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UM TEXTO EM DEBATE:

 

O MORADOR DAS PALAVRAS

Rubens da Cunha

 

E se ele pudesse morar dentro das palavras? Começou  morando na palavra cavalo, gostou de sua elegância  paroxítona e desacentuada, de sua quase toda leveza. Ficou morando lá pouco tempo, porque cavalo é também  palavra indócil, dada a galopes, a selvagerias. Viu que não podia morar em palavras que designassem  animais. Elas absorvem a personalidade dos bichos,  precisava de palavra estática e menos inconstante.  Resolveu morar em árvore. Os primeiros dias foram de  paz, palavra boa, cheia de vogais e erres curvos. E  tinha os verdes: adorava-os. Depois foi cansando,  cegando-se em verde. Monotonia. A sua nova casa não ia  além do significado. Sempre fixa, o máximo que  conseguia de loucura era um vento esparso, acontecido  nas madrugadas ou nos finais de tarde. A palavra  árvore logo o entediou.  Mudou-se então para pasto. Acreditava que palavra tão  curta com significado tão gigante poderia ser um  espaço agradável para se viver. Resolveu ficar, mesmo  com medo diante de tanto verde. Estava ainda enjoado  de verdolências e pasto não conseguia ser de outra  cor. Agüentou mais que na palavra árvore. Pasto é verde, mas tem amplidão, traz em si nenhum muro. Pasto  sibila liberdade. Ainda assim, não era a casa ideal. Depois de muito procurar, urbanizou-se. Nada de  distâncias, larguras. Foi morar em concreto, palavra  dura, porém aberta, um tanto áspera, mas em dias  violentos bastante segura. E nada de verdes. Pintou as  paredes internas da palavra concreto de lilás e as  externas de amarelo. A razão disse-lhe que não  combinava: onde já se viu? O concreto ser lilás e amarelo? Pouco ligou. Estava morando em palavras, por  que precisava ser racional? Além disso, já tinha  residido em árvore e pasto, os dois eram verdes  conforme a razão. Agora não! Queria concreto amarelo e  lilás. Foram de sonhos os primeiros meses. Só que depois, não tinha mais paredes para pintar, despintou  cada uma delas, repintou tudo de novo, invertendo as  cores. Cansou disso também.

Que agonia não encontrar palavra que seja boa moradia,  palavra que o comporte inteiro, sem que ele se  desespere para mudar novamente. Tinha escolhido apenas  palavras concretas, resolveu partir para o abstrato;  Pensou em viagem: comum demais. Esteve na porta de  suicídio: trágica demais. Vasculhou saudade, paixão,  amor, ódio: já muito habitadas, não estavam em bom  estado de conservação.

Andava ao léu, sem palavra que lhe servisse de teto,  quando, surgida do nada, viu a casa de sua vida, ali,  exata, fluida, inteira como sempre desejou. Não  precisou alterar, consertar, desmanchar coisa  qualquer, apenas abriu a porta e entrou. Vive até hoje  em exílio. Está confortável. Mudar de palavra é coisa  esquecida.

 

http://www.an.com.br/2004/out/20/0ane.htm

- Postado por: Oficina às 03h30
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O morador - Continuação

Rubens, você pode me enviar esse texto em anexo word?

Outra coisa, você me autoriza trabalhar com ele em sala de aula?

Aulas de semiótica. Se quiser, pode botar um brevíssimo currículo no final.

Beijos.

(Lucilene Machado)

...........

 

Meus parabéns, caro Rubens.

Este texto é, além de muito interessante e criativo, muito bem escrito. Coisa de profissional.

Guardarei como um dos melhores que aqui li.

Abraço, Ricardo Pisoler.

..........

 

Obrigado, Ricardo,

fico contente que tenha gostado.

abraços

Rubens

...........

 

Concordo com o Pisoler, também achei o seu texto muito interessante e criativo. Mas, devo cumprir a minha sina de palpiteiro, e vou dar dois pitacos.

Primeiro, quanto à palavra "pasto".  Pasto é o lugar onde o gado se alimenta e - contingência inevitável - defeca. Quem já andou por um sabe do que estou falando.  Pasto não é bem a mesma coisa que "campo".

Depois, quanto ao abandono da idéia do texto no último parágrafo, quando se fala em "casa da minha vida" quando se poderia explorar melhor a grandeza do nosso destino implícita na palavra Vida.

Não sei se são observações pertinentes. Mas, enfim, uns escrevem e outros dão palpites, né não?

