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- Postado por: Oficina às 12h25
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ENTRE NESTA BRIGA!

 

Se você encontrar

uns poetas trocando tapas

no meio da rua,

não chame a Polícia.

Entre na briga também!

 

Vamos brigar juntos

pelos bons textos.

 

Para entrar

em nossa Oficina Literária

mande e-mail em branco para:

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

Saludos!

Maria José Limeira



- Postado por: Oficina às 18h39
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UM TEXTO EM TRANSE:

“ALMA”,

DE GISELE DE CARVALHO,

EM DISCUSSÃO

.....................

 

Alma

 

O mar nunca descansa

Essa inquietação, arrebenta nas pedras

Branca espuma, como nuvem, cantiga de ninar

Não é triste, só ritmada

Traz calmaria

A alma observa, ajoelhada, quieta, só.

Uma imensidão, transbordante

Que se inquieta, se debate

Não há nada que caiba tanta beleza

Incessante movimento

O mar é um coração de mulher

Só descansa nos braços que recolham tudo

Com a mesma intensidade. 

Gisele de Carvalho



- Postado por: Oficina às 22h00
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"Alma" - Continuação

Olá Gisele,

Acho que teu poema usa imagens muito comuns, muito usadas numa descrição  do que seja o mar. "arrebenta nas pedras Branca espuma, como nuvem, cantiga de ninar Não é triste, só ritmada "

Não vejo pessoalidade, individualidade neste poema, ou seja faltou expor em palavras aquilo que somente você viu, aquilo que só você sabe a respeito do mar. E, penso, que não se consegue expor isso ao utilizar expressões como estas que eu já citei ou "Uma imensidão, transbordante", "Incessante movimento"

O que há de novo nesta informação ? o que isso acrescenta ao poema? minhas perguntas são no sentido de te questionar porque depois você vai  para um campo mais original e consegue arrancar versos com forte beleza lírica no final:

 

O mar é um coração de mulher

Só descansa nos braços que recolham tudo

                                        Com a mesma intensidade.

 

Estes 3 versos são suficientes para constituir o poema, neles se concentram a força original da palavra poética, todo o resto me parece adorno, firula, para chegar aqui e dizer isso, fazer esta comparação ao mesmo tempo lírica e trágica, verdadeira e mentirosa. 

é isso

Abraços

Rubens da Cunha

..........

 

Eu concordo com o Rubens, não havia comentado antes para que eu ainda pudesse ler mais vezes o seu lindo poema e analisá-lo.

O final do seu poema dispensa a apresentação que você nos deu para todo o significado do desfecho, que ao meu ver, é lindo.

Muitas vezes acabamos usando lugares e expressões comuns para dizer o obvio, aquilo que todo mundo conhece e sente, tentei mudar a leitura para aumentar o alcance das suas palavras mas não consegui, acabei com uma visão que muita vez pode parecer simplista como já disse o nosso colega. Mas do todo se extrai muita beleza, e muito sentimento e, isto, a meu ver tem tamanho valor. O que importa ao leitor em grande parte dos

poemas, pelo menos ao leitor mais comum, é aquilo que o poema carrega em sua bagagem e isto, mesmo cantando o comum, o todo conhecido, você fez muito bem.

Grande Abraço.

(Hilton Júnior)

- Postado por: Oficina às 21h51
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"Alma" - Continuação

Rubens,

apesar de correr dentro de lugares comuns, o texto é bem manejado, não poderia se resumir somente nos três últimos versos. Fosse assim, não teria a alma inquieta que a autora quis salientar ao poema, onde os versos iniciais amarram o poema num certo misto de angústia, desânimo, desalento.

Aliás, voltando aos lugares comuns, eu não sou contra sua utilização, se bem dosada, ou simplificada.

Eu vejo, atualmente, que os escritores meio que rifaram os lugares-comuns de seus escritos, como se os mesmos o qualificassem de inferior, ou de pouco criativo, ou de pouco inovador, ou algo parecido.

Lembro que obras célebres e geniais buscaram na simplicidade seu fazer, tornaram-se incomuns em lugares tão próximos de nós, tão comuns.

Me apraz mais um poema que tenha alma, que tenha enredo, que dê a mão e alcance o braço, que esticando a linha, aproxime.

Abraço, Ricardo Pisoler.

...........

 

Ricardo,

Não acredito que cantar lugares comuns deixe o poema com menor valor.

Mas acredito que a poesia pode e deve suscitar sentimentos e ambientar-se em algo que não seja comum para que o leitor sinta-se em descoberta com o texto. Eu mesmo escrevo de modo muito simples, não sou adepto ao complexo nem ás palavras difíceis. Estou em fase de aprendizado e acho que tentar deixar o poema muito cheio de apetrechos lingüísticos vai

fazer com que eu me perca na minha p´ropria idéia. O texto em questão é lindo, traz a angústia do eu lírico, mas poderia se utilizar de elementos mais profundos para provocar outros sentidos e sentimentos no leitor.

Quando falei que os três primeiros versos valem o poema, disse que eles tem significados e suscitaram sentimentos em mim e tem um certo "potencial" para me fazer sentir mais em outras leituras, o que não acontece com os primeiros versos onde a cada leitura vejo as mesmas imagens.

Abraços

(Hilton Júnior)

- Postado por: Oficina às 21h43
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"Alma" - Continuação

Obrigada Rubens e Ricardo, pela análise.

 

Escrevi essa poesia ha alguns anos atrás no Espirito Santo na praia. Na mesma que se imagina,aonde ter caído o aviao de meu pai com minha mãe junto. Nunca foram achados. E nunca fiz disso um DRAMA!!! Queria expressar de forma simples essa perda, triste, sim!

Mas também essa inquietação, da dúvida, do misterio e ao mesmo desalento como disse o ricardo.

 

Obrigada meninos.

bjos.

