
UM TEXTO EM DEBATE:
O MORADOR DAS PALAVRAS
Rubens da Cunha
E se ele pudesse morar dentro das palavras? Começou morando na palavra cavalo, gostou de sua elegância paroxítona e desacentuada, de sua quase toda leveza. Ficou morando lá pouco tempo, porque cavalo é também palavra indócil, dada a galopes, a selvagerias. Viu que não podia morar em palavras que designassem animais. Elas absorvem a personalidade dos bichos, precisava de palavra estática e menos inconstante. Resolveu morar em árvore. Os primeiros dias foram de paz, palavra boa, cheia de vogais e erres curvos. E tinha os verdes: adorava-os. Depois foi cansando, cegando-se em verde. Monotonia. A sua nova casa não ia além do significado. Sempre fixa, o máximo que conseguia de loucura era um vento esparso, acontecido nas madrugadas ou nos finais de tarde. A palavra árvore logo o entediou. Mudou-se então para pasto. Acreditava que palavra tão curta com significado tão gigante poderia ser um espaço agradável para se viver. Resolveu ficar, mesmo com medo diante de tanto verde. Estava ainda enjoado de verdolências e pasto não conseguia ser de outra cor. Agüentou mais que na palavra árvore. Pasto é verde, mas tem amplidão, traz em si nenhum muro. Pasto sibila liberdade. Ainda assim, não era a casa ideal. Depois de muito procurar, urbanizou-se. Nada de distâncias, larguras. Foi morar em concreto, palavra dura, porém aberta, um tanto áspera, mas em dias violentos bastante segura. E nada de verdes. Pintou as paredes internas da palavra concreto de lilás e as externas de amarelo. A razão disse-lhe que não combinava: onde já se viu? O concreto ser lilás e amarelo? Pouco ligou. Estava morando em palavras, por que precisava ser racional? Além disso, já tinha residido em árvore e pasto, os dois eram verdes conforme a razão. Agora não! Queria concreto amarelo e lilás. Foram de sonhos os primeiros meses. Só que depois, não tinha mais paredes para pintar, despintou cada uma delas, repintou tudo de novo, invertendo as cores. Cansou disso também.
Que agonia não encontrar palavra que seja boa moradia, palavra que o comporte inteiro, sem que ele se desespere para mudar novamente. Tinha escolhido apenas palavras concretas, resolveu partir para o abstrato; Pensou em viagem: comum demais. Esteve na porta de suicídio: trágica demais. Vasculhou saudade, paixão, amor, ódio: já muito habitadas, não estavam em bom estado de conservação.
Andava ao léu, sem palavra que lhe servisse de teto, quando, surgida do nada, viu a casa de sua vida, ali, exata, fluida, inteira como sempre desejou. Não precisou alterar, consertar, desmanchar coisa qualquer, apenas abriu a porta e entrou. Vive até hoje em exílio. Está confortável. Mudar de palavra é coisa esquecida.
Rubens, você pode me enviar esse texto em anexo word?
Outra coisa, você me autoriza trabalhar com ele em sala de aula?
Aulas de semiótica. Se quiser, pode botar um brevíssimo currículo no final.
Beijos.
(Lucilene Machado)
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Meus parabéns, caro Rubens.
Este texto é, além de muito interessante e criativo, muito bem escrito. Coisa de profissional.
Guardarei como um dos melhores que aqui li.
Abraço, Ricardo Pisoler.
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Obrigado, Ricardo,
fico contente que tenha gostado.
abraços
Rubens
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Concordo com o Pisoler, também achei o seu texto muito interessante e criativo. Mas, devo cumprir a minha sina de palpiteiro, e vou dar dois pitacos.
Primeiro, quanto à palavra "pasto". Pasto é o lugar onde o gado se alimenta e - contingência inevitável - defeca. Quem já andou por um sabe do que estou falando. Pasto não é bem a mesma coisa que "campo".
Depois, quanto ao abandono da idéia do texto no último parágrafo, quando se fala em "casa da minha vida" quando se poderia explorar melhor a grandeza do nosso destino implícita na palavra Vida.
Não sei se são observações pertinentes. Mas, enfim, uns escrevem e outros dão palpites, né não?
Um abraço,
Di MaioDi Maio,
é verdade o primeiro "palpite", quando substituiu a palavra "pasto" por "campo". É bem verdade que a idéia de "campo" seja mais linear quando entre a árvore e o concreto das cidades. Também abandona de vez o torno do cavalo, já antes substituído pela árvore e relacionado a pasto, então, sendo ali que como disse, ele próprio defeca e passeia.
Ou seja, a idéia de pasto é relacionada à anterior, e não como deveria, já que sendo uma procura pela moradia ideal e diferente entre as demais, deveria ser uma próxima alternativa, e campo se encaixa bem.
Já seu comentário final, entendi completamente diferente, e também não sei se entendi ao certo, mas acredito que o exílio ressaltado no final quis encerrar o texto refletindo que não existe a palavra exata que impele a felicidade de vida ao ao morador em questão, e foi exatamente isso que achei mais tocante neste texto, a nossa indefinição pela exatidão, que torna todas as possibilidades possíveis de felicidade e tristeza.
Abraço, Ricardo.
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Di Maio,
deixa eu contra-argumentar, já que achei insuficiente os seus argumentos em relação à palavra pasto. Ela é pouco usual sim, mas não deixa de ser interessante. Remete à pastagem, pastor, pastorear... e faz parte da mesma cadeia das palavras anteriormente usadas. Outra coisa, pasto delimita, campo não, campo é bem mais vasto e poderia inferir no enredo, já que a última palavra é exílio.
E quanto a defecar, bem o esterco do gado é um bem que tem valor, sem contar que contribui para a fertilidade da terra. Mas, enfim, eu gosto desse seu lado palpiteiro.
Beijo.
(Lucilene Machado)Olá Di Maio,
Obrigado pelos palpites, tão bem vindos quanto os elogios :))
seguem meus comentários (Rubens)
===
"Primeiro, quanto à palavra "pasto". Pasto é o lugar onde o gado se alimenta e - contingência inevitável - defeca. Quem já andou por um sabe do que estou falando. Pasto não é bem
a mesma coisa que "campo". (Di Maio)
Neste texto, além de trabalhar com os significados reais, trabalhei com a sonoridade que me agrada, pasto me fascina por ser mais, a meu ver, musical que campo, e também seu significado não é tao assépitco, nada como pisar em algo de natureza animal, pra aprender umas coisinhas na vida :)) (Rubens)
Depois, quanto ao abandono da idéia do texto no último parágrafo, quando se fala em "casa da minha vida" quando se poderia explorar melhor a grandeza do nosso destino implícita na palavra Vida. (Di Maio)
=== Desculpe, mas não entendi sua observação direito, vc poderia me explicar melhor? na verdade a palavra que eu escolheria para morar dentro é 'exílio' por isso meu personagem quando a encontrou, encontrou a casa da sua vida, ou seja 'exílio'. (Rubens)
Não sei se são observações pertinentes. Mas, enfim, uns escrevem e outros dão palpites, né não? (Di Maio)
Bom, pra mim todas as observações são pertinentes :)) Todas as palavras abordadas no texto são palavras recorrentes nos meus escritos. Resolvi homenageá-las ;))
Obrigado
RubensAINDA O TEXTO “NÉVOAS”, DE RICARDO PISOLER:
O texto “Névoas”, de Ricardo Pisoler, continua repercutindo. Recebi o email abaixo, em meu blog particular, e repasso-o a esta Oficina, para que a comunidade debata, e veja quem tem razão. O email é de outra Maria, que faz uns reparos na crítica ao citado texto. Saludos. Maria José Limeira.
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[Maria ][acendoasestrelas@yahoo.com.br][http://geocities.yahoo.com.br/acendoasestrelas]
"Há um erro (lapso?) de construção no “sequer ouviu-o os bem-te-vis”, que, colocado em ordem direta, seria: “sequer os bem-te-vis ouviram-no”, ou “sequer os bem-te-vis o ouviram”, ............. Maria José, li essa sua critica em um blog seu, e lá não tem seu endereço,daí vim aqui nesse espaço. A inversão da ordem natural das palavras não é erro, mas recurso literário, e dos mais sofisticados, exercido apenas por quem sabe, e pode. Chama-se ANÁSTROFE e temos esse exemplo: "A grita se alavanta aos céus,da gente" CAMÕES - 22/04/2005 11:07
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RESPOSTA:
OK, OK... Vamos discutir
Olá, gostei da sua intervenção. Mas, a amiga enganou-se em seu reparo, que vou levá-lo à nossa Oficina Literária, onde você deveria estar também. O erro que citei, cara amiga, não se refere à inversão das palavras. Trata-se de um "erro de concordância", primário, e muito comum em quem inverte as coisas. Espero que entenda a sutileza da coisa e venha para a nossa Oficina Literária.