Um abraço,

Di Maio

- Postado por: Oficina às 03h23
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O morador - Continuação

Di Maio,

é verdade o primeiro "palpite", quando substituiu a palavra "pasto" por  "campo". É bem verdade que a idéia de "campo" seja mais linear quando  entre a árvore e o concreto das cidades. Também abandona de vez o torno do cavalo, já antes substituído pela árvore e relacionado a pasto, então, sendo ali que como disse, ele próprio defeca e passeia.

Ou seja, a idéia de pasto é relacionada à anterior, e não como deveria, já que sendo uma procura pela moradia ideal e diferente entre as demais, deveria ser uma próxima alternativa, e campo se encaixa bem.

Já seu comentário final, entendi completamente diferente, e também não sei se entendi ao certo, mas acredito que o exílio ressaltado no final quis encerrar o texto refletindo que não existe a palavra exata que impele a felicidade de vida ao ao morador em questão, e foi exatamente isso que achei mais tocante neste texto, a nossa indefinição pela exatidão, que torna todas as possibilidades possíveis de felicidade e tristeza.

Abraço, Ricardo.

..........

 

Di Maio,

deixa eu contra-argumentar, já que achei insuficiente os seus argumentos em relação à palavra pasto. Ela é pouco usual sim, mas não deixa de ser interessante. Remete à pastagem, pastor, pastorear... e faz parte da mesma cadeia das palavras anteriormente usadas. Outra coisa, pasto delimita, campo não, campo é bem mais vasto e poderia inferir no enredo, já que a última palavra é exílio.

E quanto a defecar, bem o esterco do gado é um bem que tem valor, sem contar que contribui para a fertilidade da terra. Mas, enfim, eu gosto desse seu lado palpiteiro.

Beijo.

(Lucilene Machado)

- Postado por: Oficina às 03h17
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O morador - Final

Olá Di Maio,

Obrigado pelos palpites, tão bem vindos quanto os elogios :))

seguem meus comentários (Rubens)

===

"Primeiro, quanto à palavra "pasto".  Pasto é o lugar onde o gado se alimenta e - contingência inevitável - defeca. Quem já andou por um sabe do que estou falando.  Pasto não é bem

a mesma coisa que "campo". (Di Maio)

 

Neste texto, além de trabalhar com os significados reais, trabalhei com a sonoridade que me agrada, pasto me fascina por ser mais, a meu ver, musical que campo, e também seu significado não é tao assépitco, nada como pisar em algo de natureza animal, pra aprender umas coisinhas na vida :)) (Rubens)

 

Depois, quanto ao abandono da idéia do texto no último parágrafo, quando se fala em "casa da minha vida" quando se poderia explorar melhor a grandeza do nosso destino implícita na palavra Vida. (Di Maio)

 

=== Desculpe, mas não entendi sua observação direito, vc poderia me explicar melhor? na verdade a palavra que eu escolheria para morar dentro é 'exílio' por isso meu personagem  quando a encontrou, encontrou a casa da sua vida, ou seja 'exílio'. (Rubens)

 

Não sei se são observações pertinentes. Mas, enfim, uns escrevem e outros dão palpites, né não? (Di Maio)

 

Bom, pra mim todas as observações são pertinentes :)) Todas as palavras abordadas no texto são palavras recorrentes nos meus escritos. Resolvi homenageá-las ;))

Obrigado

Rubens

- Postado por: Oficina às 03h11
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Névoas - 1

AINDA O TEXTO “NÉVOAS”, DE RICARDO PISOLER:

 

O texto “Névoas”, de Ricardo Pisoler, continua repercutindo. Recebi o email abaixo, em meu blog particular, e repasso-o a esta Oficina, para que a comunidade debata, e veja quem tem razão. O email é de outra Maria, que faz uns reparos na crítica ao citado texto. Saludos. Maria José Limeira.

...........

 

  [Maria ][acendoasestrelas@yahoo.com.br][http://geocities.yahoo.com.br/acendoasestrelas]

 

"Há um erro (lapso?) de construção no “sequer ouviu-o os bem-te-vis”, que, colocado em ordem direta, seria: “sequer os bem-te-vis ouviram-no”, ou “sequer os bem-te-vis o ouviram”, ............. Maria José, li essa sua critica em um blog seu, e lá não tem seu endereço,daí vim aqui nesse espaço. A inversão da ordem natural das palavras não é erro, mas recurso literário, e dos mais sofisticados, exercido apenas por quem sabe, e pode. Chama-se ANÁSTROFE e temos esse exemplo: "A grita se alavanta aos céus,da gente" CAMÕES  - 22/04/2005 11:07

..........