Gi.

...........

 

Nãonãonão-e-nããoooo!!! Hilton Júnior... Se você concorda com o Rubens quanto ao poema da Gisele, então não pode achá-lo "lindo"... Ah-ah! "O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente" (Fernando Pessoa ou

um dos seus heterônimos)... Pra que mais lugar-comum do que neste poema que é pérola da Literatura Universal? E quanto ao mar: "Verdes mares bravios da minha terra natal, onde canta a jandaia no alto da carnaúba" (José de Alencar, em "Iracema").

Eu não vi essa grandiloqüência no poema da Gisele, ao qual voltarei mais devagar, posteriormente, pois estou saindo agora para trabalhar, e de lá vou visitar um amigo, e só retornarei à internet amanhã à noite.

Saludos, companheiros & companheiros de jornada.Sentirei saudades.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 21h36
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"Alma" - Continuação

Maria, Gisele e Amigos,

Vou esclarecer as minhas mensagens porque relendo tudo o que eu escrevi  acabei sendo subjetivo e contraditório.

Quando disse que concordava com o Rubens concordo de fato mas, no que ele diz a respeito de se utilizar de lugares comuns. Não achei, no texto em questão, que tal utilização deixou o texto mais ou menos pobre. Eu achei o poema muito bonito e, quando a Gisele utilizou os lugares comum para expressar sua angustia, desalento etc. acabou destoando com o  final que ela deu ao texto que, a meu ver foi surpreendente, digo isso porque achei que a idéia acabou sendo modificada. Isso no meu entendimento com o poema. Esperava uma outra forma de expressar, o texto poderia ser diferente, e não melhor ou pior, se nos primeiros versos ela se utilizasse de outras formas para expressar tal sentimento de angústia e tudo o mais. O meu erro, na verdade, foi não ter explicado até onde eu concordava com o Rubens, tanto que ao escrever pela segunda vez defendi a utilização de lugares comuns e linguagem simples nos poemas, eu mesmo me utilizo de tal maneira de escrever.

" O mar é um coração de mulher/Só descansa nos braços que recolham tudo/ com a mesma intensidade".

Para mim a idéia central do texto mora nestas palavras e eu as acho de um significado pra lá de bonito.

Será que eu fiquei menos em cima do muro????rs...

Gisele, gostei muito de seu texto, achei sua idéia linda, mas eu esperava um inicio diferente para a idéia final.

Maria, o texto não é grandiloqüente deveras, mas o seu final me comoveu.

Grandes e apertados Abraços, pq aqui em sampa faz um frio latejante....

(Hilton Júnior)

- Postado por: Oficina às 21h28
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"Alma" - Continuação

Acho que voce quis dizer que concorda com o Ricardo, que disse que o lugar comum na poesia, tem seu espaço entre os grandes poetas,sem com isso perder "a poesia"..Jáo Rubens discorda! A poesia tem muito lugar comum .Nao deve gostar de Fernando Pessoa, Castro Alves,ou mais recentes, como Cora Coralina,dentre muitos e muitos outros.

Defina-se Hilton, rs.

Mas estou adorando estar na "berlinda'.que venham os embates. (rs)

bjos e obrigada pela atenção de todos vocês.

Gisele.

..........

 

Eu achei o poema da Gisele muito bonito.

Um poema feminino, da alma feminina.

Enquanto leitor, não me importo muito com os verbetes.

O texto que ela produziu traz uma imagem forte.

A mulher de dentro para fora, a alma narrando a cena.

Sobre o "lugar comum" que foi levantado; eu acho que não é o caso.

Da mesma maneira que o "lugar comum" pode ser encarado como um mal, a fuga não deve se transformar numa obrigação ou camisa de força.

E fugir em demasia buscando um vocabulário incomum, pode fazer com que o poeta perca a linha de sua idéia, perca a imagem.

Acho que os termos abordados na análise do Rubens, de fato são comuns, e a crítica serve muito para outros textos.

Mas nesse texto, não tive essa sensação.

A imagem que a poesia sugere, na minha opinião, tira essa pecha.

Abraços a todos

Rogerio Santos

- Postado por: Oficina às 21h19
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"Alma" - Continuação

“ALMA”

Um texto de Gisele de Carvalho

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O texto “Alma”, de Gisele de Carvalho, é pobre, com lugares-comuns batidos. Falta-lhe coerência. Não tem arredondamento. Não existe como Poesia. Talvez seja somente um desabafo...

As idéias são desencontradas. O tema já foi cantado em verso e prosa por todos os autores do mundo. Não é um texto original. A autora utiliza clichês para exteriorizar sentimentos, sem qualquer originalidade. É a repetição (mesmice) – sem criatividade – de tudo que se disse sobre mar, que a gente conhece.

Poderia ser re-utilizado, recriado e reciclado pela autora, na tentativa de salvá-lo enquanto há tempo. Mas... salvá-lo como, e por quê? Talvez fosse melhor fazer outro texto, tentando realmente contar a história que na realidade se passou, com os pais da autora (com todo o respeito e reverência, amiga Gisele e em solidariedade ao que lhe dói até hoje...).

Sinceramente, não vi beleza poética neste texto.

É o meu humilde parecer.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 21h12
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"Alma" - Continuação

Olá, Pessoas.

Parece que meu comentário a respeito dos clichês rendeu uma conversa  bem proveitosa.

Bem, o que eu penso dos clichês: A literatura é a arte da linguagem, é feita com palavras, mas não  qualquer palavra, de qualquer forma, quando um escritor se propõe a escrever tem como propósito inventar uma realidade, criar uma sensação com as palavras, nisto, penso, constitui a arte. Há outros níveis em que se encaixam os outros motivos: terapia, desabafo, confissão, expurgação dos fantasmas. Eu, particularmente, estou e olho e analiso os textos sob o ponto de vista da arte. (aquilo que considero artístico, obviamente).

