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UM TEXTO INQUIETANTE

EM DEBATE:

“APNÉIA” ,

DE RICARDO PISOLER

.....................

 

Apnéia (r.pisoler) 

 

Sombras e máscaras de meu refúgio

Qual o sopro que meu vento finda?

Minha alma me acolhe bem-vinda

À distância de meu senhor augúrio.

 

Diz-me, à revelia dos fatos,

Em qual breu escorna meu medo?

Força da manhã que me tomba cedo,

Mal me machuco, bem que me mato.

 

O flagelo me é bom companheiro,

Sabe açoitar a chaga certa.

Fluir-me adentro da pia deserta,

Subverter-me nos túneis e bueiros.

 

E a podridão que afluir de meu mal profundo

Sucumbirá ao aroma ligeiro de merdas lascivas,

Ao engolir cada pedaço escroto da saliva,

Sufocando a língua no vertedouro do mundo.

 

Voltarei às sombras e aos drenos de alívio,

Junto às areias de meu destino.

Soterrado até o último grão pequenino,

Dos sonhos e pesadelos de meu convívio.

 

Aguarei com toneladas submersas,

Fogos gasosos e venenos de artifício.

E antes que se desfaça minha última molécula,

Prostrarei no chão de algum sacrifício.

 

Rezarão por mim embarcações de gaivotas

E outras aves que plainam no vento,

Realizarão a paisagem etérea do sofrimento,

Na tinta que escorre da natureza morta.



- Postado por: Oficina às 17h06
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Apnéia - Continuação

APNÉIA

Um texto de Ricardo Pisoler

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Eu gostei muito deste texto "Apnéia", de Ricardo Pisoler, a partir mesmo do título, que dá idéia de sufocação, naquelas situações em que só falta mesmo a gota d'água para a gente explodir.

É um texto "noir", cheio de sombras e fantasmas, rico em imagens que lembram muito a Literatura de Augusto dos Anjos, sem imitá-la, contudo.

Apesar de um tanto longo, não cansa a paciência dos leitores, que seguem o texto passo a passo, com a mesma curiosidade.

O texto se estende até o fim em quartetos, mas não mantém as mesmas métricas iniciais. Isto, contudo, não lhe tira o mérito.

Eu gosto muito desse tipo de Literatura, porque é a minha área, pois me atraem as revistas de quadrinhos de terror, e esta preferência se

estende aos poemas e prosas. É um tipo de texto muito difícil de construir, mas mesmo aqueles textos fracos da Literatura de Terror e Policial eu gosto, interessando-me mais a idéia que sustenta o texto do que o próprio texto.

No caso de Pisoler, trata-se de um poema longo que eu acho bem interessante,  pela riqueza da linguagem, e pela capacidade do autor em manter a coerência até o fim.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 17h03
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Apnéia - Continuação

Obrigado, Maria, por teus comentários.

Siceramente, eu sei que escrevo muitas porcarias e algumas se salvam.

Deste aí, realmente gosto. Foi um filho que me deu orgulho. Aliás, não  pra mim, mas por ele. Eu penso nos poemas depois que estão prontos como outra coisa, que já não fazem parte de mim, e portanto nem merecê-los  mais mereço. Porque foi a idéia que surgiu que foi seu criador, e às vezes, algumas idéias que nem fazem parte de minhas idéias corriqueiras, aquelas que formam o meu indivíduo cotidiano.

Eu gosto demais de Augusto dos Anjos, quem sou eu para copiá-lo, quanto mais tendencioso que não fosse. Mas pensando bem, tem alguns pontos que o lembram.

Quanto à métrica, tenho procurado mantê-la, mas é difícil para um amador e amante esporádico do estudo da literatura como eu ter uma sequência sempre prefeita, como as têm muitos que aqui nos são amigos.

Também, a vida é curta, e ainda sou moço.

E o tempo não espera por quem o alcança.

Grande beijo.

 ricardo.



- Postado por: Oficina às 17h00
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Apnéia - Continuação

Eu não gostei do texto de Pistoler, não pelo texto e sim pelo meu gosto pelapoesia. Sua identidade com Augusto dos Anjos é visível, o texto é escrito de maneira brilhante e usa imagens que tocam profundamente a alma do leitor. O texto é muito bom, diz as verdades na cara, verdades que muitos fogem e procuram não vislumbrar. Eu, particularmente, não gosto deste tipo de poesia, gosto de poesias que me dão esperanças de sentimentos cantados

Com um espirito elevado, buscando a cura para o mal do "eu poético". O  texto me passa uma visão derrotista da própria vida e não gosto de ver as coisas da vida por esse lado. Quando digo que o texto é brilhante, é a pura verdade.