 

RESPOSTA:

OK, OK... Vamos discutir

Olá, gostei da sua intervenção. Mas, a amiga enganou-se em seu reparo, que vou levá-lo à nossa Oficina Literária, onde você deveria estar também. O erro que citei, cara amiga, não se refere à inversão das palavras. Trata-se de um "erro de concordância", primário, e muito comum em quem inverte as coisas. Espero que entenda a sutileza da coisa e venha para a nossa Oficina Literária.

Para entrar, mande email em branco para: oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br Estamos também com oficinas literárias no orkut e gazzag. Saludos, e obrigada pela sua colaboração. Maria José Limeira.

..........

Fonte: http://marialimeira.zip.net

 



- Postado por: Oficina às 23h52
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Névoas - 2

O texto de Pisoler, em debate:

 

névoas (r.pisoler)

 

cale-se o anjo

que não me quis

sequer ouviu-o

os bem-te-vis

 

tem mais bens aqui

que nos flancos

vis

 

tem bem mais bens

que os hostis



- Postado por: Oficina às 23h43
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PRECE

Nel Meirelles

 

pai

afasta os

tentáculos

que esmagam

meus impassíveis

testículos

 

bicicletas

são impossíveis

em Jerusalém

 

http://www.falapoetica.blogger.com.br/



- Postado por: Oficina às 20h51
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no primeiro golpe

ele me beijou.

no segundo,

ele se foi.

(Dira Vieira)

 

http://madamemin.zip.net

 



- Postado por: Oficina às 20h24
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ERÓTICO OU PORNOGRÁFICO?

UM NOVO TEXTO EM DEBATE:

“A FADA DO PRAZER”, DE DENISE FERREIRA

.......... 

 

A Fada do Prazer

Denise Ferreira

 

Numa tarde de domingo ela entra numa sala de virtual.Depois de alguns foras em muitos caras,ela encontra o escolhido.

Ele à princípio,duvida que ela seja do que diz. A fada ,que adora provar seus dotes,provoca:”não quer experimentar?Sou mestra em fazer homens gozarem.

Ele diz que não acredita muito,mas ela insiste: “vou te fazer gozar...”

- Postado por: Oficina às 02h37
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A fada do prazer - Continuação

Depois daquela promessa,a curiosidade o desarma.

Ela diz: “ok,vou começar com uma massagem,prá você relaxar.Tire a camisa e deite-se de bruços.

“Hum,que delícia”,ele já antegoza.Ela diz que vai passar óleo nas mãos ,e com ele deitado de bruços,ela fala provocante: “Sinta minhas mãos macias nos teus ombros,desfazendo as tensões.Ele murmura já relaxando:”hum,isso é muito bom”.

“Meus dedos deslizam pelo teu pescoço,enquanto minha língua toca teu ouvido e eu murmuro: “Vou te fazer gozar”,e em seguida,mordisco tua orelha,de leve,enquantos meu dedo percorre tua espinha,te fazendo soltar um gemido”.

Ele diz:”estou adorando,meu pau está ficando duro”,então ela continua sua deliciosa tortura virtual: “sinta minha língua quente percorrendo tua espinha.Ele diz: “que delícia”

Sempre comandando a transa virtual,ela ordena: “agora vire-se”,e continua:”eu beijo sua boca,envolvendo sua língua,enquanto minhas mãos suaves acariciam teu peito...”,ele diz q está adorando,e a fada insinua:”você ainda não viu nada”...

“Minha boca desliza pelo seu queixo,mordiscando-o,e minhas mãos acariciam teu peito”.

Ele agora só consegue murmurar “hum”,tamanha a excitação que aquela transa virtual está lhe causando.

E a fada continua:”meus dedos brincam no teu umbigo,enquanto lambo e mordisco teus mamilos”.

Ele pede:”desce mais”,entendendo o pedido,ela diz: “minhas mãos acariciam teu pau por cima da calça...

Vendo que está conseguindo excitá-lo,ela prossegue:”eu abro o zíper da sua calça e lambo teu pau,que se agita dentro da cueca”,e ele confirma: “realmente está duro aqui”...

- Postado por: Oficina às 02h28
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A fada do prazer - Continuação

Essa frase a excita,e ela continua naquele jogo:”tiro teu pau de dentro da cueca e o envolvo entre minhas mãos,massageando- o levemente.

Tiro meu vestido e faço você tocar meus seios.Ele fala: “ eu acaricio teus seios e te beijo,puxando teus cabelos”...

A fada,firme em seu propósito,diz:”eu acaricio teu pau com a ponta dos dedos e lambo a cabecinha devagar,acariciando as bolas...

Ele diz,extasiado:”adoro isso”...,e a fada prossegue,fazendo o que domina tão bem....