Sou um leitor/escritor e isto também me diferencia, não sou um consumidor normal, sou um consumidor da concorrência:)) meu olhar então passa pela perspectiva de produtor, de como tais palavras traduzem as idéias, dos achados alheios, etc.

O que é o clichê? é a verdade estabelecida, o pronto, o acabado e mastigado. é a vala comum da linguagem. é o que está presente em 99% da literatura feita na net, por exemplo.

 Alguns escritores manejam a matéria prima constante nesta vala e conseguem disso extrair bons textos, mas há sempre o manejo, a técnica, o talento, a subversão ao estabelecido. há sempre um trabalho por trás, não é apenas a doce inspiração, esta praga romântica que perdura até hoje.

 E foi aqui que eu notei algo, a Gisele e o Ricardo, falam de poetas que usam a simplicidade, a Gisele cita Pessoa, Drumond, Cora Coralina. 

Primeiro Ricardo, você diz com razão:

"Lembro que obras célebres e geniais buscaram na simplicidade seu fazer, tornaram-se incomuns em lugares tão próximos de nós, tão comuns"

Penso que este seja um dos mais altos graus da genialidade, a  simplicidade máxima, a essência, mas vejamos: a tão propalada simplicidade de Manoel Bandeira ou de Quintana por exemplo, não vinha porque eles eram poetas simples, e sim porque ambos tinham absoluto controle sobre a técnica criativa, dominavam idiomas, tinham forte cultura clássica, ou seja, não eram inspirados, eram trabalhadores, e neles não há clichês, hà um espírito que percorre praticamente todas as suas obras, isso que você chamou "tornarem-se incomuns em lugares tão próximos de nós"



- Postado por: Oficina às 21h07
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"Alma" - Continuação

Gisele, Eu gosto muito de Pessoa, e nele se há clichê é porque foi demais imitado que o original se torna clichê, o mesmo se dá com Castro Alves ou Álvares de Azevedo, penso que a poesia deste último perdeu a força porque foi/é exaustivamente copiada pelos medíocres, sem alteração,  (copiada mesmo).

Quanto ao Drummond, alguns vão me matar, mas 70% do que ele escreveu merecia a lata do lixo, o que o salvou e o tornou o que é, são as obras primas inquestíonáveis que escreveu. Quando ele acertava era tão brilhante que isso redimia as coisas terríveis que fez. Pessoalmente, prefiro e sou partidário da linha do João Cabral, começou aos quarenta, publicou  pouquíssimos livros, comparado a Drummond, e não deu ao mundo obras

menores :))

A Cora Coralina é magnífica, ela pega a lingua do povo, a linguagem cheia de clichês e a transforma, subverte, eleva o banal a categoria de arte. Nisso, Cora e Adélia são imbatíveis.

 Eu acho que você conseguiu isso nos três últimos versos do seu poema, ali a simplicidade vem de tal modo exposta que resulta em poesia. A questão é que para chegar lá é preciso atravessar um 'mar' de obviedades.

Penso que o motivo que originou o poema seja bem maior que o resultado  da obra. Esta tragédia merecia um texto mais intenso, mais comovente, mais próximo do que realmente você sente.

é isso, desculpem o email 'longo' acho que me empolguei.

valeu

(rubens da cunha)

- Postado por: Oficina às 21h00
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"Alma" - Conitnuação

Gisele, Rubens e Todos:

É claro que eu concordo com tudo o que o Rubens da Cunha disse sobre o texto de Gisele, embora discorde quanto ao terceto final do texto, que acho que não diz nada mesmo sobre a grandiosidade da tragédia que se abateu sobre nossa doce amiga.

Gisele, é claro que estamos falando aqui sobre "Poesia" e não sobre a "Autora da Poesia", e

compreenda, doce Gisele, que somos privilegiados de dizer aqui o que pensamos sobre as coisas da vida, sem medo de expurgo...

É vero. Assumo que Rubens é muito lúcido em sua argumentação quanto a clichês, autores internáuticos e poetas consagrados.

Saludos, Rubens, e obrigada pela colaboração.

Maria José Limeira.

...........

 

Estou aqui "ouvindo" tudinho Maria. Nao se preocupe em se explicar ou se desculpar por suas opiniões. Acato o lindo assim como o lixo,da mesma forma serena.

Ou seja! Se me disser que adorou, fico feliz,se disser que é pobre, vou reler.Posso nao concordar,não mudar o que escrevi há décadas. Mas respeito e muito as opiniões, ok? beijos.

Gisele.

..........

 

Pois é, Gisele amiga. Obrigada por classificar como “lixo” nossas opiniões contrárias... Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 20h44
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"Alma" - Continuação

Maria,

 Em se tratando de clichê e lugar comum... esta parte  de sua análise crítica é de doer...

 

 "O tema já foi cantado em verso e prosa por todos os  autores do mundo. Não é um texto original. A autora  utiliza clichês para exteriorizar sentimentos, sem

 qualquer originalidade.É a repetição (mesmice) – sem

 criatividade – de tudo que se disse sobre mar, que a  gente conhece." - ML

 

 A crítica puxa pelo clichê para condenar o clichê. A  afirmação de que o texto (o da Gisele Carvalho)"não  é um texto original" é de um primarismo, verdadeira  desfaçatez...

 Se não fosse original só poderia ser cópia,  plágio... Clichê não é cópia, nem plágio... Clichê,  como carimbo de cartório de notas, de registro de  imóveis, ou de nascimento, é aquilo que se repete  sem ter crédito de autoria, tendo sua origem no  senso comum, quase no tal "inconsciente coletivo"...   

 O texto da Gisele, por ser de autoria dela, somente  dela, é um texto original, embora não seja "máster  piece"... Original é o que se originou de alguém,  com ou sem o uso de lugar comum ou clichês, já que,  muitos textos originais (do autor) são colagens.   