Este texto é bem pensado e bem escrito. Apesar de longo, denso e com muitas pontuações a sua leitura não é massante e o leitor não tem vontade de parar no meio dos versos. A forma do poema é bastante fixa, embora os versos não estejam metrificados como fazia o Augusto dos Anjos. Não indicaria este texto pelo negativismo e por se utilizar de imagens e palavras pesadas. O seu titulo tira o folêgo...Interessante esta imagem.

Abraços

Hilton Junior



- Postado por: Oficina às 16h57
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Apnéia - Continuação

Hilton,

alguns amigos me chamam de pistoler.

Tenho a infelicidade ou não de dizer que estes mesmos sejam gays.

Mas são meus amigos, menos ou mais do que você, quem também muito considero.

Na verdade, o texto é negativista mesmo.

Eu gostaria de propor uma ameaça para todos, inclusive a você.

Nunca aqui nem em outro ponto de poesia falei de minhas verdades pessoais que seriam mais fortes do que daqueles que não a possam dizer.

A política, neste país, e quero que saiba que conheço 28 países deste mundo, e tenho 36 anos de idade, não é justa pelo que se vota.

Tomei uma dimensão séria em minha vida, que é, além de não votar em ninguém, fazer campanha contra a todos. Anarquia? Ainda não.Rebeldia, ainda sim.

Todos os feriados de votação são regados a força de campanha, televisão e fábricas virtuais de sonhos, como esta que vivemos aqui, em sonho literário.

Se você não é negativo eu também não, em minha vida pessoal, pois tento ganhar dinheiro para sustentar minha família, como você.

Mas não coloque este fator como preponderância sobre meu poema, pois nunca saberá explicar porque eles prometem aquilo ser possível antes do voto, e depois dele explicam ser impossível.Quanto a Augusto do Anjos, já disse outrora, quem sou eu.

Sds,

Ricardo Pisoler



- Postado por: Oficina às 16h56
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Apnéia - Continuação

Ricardo,

Eu não sou gay, pelo menos até onde sei, tenho 24 anos até amanhã e não tenho mais duvidas disso, seus amigos o chamam de Pistoler  provavelmente porque a primeira pistoler eles nunca esqueceram...rs...(péssimo).O chamei assim pq li tantos e-mail de vc e do Rogerio que acabei não sabendo o primeiro nome de quem. Perdoa-me pois são 3:00 da madrugada.

Bom,

Eu analisei seu texto como leitor e, assim fazendo coloco o texto na minha vida para ver até onde eu me identifico com o que acabei de ler, as mesnagens dos textos poético me fazem aprender sobre a vida, sobre as pessoas e sobre o mundo. Concordamos que o texto é negativista, e eu nunca gostei de ler textos assim, prefiro Carlos Drummond de Andrade a

Augusto dos Anjos. Ser rebelde é muito saudável, melhor ser assim a ser como todo brasileiro( inclusive eu) que acaba aceitando de certa maneira o que fazem com a gente. Tento sobreviver a isto como todo mundo, inclusive você que também trabalha para sustentar a sua familia e olha que não consegui sair do país...AINDA...rs...

Tentei deixar bem claro, na minha análise, que eu não gostei do texto por gosto mesmo, e não por ele ser ruim, porque não é. De verdade.

Quando falei do Augusto dos Anjos quis dizer que este seu poema me lembrou as poesias dele e fique sabendo que estou feliz por você ser o que é pois admiro muita coisa que você escreve, e como sou um aprendiz de carteirinha de certa forma tenho aprendido muito com a convivência aqui nesta lista, por isso tento participar tanto quanto me é possível. Sua

mensagem foi aceita com orgulho por você ter lido o meu comentário e tê-lo respondido.

Aquele Abraço

Hilton Júnior



- Postado por: Oficina às 16h54
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Apnéia - Final

Amigo Hilton,

os brothers que ne chamam de pistoler, tudo sempre foi na base da sacanagem.

Fiz uma brincadeira sacana contigo porque ainda nem te conheço, mas depois desta o considero meu brother.

Na verdade, tenho algumas coisas a comentar.