“Eu chupo teus pentelhos,mordisco tuas bolas,enquanto guio tua mão prá dentro da minha xoxota apertada.Ele gosta :”eu acaricio teu clitóris”,e a fada diz:”e eu chupo tuas bolas,prá te deixar louco...”

Já bastante excitado,ele sugere:”põe a buceta na minha boca.Ela pergunta,já sabendo a resposta:”quer um 69”?,e ele confirma :”isso”

Ele diz:”enfio a língua na tua xota,escorregando pro teu cuzinho....”hum”.Meto o dedo na tua xaninha...

Gemendo,a fada diz:”chupo teu pau,que incha na minha boca quente”...

O parceiro virtual,já alucinado,diz:”quero meter no teu cuzinho”,e ela que conhece os homens,como poucas,provoca:”vem,mas com carinho”....

Ele diz:”estou metendo a cabecinha, de leve”...

Mas como dona da situação,ela comanda:”eu guio teu pau prá dentro da minha grutinha apertada,hum...vem..

Ele continua,cada vez mais excitado:”vou metendo,metendo”...A fada sabendo que estava conseguindo excitá-lo,diz:”soca,me fode todinha”,e o homem por trás da tela,no auge da excitação,implora:”chupa,chupa meu pau que vou gozar”,e ela retribui para o prazer dele:”estou chupando,mamando,puxando teu pau com força,goza,meu amor,goza”...

Depois de alguns minutos,ele escreve:”aí que delícia,você é demais!”.Ela diz,fingindo mágoa:”e você achou que eu mentia...” Ele pergunta se ela entrava sempre com aquele nick e os dois se despedem,com ele prometendo voltar a procurá-la.



- Postado por: Oficina às 02h23
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A fada do prazer - Continuação

A FADA DO PRAZER

Um texto de Denise  Ferreira

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

A nossa amiga Dira Vieira acabou de defender sua tese de Mestrado da qual o tema foi o relacionamento humano nas comunidades do Ciberespaço. Uma das coisas que os orientadores exigiram foi que realizasse uma pesquisa a fim de saber como e por que as pessoas usam a rede internáutica. Uma das perguntas era justamente esta: “Você já fez sexo virtual?” Surpresa nos resultados. Todos os entrevistados responderam “Não” a esta simples pergunta. É que há uma hipocrisia generalizada em relação ao sexo, seja ele virtual ou real...

Não vamos usar, portanto, de hipocrisia para analisar este texto “A fada do prazer”, de Denise Ferreira (que deveria ter como título “A safada do prazer”. Ah-ah!), que trata, justamente, do sexo virtual, em pleno chat, com todas as letras, explicitamente, e sem mais delongas.

É um texto chocante, porque narra as aventuras de duas pessoas solitárias numa sala de bate-papo, que entram ali com o fim específico de gozar sexualmente, com uma realidade de doer, usando a linguagem chula cotidiana, linguagem de rua, sem nenhuma máscara.

Pode ser que alguém venha me dizer que este texto pornográfico não é Literatura. Ora... ora... ora... Não é Literatura por quê? Porque é “pornográfico”? E pornografia não é Literatura? Por quê?

Infelizmente, eu já vi, em comunidades literárias pseudo-eróticas (argh!) os donos do pedaço expulsarem poetas por terem excedido os limites, onde o pornográfico era maldito... aiaiai-meudeusdocéu... Pornográfico maldito em pleno Século XXI! Isto é possível? É, sim senhores. E foi de lá que eu fui expulsa (e mais de uma vez), acusada de ser “escritora imoral compulsiva” (ah-ah!).

Este texto de Denise incomoda, pois. Trata-se da descrição de uma realidade que ninguém pode mais ignorar, pois o sexo virtual está sendo utilizado em larga escala por pessoas de todas as idades, e algumas dessas experiências (pasmem!) terminam em casamento na vida real. Dizer o contrário seria assumir a capa da Hipocrisia e aposentar o bom senso em berço inquisitório, como já vi muita gente boa fazer em comunidades pseudo-poéticas.

Ora, direis: e esta linguagem chula? Por que, ao invés de escrever “cu”, as pessoas não substituem essa palavrinha inquietante por “ânus”? Ao invés de dizer “buceta” numa relação sexual, por que não dizer “órgão sexual feminino”, que é mais “erótico”?

A Denise optou por escrever textos pornográficos e a linguagem chula é a sua seara. Alguém tem alguma coisa contra?

Este tipo de Literatura não é o de minha preferência. Mas, embora eu não utilize a linguagem chula nos meus textos, simplesmente porque não é minha especialidade, e nem sei escrever prosa nesse estilo, não direi que um texto não presta apenas por ser pornográfico.