Para entrar, mande email em branco para: oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br Estamos também com oficinas literárias no orkut e gazzag. Saludos, e obrigada pela sua colaboração. Maria José Limeira.
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Fonte: http://marialimeira.zip.net
O texto de Pisoler, em debate:
névoas (r.pisoler)
cale-se o anjo
que não me quis
sequer ouviu-o
os bem-te-vis
tem mais bens aqui
que nos flancos
vis
tem bem mais bens
que os hostis
PRECE
Nel Meirelles
pai
afasta os
tentáculos
que esmagam
meus impassíveis
testículos
bicicletas
são impossíveis
em Jerusalém
http://www.falapoetica.blogger.com.br/
no primeiro golpe
ele me beijou.
no segundo,
ele se foi.
(Dira Vieira)
http://madamemin.zip.net
ERÓTICO OU PORNOGRÁFICO?
UM NOVO TEXTO EM DEBATE:
“A FADA DO PRAZER”, DE DENISE FERREIRA
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A Fada do Prazer
Denise Ferreira
Numa tarde de domingo ela entra numa sala de virtual.Depois de alguns foras em muitos caras,ela encontra o escolhido.
Ele à princípio,duvida que ela seja do que diz. A fada ,que adora provar seus dotes,provoca:”não quer experimentar?Sou mestra em fazer homens gozarem.
Ele diz que não acredita muito,mas ela insiste: “vou te fazer gozar...”Depois daquela promessa,a curiosidade o desarma.
Ela diz: “ok,vou começar com uma massagem,prá você relaxar.Tire a camisa e deite-se de bruços.
“Hum,que delícia”,ele já antegoza.Ela diz que vai passar óleo nas mãos ,e com ele deitado de bruços,ela fala provocante: “Sinta minhas mãos macias nos teus ombros,desfazendo as tensões.Ele murmura já relaxando:”hum,isso é muito bom”.
“Meus dedos deslizam pelo teu pescoço,enquanto minha língua toca teu ouvido e eu murmuro: “Vou te fazer gozar”,e em seguida,mordisco tua orelha,de leve,enquantos meu dedo percorre tua espinha,te fazendo soltar um gemido”.
Ele diz:”estou adorando,meu pau está ficando duro”,então ela continua sua deliciosa tortura virtual: “sinta minha língua quente percorrendo tua espinha.Ele diz: “que delícia”
Sempre comandando a transa virtual,ela ordena: “agora vire-se”,e continua:”eu beijo sua boca,envolvendo sua língua,enquanto minhas mãos suaves acariciam teu peito...”,ele diz q está adorando,e a fada insinua:”você ainda não viu nada”...
“Minha boca desliza pelo seu queixo,mordiscando-o,e minhas mãos acariciam teu peito”.
Ele agora só consegue murmurar “hum”,tamanha a excitação que aquela transa virtual está lhe causando.
E a fada continua:”meus dedos brincam no teu umbigo,enquanto lambo e mordisco teus mamilos”.
Ele pede:”desce mais”,entendendo o pedido,ela diz: “minhas mãos acariciam teu pau por cima da calça...
Vendo que está conseguindo excitá-lo,ela prossegue:”eu abro o zíper da sua calça e lambo teu pau,que se agita dentro da cueca”,e ele confirma: “realmente está duro aqui”...Essa frase a excita,e ela continua naquele jogo:”tiro teu pau de dentro da cueca e o envolvo entre minhas mãos,massageando- o levemente.
Tiro meu vestido e faço você tocar meus seios.Ele fala: “ eu acaricio teus seios e te beijo,puxando teus cabelos”...
A fada,firme em seu propósito,diz:”eu acaricio teu pau com a ponta dos dedos e lambo a cabecinha devagar,acariciando as bolas...
Ele diz,extasiado:”adoro isso”...,e a fada prossegue,fazendo o que domina tão bem....
“Eu chupo teus pentelhos,mordisco tuas bolas,enquanto guio tua mão prá dentro da minha xoxota apertada.Ele gosta :”eu acaricio teu clitóris”,e a fada diz:”e eu chupo tuas bolas,prá te deixar louco...”
Já bastante excitado,ele sugere:”põe a buceta na minha boca.Ela pergunta,já sabendo a resposta:”quer um 69”?,e ele confirma :”isso”
Ele diz:”enfio a língua na tua xota,escorregando pro teu cuzinho....”hum”.Meto o dedo na tua xaninha...
Gemendo,a fada diz:”chupo teu pau,que incha na minha boca quente”...
O parceiro virtual,já alucinado,diz:”quero meter no teu cuzinho”,e ela que conhece os homens,como poucas,provoca:”vem,mas com carinho”....
Ele diz:”estou metendo a cabecinha, de leve”...
Mas como dona da situação,ela comanda:”eu guio teu pau prá dentro da minha grutinha apertada,hum...vem..
Ele continua,cada vez mais excitado:”vou metendo,metendo”...A fada sabendo que estava conseguindo excitá-lo,diz:”soca,me fode todinha”,e o homem por trás da tela,no auge da excitação,implora:”chupa,chupa meu pau que vou gozar”,e ela retribui para o prazer dele:”estou chupando,mamando,puxando teu pau com força,goza,meu amor,goza”...
Depois de alguns minutos,ele escreve:”aí que delícia,você é demais!”.Ela diz,fingindo mágoa:”e você achou que eu mentia...” Ele pergunta se ela entrava sempre com aquele nick e os dois se despedem,com ele prometendo voltar a procurá-la.
A FADA DO PRAZER
Um texto de Denise Ferreira
(Análise crítica)
Maria José Limeira
A nossa amiga Dira Vieira acabou de defender sua tese de Mestrado da qual o tema foi o relacionamento humano nas comunidades do Ciberespaço. Uma das coisas que os orientadores exigiram foi que realizasse uma pesquisa a fim de saber como e por que as pessoas usam a rede internáutica. Uma das perguntas era justamente esta: “Você já fez sexo virtual?” Surpresa nos resultados. Todos os entrevistados responderam “Não” a esta simples pergunta. É que há uma hipocrisia generalizada em relação ao sexo, seja ele virtual ou real...
Não vamos usar, portanto, de hipocrisia para analisar este texto “A fada do prazer”, de Denise Ferreira (que deveria ter como título “A safada do prazer”. Ah-ah!), que trata, justamente, do sexo virtual, em pleno chat, com todas as letras, explicitamente, e sem mais delongas.
É um texto chocante, porque narra as aventuras de duas pessoas solitárias numa sala de bate-papo, que entram ali com o fim específico de gozar sexualmente, com uma realidade de doer, usando a linguagem chula cotidiana, linguagem de rua, sem nenhuma máscara.
Pode ser que alguém venha me dizer que este texto pornográfico não é Literatura. Ora... ora... ora... Não é Literatura por quê? Porque é “pornográfico”? E pornografia não é Literatura? Por quê?
Infelizmente, eu já vi, em comunidades literárias pseudo-eróticas (argh!) os donos do pedaço expulsarem poetas por terem excedido os limites, onde o pornográfico era maldito... aiaiai-meudeusdocéu... Pornográfico maldito em pleno Século XXI! Isto é possível? É, sim senhores. E foi de lá que eu fui expulsa (e mais de uma vez), acusada de ser “escritora imoral compulsiva” (ah-ah!).
Este texto de Denise incomoda, pois. Trata-se da descrição de uma realidade que ninguém pode mais ignorar, pois o sexo virtual está sendo utilizado em larga escala por pessoas de todas as idades, e algumas dessas experiências (pasmem!) terminam em casamento na vida real. Dizer o contrário seria assumir a capa da Hipocrisia e aposentar o bom senso em berço inquisitório, como já vi muita gente boa fazer em comunidades pseudo-poéticas.
Ora, direis: e esta linguagem chula? Por que, ao invés de escrever “cu”, as pessoas não substituem essa palavrinha inquietante por “ânus”? Ao invés de dizer “buceta” numa relação sexual, por que não dizer “órgão sexual feminino”, que é mais “erótico”?