 O mar é repetição de ondas. E, acreditem, tudo o que  até agora já foi dito, escrito, cantado, sonhado,  pintado, bordado sobre o mar, em português ou outra  língua, não esgota sua dimensão semântica. Nem um  dicionário específico sobre o mar, ou a praia...  pode garantir que tudo sobre o mar alí está contido. 

 Teríamos que usar palavras inexistentes para falar  sobre o mar PARA SERMOS CRIATIVOS? Escrever usando  neologismos sobre o mar de Gisele ou dos demais  colegas? E quem conhece tudo o que já foi dito sobre  o mar? Quem????  

- Postado por: Oficina às 20h38
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"Alma" - Continuação

A crítica... a crítica... a crítica (e eu criticando  os críticos...)

 

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVIVA

 VIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVAVIVA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVIVA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVIVA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVIVA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIA

 VAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVAIAVIVA

 

 (colagem acima sem citar o autor... quem sabe a  autoria? Teria sido o pessoal paulista do  concretismo? Décio Pignatari ou um dos irmãos  Campos?)   

 Abraços imensos como a imensidão do mar sem fim...  (na voz de Neguinho da Beija-Flor: Olha o clichê aí,  gennnnteeee....!!!!)   

 Os mesmos mares nunca navegados por Dante...(ah...  este é o título de um trabalho meu... "Por mares  nunca navegados por Dante...")   

 Rogério Viana

- Postado por: Oficina às 20h33
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"Alma" - Continuação

Maria, (e demais críticos da lista...)  

 Que novela... que dramalhão mexicano...!!!  Estou pasmo...!!!  A Gisele disse que acatava o lindo como o lixo. Não  disse que o que foi escrito por vcs tenha sido um  lixo. Enfatizou que acatava da mesma forma serena se  tivessem escrito que o poema dela era lindo ou  lixo...

 A Gisele tem uma humildade pra lá de franciscana,  convenhamos...  

 Se a conclusão da crítica fosse para lindo, era  ficaria feliz. Se a classificação fosse de lixo, que  ela iria reler. Poxa!!! Nem São Francisco de Assis  teria tanta humildade!  

 Talvez por ela entender como são frágeis todas as  criaturinhas de Deus, inclusive os críticos.

 A autora ficou na berlinda e vc, querida Maria,  apareceu com ares de ministro plenipotenciário-chefe  do gabinete dos prelados da santa inquisição e  sentenciou pesado, dando a última e irrefutável  palavra... Demais!!!

 O bom de estar nesta sua posição é que, aqui, não há  como apelar para instâncias superiores, já que o  Olimpo, o Céu, o Nirvana, o Édem, é aqui mesmo... ir  além, nem em sonhos...  

 Clemência para Gisele é o que imploro e, hábeas- corpus preventivo para mim, pois não desejaria ser  condenado pelo simples fato de ter ficado pasmo com  tamanha voracidade na análise do que julgaram  chavão, lugar comum ou semelhantes.

 "Eu preferia ser vaiado por um bom verso a ser  aplaudido por um verso ruim".

               (Victor Hugo)

 Os aplausos são o prenúncio das vaias. Não aplaudam  antes do fim do ato, nem vaiem antes do final do  espetáculo.

 E tenham um bom final de semana.  

 Rogério, o Viana

...........

 

Querido Rogério Viana. Tudo bem? Vou ficar calada "para não perder o freguês". E você, amigo Rubens da Cunha? Fica calado também? Obrigada a todos pelas explicações. Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 19h58
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"Alma" - Continuação

Maria,

 Imaginei que a jornalista e escritora democrática  levasse esta palavra ao pé da letra... Democracia é

 contraposição de opiniões... Já pensou se o Lula  ainda pensasse igual ao Maluf ou FHC como vc acha

 que ele teria sido eleito...

 Mas as pessoas e os políticos mudam, não é? 

 Então... vamos... comente o que escrevi...  

 Ou vc prefere apenas a sentença... e não dá bola  para o contraditório? 

 Rogério Viana 

 (rindo muito)

...........

 

Eu aqui rindo mais ainda!!! Rogerio

Ja viu uma mulher Leonina, franciscana? gargalhando!!!! críticos profissionais? ahhh quem sou eu pra ligar pra eles, se Paulo Coelho está lá, e eu aqui??? quem lê e compra livros é o povo não os críticos.

E plagiando minha amada Clarice Lispector: "a gente nao quer mudar nada, a gente só quer desabrochar".( se referindo a quem escreve)

a MARIA FOI CRUELLLLLLLLL, Impiedosa!!!!!!!!!!! Terrível, VORAZZZZ, mas faz parte do show dela! Estranho como parece que conheço essa mulher de muitas e muitas outras vidas!!! Posso advinhar as respostas dela, as caras,etc.Rindo Muito...aqui...Claro que a Maria sabe que nao me referia às opinioes como LIXO. Mesmo pq. acho que as VEZES, infelizmente, minha educaçao nao permite. E as vezes pq nem ligo

messmooo.Para cada paulada como o da Maria, sempre ganhei dois afagos.Como o seu Rogerio, do Hilton...

beijaoooo MARIAAAAA Lindaaaaaa, queridaaaa, so saio da lista qdo. um dia voce disser aqui que a fiz chorar com um texto meu!!!! Combinado?

Mas de emoção, bem explicadooooo.!!

Abraços Rogerio.

Gi.

- Postado por: Oficina às 19h44
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"Alma" - Continuação

 Querido amigo Rogério (o Viana!!!) Ah-ah! Por que você está me perseguindo? Como eu lhe disse antes, para mim é uma grande honra ser perseguida por um Poeta Lindo como você. Mas, vamos e convenhamos, amigo, estou tentando somente esfriar a cabeça (você conseguiu o impossível: me contrariar!), tentando evitar o conflito aberto, para não machucar ninguém. (Você nem de longe pensou que, a pretexto de um texto, poderia me magoar, não foi? Mas, foi o que fez, embora eu não acredite, sinceramente, que esta tenha sido sua intenção).