O que venho aconselhando sempre à Denise é que releia seus textos, retire o que está sobrando neles, tenha mais cuidado na forma, dê-lhes umas boas escovadas, etc. a fim de torná-los digeríveis como produtos acabados.

Denise: É melhor ser Pornográfica do que ser Censora, já dizia o Papa João Paulo II, o tal Wojtyla, que Deus o tenha!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

- Postado por: Oficina às 02h13
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A fada do prazer - Continuação

Maria!!!

Obrigada por sua sincera e valiosa análise. Não tenho conseguido escrever. Não sei se pelo cansaço,ou se pela censura, pelo medo do confronto, q acaba me fatigando,o  q talvez seja fruto do meu subsconsciente (meu Deus,será q me fiz entender?).

Venho tentando tornar meus textos mais curtos,se é isso q vc quer dizer,quando fala em "enxugá-los".

Agora,quanto à linguagem chula, é "defeito" da "virgem safada",escritora...rs (nick esse q já usei em chats...rs). Pra mim,é mais atraente usar a linguagem chula...rs. Acho mais envolvente escrever "pau" a pênis e "buceta" ou "xoxota" a vagina.

Fiquei muito chateada com a morte do Papa João Paulo II, já q sou descendente de poloneses.

Obrigada,Maria por esse apoio,e quanto aos outros, não se acanhem em comentar,criticar ou xingar tb..rs

Abraços

Denise Ferreira

- Postado por: Oficina às 02h01
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A fada do prazer - Continuação

A fada do prazer, de  Denise Ferreira

(por Dira Vieira)

 

Analisando

 

Tenho lido o trabalho de Denise no Orkut e no Gazzag e ainda não tive a  oportunidade de comentar sobre ele. Gosto de literatura erótica, sensual, sutil, seja de que forma for, contanto que seja bem escrita. Estou colocando a minha opinião sobre o texto da Denise pegando o "gancho" no da Maria para concordar com ela.

Meus primeiros livros, aos 10 anos de idade, além da leitura sistemática dos gibis, foram Adelaide Carraro, Cassandra Rios, Karl Marx e biografias de Trotski, Lenin e Stalin. Pobre criança, eu apenas tinha 10 anos... A leitura para mim vivia equilibrada. E eu descansava os olhos das lutas armada e do capital, para deliciar-me com o erotismo de Cassandra Rios e Adelaide Carraro. Elas tinham uma linguagem chula. Mas quem reclamava?

Não acho que se deva colocar "ânus" no lugar de "cu", porque não teria o menor sentido. Há palavras que não cabem no espaço de outras. As palavras devem estar no lugar certo e na hora certa, sob pena de perderem a qualidade e a credibilidade de quem as usou.

Como a Maria disse, finalizei o meu mestrado sobre as relações virtuais... e a linguagem dos chats é exatamente assim, Denise. Vc não inventou  nada... com um agravante de que são codificadas por conta de velocidade. As pessoas se masturbam sim via internet, via telefone, mas dificilmente elas vão confessar isso, porque é uma questão de foro íntimo e ninguém abre seus armários para todo mundo não. Esse seu texto tem coerência, começo, meio e fim e nada de inverdades. Vc apenas retratou o que acontece diariamente na grande rede. É claro que vc poderia ter "enfeitado", colocado um batonzinho no texto para ele parecer realmente uma ficção, mas não, vc optou por fazer um relato simples, e fico bom. Não gosto do erotismo-pornográfico de certos autores... pq eles não escrevem para legitimar o contidiano, mas o imaginário, é assim? O seu texto, pelo que pude constatar é mais um meio de contestação ao puritanismo dos seus pais ou da sociedade, como bem vc colocou que assexualiza as pessoas com algum tipo de deficiência. Hipocrisia? Proteção? Cuidado? Não sei. Mas são padrões estabelecidos que não mudaremos da noite para o dia, mas requer muita luta de toda a sociedade de mudar esse quadro.

Continuo escrevendo, Denise. Continue trabalhando a forma, lendo o seu próprio texto em voz alta e lendo os dos outros na mesma linha que vc persegue.

Leio literatura erótica sim... e se for daquelas dos livros pornô-erótico, que importa? Alí tb, vez ou outra aparecem bons autores... Então, acho que o segredo é seguir a intuição, e escrever, escrever, escrever.

E a vida continua e navegar é preciso. Um grande abraço. E continue superando o mundo e a vc mesma, leia e escreva muito.