A Denise optou por escrever textos pornográficos e a linguagem chula é a sua seara. Alguém tem alguma coisa contra?
Este tipo de Literatura não é o de minha preferência. Mas, embora eu não utilize a linguagem chula nos meus textos, simplesmente porque não é minha especialidade, e nem sei escrever prosa nesse estilo, não direi que um texto não presta apenas por ser pornográfico.
O que venho aconselhando sempre à Denise é que releia seus textos, retire o que está sobrando neles, tenha mais cuidado na forma, dê-lhes umas boas escovadas, etc. a fim de torná-los digeríveis como produtos acabados.
Denise: É melhor ser Pornográfica do que ser Censora, já dizia o Papa João Paulo II, o tal Wojtyla, que Deus o tenha!
Maria!!!
Obrigada por sua sincera e valiosa análise. Não tenho conseguido escrever. Não sei se pelo cansaço,ou se pela censura, pelo medo do confronto, q acaba me fatigando,o q talvez seja fruto do meu subsconsciente (meu Deus,será q me fiz entender?).
Venho tentando tornar meus textos mais curtos,se é isso q vc quer dizer,quando fala em "enxugá-los".
Agora,quanto à linguagem chula, é "defeito" da "virgem safada",escritora...rs (nick esse q já usei em chats...rs). Pra mim,é mais atraente usar a linguagem chula...rs. Acho mais envolvente escrever "pau" a pênis e "buceta" ou "xoxota" a vagina.
Fiquei muito chateada com a morte do Papa João Paulo II, já q sou descendente de poloneses.
Obrigada,Maria por esse apoio,e quanto aos outros, não se acanhem em comentar,criticar ou xingar tb..rs
Abraços
Denise FerreiraA fada do prazer, de Denise Ferreira
(por Dira Vieira)
Analisando
Tenho lido o trabalho de Denise no Orkut e no Gazzag e ainda não tive a oportunidade de comentar sobre ele. Gosto de literatura erótica, sensual, sutil, seja de que forma for, contanto que seja bem escrita. Estou colocando a minha opinião sobre o texto da Denise pegando o "gancho" no da Maria para concordar com ela.
Meus primeiros livros, aos 10 anos de idade, além da leitura sistemática dos gibis, foram Adelaide Carraro, Cassandra Rios, Karl Marx e biografias de Trotski, Lenin e Stalin. Pobre criança, eu apenas tinha 10 anos... A leitura para mim vivia equilibrada. E eu descansava os olhos das lutas armada e do capital, para deliciar-me com o erotismo de Cassandra Rios e Adelaide Carraro. Elas tinham uma linguagem chula. Mas quem reclamava?
Não acho que se deva colocar "ânus" no lugar de "cu", porque não teria o menor sentido. Há palavras que não cabem no espaço de outras. As palavras devem estar no lugar certo e na hora certa, sob pena de perderem a qualidade e a credibilidade de quem as usou.
Como a Maria disse, finalizei o meu mestrado sobre as relações virtuais... e a linguagem dos chats é exatamente assim, Denise. Vc não inventou nada... com um agravante de que são codificadas por conta de velocidade. As pessoas se masturbam sim via internet, via telefone, mas dificilmente elas vão confessar isso, porque é uma questão de foro íntimo e ninguém abre seus armários para todo mundo não. Esse seu texto tem coerência, começo, meio e fim e nada de inverdades. Vc apenas retratou o que acontece diariamente na grande rede. É claro que vc poderia ter "enfeitado", colocado um batonzinho no texto para ele parecer realmente uma ficção, mas não, vc optou por fazer um relato simples, e fico bom. Não gosto do erotismo-pornográfico de certos autores... pq eles não escrevem para legitimar o contidiano, mas o imaginário, é assim? O seu texto, pelo que pude constatar é mais um meio de contestação ao puritanismo dos seus pais ou da sociedade, como bem vc colocou que assexualiza as pessoas com algum tipo de deficiência. Hipocrisia? Proteção? Cuidado? Não sei. Mas são padrões estabelecidos que não mudaremos da noite para o dia, mas requer muita luta de toda a sociedade de mudar esse quadro.
Continuo escrevendo, Denise. Continue trabalhando a forma, lendo o seu próprio texto em voz alta e lendo os dos outros na mesma linha que vc persegue.
Leio literatura erótica sim... e se for daquelas dos livros pornô-erótico, que importa? Alí tb, vez ou outra aparecem bons autores... Então, acho que o segredo é seguir a intuição, e escrever, escrever, escrever.
E a vida continua e navegar é preciso. Um grande abraço. E continue superando o mundo e a vc mesma, leia e escreva muito.
Escrever bem nada tem a ver com usar essa ou outra palavra. Acho que tem a ver com usar as palavras certas nos locais certos. Rodrigo Souza Leão é um belo exemplo disso. Os poemas eróticos dele certamente escandalizariam até as profissionais do sexo. Mas ele sabe manejar a palavra de forma brilhante. Quem se importa com a palavra quando ela diz o que tem que ser dito?
Dira
……….
Sem querer polemizar, vc já leu este povo de novo?
Acho importante na literatura uma pessoa ler autores a cada alguns anos só pra ver se eles melhoram, sacou? ou se a gente piora....
Não mais recente o caso de denise, talvez o de marx, trotski anda bem intragável nas determinadas circunstâncias, mas ainda vale....
cassandra rios seria interessante uma releitura, e talvez uma que equivalesse aqui em alguma coisa.
gostaria que se aprofundasse em sua viagem, Dira, se puder, ou se quiser.
bj, Ricardo Pisoler
Dira e Ricardo
Obrigada pelas opiniões de vcs.Elas me motivam e tornam mais rica em linguagem.Na realidade,não se escandalizam,mas esse diálogo aconteceu entre eu e um rapaz na net (aí,será q escrevi certo?sempre me confundo quando usar "mim" e "eu"...rs).
O que sei de literatura erótica, se é que possa chamá-la assim, são aqueles romancezinhos "Julia","Sabrina"...
Os que escrevo são da minha própria "mente pornográfica"...rs,pq como já disse meu pai, eu sou uma "depravada"....rs
Aliás,vou escrever sobre o q é ser depravada e como isso pode incomodar as pessoas.
Bjinhos aos dois
Dê
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Ah, Denise! Escreve, Denise. ESCREVE!!! Sempre! Você tem talento. Saludos. Maria José Limeira.
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rs....não se escandalizem..rs....obrigada pela confiança, Maria.Estou pensando em alternar contos e crônicas.
Bjinhos
DenisePrezada Dira: Marx aos 10 anos de idade?
Sem querer polemizar, tampouco menosprezar seu habito infantil de leitura - muitíssimo melhor que eu que vim conhecer uma leitura aos 18 anos.
Mas vc não acha que uma criança que aos 10 anos lê Marx está mal orientada no seus hábitos com os livros?
O que uma criança de dez anos é capaz de assimilar de uma obra sobre capital, trabalho etc?
Wellington Farias
……….
Você tem toda razão, não entendi nada. Mas era uma exigência da minha irmã que fazia parte da Pastoral da Terra e a gente tinha que ler sobre O Capital. Domitilia Barrios e outras similares era a nossa bíblia para entender os movimentos pela terra.Meu pai nos ensinou o hábito da leitura desde os 7 anos de idade, Wellington, e para mim não é esquisito ter tido essas leituras tão cedo não. Aos 11 anos eu fazia parte da partidos clandestinos em João Pessoa, e tinha assinaturas de revistas estrangeiras sobre a revolução armada. Claro que eu não tinha noção, mas era obrigada a ler. E li. Daí a entender, vim entender muitos anos depois e aprofundar no curso de Sociologia, já no mestrado. Mas confesso... o q eu amava ler mesmo, era Adelaide Carraro e Exupéry, mas não podia confessar... isso era um "pecado" mortal... certamente.
DiraLi Marx agora no mestrado. E como fui forçada a ler para cumprir créditos em seminários e disciplinas que a gente só paga pq faz parte. Claro que a visão de uma leitura aos 39 anos é diferente da que se faz na pré-adolescência. Lóoogico. Não tenho nem dúvidas. Sei que quando passei na prova de seleção do Lyceu Paraibano aqui, aos 14 anos, fui chamada na
diretoria do colégio de origem para que eu prometesse "me comportar" senão, nem entraria no Lyceu. E me comportei, fui logo entrando no movimento secundarista e depois ganhando a diretoria de cultura do Centro Cívico e perturbando a vida da diretora do Comoci (que era um órgão de repressão estudantil). Mas nunca dei muito trabalho a ninguém. Minha vida era a literatura, a arte, e foi pra esse lado que escorreguei desde os idos de 80. Nunca mais li esses autores não, Pisoler, nem a Cassandra, nem a Adelaide. Realmente, seria interessante relê-las. Acho que seria realmente interessante rever essas leituras e tirar delas alguma impressão atual.