Mas, sossegue, eu não vou magoar você. Gostaria de saber se eu tivesse elogiado o texto da Gisele, simplesmente, você estaria empenhado nesta luta insana.

Um abraço, e se quiser mesmo que essa briga continue, eu continuarei, somente para você se sentir feliz.

Um abraço e saludos. Maria José Limeira (preocupada com você, e sem achar um pingo de graça).

...........

 

 MARIA!!!!!!! Você é bastante inteligente,para saber  o que eu quis  dizer. Viu como palavras às vezes não refletem  messssmo, aquilo que se  quer?

 Gisele.

...........

 

Prezada amiga Gisele. Eu entendi exatamente o que você quis dizer (se você quis dizer outra coisa, eu não sei). Mas, fique calma, querida amiga, estamos conversando sobre textos, sem nenhuma intenção de ofender a ninguém. E mais uma vez peço desculpas por discordar das opiniões gerais. Você me perdoe, Gisele.

Lembro a todos que esta lista não é igual às outras que vemos por aí a fora, onde quem discorda é jogado fora. Fique à vontade, você e todos, para discordar também. Aqui só não pode chamar as moderadoras de "putas" e os colegas vizinhos de "viados". O resto, tudo pode. Um abraço e saludos a todos los poetas latino-americanos! Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 19h36
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"Alma" - Continuação

Maria Limeira, querida amiga de tão longe... 

 Sabe... tenho o sangue nordestino, sou filho de  baiano... e adoro entrar numa boa briga... (rs) 

 E não quis magoá-la não...   

 Apenas registrar que ao se falar de lugares comuns  em poesia, a crítica não poderia focalizar lugares  comuns. Ficou fora de propósito. Acho que toda a  discussão com o tema da Gisele foi extensa demais na  questão do que é ou não lugar comum, clichê... 

 Se ela usou lugares comuns, o final do poema ela se  superou... como se toda a dor (e a falta de palavras  é um sintoma desta dor) fosse suplantado pela bela  imagem que ela cunhou. A questão da originalidade é  sempre muito discutida. Eu enfoquei a questão ao pé  da letra. Original é todo texto originado de  alguém... E isso é, também, um clichê, concorda? 

 Não quero e não vou magoá-la, pois não foi minha  intenção. Apenas acompanhei a evolução e, para  provocar sua sentença final, escrevi o que escrevi a  título de provocar a reflexão de qual é o papel de  um moderador neste tipo de sala, de fórum... Se é  para ele ou ela ter sempre a última palavra, acho  que a sala não cumpre o papel de estimular leitura,  a criação e o debate. Temos que pegar mais leve – e  eu fui um exemplo de como se pode pegar um pouco  mais pesado - e os danos que isto pode causar na  sensibilidade das pessoas. Chumbo trocado não dói,  não é mulher de fibra?

 Mas chute na canela, tapa na cara ou chute lá... não  vale... O resto, vale tudo...

 Beijos e respeito

 Rogério



- Postado por: Oficina às 19h30
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"Alma" - Continuação

Obrigada pelos "beijos e respeitos". Estou mais tranqüila agora. A última palavra é sua. E obrigada pela colaboração. Esse negócio de véspera de Dia das Mães deixa a gente triste pra danado. Não pense, amigo, que é fácil ser mãe... É muito mais fácil ser Moderador... Saludos, Poeta Lindo! Maria José Limeira.

...........

 

Maria Limeira,

Neste dia comercialmente comemorado como das mães, meus sinceros parabéns, extensivo a todas as mulheres-mães desta sala,pela data. Para mim todos os dias são das mães, todos os dias são das mulheres. Afinal, são elas que mandam na gente mesmo... 

Com carinho

Rogério Viana

..........

 

rogério e limeira

acompanhei tudo o que foi dito e esperava chegar nesse ponto que chegou, conheço a lista faz tempo, para me manifestar - a peleja foi boa, o desfecho melhor ainda!

ah, rogério, agradeço o abraço e também vou fazê-lo durar todos os dias, porque, como disseste, os dias são todos nossos!

festas com dia marcado eu abomino!

grande abraço.

líria porto

- Postado por: Oficina às 19h18
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"Alma" - Final

Minha análise: “Alma”.

O poema da poetisa Gisele é fraco, tanto na forma quanto no conteúdo.

Não apresenta recursos poéticos além da metáfora. E quando essa ocorre não é poderosa o suficiente que possa criar uma imagem além do óbvio. 

Escrito em versos brancos, o poema apresenta uma pontuação, devido, em alguns casos, ao uso da forma indireta, que conspira contra o ritmo. Dessa forma, o ritmo confuso compromete a musicalidade. Os recursos de coesão entre os versos ora são inadequados (como em "essa inquietação") ora são repedidos ainda estando

próximos (que). O último caso torna o texto monótono. 

O conteúdo não deixa transparecer nada além de uma descrição de cena. Limito-me ao texto, e nele, algo ou alguém (a alma) diante do mar. Há um mar de possibilidades que possa ser dito sobre essa situação, tanto em versos quanto em prosa. Um mar de palavras já foi escrito, tanto em versos quanto em prosa. O poema da poetisa Gisele molhou os pés na praia. Os três últimos versos têm força bastante para ter vida sem o resto do poema e demonstram que a poetisa tem potencial, precisa apenas ter coragem de ousar, romper, corromper. A poetisa precisa se atirar no mar, para dentro, e se deixar afogar.

João Andrade

..........

 

Boa análise!