 



- Postado por: Oficina às 01h51
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A fada do prazer - Continuação

Escrever bem nada tem a ver com usar essa ou outra palavra. Acho que  tem a ver com usar as palavras certas nos locais certos. Rodrigo Souza  Leão é um belo exemplo disso. Os poemas eróticos dele certamente  escandalizariam até as profissionais do sexo. Mas ele sabe manejar a palavra de  forma brilhante. Quem se importa com a palavra quando ela diz o que tem  que ser dito?

Dira

……….

 

Sem querer polemizar, vc já leu este povo de novo?

Acho importante na literatura uma pessoa ler autores a cada alguns anos  só pra ver se eles melhoram, sacou? ou se a gente piora....

Não mais recente o caso de denise, talvez o de marx, trotski anda bem intragável nas determinadas circunstâncias, mas ainda vale....

cassandra rios seria interessante uma releitura, e talvez uma que  equivalesse aqui em alguma coisa.

gostaria que se aprofundasse em sua viagem, Dira, se puder, ou se quiser.

bj, Ricardo Pisoler



- Postado por: Oficina às 01h39
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A fada do prazer - Continuação

Dira e Ricardo

Obrigada pelas opiniões de vcs.Elas me motivam e tornam mais rica em  linguagem.Na realidade,não se escandalizam,mas esse diálogo aconteceu  entre eu e um rapaz na net (aí,será q escrevi certo?sempre me confundo  quando usar "mim" e "eu"...rs).

O que sei de literatura erótica, se é que possa chamá-la assim, são aqueles romancezinhos "Julia","Sabrina"...

Os que escrevo são da minha própria "mente pornográfica"...rs,pq como já disse meu pai, eu sou uma "depravada"....rs

Aliás,vou escrever sobre o q é ser depravada e como isso pode incomodar  as pessoas.

Bjinhos aos dois

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  Ah, Denise! Escreve, Denise. ESCREVE!!! Sempre! Você   tem talento. Saludos. Maria José Limeira.

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rs....não se escandalizem..rs....obrigada pela confiança, Maria.Estou  pensando em alternar contos e crônicas.

Bjinhos

Denise

- Postado por: Oficina às 01h33
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A fada do prazer - Continuação

Prezada Dira: Marx aos 10 anos de idade?

Sem querer polemizar, tampouco menosprezar seu habito infantil de leitura - muitíssimo melhor que eu que vim conhecer uma leitura aos 18 anos.

Mas vc não acha que uma criança que aos 10 anos lê Marx está mal orientada no seus hábitos com os livros?

O que uma criança de dez anos é capaz de assimilar de uma obra sobre capital, trabalho etc?

Wellington Farias

……….

 

Você tem toda razão, não entendi nada. Mas era uma exigência da minha irmã que fazia parte da Pastoral da Terra e a gente tinha que ler sobre O Capital. Domitilia Barrios e outras similares era a nossa bíblia para entender os movimentos pela terra.Meu pai nos ensinou o hábito da leitura desde os 7 anos de idade, Wellington, e para mim não é esquisito ter tido essas leituras tão cedo não. Aos 11 anos eu fazia parte da partidos clandestinos em João Pessoa, e tinha assinaturas de revistas estrangeiras sobre a revolução armada. Claro que eu não tinha noção, mas era obrigada a ler. E li. Daí a entender, vim entender muitos anos depois e aprofundar no curso de Sociologia, já no mestrado. Mas confesso... o q eu amava ler mesmo, era Adelaide Carraro e Exupéry, mas não podia confessar... isso era um "pecado" mortal... certamente.

Dira

- Postado por: Oficina às 01h27
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A fada do prazer - Final

Li Marx agora no mestrado. E como fui forçada a ler para cumprir  créditos em seminários e disciplinas que a gente só paga pq faz parte. Claro que a visão de uma leitura aos 39 anos é diferente da que se faz na pré-adolescência. Lóoogico. Não tenho nem dúvidas. Sei que quando passei na prova de seleção do Lyceu Paraibano aqui, aos 14 anos, fui chamada na

diretoria do colégio de origem para que eu prometesse "me comportar" senão, nem entraria no Lyceu. E me comportei, fui logo entrando no movimento secundarista e depois ganhando a diretoria de cultura do Centro Cívico e perturbando a vida da diretora do Comoci (que era um órgão de repressão estudantil). Mas nunca dei muito trabalho a ninguém. Minha vida era a literatura, a arte, e foi pra esse lado que escorreguei desde os idos de 80. Nunca mais li esses autores não, Pisoler, nem a Cassandra, nem a Adelaide. Realmente, seria interessante relê-las. Acho que seria realmente interessante rever essas leituras e tirar delas alguma impressão  atual.