Mas não se preocupem com o que eu disse, o que está em pauta é o trabalho da Denise e acho interessante a discussão partindo dela e não de mim. Afinal, é ela que está na berlinda...hehehe....
DiraAinda que não alcançasse
a libertação,
gostaria, ao menos,
de ser digno dela
a todo momento.
(Franz Kafka)
in "Diários"
NOVO TEXTO EM DISCUSSÃO:
“ELEGIA”, DE RUI MENDES.
...........
ELEGIA
Rui Mendes
Sem que o brilho dos olhos estanque nas veias
o relento cortante que o sangue funda na sombra,
auguramos mágoa e trevo para cindir estas naves,
estas águia cegas, desertas e desferidas.
E partimos, calado o roçar dos tambores, a levante
do litoral, despojados do vácuo das cisternas
e dos espelhos agrários das colinas, perdida
para sempre a luz cativa das ourelas do mar
- âmbar ou esteira de lírios levados pelo vento.
Partimos com este corpo aos ombros, como uma lâmina
lastrada na transparência dos filhos, ó sangue
tão coberto de sangue, e só o dealbar compulsivo
duma pomba triturada na turbulência das rosas
nos diz, por tantos rios de honor, que inês é morta.
Que alvura vermelha transfere agora o grito
das falanges do corpo ? Que roupagens, que prado silêncio,
tornam secretos os postigos do povo de coimbra
no azul do amanhecer que amanhece?
Quem grita, cingindo os fios de lume no horizonte?
Na devastação dos átrios e dos túneis e das falésias,
os cavalos também arrasam a flor e a névoa
destas lajes encastradas no sangue e, por esses rasgos
íngremes, inexplicavelmente redondos,
o mondego solta o arder exacto do clarear.
Sem que o brilho dos olhos estanque nas veias
o relento cortante que o sangue extingue na sombra,
lídimo, opaco e círios acesos o corpo subjaz
na dor infinita que o poente arranca sobre o coração.
ELEGIA, de Rui Mendes
por Dira Vieira
É claro que o texto do Rui assusta um pouco, pelo uso de palavras que não usamos naturalmente. Precisei ler devagar para tomar fôlego. O texto possui uma forma corrida, sofrida, sem pausa. Mas nada disso tira a beleza do poema que nos inquieta e provoca o olhar mais imaginativo do leitor.
A escrita rebuscada, nobre, não consegue guardar e resguardar o sentimento que aflora no poema e do poeta. Ela nos arrasta com ele para o sentimento e inquietação do personagem em relação à ambientação e existencialismo do ser diante do mundo e da situação própria.
É um poema solitário. De uma angústia pesada que o poeta traz nos ombros com o seu próprio corpo. A desesperança, a insatisfação e o sinal vermelho no fim do túnel, faz o poeta estancar no verso: "inês é morta", uma menção a uma fábula popular de portuguesa.
Eu poderia dizer ao final que não me sinto bem lendo textos com palavras tão rebuscadas, mas esse é diferente. Ele nos provoca o entendimento e nos deixa assim,como o poeta, querendo entender os porquês e as entrelinhas que quase que sofregamente o poeta nos entreabre no texto.
Quanto à forma. Não gostei. Ele é corrido, como se feito às pressas, tira o nosso fôlego e pesa quando tentamos pronunciá-lo.
No meu entender, (também pode ser proposital), o poeta poderia ter dado uma cadência, um ritmo, algumas pausas para que o leitor sentisse o poema como em conta-gotas, diante do mundo que ele abre e fecha nesse poema.
É um belo texto.Esse texto de Rui Mendes possui uma estrutura que fez-me sentir encaixotado, sem conseguir visualizar uma brecha por onde pudesse tomar fôlego e me ver livre do peso das imagens fortes e carregadas de tristeza, que me deixaram em desassossego para terminar logo a leitura.
Apesar disso, o texto não é monótono, mesmo com o exagerado uso do "que" sempre trazendo uma explicação a mais, pois o leitor é recompensado com uma linguagem de ótimo nível e frases impactantes que o põem em constante ebulição.
Um belo texto.
Te+ (Marcelino Costa)
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Gostei muito do teu poema (“Elegia"), porque me identifico com este tipo de linguagem, metafórica, simbólica, um tanto surrealista. Gostaria de saber quem são tuas
referências. Vi uns lampejos de Jorge de Lima. Tô certo? De qualquer forma acho que você acrescentaria mais força ao poema se repensasse o final, principalmente o verso final, que não acompanha em originalidade versos que estão no interior do poema.
Acredito que este verso ‘na dor infinita que o poente arranca sobre o coração’ não tem substância suficiente para agüentar a carga poética do texto. Claro que um texto como este precisa ser visto pelo conjunto e não por versos isolados. Mas depois de lê-lo em voz alta,
como se tivesse declamando em ruínas gregas (viajei legal) fiquei um pouco decepcionado com a solução final, um tanto romântica demais.
Outro ponto que eu sugiro é a distribuição dos versos, esta forma compacta, o poema todo em uma estrofe, ainda mais um poema com esta carga de simbolismos, pode prejudicar a compreensão da tua linha de raciocínio, prejudicar a respiração. Você já tentou distribuí-lo em mais estrofes. Acredito que daria mais sustentação a forma física do poema se você o estruturasse de outra maneira.
é isso, grande poema, grande linguagem, já to curioso para ver outros textos teus.
(Rubens da Cunha)UM TEXTO EM DEBATE:
“POEMÍSSIL”, DE ADEMAR RIBEIRO.
Poemíssil
Poema de
Ademar Ribeiro
A poesia a que poeta
dissidente, legionário,
em prantos, me irmano
faz a barba à sua estética
ante os exércitos da Onu.
Mas já uma outra, barbuda, insurreta,
das suas não poucas insurretas, barbudas filhas,
nas cordilheiras do meu texto encafua-se em cavernas,
apruma sua esquadrilha
e opera noutros céus
um divertidíssimo exercício
de, com aviões de papel,
com imponderável humor,
desabar sobre edifícios;
conclamando os mais poetas
a bem apontarem seus versos
ou a bem rasgarem seus livros.
POEMÍSSIL
Um texto de Ademar Ribeiro
(Análise crítica)
Maria José Limeira
O poeta Ademar Ribeiro é paraibano, de João Pessoa, onde o conheci, nos anos 60. (Adolescemos juntos). A maior parte de sua vida adulta passou-a em São Paulo, como funcionário público. De volta à Capital paraibana, reatamos nossos laços regados a ausência e saudade. Conheço suas produções literárias iniciais, publicadas num primeiro livro intitulado “Limiar do sol”, onde revelava, em textos curtos, sua vocação de Poeta, que depois se completou em textos longos. Fui testemunha dos seus primeiros passos, e tive a honra de ser convidada a escrever a apresentação de alguns de seus livros, entre eles, o último, “Estados desunidos”, publicado recentemente em João Pessoa.
A poesia de Ademar baseia-se em momentos filosóficos, o eu-ausente, exprimindo perplexidade, com a curiosidade de quem se debruça sobre os problemas atuais, e com olho crítico de um observador atento, que aparentemente não se deixa envolver.
No entanto, quanta angústia aflora em seus versos.
“Poemíssil” é um belo exemplo de que Ademar volta às origens dos seus textos curtos, concisos, no caso aqui recorrendo ao “concretismo”, num poema que é mais denúncia do que simples constatação.
A estética do poema segundo me revelou o autor, surgiu por acaso, quando depois de pronto, foi colocado no micro, como texto centralizado, quando apareceu a estranha forma de míssil, justificando o conteúdo, como num milagre. Não que Ademar se concentre na antiga escola de mestres concretistas, mas aceitou o fato consumado, como artista plástico que também é, autor de pinturas a óleo e esculturas em barro, alternativa a que recorre nos intervalos da publicação de suas obras literárias.
Este “Poemíssil”, de Ademar Ribeiro, é um texto belíssimo. Poema-manifesto que conclama a postura participativa em contrapartida à omissão.
Eu poderia insistir (como insisti pessoalmente) na substituição das palavras repetidas “cabeludas” e “insurretas”, por sinônimos.