Saiba que aqui vc não é nenhum aprendiz, a verdade é que sempre nós que fomos. Haja historicamente falando que os primeiros que chegaram deixaram sua historia, mas quem a evolui foram os próximos.O fato de sermos acomodados incomoda, eu trabalho com comercio exterior, outro dia na Suíça tive que aguentar gozação que somos todos bananas

por causa de um presidente otário. Sei que sou um ser minúsculo na população, mas na Itália, no começo do ano, ouvi a mesma anedota. Aí vc volta pro seu país, e aqui, vc gravou alguma campanha do Lula? lembra do que ele prometeu para o primeiro semestre de 2003? até agora, tudo é campanha pra reeleição e merreca sem fundamento. Porra, ninguém tem raça aqui não?

Tirando aumento de impostos e etc. mas isso aquilo não é assunto.

A coisa que eu sei é que:

Poetas e pensadores vieram para dar luz ao mundo, fortalecer os elos.

Mas veja, nossas discussões não podem ter um mínimo de quentura que os âmagos se ferem?

Que tipo de viados nós somos?

ôopa, já vai pensando errado de novo....

Digo veiado, ou veado, o cervo, o servo, alvo de flecha.

S.d.s.

 Ricardo.



- Postado por: Oficina às 16h53
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APENAS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CONVÍVIO

 

Pessoal.

Maria Limeira esteve sem computador esse fim de semana. Eu acabei de ler todas as mensagens do grupo e preciso tecer algumas considerações que eu acho de extrema importância para a convivência em grupo nessa lista.

1. Não creio existir nessa lista ninguém que não possua o mínimo de educação, que não possa exercer a tolerância com a opinião alheia. Tolerar é também um excelente exercício de cidadania.

2. Podemos e devemos fazer nossas réplicas e tréplicas quantas vezes forem necessárias até que a questão tenha finalmente alcançado níveis de entendimento.

3. Se todas as pessoas aqui possuem educação e cultura (que saibamos todos devem ter), não é possível abrir um email e ler tantos absurdos de palavras agressivas ao outro. Isso é inconcebível. Estamos discutindo os NOSSOS textos, e de preferência na base de ajuda mútua. Isso é uma OFICINA, não esqueçam. O que eu posso contribuir para esse texto ser melhor? Ou o que penso do texto do meu colega? Esse é um exercício de OFICINA.

4. Podemos dizer que não gostamos do texto, e colocar as bases dessa opinião, sem no entanto ferir, denegrir, ou desrespeitar o colega, não podemos?

5. Por que num mesmo email eu devo colocar 300 palavrões para me referir a outra pessoa dessa lista ou de fora, se eu posso simplesmente, expor meus argumentos de maneira MODERADA?

6. Essa é uma lista de ANÁLISES LITERÁRIAS, mas não as tão radicalmente

acadêmicas e fechadas. Podemos ser mais relaxados, porque a maioria está aprendendo a analisar (eu por exemplo) e portanto, estamos emitindo a nossa opinião como leitor e como parceiros de lista.

7. Que cada um possa verificar em suas mensagens que exagerou e retrate-se publicamente, ou em PVT, a fim de que o grupo seja mantido sem maiores danos.

8. Temos todo o direito de defender o nosso texto, mas não temos o menor direito de denegrir a imagem do outro, nem desrespeitar o seu texto. E até podemos fazer isso, em PVT, sem que comprometa o equilíbrio e continuidade da lista.

9. Acho até que temos texto em demasia na fila de espera para análises. E isso é maravilhoso. Sinal que os autores estão interessados nas nossas opiniões. Seria interessante cada um que está nessa lista, prestasse atenção nesse detalhe e exercitasse a tolerância para a saúde do grupo.

10. Eu até posso não gostar do texto, mas o autor merece todo o meu respeito.

Gostaria que as pessoas pensassem nisso, antes de responderem apressadamente às mensagens sem lerem com calma o seu conteúdo evitando assim, mal-entendidos.

Maria Limeira chamou cada um de vcs por acreditar no potencial de todos. E essa é uma das únicas listas em que participo, onde não somos  obrigados a nada a não ser respeitarmos ao colega, e ao seu trabalho.

Obrigada.

Dira Vieira (co-moderadora)



- Postado por: Oficina às 22h40
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Se meus inimigos pararem

de dizer mentiras

a meu respeito,

eu paro de dizer verdades

a respeito deles.

(Adlai Stevenson)



- Postado por: Oficina às 22h33
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UM TEXTO

EM TRÂNSITO:

“OLHOS CANSADOS”,

DE DIRA VIEIRA.

....................

 

Olhos cansados

 

Dira Vieira

 

Cai o sono

Na pálpebra da noite

Enquanto não vens

Contraio músculos e pensamentos

E invado-me faceira

 

nessas tempestades

que se criam em mim

sabendo em fim

que ao te tocar a alma

e te lamber a cria,

ressuscito-me

e amanheço.