Mas não se preocupem com o que eu disse, o que está em pauta é o trabalho da Denise e acho interessante a discussão partindo dela e não de mim. Afinal, é ela que está na berlinda...hehehe....

Dira

- Postado por: Oficina às 01h20
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Ainda que não alcançasse

a libertação,

gostaria, ao menos,

de ser digno dela

a todo momento.

(Franz Kafka)

 

in "Diários"

                                                        

- Postado por: Oficina às 01h13
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NOVO TEXTO EM DISCUSSÃO:

“ELEGIA”, DE RUI MENDES.

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ELEGIA

Rui Mendes

 

Sem que o brilho dos olhos estanque nas veias

o relento cortante que o sangue funda na sombra,

auguramos mágoa e trevo para cindir estas naves,

estas águia cegas, desertas e desferidas.

E partimos, calado o roçar dos tambores, a levante

do litoral, despojados do vácuo das cisternas

e dos espelhos agrários das colinas, perdida

para sempre a luz cativa das ourelas do mar

- âmbar ou esteira de lírios levados pelo vento.

Partimos com este corpo aos ombros, como uma lâmina

lastrada na transparência dos filhos, ó sangue

tão coberto de sangue, e só o dealbar compulsivo

duma pomba triturada na turbulência das rosas

nos diz, por tantos rios de honor, que inês é morta.

Que alvura vermelha transfere agora o grito

das falanges do corpo ? Que roupagens, que prado silêncio,

tornam secretos os postigos do povo de coimbra

no azul do amanhecer que amanhece?

Quem grita, cingindo os fios de lume no horizonte?

Na devastação dos átrios e dos túneis e das falésias,

os cavalos também arrasam a flor e a névoa

destas lajes encastradas no sangue e, por esses rasgos

íngremes, inexplicavelmente redondos,

o mondego solta o arder exacto do clarear.

Sem que o brilho dos olhos estanque nas veias

o relento cortante que o sangue extingue na sombra,

lídimo, opaco e círios acesos o corpo subjaz

na dor infinita que o poente arranca sobre o coração.

 



- Postado por: Oficina às 23h23
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Elegia - Continuação

ELEGIA, de Rui Mendes

por Dira Vieira

 

É claro que o texto do Rui assusta um pouco, pelo uso de palavras que não usamos naturalmente. Precisei ler devagar para tomar fôlego. O texto possui uma forma corrida, sofrida, sem pausa. Mas nada disso tira a beleza do poema que nos inquieta e provoca o olhar mais imaginativo do leitor.

A escrita rebuscada, nobre, não consegue guardar e resguardar o sentimento que aflora no poema e do poeta. Ela nos arrasta com ele para o sentimento e inquietação do personagem em relação à ambientação e existencialismo do ser diante do mundo e da situação própria.

É um poema solitário. De uma angústia pesada que o poeta traz nos ombros com o seu próprio corpo. A desesperança, a insatisfação e o sinal vermelho no fim do túnel, faz o poeta estancar no verso: "inês é morta", uma menção a uma fábula popular de portuguesa.

Eu poderia dizer ao final que não me sinto bem lendo textos com palavras tão rebuscadas, mas esse é diferente. Ele nos provoca o entendimento e nos deixa assim,como o poeta, querendo entender os porquês e as entrelinhas que quase que sofregamente o poeta nos entreabre no texto.

Quanto à forma. Não gostei. Ele é corrido, como se feito às pressas, tira o nosso fôlego e pesa quando tentamos pronunciá-lo.

No meu entender, (também pode ser proposital), o poeta poderia ter dado uma cadência, um ritmo, algumas pausas para que o leitor sentisse o poema como em conta-gotas, diante do mundo que ele abre e fecha nesse poema.

É um belo texto.

- Postado por: Oficina às 23h19
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Elegia - Final

Esse texto de Rui Mendes possui uma estrutura que fez-me sentir encaixotado, sem conseguir visualizar uma brecha por onde pudesse tomar fôlego e me ver livre do peso das imagens fortes e carregadas de tristeza, que me deixaram em desassossego para terminar logo a leitura.

Apesar disso, o texto não é monótono, mesmo com o exagerado uso do  "que" sempre trazendo uma explicação a mais, pois o leitor é recompensado com uma linguagem de ótimo nível e frases impactantes que o põem em constante ebulição.

Um belo texto.

Te+ (Marcelino Costa)

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Gostei muito do teu poema (“Elegia"), porque me identifico com este tipo de linguagem, metafórica, simbólica, um tanto surrealista. Gostaria de saber quem são tuas

referências. Vi uns lampejos de Jorge de Lima. Tô certo? De qualquer forma acho que você acrescentaria mais força ao poema se repensasse o final, principalmente o verso final, que não acompanha em originalidade versos que estão no interior do poema.