Mas por que nos prenderíamos a detalhes que não prejudicam o todo?
Uma bela história de vida, esta que você contou do Ademar. Quanto ao texto "poemíssil" achei-o bem interessante, um misto de tragédia e comédia diante da força bélica de uns e da única forma de retaliação de outros, menos fortes e terroristas.
Confesso que, como o Ademar, não mais considero ações terroristas realmente terroristas.
Considero-as uma manifestação artística de um povo, no caso, perante a outro povo, que agora está querendo ensinar a este outro povo como é que se faz arte. E, enquanto eles fazem arte, nós faremos uma guerra, atirarei em você, Ademar, com meu revólver de suco de pitanga e vou mandar bombas de chocolate por sua goela abaixo. Isso se não mandar matar toda a terra seca daí da Paraíba e mandar nascer pé de côco no sertão. Tô muito brabo mesmo, posso até acabar com essa história de seca por aí e deixar todo mundo na lama, craro, dispois qui chuvê.
Grande abraço. Ricardo.
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Ricardo. Eu gosto de poeta brabo.Por isso que gosto tanto de você... Maria José Limeira.
.Maria,
Não vejo uma estética concretista no poema. Centralizando, não fica com cara de míssil. Parece mais um boneco com os braços abertos (curtos... ou amputados antes dos cotovelos...).
Ricardo,
Estética por estética, a dos bombardeios ou dos atentados são estéticas, assim como forma de combate por forma de combate, ambas são formas de combate, relativas à posição e recursos de cada um.
Até a nossa polícia, com armas de fogo e cassetete à vista, pratica certo terrorismo... ou, para ser mais específico, “policiamento ostensivo”.
Bombardear, deixar bomba, jogar bomba ou se explodir com bomba são apenas variações... todas legítimas do ponto de vista político. Para quem precisa de ou propõe-se como polícia, entretanto, é coisa feia a ser reprimida ou, mais precisamente, proibida mais que combatida (a idéia “policial” é uma normalidade na qual o uso da força é monopólio de um, não forma legítima de expressão de qualquer um).
Régis
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Questão interessante...
Achei interessante esta questão levantada por Régis em relação ao poema de Ademar. Realmente, as figuras nos dão asas à imaginação. Se não me engano, Régis, existe um teste de personalidade na Psiquiatria (parece-me que o nome é teste Rochard, ou coisa parecida), onde o médico analisa o estado do paciente através das respostas que este dá ao visualizar as figuras dos cartões. Não é um teste cem por cento infalível, apenas serve de algum subsídio ou complemento para estudo do doente... No caso aqui, sobre o poema de Ademar, o que os amigos acham? É concretismo, ou não? Pessoalmente, a poesia concreta não me serve de modelo para nada. E mesmo que o poema de Ademar expresse apenas um homem sem braços ou com os membros mutilados, isto não influenciaria em nada minha opinião sobre o texto... Maria José Limeira, procurando respostas...
Maria,
"Rorschach", como podes conferir em diversos sites como
http://skepdic.com/inkblot.html
http://www.rorschach.com/test.html
http://www.phil.gu.se/fu/ro.html (que encaminha para diversos outros links).
Originalmente, eram borrões de tinta simétricos (dá para fazer em casa: joga tinta parcimoniosamente - ou vai ficar tudo pintado, quase tudo ou tudo preto se se usar tinta preta - no papel e o dobra, de tal modo que os dois lados fiquem impressos com a mesma figura, depois desdobra e deixa secar.
Eu tendo a geralmente a projetar um arremedo de ilíacos naqueles testes.
Nesse abaixo, entretanto, vi algo mais (não que eu ache ilíacos minimamente eróticos por si próprios) erótico...
De certo modo, tudo envolve projeção, segundo se entende desde Kant.
Figuras ambíguas ou sem sentido, entretanto, explicitam isso, em especial a tendência a dar sentido mesmo ao que não faz sentido... como, para começar ou terminar, a vida, o universo, a existência ou não de Deus etc.
Régis
fonte: http://w1.303.telia.com/~u30302947/
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Obrigada pelo reparo, Régis. Um dado interessante é a analogia que existe entre os borrões do teste Rorschach e as obras de arte quando as pessoas respondem a eles e a elas usando o mesmo mecanismo mental. Daí porque, às vezes, enquanto uns gostam de uma produção artística, outros a abominam...
Eu, por exemplo, vi na figura que o poema de Ademar sugere não um míssil, mas um avião caça daqueles de forma esquisita que os americanos usam contra quem eles discordam... Você, por sua vez, viu na mesma figura um boneco cotó... E assim vai...
Maria José LimeiraBom. Não entendi o "seus cretinos" aí em cima. Vou ler como um erro. E passar à frente do exercício da oficina.
O texto do Ademar, na minha modesta opinião, tem um apelo gritante contra o imobilismo. Seria uma poesia engajada com uma causa. palavras certas nos lugares certo, até mesmo a forma como o autor dispõe os versos em forma de míssil. Tem conteúdo,chama-nos a uma ação, tem essência, quando provoca uma poesia combativa e atuante. Achei perfeito o uso dos aviões de papel. O autor foi feliz na feitura desse texto que me cativou e me amarrou a ele. Notei que o autor briga consigo mesmo, ao mesmo tempo em que conclama a poesia e o poeta a agir, ele também lava as mãos e estende a toalha. Gostei do Poemissil. Atual, provocante, bem ao estilo do autor.
(Dira)
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Prezados. Prezadas. Amigos. Amigas. Meninos e Meninas.
Prezado amigo Ademar. Eu estarei tendo uma ligeira ilusão de ótica? Ou fomos chamados de "cretinos"? Quem é "ordinária" aqui? Ademar. Seu lindo poema não recebeu nenhuma gozação por aqui. Ao contrário, por se tratar de uma produção de qualidade, foi elogiado. Por que esta reação esdrúxula? Tive textos meus não muito bem aceitos aqui. Recebi as críticas contrárias democraticamente, e com muito bom humor. Outras pessoas, se bem me lembro, tiveram a mesma reação minha. Isto é uma Oficina Literária. Você foi bem recebido aqui, Ademar. É meu amigo pessoal. Conhecemo-nos em pessoa. Frequentamos a casa um do outro. Passamos memoráveis finais de semana juntos. Eu lhe peço, amigo, ajude-nos a navegar este barco sem problemas. Eu lhe peço... Vamos esquecer este rompante de Ademar... Esqueçamos isto, amigos, eu lhes peço encarecidamente... Deixemos passar, por esta vez. Sim?
Maria José Limeira
Coordenação da Oficina Literária
Senhoras, Senhores. Eu gostei muito do texto "Poemíssil", de Ademar Ribeiro. Tem linguagem, imagens belíssimas, e é um poema-poema, não pode ser lido como prosa. E pronto! Maria José Limeira.
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Maria José:
Muito bem. Obrigado por me ter poupado de uma constrangedora auto-apresentação.
E o livro a que se referiu era "Limiar de Sol", e, não, "do Sol".
Gostei, sobremaneira, na sua análise, da pronta abordagem ideológica do texto, onde ficou afinal provado que a minha sintaxe não teria falhas, a linguagem estaria precisa, e que o que quis dizer era aquilo mesmo que disse, e bem trocado em miúdos, para bons entendedores, ficando qualquer possível ambigüidade de sentidos por conta exclusiva dos leitores e da sua capacidade de compreensão.
No mais, o que se poderia ainda esperar fosse dito de um único poema?
_ Talvez que o crítico, ele mesmo, se alinhasse também num contexto tão repetitivamente "insurreto" e "cabeludo", aí embrenhando-se além da pura constatação?
_ Não.
(Ademar Ribeiro)
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Querida Dira:
Antes de mais nada, quero lhe agradecer a análise surpreendente que fez do meu "poemíssil", esclarecendo que o meu aparte ( "seus cretinos" ) não implicou em nenhum erro ortográfico, gramatical ou sintático, mas apenas numa tênue falha ética de minha parte, esperando não a tenha sequer triscado, já que estava, até então, no seu canto, calada.
Contra a sua interpretação equivocada do texto e da pressuposta atitude do autor ao escrevê-lo, só tenho como argumento o próprio texto, com seus sujeitos, verbos, adjuntos e objetos bem articulados e pontuados, sem nenhuma margem para releituras semióticas por parte do leitor.
Ciao, Dira!
(Ademar Ribeiro)
Querido amigo Ademar Ribeiro.
