
UM NOVO TEXTO EM DEBATE:
“PAPAGAIO DE PAPEL”, DE LÍRIA PORTO
papagaio de papel
líria porto
amarrei minh'alma à ponta de uma linha
para que ela para mim possa voltar
o céu está tão belo tão azul está tão lindo
de um azul que se parece ao azul do mar
que minh'alma ao voar se perderia...
dei linha à alma e espero que um dia
minh'alma eu possa outra vez reencontrar
há outras almas que no céu também flutuam
e poetas não passam cerol em tênues linhas
para que não se rompam os cordões que estão no ar...
PAPAGAIO DE PAPEL
Um texto de Líria Porto
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto de Líria Porto, “Papagaio de papel”, é um texto solto, feito bandeira despregada. E, como bandeira, se assemelha a um manifesto em defesa da Liberdade. Inclusive, a autora usa a liberdade como ninguém para compor seus versos. Vejam como é bonita a simbologia de “amarrar a alma numa ponta de linha, deixá-la voar, esperando que retorne”.
Realmente, a linguagem é simples, mas as imagens são nítidas, o que torna este texto um poema simplório, mas muito bonito e elegante, cheio de ritmo e musicalidade.
Interessante que a autora usa o eu como ponto de partida, sem prejudicar a impessoalidade do texto, pois o que sobressai mesmo é a comunhão do narrador com o mundo como um todo, do azul do céu ao nível do mar.
Gostei muito deste texto lindo.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
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tuas palavras são generosas, maria - esse poema é antigo, duma época que eu abusava das palavras, tentei fazê-lo mais enxuto depois de colocado aqui, ainda não cheguei à melhor forma... quando estiver pronto, se valer a pena, recoloco-o aqui no grupo.
obrigada
(líria)O poema papagaio de papel da poetisa Líria Porto é um poema singelo, construído com recursos mínimos. Não apresenta rima em todos os versos, e, com exceção, do quinto verso da primeira estrofe (que minh'alma ao voar se perderia...) que rima com o primeiro da segunda estrofe (dei linha à alma e espero que um dia), as rimas presentes são pobres. Isso, entretanto não significa dizer que o poema é pobre. É todo tecido dentro de uma grande metáfora que dá sustentação ao que a poetisa quer dizer.
E o que a poetisa disse? Creio que o poema tem como idéia central, o desejo de liberdade, da conquista, da ousadia, da entrega, sem que isso seja feito sem responsabilidade, de forma inconseqüente. É um poema simples, sem ser simplista, tem a pretensão das cantigas de ninar: passar um conteúdo que fale ao coração, antes que ao cérebro.
Poderia ser mais sintético, pois algumas repetições nada acrescentam. O verso "e poetas não passam cerol em tênues linhas" destoa de todo poema, porque além de lhe conferir um tom referencial, compromete a sua universalidade .
(João Andrade)
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Amigos,
Sempre acompanhei os belissimos poemas da Líria Porto e a grande maioria tocaram minha alma. Este, no entanto, deixou a desejar em se tratando do lirismo de qualidade da Liria deixou a desejar.
O texto é de qualidade indiscutível, a linguagem metaforica foi usada, a meu ver, de forma bem-sucedida, como sempre.
O texto me disse muitas coisas e me deixou a sensação da busca de liberdade que só o ceu azul e o mar conseguem dar.
Abraços.
(Hilton Júnior)
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Hilton e João Andrade:
esse texto foi escrito há tanto tempo, quando eu ainda usava reticências, nem me lembrava dele! têm toda razão, é um poema muito singelo, nele sobram palavras, tentei dar um jeito nos versos, acho que melhorou... obrigada joão e hilton, pelas observações!
(líria)