Senhoras. Senhores. Sem querer dizer nada sobre a análise de João Andrade, porque tudo já foi dito, quero parabenizar a doce Gisele (querida linda!) pela sua colaboração valiosa a esta Oficina Literária. Pois as análises em torno do seu texto "Alma" já somam mais de 15 laudas em meu Word cansado, onde estão sendo salvas. É como disse, certa vez, o nosso amigo Pisoler, que está ali bem caladinho no canto dele observando o movimento. Esta linda lista só anda mesmo na base da pancadaria e das divergências, o que prova que nossos objetivos de discutir textos estão sendo alcançados, e que a unanimidade não é nada produtiva. O que vale mesmo é o debate, o "contraditório", como disse o Rogério Viana, a quem agradeço também pela sua inquietante participação. Saludos a todos los poetas latino-americanos! Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 19h07
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“INSIGHT”,

POEMA DE LÍRIA PORTO,

EM TRÂNSITO.

.....................

 

insight

líria porto

 

esses amores unilaterais

perdoem-me os usuários palavras tão duras

iguais o deserto a solidão mais crua

levam-nos a nada a lugar algum

 

não ouvem não falam ou sequer se importam

desviam os olhos sempre há desculpas

são acúmulos anseios frustrações e nuncas

passamos a viver tal como vive a lua

e o sol não vem e a noite é graúna

 



- Postado por: Oficina às 02h32
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Insight - Final

INSIGHT

Um texto de Líria Porto

 

Análise crítica

 

(Maria José Limeira)

 

Este texto “Insight”, de Líria Porto, é bem interessante, na medida em que trata a falada “dor-de-cotovelo”, com uma expressão inglesa, quando deveria ser tratada com todas as letras, em Português. A palavra “graúna”, no entanto, salvou-o deste explícito lapso. Vamos em frente.

Trata-se de um assunto antigo, num tratamento novo, onde a autora reflete sobre amores não-correspondidos, sem concordar com esse sofrimento inútil.

“A noite é graúna” é um bom achado. Dá à noite uma visão de pássaro negro e escuridão, que nunca clareia, nem amanhece. É uma belíssima metáfora!

Embora eu concorde que, formalmente, seja um texto belo, discordo no conteúdo sobre a sentença da narradora quando diz que “esses amores unilaterais ... levam-nos a nada a lugar algum”... Ah-ah!

Se Dostoievski pensasse assim, não teria escrito sua obra grandiosa, baseada em amores mal-resolvidos.

E Pablo Neruda? Será que ele teria escrito o “Poema 20”, se fosse atrás da conversa de Líria sobre esses amores que não levam a lugar nenhum?

O texto de Líria Porto é bem-resolvido, e pode ser lido também como Prosa, apesar de estar alinhado como Poema.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

.........

 

Parece-me já ter lido este poema de Líria, poetisa de quem sou grande  admirador, numa outra lista. Acredito que a Líria tem um estilo muito suave de dizer os seus sentimentos, suas palavras vão tocando o coração aos poucos e mesmo que o tema seja forte, como neste poema em que canta a solidão, ela consegue nos consolar. Este poema é rápido nas palavras

e na descrição de toda a situação de um casal onde um pólo vive e percebe a solidão. Líria foi muito feliz nas palavras e no modo que tratou o tema. A forma poderia ser diferente com versos mais curtos e mais estrofes para que se possa absorver as palavras com mais calma, mas acredito que o grito do "eu lirico" , neste momento, não comportaria tal forma.

Muito bom tal poema, acredito estar admirando ainda mais a poetisa cujo texto analisamos.

Abraços em todos.

Hilton Junior

..........

 

cara maria

obrigada sempre pela tua leitura atenta, pelas tuas palavras... vez em quando algo nos provoca e naquele momento do estalo traduzes um  sentimento - isso não quer dizer que noutro momento não pensemos diferente, poetas somos nuvens... agora, por exemplo, depois de ler o que disseste estou  convencida, pelo menos agora estou, amar vale sempre, mesmo quando é amor unilateral - ou não se escreveria tantos textos lindos!

grande abraço

líria



- Postado por: Oficina às 02h21
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“O REENCONTRO”

CRÔNICA DE RUBENS DA CUNHA:

NOVO DEBATE

...............

  

Crônica

http://an.uol.com.br/2004/mar/24/0ane.htm

 

Rubens da Cunha - Especial para A Notícia

 

O Reencontro

 

Certos reencontros são salvadores. Sobretudo os  literários. Há muito tempo minha pele não tocava um poema de Cecília Meireles. Esta semana, me aconcheguei em "Doze Noturnos da Holanda", um livro composto com apenas 12 poemas, que diferem um pouco do universo formal da poeta, mas que ainda assim revelam a delicadeza contundente de Cecília ao descrever a noite em Amsterdã, sempre com o olhar alheio de quem não se imiscuiu à cidade, sempre com aquele distanciamento solitário dos não envolvidos.

"O rumor do mundo vai perdendo a força / e os rostos e as falas são falsos e avulsos. / O tempo versátil foge por esquinas / de vidro, de seda, de abraços difusos".

Por vezes também me sinto um estrangeiro, pouco apto ao convívio, aos arroubos da amizade, às solicitações diárias de atenção. Em nada sincero diante dos bons-

dias rotineiros que a educação exige. Cravado num isolamento de quem não conhece as ruas, as calçadas, as falas da cidade, sou um perseguidor deste "tempo

versátil", a toda hora fugitivo, alheio aos meus choros de infante desatento. É como se a vida fosse aquele pai que esquece as pernas curtas do filho e caminha rápido demais, deixando-o no desespero de nunca alcançá-lo. Reler Cecília cresceu-me. Pôs meu

corpo à altura da vida e voltei a caminhar ao seu lado, de igual para igual, não mais filho e sim irmão gêmeo. Ainda que eu seja em boa parte do tempo um exilado interno, "um pálido afogado sem palavras nem datas, sem crime nem suicídio, um lírico afogado" comecei entender a linguagem da vida, suas elipses, seus barroquismos. Percebi melhor o ritmo de bruma que a vida tem. Depois de reler "Doze Noturnos da Holanda", assusta-me menos as incompreensões que tenho de mim ou dos outros: "Homem, objeto, fato, sonho / tudo é o mesmo, em substância de areia."