Peço, humildemente, que modere sua linguagem ao se dirigir aos lindos companheiros desta Linda Lista, pois estou recebendo reclamações em PVT sobre o assunto, de pessoas que estão dizendo que vão embora da lista caso as hostilidades continuem.
Ademar, somos amigos de longa data. Você sabe que tenho o maior respeito e admiração por você e pelos seus textos.
Estamos nesta comunidade no difícil trabalho de analisar textos e para fazer amizade.
Não há necessidade, dileto amigo, de hostilizar textos e pessoas.
Textos são textos.
Pessoas são pessoas.
Por trás dos micros, olhando para a telinha, existem poetas como nós, com seus problemas particulares e suas vidas.
Devemos manter um clima de cordialidade e respeito, mesmo que nossas opiniões sejam contrárias aos textos em análise.
Espero que entenda minha posição aqui. Como moderadora da lista, não posso proteger uns em detrimento de outros, nem tomar partido contra ou a favor de alguém.
Espero que nossas divergências sejam mantidas sem precisar hostilizar ninguém.
Eu fico triste quando vejo poetas na minha lista se desgastando em mensagens dignas de figurarem em bailes funk da periferia do Rio de Janeiro.
Saudações democráticas.
Maria José LimeiraANÁLISE LITERÁRIA
Maria José Limeira
O que mais me faz falta em Listas de Literatura é a análise de textos.
Analisar textos não é nenhuma ofensa ao autor quando o "crítico" diz que não gosta, ou faz algum reparo.
Noto, também, a pressa com que as pessoas elogiam, com os famosos "gostei, queridinha" ou "adorei, amorzinho".
A falta de comentários sobre a produção divulgada em listas é um vazio que incomoda.
Acho que todos ganharíamos se houvesse debate sobre Literatura.
Já tentei, várias vezes, romper esse bloqueio, comentando textos, sem nenhuma intenção de ofender os autores. Em todas as Listas.
Nem sempre as respostas foram animadoras.
Parece que a maioria dos autores acha que todos –por unanimidade - têm obrigação de gostar dos seus textos.
Ou, na falta de gostar, pelo menos silenciar sobre o assunto, em sinal de respeito.
Esse silêncio, no meu entender, é o maior desrespeito que se pratica em Listas.
Outra forma de falta de respeito é a mania que as pessoas têm de achar que todos devem concordar com elas. Ou, não concordando, que fiquem caladas.
Outro dia, quando eu disse, numa lista, que não concordava com a postura de certas pessoas que se apropriam de idéias alheias, divulgando-as como suas - e não citei nome de ninguém - saltou alguém de lá, com a carapuça na cabeça, e disse que não tem medo de mim. (Isto foi o que menos disse, pois, em seu ataque histérico, só não me chamou de santa, estendendo desaforos e baixarias à minha pobre mãe, que já está no Céu).
Vi-me em situação insustentável diante de tamanha grosseria, que tornou impossível minha permanência na lista, da qual me despedi na hora...
Realmente, pessoa assim deveria estar freqüentando chat de Neuróticos Anônimos, e não ocupando espaço em Lista de Literatura.
Em outra Lista, presenciei uma situação, no mínimo, estranha.
Na hora em que um poeta lembrou os erros de construção no texto de um colega, o "dono do pedaço" partiu em defesa do "ofendido", afirmando que ali era uma "oficina literária" e, portanto, "todos tinham direito a errar".
Com isto, demonstrou total ignorância quanto ao conceito de "oficina literária", onde poetas divulgam seus textos para análise, escutam os prós e os contras em silêncio, e depois têm o direito de defender suas produções, concordando ou discordando dos comentários divulgados. Sem ofensas. Sem mágoas.
Em decorrência, saí correndo da lista (nem me despedi!), na conclusão de que, na realidade, nada havia para aprender ali.
Grata surpresa tive em outra Lista, onde propus comentar textos, e choveram emails em meu end. particular, de autores jovens, de boas idéias e mentes abertas, pedindo-me para analisar suas produções, e alguns até solicitando que eu escreva prefácios para seus livros de estréia.
Outra surpresa agradável foi ser contratada na Internet, por alguns autores, para revisar textos e fazer coordenação editorial de livros, profissão que já exerço na vida real.
O mais admirável é que essas pessoas que me contratam partem do humilde pressuposto de que estão sujeitas a erros, como qualquer mortal, recolhem sua vaidade à insignificância e botam o umbigo para dormir, pois o que interessa, segundo me dizem, é se profissionalizar em sua carreira literária.
Quero deixar bem claro que o que está em jogo não se refere a "nomes" de pessoas supostamente envolvidas nas historinhas inquietantes que contei.
O que vale aqui é o "tema" como instrumento de debate.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
AS CRIANÇAS CORRIAM A LONJURA DE TODAS AS CORES
Um texto de Rui Mendes
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto de Rui Mendes “As crianças corriam a lonjura de todas as cores” (presumo que seja este o título, já que se apresentou sem título algum) é de uma beleza exuberante, rico em metáforas, alegre como o riso das crianças, meudeusdocéumeudeusdocéu, este texto é belíssimo, digno de figurar em qualquer antologia da Literatura Universal.
Este poeta é português e usa com grande maestria a Língua de Portugal como seus antepassados, na maior correção, com dignidade, produzindo um poema leve (tão leve, que flutua!), dentro dos conformes das regras gramaticais.
Usa linguagem culta, sem nenhuma aresta, e o conteúdo é dos haikais, a Natureza em primeiro lugar, e os humanos (as crianças) em comunhão com a paisagem.
Este texto é um mundo! Meninos & Meninas... Nem tudo está perdido. Há vida na internet!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
AS CRIANÇAS CORRIAM A LONJURA DE TODAS AS CORES
Um texto de Rui Mendes
(Análise crítica)
Dira Vieira
O texto do Rui é carregado de imagens que ornam o poema, deixando-o sonoro, melodioso e deixa o leitor suspenso. Gosto do uso das imagens dentro do texto por oferecer a possibilidade do leitor vislumbrar o que o
poeta diz, com a sua própria imaginação.
O poema do Rui é muito belo. Suave, diz tudo, e ainda quando o terminamos de ler, sentimos que deveria ter continuado.
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O texto As crianças corriam a lonjura de todas as cores, do poeta Rui Mendes é, sem dúvida, como já foi dito, rico em imagens e metáforas. Algumas bem interessantes no que diz respeito à escolha das palavras. Deveria essa qualidade trabalhar para reforçar o conteúdo do poema. Não é isso que ocorre. Se transposto para uma linguagem menos erudita sua mensagem se dilui e nos apresenta a narração de uma cena, que apesar de singela, não é forte o bastante. Isso quer dizer que o binômio forma - conteúdo fica capenga.
Quanto à forma, o poeta se vale do verso livre, sendo sua principal virtude as poderosas imagens e metáforas. É obvio que em poesia antíteses pode ser uma virtude, mas não vejo a construção "iam soltando as amarras cristalinas da manhã/ e muito perto do invisível luar das cidades" possuidora dessa qualidade.
A forma não foi usada para reforçar o conteúdo, desta forma, o poema que não utiliza outro recuso formal além da metáfora para criação de imagens, deixa a desejar em relação ao que quer comunicar.
Rui Mendes é um poeta poderoso, é possível que todo o imagético do poema esteja trabalhando para uma mensagem que eu não consegui captar. Sendo assim, caberia perguntar: do que falas mesmo, poeta?
Caro João,
Tuas análises são bastante claras e preciosas. Tenho gostado do que tens escrito. Muito bom mesmo!
No caso deste poema especificamente, a cena que o poeta descreve não é tão desprovida de força não. A mensagem que leio claramente é que a ingenuidade, a alegria, os sonhos das crianças são um contraponto perfeito para a miséria em que eventualmente vivam. Veja: "o peso pobre das suas túnicas se dispersava nas lâminas suspensas do arco-íris." . Que importa a pobreza se se pode brincar nas cores e nas lâminas do arco-íris?
Creio ter sido esta a intenção do poeta. Mostrar a miséria feliz de quem ainda se veste de criança e sonha com o pote de ouro no final do arco-íris.
aceite um abraço afetuoso, meu carissimo João.
Nel Meirelles
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Caro Nel Meirelles,
Tua linha de raciocínio é interessante. Uma boa abordagem. Uma leitura superior a minha. Valeu.
Um abraço cordial.
