosa

Assim com o amor está para a amizade

E quem há de negar que esta lhe é superior”

 

Caetano Veloso, em outras palavras, aponta neste fragmento da música Língua como a poesia é riquíssima. Diferentemente da prosa, há uma redução no uso das palavras e na disposição do texto: deve-se dizer o máximo utilizando o mínimo de recursos — espaço e léxico. No entanto, essa redução não pode acarretar em perda. Também não entendamos que a prosa não tem valor. Ambas as modalidades têm o seu lugar ao sol.

 

No Poemóide XIX, há uma tentativa de se traduzir um estágio de constante transformação. Transformação que nem sempre se concretiza com sucesso, mas a preocupação não é com o resultado, é com o processo.

O “eu-lírico” utiliza recursos fornecidos lingüísticos para externar um pensamento de ciclo existencial, de evolução/revolução, de eterno retorno, como também de apresentar os seres e as situações — não identificadas propriamente, mas apontados na palavra “coisas” — no momento em que elas estão num determinado estágio.

No poema, encontraremos basicamente 3 movimentos, no entanto esses movimentos não estão colocados prototipicamente, um após ao outro. Os movimentos aparecem perpassando o texto como em trânsito, um fluxo:

- Postado por: Oficina às 01h47
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Uma outra visão - Continuação

Movimento 1-

 

1 As coisas causam pausas,

 

6 repousam.

 

8 quase sempre morto,

 

12 orgasmadas.

 

14 quase sempre coitos,

 

É como se nesses versos tudo estivesse no princípio da criação. E cada palavra final remete a um significado que o reforça:

 

Pausa – estado de latência, potência contida, mola comprimida.

Repousam – depois de um estágio de transformações, dormência,

estagnação, uma espécie de hibernação, uma certa ordem para um novo caos.

Morto – fracasso, resultado diferente do objetivado, mas não como fim.

É do mesmo campo semântico de pausa, repousam. Um momento de vazio antes de um novo recomeçar;

Orgasmada – (neologismo) aglutinação do particípio e/ou substantivo “amada” mais orgasmo, resultando em estado de quem tem orgasmo ao mesmo tempo que é ou se sente amado. O orgasmo representaria esse eterno recomeço na geração das coisas, acrescentando a idéia de que esse recomeço, agora, teria um novo elemento: o amor.

Coito – Seria o resultado do cio. O permanente estado de desejo de transformação. A palavra pode ser entendida como o processo de

transformação ou na concepção medieval de “coita amorosa”. Estar sofrendo de amor.

Incômodo por se ter um desejo, uma paixão. Isso pode ser entendido no plano do pessoal, histórico, no filosófico, etc.

- Postado por: Oficina às 01h38
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Uma outra visão - Continuação

Movimento – 2

 

Percebemos a idéia de trajetória, percurso que vai nos remeter a um pensamento de transformação, característica também do ciclo em:

 

2 quase sempre náuseas,

 

5 quase sempre pousam

 

7 As coisas causam quases

 

11 quase sempre em êxtase

 

13 As coisas causam cio,

 

náuseas – corresponde a uma espécie de incômodo, mal-estar, típico da condição de transformação; idéia já esclarecida anteriormente.

pousam – momento de estagnação, reorganização, também já esclarecido;

quases - (derivação imprópria) vindo originariamente do advérbio “quase”, agora torna-se substantivo equivalente a possibilidades, também intimamente ligada a idéia de modificação. Momento em que o resultado desejado não foi alcançado;

Êxtase – arrebatamento íntimo, reforça a idéia de algo que se foi

tentado e conseguido com paixão, com loucura, por isso o “orgasmada”;

Cio – é a condição, o preparo do organismo, para a possível fecundação, que posteriormente será o começo...

- Postado por: Oficina às 01h28
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Uma outra visão - Continuação

Movimento – 3

 

Por fim, o final do ciclo, o resultado da transformação, da trajetória da vida é trabalhada nos seguintes versos:

 

3 menopausas.

 

4 As coisas causam causas,

 

9 aborto.

 

10 As coisas causam coisas,

 

15 coitadas.

 

menopausa – cessação do período das transformações, para um novo recomeço;

causas – seria o produto final de uma mudança, fim de um processo;

aborto - remete imediatamente a morte e, até mesmo, a idéia de fracasso de uma tentativa;

coisas – terá o mesmo sentido de causas, produto final, resultado.

coitadas - estágio final de quem já passou pelo cio e pelo coito.

 

“Coitadas” termina o texto estabelecendo duas constatações: A primeira, de que “as coisas” estão sempre em estado de coito. Desejo de transformação. A segunda na concepção de causadoras de piedade. As coisas estariam fadadas a sempre se repetirem. E porque não dizer que além de fadadas, estão também enfadadas.



- Postado por: Oficina às 01h16
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Uma outra visão - Continuação

Sem esquecer que o “eu lírico” utiliza-se sempre do “quase” para lembrar ao leitor que antes da própria existência havia uma possibilidade, e essa implica em certos resultados que a situação é quem vai ditar que produto final será.

Agora, também como poesia também é forma, o poema apresenta aliterações

e as rimas, que lhe dão um ritmo todo especial:

 

As coisas causam pausas / náuseas – menopausas

As coisas causam causas / pousam – repousam

As coisas causam quases, / morto - aborto.

As coisas causam coisas,

As coisas causam cio, / coitos - coitadas

 

Não há uma preocupação com a métrica, pois esse poema segue o estilo moderno dos versos livres.

Para reforçar a idéia de movimento e ciclo, o poema ainda se apresenta em tercetos.

Conforme foi dito anteriormente há a tentativa de se passar o máximo com o mínimo, há idéia de poema, ou seja, é um poemóide.

- Postado por: Oficina às 01h07
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Uma outra visão - Final

Uma das características existente nos poemóides é a presença (re)trabalhada de ditos, frases populares e do posicionamento do autor, muitas vezes em tom de conselho ou querendo apresentar alguma solução. Nesse poemóide, em especial, o poeta nos primeiros versos de cada estrofe sugere um discurso tautológico (as coisas causam coisas), no entanto, esse

tipo de discurso se desfaz no momento em que o autor utiliza-se de outras palavras no final dos versos em questão. Contudo, o poeta “não se contenta” com uma ordem e a transgride na quarta estrofe.

Curioso que esse desvio não foi gratuito: a palavra “coisa” no início do verso 10 reporta ao sentido de existência, de máquina, engrenagem, estas duas num sentido figurado e a segunda palavra “coisa” no final do verso – remete ao de produto, de resultado.

Essa foi uma tentativa de expor o conteúdo, mas com certeza as

possibilidades de leitura não se esgotam com meu exercício de análise.



- Postado por: Oficina às 00h58
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SOBRE ANÁLISE LITERÁRIA

Dicas de Poesia Ponto Com

 

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias/

 

A leitura adequada de todo poema comporta alguns requisitos:

1.Leia-o várias vezes e atenciosamente. Procure ouvir suas  particularidades. Não tenha receio de lê-lo em voz alta.

2.Procure ler o que est