Mantive Cecília muito tempo afastada da minha memória poética. Foi um erro. Ela ainda continua me seqüestrando para seu universo lírico intumescido de sonho e melancolia. Seqüestro às avessas: retira-me de onde estou quase sempre mínimo e leva-me para um

esconderijo onde posso estar mais amplo, mais preparado para os enfrentamentos. Foi assim há muito tempo, continua igual. Cecília repatria-me. Recoloca-me em contato com a "rarefeita anatomia da paisagem / onde cada elemento se faz translúcido / frágil e rijo

como a asa dos insetos e a flexão do pensamento".

 

(Rubens da Cunha, autor de "Campo Avesso").

- Postado por: Oficina às 00h47
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O reeencontro - Continuação

O REENCONTRO

Um texto de Rubens da Cunha

 

Análise crítica

 

Maria José Limeira

 

Sempre fui uma escritora pobre. Ganhando salário pouco, sem condições de comprar livros, cuja importância estava aquém da feira de secos e molhados para sustentar a família, etc. Então, minha única escapatória era ler livros emprestados ou freqüentar bibliotecas públicas, onde era possível levar algumas obras para ler em casa, com prazos para devolução.

Havia um grande amigo meu, que eu considerava “rico” pela quantidade de livros que ele podia comprar, os quais me emprestava, com a maior boa vontade. Mas, além de estipular prazo de devolução, ele exigia que, junto com a obra, eu lhe entregasse uma resenha sobre o livro lido.

E assim eu fazia, apenas para satisfazer a vaidade dele. Era uma maneira de pagar-lhe o favor que me fazia. Depois, comecei a desconfiar que ele comprava os livros e não lia. E minhas resenhas serviriam apenas de ponto de partida para o amigo manter as boas conversas de salão nas rodas sociais, e talvez que, dependendo do que eu dissesse sobre as obras, ele as leria depois.

Pensei tudo isto ao ler esta crônica linda de Rubens da Cunha sobre a obra de Cecília Meireles, autora que li muito também, em certa época da vida, e depois esqueci.

Realmente, o amigo Rubens da Cunha fez uma análise crítica sobre a autora, que despertou minha curiosidade em redescobri-la. Porque esta análise parte de recordações, memórias, dias já esquecidos, misturando sentimentos com a técnica da crônica, na maior simplicidade.

Gostei muito do texto de Rubens da Cunha.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 00h32
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O reencontro - Final

Obrigado Maria,

tem certos autores que a gente esquece e depois recupera e é aquele susto, "como eu pude esquecer isso?". Uma que anda querendo entrar na minha vida é Cora Coralina (um pouco incitado pela Gisele). foi a primeira vez que chorei lendo um poema. 

valeu.

(Rubens da Cunha)

..........

 

Por isto mesmo que gostei do seu texto. Porque logo lembrou-me outros autores que estou sempre relendo: "O lobo da estepe", de Hermann Hesse, "Luz de agosto", de Faulkner, "Numa terra estranha", de James Baldwin, "Judas, o obscuro", de Thomas Hardy, os contos de Osman Lins, um autor injustiçado e esquecido...

Continue escrevendo suas crônicas lindas, que eu gosto muito. Viu, Rubens? Saludos. Maria José Limeira.

..........

 

OI Maria,

só para constar: se um dia eu fizer um doutorado, vai ser sobre  Avalovara de Osman Lins, e vou investigar o amor nesta obra, Abel é tudo o que  eu queria ser e ama da forma como eu queria amar ;)) que você acha?  simples né? :))

beijos

Rubens

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"Se um dia"? Não seria melhor dizer "Quando um dia"? E sei que você vai fazer um trabalho brilhante, pois admiro seus textos de crítica literária, e tenho aprendido muito com você. Saludos! Maria José Limeira.

 



- Postado por: Oficina às 00h25
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OS NOVOS TEXTOS EM DISCUSSÃO:

 

Amigos & Amigas. Temos três novos textos para análise:

 

1.O reencontro - crônica de Rubens da Cunha

2.Alma - poema de Gisele de Carvalho

3.Insight - poema de Líria Porto

 

Lembramos que esta lista está resgatando sua origem de Oficina  Literária, depois de um bom tempo de abobrinhas e outras quinquilharias.

Os comentários aos textos em exposição são gestos de solidariedade aos companheiros que desejam medir a qualidade de seus textos, e trocar informações a respeito de análises críticas, etc.

São apenas textos, meus amigos. Textos! E não há necessidade de instalar um campo de guerra na lista para analisá-los.

Toda pessoinha, como eu, e cada um de vocês, por trás da tela do computador, tem um coração e sentimentos. Temos nossos problemas que são os de  todos os brasileiros, num País onde a vida está difícil, e as esperanças são poucas.

Os culpados dessa situação não estão nesta lista, graças a Deus, e,  portanto, devemos ter muito cuidado ao tratar com nossos colegas de turma, que são pessoas tão sofridas e carentes como todos nós. A Poesia deve ser ponto de união entre nós, e não pomo da discórdia.

Um abraço em cada um de vocês, que aceitaram nossos desafios, e vamos  nos dar as mãos nos difíceis caminhos da análise literária.

Saludos.

Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h02
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Novos textos - Continuação

Colegas,

Minha primeira participação aqui. Espero merecer comentários sobre o que eu aqui mostrar para todos vocês. Mas, acreditem, estou aqui mais para ler, entender, questionar, provocar, do que explicar. Não explico nada, nem explicarei nada. E para nada explicar, vou fazer umas citações.