Acredito que este verso ‘na dor infinita que o poente arranca sobre o coração’ não tem substância suficiente para agüentar a carga poética do texto. Claro que um texto como este precisa ser visto pelo conjunto e não por versos isolados. Mas depois de lê-lo em voz alta,

como se tivesse declamando em ruínas gregas (viajei legal) fiquei um pouco decepcionado com a solução final, um tanto romântica demais.

Outro ponto que eu sugiro é a distribuição dos versos, esta forma compacta, o poema todo em uma estrofe, ainda mais um poema com esta carga de simbolismos, pode prejudicar a compreensão da tua linha de raciocínio, prejudicar a respiração. Você já tentou distribuí-lo em mais estrofes.  Acredito que daria mais sustentação a forma física do poema se você o estruturasse de outra maneira.

é isso, grande poema, grande linguagem, já to curioso para ver outros textos teus.

(Rubens da Cunha)

- Postado por: Oficina às 23h14
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    UM TEXTO EM DEBATE:

    “POEMÍSSIL”, DE ADEMAR RIBEIRO.

 

          Poemíssil

 

            Poema de

              Ademar Ribeiro

 

 

                A poesia a que poeta

               dissidente, legionário,

                em prantos, me irmano

             faz a barba à sua estética

              ante os exércitos da Onu.

 

            Mas já uma outra, barbuda, insurreta,

          das suas não poucas insurretas, barbudas filhas,

          nas cordilheiras do meu texto encafua-se em cavernas,

               apruma sua esquadrilha

                e opera noutros céus

               um divertidíssimo exercício

              de, com aviões de papel,

               com imponderável humor,

              desabar sobre edifícios;

 

                conclamando os mais poetas

                a bem apontarem seus versos

                  ou a bem rasgarem seus livros.



- Postado por: Oficina às 04h04
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Poemíssil - Continuação

POEMÍSSIL

Um texto de Ademar Ribeiro

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O poeta Ademar Ribeiro é paraibano, de João Pessoa, onde o conheci, nos anos 60. (Adolescemos juntos). A maior parte de sua vida adulta passou-a em São Paulo, como funcionário público. De volta à Capital paraibana, reatamos  nossos laços regados a ausência e saudade. Conheço suas  produções literárias iniciais, publicadas num primeiro livro intitulado “Limiar do sol”, onde revelava, em textos curtos, sua vocação de Poeta, que depois se completou em textos longos. Fui testemunha dos seus primeiros passos, e tive a honra de ser convidada a escrever a apresentação de alguns de seus livros, entre eles, o último, “Estados desunidos”, publicado recentemente em João Pessoa.

A poesia de Ademar baseia-se em momentos filosóficos, o eu-ausente, exprimindo perplexidade, com a curiosidade de quem se debruça sobre os problemas atuais, e com olho crítico de um observador atento, que aparentemente não se deixa envolver.

No entanto, quanta angústia aflora em seus versos.

“Poemíssil” é um belo exemplo de que Ademar volta às origens dos seus textos curtos, concisos, no caso aqui recorrendo ao “concretismo”, num poema que é mais denúncia do que simples constatação.

A estética do poema segundo me revelou o autor, surgiu por acaso, quando depois de pronto, foi colocado no micro, como texto centralizado, quando apareceu a estranha forma de míssil, justificando o conteúdo, como num milagre. Não que Ademar se concentre na antiga escola de mestres concretistas, mas aceitou o fato consumado, como artista plástico que também é, autor de pinturas a óleo e esculturas em barro, alternativa a que recorre nos intervalos da publicação de suas obras literárias.

Este “Poemíssil”, de Ademar Ribeiro, é um texto belíssimo. Poema-manifesto que  conclama a postura participativa em contrapartida à omissão.

Eu poderia insistir (como insisti pessoalmente) na substituição das palavras repetidas “cabeludas” e “insurretas”, por sinônimos.

Mas por que nos prenderíamos a detalhes que não prejudicam o todo?

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

- Postado por: Oficina às 03h49
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Poemíssil - Continuação

Uma bela história de vida, esta que você contou do Ademar. Quanto ao texto "poemíssil" achei-o bem  interessante, um misto de tragédia e comédia diante  da força bélica de uns e da única forma de  retaliação de outros, menos fortes e terroristas.

 Confesso que, como o Ademar, não mais considero  ações terroristas realmente terroristas.

 Considero-as uma manifestação artística de um povo,  no caso, perante a outro povo, que agora está