João Andrade
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Prezado João
Acho que minha leitura é apenas fruto das minhas vivências.. não vejo como superior à tua, absolutamente. Talvez por ser mais velho que você (devo ser na realidade MUITO mais velho) eu enxergue as coisas de outra forma.
Apenas isto :)
aceite um abraço
Nel MeirellesAS CRIANÇAS CORRIAM A LONJURA DE TODAS AS CORES
Rui Mendes
As crianças corriam a lonjura de todas as cores
iam soltando as amarras cristalinas da manhã
e muito perto do invisível luar das cidades
largaram errantes clareiras de rosmaninho
unindo a povoada cintilação das asas dos rios.
Maio lavrava fugaz a corola púrpura das casas
e as crianças trepavam aos enxames das estrelas
para ouvir o vento o exaltante brilho do vento
e nem reparavam que o peso pobre das suas túnicas
se dispersava nas lâminas suspensas do arco-íris.Ando à beira
dos abismos
procurando marcas
que deixei.
(Gisele)
http://www.silenciopoesias.blogspot.com/
Um novo texto em debate: "Névoas", de Ricardo Pisoler.
névoas (r.pisoler)
cale-se o anjo
que não me quis
sequer ouviu-o
os bem-te-vis
tem mais bens aqui
que nos flancos
vis
tem bem mais bens
que os hostis
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NÉVOAS
Um texto de Ricardo Pisoler
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Se não estou enganada (umas névoas obnubilam minha memória?), este texto de Ricardo Pisoler, “Névoas”, já havia antes preocupado nossas aflitivas análises em prazos semanais de antigamente, num passado que parece muito remoto...
Mas, confesso que me preocupa da mesma maneira hoje, como se eu nunca o tivesse visto.
Parece um texto de brincadeira, simples exercício poético, onde sobram umas coisas e faltam outras.
Há um erro (lapso?) de construção no “sequer ouviu-o os bem-te-vis”, que, colocado em ordem direta, seria: “sequer os bem-te-vis ouviram-no”, ou “sequer os bem-te-vis o ouviram”, se fôssemos usar a concordância verbal corretamente.
O título não parece apropriado para o conteúdo, pois não vi (nem ouvi) qualquer relação entre névoas, bem-te-vis, flancos e barrancos, etc., e é por isto que digo:
Este texto é um simples exercício literário, sem grandes resultados.
O prezado amigo Ricardo Pisoler sabe como admiro seus textos e sua obra literária como um todo, e esta minha humilde opinião se refere apenas a este texto especificamente, e não à sua obra em conjunto.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
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Névoas - Analisando o Texto:
O texto tem uma voz, acredito ser ele um tanto complexo à primeira vista.
O verso do bem-te-vi está um tanto confuso e fora do contexto, eu vi de uma forma diferente os primeiros versos e acabei um tanto surpreso com o final da estrofe.
Mas o texto toca, tem algo que nos faz refletir um pouco a respeito de muita coisa em nós mesmos, como por exemplo um pouco de revolta e rejeição.
Parabéns pelo texto, é belissimo e estou ansioso por mais.
Abraços
Hilton JúniorOutra opinião:
Eu não gostei desse poema do Pisoler. Ele não me disse muita coisa, apesar de ter gostado da brincadeira com as palavras. Concordo com a Maria quando ela diz que o título não condiz com o texto... não vi relação alguma entre eles.
Percebi apenas um texto simples, sem maiores pretensões.
Dirá Vieira
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Amigos,
obrigado por terem analisado este texto, mas não quero que percam mais seu tempo.
Escrevo tanta coisa, às vezes nem tudo presta, nem tudo é poesia, e nem tudo é o que me resta.
Acho que devíamos integrar o texto escolhido pelo autor para ser analisado.
Ou seja, quando a gente colocar um texto "para análise" no assunto, significaria que a gente ama tal texto, acredita nele, e queríamos que fosse melhorado por uma análise, para que se tornasse melhor em si.
Não qualquer um, que a gente posta simplesmente porque está com vontade de escrever.
Nem me lembro mais se coloquei que este texto era para análise,
mas se coloquei, vai lá minha explicação sobre o texto, embora ache desnecessário explicar um texto:
Catastroficamente, sou um ser poético, e sem linha.
Não tenho estudo para ser poeta, sou engenheiro e etcétera.
Meus textos tem uma exacerbada flã política, que nesta sim, sou engajado, revoltado, impregnado e assutadoramente descrente.
Então névoas significam incertezas, as que vivemos perante esta cambada de idiotas que ditam como devemos ser, aliás, pagar para sermos.
A inter-relação entre nossos amigos anjos que sempre querem nosso bem, e nosso inimigos políticos que sempre nos desejam a guerra, surgiu este poema.
No mais, acho que pode todo mundo entender o resto.
Bacios caldos, Ricardo Pisoler
concordo com vc, pisoler. nem sempre o texto que jogamos aqui é o nosso melhor texto... mas... já que caiu na rede, é peixe. Interessante sua explicação sobre o texto, muito embora eu não seja de explicar os meus textos. Tenho a ideia de que o leitor é dono do texto quando ele é exposto e pouco importa o que eu pensava quando o escrevi. Assusto-me quando vejo pessoas fazendo leituras sobre o meu texto que não tinha nada a ver com a minha ideia original... enfim, o texto fala por si.
Dira
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Amigos,
Acredito que todo o texto diz alguma coisa, por menor que sejam as coisas ditas as palavras nunca saem do intimo do poeta em vão. Não tenho formação poética e me esforço muito para tentar integrar a minha visão e os meus conhecimentos no mundo poético. Não é fácil. Acreditem.
Todo e qualquer texto precisa ser lido e re-lido, temos que tentar extrair o máximo possível e acho que as discussões aqui são o ideal para isso. Vamos espremer a fruta até o seu bagaço para tentar encontrar aquilo que de bom o poeta nos falou.
Grande abraço, este cheio de felicidade de estar aqui.
(Hilton Júnior)
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Hilton...
claro que o autor sempre quis dizer alguma coisa... lógico. Mas há formas e formas de dizer e há também leituras e leituras. Não sou de dissecar o poema quando ele não me disse algo à primeira leitura. Talvez, outras leituras sejam interessantes para saber as várias visões sobre o mesmo texto lido. Sinceramente, eu não espremo texto... para mim, ou ele me fala ou me cala, que pode ser por êxtase, ou simplesmente, porque não me tocou.
É o caso de Névoas.
DiraDira,
Você tem toda razão quando diz que ou o texto fala ou ele cala... Não sei se por força da minha futura profissão ou do meu preparo em relação a tudo que eu leio me leva a dissecar os textos. Mas o texto em questão não é tão claro nas palavras para uma impressão já na primeira leitura. Acredito que as leituras precipitadas é que nos fazem não compreender os textos que lemos e nos faz conceber pré-conceitos.
Um texto pode dizer tudo na primeira leitura e nada nas subsequentes.....Ou vice-versa...
Aquele Abraço
(Hilton Júnior)
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Hilton....qual a tua futura profissão???????rs
(Dira)
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Deculpa Dira, quando falei da profissão eu só quis mostrar a forma que eu leio os textos ou tento...
Cada um lê da forma que lhe convém e isso é o mais importante, não agrado a todos, posso não agradar a ninguém mas, continuo postando meus poemas que são, nada mais, aquilo que sinto.
Eu tento estudar Direito, quem sabe um dia consiga estar aos pés de tanta arte que reflete todos em todas as comunidades e grupos os quais faço parte.
Aquele Abraço que tenta ser poético mas naufraga e respira em cada movimento de poesia.
(Hilton Júnior)
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Ei, Hilton, não carece pedir desculpas. Nem houve motivos para isso.
Um abraço.
Dira
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Obrigado por tua análise, caro Hilton.
gostei de tua captação sobre revolta e rejeição,
foi por aí mesmo.
abraço, ricardo.Existe uma diferença essencial entre gosto e qualidade. E gosto não é critério de análise. Confesso, então, que o que pouco entendi do texto de Pisoler, eu gostei. Ricardo costuma ser prolixo e às vezes, panfletário. Não foi nada disso em "Névoas". Um texto sucinto, com rimas interessantes e com uma musicalidade acima da média. Além dessas virtudes, a melhor: o poema é aberto a inúmeras interpretações.
A polissemia de seu discurso favorece a um tipo de análise que pode se aproximar da coita amorosa das cantigas medievais, até ao engajamento político dos textos do período militar.
O texto de Pisoler pode ser tudo isso ou nada. Pode ser tudo isso e nada. É exatamente nessas possibilidades antagônicas que se encontra sua maior riqueza.