Acredito que estas tenham algo comum entre si. Mesmo sendo retiradas de contextos completamente distintos, não antagônicos, porém.

Gosto de escrever poesias, tercetos (seriam alguns haicais, outros haikais, outros nada mais, muitos não classificados por nada serem, apenas expressão de sentimentos, emoções,visões...

Há Marias que gostam de tercetos, haicais, há, outras, como a Maria Limeira, que adora quadras, faz poesia com malícia, palavras erotizadas, Eros resvalando nas palavras provocando Afrodite e fazendo o Olimpo tremer... Há deuses olímpicos bonzinhos? E os do panteão egípcio? Há bons deuses por lá?

Hoje, por concidência, li Leonardo Boff, em "Experimentar Deus - A transparência de todas as coisas" - Verus Editora, onde ele fala de Deus (do católico, cristão...)e o traduz em 3 dimensões: A montanha é montanha (saber - imanência - identificação); A montanha não é montanha (não-saber - transcendência - desidentificação; A montanha é montanha (sabor -

transparência - identidade). Bem, para resumir, ele fala do Deus  cristão e cita os mestres zen (tem a ver com haicai, haiku, haikai?): "Se encontrares o buda, mata-o". E explica: "Se encontrares o buda, não é o Buda - é apenas sua imagem. Mata a imagem para estares livres para o encontro com o verdadeiro Buda".

Assim, encontrar a Poesia (ela existe?) ou encontrar o  haicai/haikai/haiku, teríamos que matá-los, entendendo que teríamos que "decretar a morte de todas as palavras referidas ao Divino (o verdadeiro, grifo meu)porque elas mais escondem do que comunicam Deus" (Boff).

Matar a imagem da poesia para ter a verdadeira poesia.

Entendo, pois, que classificar/encontrar/enquadras poesia é identificar a poesia que não é real. Poesia é poesia, haicai/haikai/haiku é haicai/haikai/haiku, Deus é Deus, Buda é Buda.

Já havia escrito mais ou menos isso e já vieram classificações/enquadramentos de que eu estaria sendo simplista demais. Adotarei, pois, a simplicidade. Complicações, maquinações e interpretações, quem ler que as façam. Provocar é bom, perguntar, então, é um direito que o faço como dever até cívico.

Ou nós viemos aqui para explicar? Vamos, começar, pois tocando nos arquétipos que nos incomodam, nos mitos que queremos entender e que estão sempre aos nossos lados. Se encontrarem com um mestre do haicai/haikai/haiku, matem-o. São imagens, só. Concordam?

- Postado por: Oficina às 23h46
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Novos textos - Continuação

Para começar, então, vai este poema:

 

O falso duplo

  

O gêmeo, o duplo

o trágico sentimento

 

Narciso se apaixonou

por um homem bonito

- ele mesmo -

e virou mito.

 

Encontrar-me

na profundeza

do lago

- falso espelho -

não me faz

nem rico, nem

belo...

 

Talvez

eu seja um elo

entre o eu

que sou

e o eu que fui,

o eu que me consome

e que, finalmente

retorne

eu, agora,

como meu

próprio mito

 

Rogério Viana

 

de Curitiba, jornalista nascido caiçara (em Santos-SP), transformado em  caipira (Piracicaba-SP) e agora aqui, convivendo com pinheiros, sabiás,  neblina e frio.



- Postado por: Oficina às 23h38
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Novos textos - Final

Meu Deus do Céu! Viana? Eu tenho faro para pescar almas boas como a sua, amigo lindo! Seja bem-vindo ao nosso inferno particular que, de vez em quando, vira paraíso! Você tem a alma legítima da Poesia em suas mãos. Gostei muito da sua mensagem. Estamos precisando de pessoas positivas como você, nesta linda lista. Um abraço, e obrigada pela colaboração. Saludos! Maria José Limeira. (Rogério, não mande mensagens formatadas para a lista, pois está configurada para não receber html).

..........

 

Seja bem-vindo Rogério.

Gostei bastante do seu modo de pensar embora não concorde com tudo. A poesia pode ser mais que poesia e o Buda mais do que a imagem do Buda, depende de como cada um os vê. Espero que você se sinta em casa assim como eu me sinto por aqui.

Grande Abraço.

(Hilton Júnior)



- Postado por: Oficina às 23h29
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“ELA”, UM TEXTO
DE LÍRIA PORTO

..................

 

ela

líria porto

 

se todos me pudessem ver

do jeito que ela me via

 

filhos não têm defeitos

são bons bonitos perfeitos

 

que pena nem o espelho

tem seus olhos de magia

...........

 

Singelo poema para o dia das mães.

Parabéns.

Gostei das rimas e de suas disposições (pertencentes a mesma estrofe e em estrofes diferentes).

O poema está dividido em três dísticos. Cada um apresentando um movimento.

No primeiro, há a apresentação de um desejo, contudo esse desejo mostra-se num plano de sugestão [se todos me pudessem...]. A condição do [se] implica em algo, como se isto acontecesse...conseqüentemente haveria tal resultado; contudo o resultado não foi posto (também não há necessidade, poesia também é sugestão, o leitor que tire suas conclusões).

No segundo movimento é que encontramos a ligação entre o título (que a priori causa inquietação - quem é ela?): para quem [os filhos não tem defeito...]? A resposta é aquela que está sendo homenageada hoje.

Por fim o terceiro movimento, o sujeito poético sente uma ligeira frustração por não encontrar seu desejo, manifestado no primeiro movimento, não realizado [que pena nem o espelho tem seus olhos de magia]

Breves palavras, nenhuma pontuação, mensagem completa!

Muito bom.

Margot Marie



- Postado por: Oficina às 22h11
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