João Andrade
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Meninos & Meninas. Eu estou pasma! Professor João Andrade! Seus alunos, hein? (eu incluída!) não vão entender nada mesmo desta análise esdrúxula!
"Confesso, então, que o que pouco entendi do texto de Pisoler, eu gostei"
Professor João Andrade! Me responda, que mal pergunto: Como pode uma pessoa entender tão pouco, e, no entanto, gostar?
"o poema é aberto a inúmeras interpretações".
... mas, cadê as interpretações? Não vi nenhuma até agora! Ah-ah! "Coita amorosa". Que isto teria a ver com a ditadura militar de triste memória? Meudeusdocéu! Será um texto surrealista?
Senhoras & Senhores. Ajudem-me a pensar. O texto de Pisoler continua em aberto para receber opiniões. Fiquem à vontade. Pisoler é um bom amigo. Mente aberta, não vai ficar chateado com nossas aporrinhações. Saludos, e obrigada por aceitarem nossos desafios.Maria José Limeira.
Concordo com você João...É mais ou menos o que tentei dizer.
Abraços. Pisoler.
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Meninos & Meninas. Eu estou pasma! Professor João Andrade! Seus alunos, hein? (eu incluída!) não vão entender nada mesmo desta análise esdrúxula!
"Confesso, então, que o que pouco entendi do texto de Pisoler, eu gostei"
Professor João Andrade! Me responda, que mal pergunto: Como pode uma pessoa entender tão pouco, e, no entanto, gostar? (Maria José Limeira)
Resposta- Gosto não tem nada a ver com entendimento. E segundo já falei, gosto não é critério de análise. Cara amiga poetisa, se vc gosta de uma música em uma língua que não domina, terá a resposta para a sua pergunta. Eu gosto de música árabe. (João Andrade)
"o poema é aberto a inúmeras interpretações".
... mas, cadê as interpretações? Não vi nenhuma até agora! Ah-ah! "Coita amorosa". Que isto teria a ver com a ditadura militar de triste memória?
Meudeusdocéu! Será um texto surrealista? (Maria José Limeira)
Resposta - Não houve nenhum interpretação, pois não entendi o suficiente. E não faço análise baseado no "gostei" ou "não gostei". Posso gostar do que é ruim, mas terei consciência que não presta. Posso gostar do que não entendo, mas não me arrisco a analisar.
Quanto a coita amorosa, presente nas cantigas de amor, seria uma possível linha de análise, tendo o anjo como figura feminina inalcançável e o poeta como amante não correspondido: cale-se o anjo/ que não me quis/ sequer ouviu-o/ os bem-te-vis. Em relação à ditadura militar, seria a própria análise do Pisoler que afirmou ter feito o texto com
abordagem ideológica .
A abordagem política do texto estaria na sutileza das metáforas, comum no período militar por causa da censura: tem mais bens aqui/que nos flancos/vis/ tem bem mais bens/ que os hostis.
Como ficou claro que pouco entendi, procurei dar minha contribuição muito mais pelo o que senti, e o que senti, eu gostei. Mas como gostar não é critério de análise, terminei dizendo: O texto de Pisoler pode ser tudo isso ou nada. Pode ser tudo isso e nada. É
exatamente nessas possibilidades antagônicas que se encontra sua maior riqueza.
Se eu tivesse entendido, teria dito: O texto de Pisoler é tudo. Ou: O texto de Pisoler é nada.
Mas falando de "gostei" ou "não gostei", o que achou do meu livro. Estou ansioso para saber.
João AndradeAh-ah! Obrigada pela resposta mal-criada e pelas "vis razões". Na música, passamos para o plano do eterno, amigo João Andrade. O que você não entende é a língua árabe, e a música não tem nada a ver com isto. Mais não direi, para não magoar ninguém, pois este não é
nosso objetivo. Andrade, seu livro ainda está com a Dira. Vamos nos encontrar, eu e ela, na reunião de contistas paraibanos, no próximo sábado, quando terei acesso ao exemplar que você mandou para mim. Obrigada, amigo, e eu já soube (Dira me disse) que seu livro é lindo. Um abraço, saludos, e obrigada por nos ajudar a atravessar os caminhos ásperos da crítica. Sua fã número Um e admiradora impagável. Maria José Limeira.
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Ah-ah! Obrigada pela resposta mal-criada e pelas "vis razões". (Maria José Limeira)
Resposta - Não dei resposta mal-criada, só resposta. Vis razões? Não sei do que falas. (João Andrade)
Na música, passamos para o plano do eterno, amigo João Andrade. O que você não entende é a língua árabe, e a música não tem nada a ver com isto. Mais não direi, para não magoar ninguém, pois este não é nosso objetivo. (Maria José Limeira)
Respostas - Deveria dizer, só assim eu aprenderia. Quanto a me magoar, se não me magoei com o deboche no e-mail anterior, não será neste.
Para mim, em poesia também passamos para o plano do eterno. Os anjos podem cantar, mas se Deus falar, sua voz é poesia.
Prioritariamente qualquer manifestação artística deve ter primeiro um apelo estético, e o estético passa antes pelos sentidos, depois pela razão.
Insisto: gostar não está no mesmo plano de entender. (João Andrade)
João,
prolixo no sentido de superabundante ou enfadonho? ou os dois? panfletário no sentido irônico ou violento? ou os dois? gosto ou qualidade? ou os dois? ou nenhum dos dois?
tudo ou nada? ou névoa? Como aprecio sua qualidade poética e sua tarimba como professor, nem precisa esclarecer. Deixe-me nublado, até o sol nascer.
Abraço, ricardo.
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"O sol já vem." E que venha para todos.
João AndradeAh-ah! Não concordo!!! Pisoler & Todos
Prezados & Prezadas. Vamos deixar bem clara uma coisa aqui. Estamos numa Oficina Literária, onde todos os textos em exposição merecem críticas. Positivas ou negativas. Cansei-me de dizer, amigos & amigas. Isto aqui não é depósito de espermas (oooppss!!!), digo, de textos, onde cada um vai desaguando suas algarávias e repasses sem maiores consequências. Tudo aqui tem consequências. Portanto, não concordo com o discurso de Pisoler quando diz que apenas os textos quer tragam o rótulo "Para análise" devam ser criticados. Se quiserem, podemos discutir este assunto de novo, que pensei já estivesse claro desde priscas eras. Um abraço e saludos. Maria José Limeira.
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Tudo bem Limeira,
mas não vou deixar de escrever o que eu quiser e colocar aqui os textos que escrevi.
Só acho que a gente deveria escolher qual gostaria para análise.
Eu escrevo, a Líria escreve, o Rubens escreve, vc escreve e etc.
Analisa quem quiser, eu concordo, polemiza e continua tb quem quiser.
Escreve quem quiser...
Por que diabos não se analisa o que a gente quer?
Esta democracia me parece com todas em vigência, quando as promessas de campanha que encantam e elegem são as esquecidas pelos santos que sobem ao altar.
As pautas em vigência nos três poderes não são as nossas, são as deles, reconhece alguma coisa disso?
De seu vizinho pernambucano aí, reconhece?
Saudações, Ricardo
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Maria José
Sou novato no grupo, mas esta posição foi a que entendi desde o primeiro momento. Na verdade, a crítica é necessária para o crescimento. Se dependermos de comentários nos blogs, todos os poemas são "belissimos", "lindos", "divinos" .. e eu tenho consciência plena de que cometo algumas atrocidades quando escrevo. Posto porque sou doido mesmo.. rs...
Vamos portanto às críticas.
abraços gerais
Nel MeirellesEu posso ficar chateado sim, Limeira, sou humano como vc.
Mas também tenho o dom de relevar, pelo mesmo motivo.
Desde o começo disse que era um texto político, e é.
E, de acordo com os últimos textos postados pelo ministro Gil, e todas as alegações de nosso presidente da Câmara, seu vizinho, confesso que este texto aí é bem mais auto-explicativo que os deles, e cruelmente, bem mais inofensivo.
Abraço, ricardo.
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Eu concordo em parte com Ricardo e em parte com Maria. Postei um texto meu aqui e, confesso, acho que ele deve ser horrível. O silencio mata mais que as piores palavras.
Este grupo, da melhor qualidade, tem poucas poesias correndo entre as suas veias cibernéticas...As discussões são de qualidade indiscutivel. Aqui nasce inspiração e vontade de aprimorar, sempre.
Abraços
(Hilton Júnior)