................

 

 

OLHOS CANSADOS

Um texto de Dira Vieira

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Eis um texto bonito, com todas as qualidades que gosto: concisão e sentimento. Emoção!

“Olhos cansados”, de Dira Vieira, encaminha uma mensagem curta e certa diretamente para alguém, usando o eu como personagem. Apesar do eu, um texto bom de se ler.

Embora Poema, pode ser lido como Prosa.

Eu gostei desse negócio de “pálpebra da noite”, e ainda mais do “ressuscito-me e amanheço”.

Tem imaginação fértil esta poetisa.

E mais não direi...

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 00h44
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Olhos cansados - Final

Análise: Rubens da Cunha.

 

olá Dira.

Gostei deste teu poema, uma concisão forte, rimas bem colocadas, um final que conclui o começo: anoitecer/amanhecer. é um poema que permite leituras várias, já que está fortemente amparado na metáfora, no simbólico, no que se esconde por trás desta imagem.

Como sugestão penso que você deveria buscar um título mais forte, que abarcasse mais os mistérios contidos no poema. "olhos cansados' é muito explicativo e faz referência somente ao começo do poema. Talvez um substantivo único e forte?

Bem é isso, Dira, no aguardo de novos textos.

valeu

Rubens

..........

 

Concordo que o título tem a ver apenas com o início do poema... o que, em todo caso, não é grande problema, se é que é problema.

Gostei principalmente da primeira estrofe, que já transcende o título do poema.

(Régis Antônio Coimbra)

..........

 

Obrigada, Maria, Régis e Rubens, pelas análises. Também não gosto do título não, acho que ele é simplesinho demais. Já que falaram, vou mudar. Acho que título é quase o poema em si. É muita responsabilidade. Segundo um poeta, o André Ricardo Aguiar, ele diz que o título é um poema em si, concordo com ele.

Dira

- Postado por: Oficina às 00h29
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“A INVEJA – LITANIAS”,

EM DISCUSSÃO:

UM TEXTO DE RUBENS DA CUNHA.

......................

 

A INVEJA – LITANIAS

(C) Rubens da Cunha

 

I

Inveja às mulheres e seus dogmas,

aos homens e sua tântrica violência.

Inveja de viver pensando pássaro

estando cru o desejo de ser vôo.

 

Inveja aos engenhos infantis,

aos espectros no rosto dos senis.

Inveja de viver pensando lobo

estando nu o futuro de ser cão.

 

Inveja às palavras habitáveis,

aos temporais desfeitos na cabeça

com a fuga contínua dos olhares.

 

Inveja aos cuidados da loucura,

aos gestos construídos no porão

com o cinzel agônico da morte.



- Postado por: Oficina às 21h25
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A inveja - Continuação

II

E saber dos leopardos quando caçam.

Da prepotência casta dos imberbes

recebendo o futuro pelas ventas.

E saber da miséria nunca vista

 

no corpo todo vasto de mistério

se pedra imaculada nos lençóis.

E saber da garganta em penitência

moldando a liturgia dos infiéis.

 

Do fogo quase hóstia que consome

a intensidade pélvica dos santos.

E saber das entranhas que residem

 

a boca sedentária dos vulcões.

Dos humanos comendo catedrais

quando servos autófagos da inveja.



- Postado por: Oficina às 21h21
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A inveja - Continuação

III

Invejo a cortesã do Baixo Nilo

- vive em mim o perdão de sua agonia -

e o artesão medieval que permanece

inventando saveiros no meu sangue.

 

Invejo o caçador em Rajastan

- vive em mim o lavor de suas tocaias -

e o escravo torturado nas lavouras

que ainda grita senzalas no meu dorso.

 

Solitude de sóis em desvario,

são vestígios de ventos ancestrais

edificando as dunas da memória.

 

Cartografia do tempo, estas invejas

cobrem de rutilâncias o meu corpo

imerso  em palidez e sacrifício.



- Postado por: Oficina às 21h16
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A inveja - Continuação

IV

Antes de sermos dor somos cavalo:

galope nos canteiros da inocência.

Arcabouço de flores consumidas

em noites de batismos e presságios.

 

Antes de sermos sangue somos cárcere:

verbena soterrada no desejo.

Cadafalso de culpas destiladas

assassinando peles e destinos.

 

Antes de sermos ar somos advento:

nascedouro de sombras indivisas

gestando despedidas em segredo.

 

Antes de sermos cais somos inveja:

ancoradouro tácito do olhar

sobre a face feérica dos sonhos.



- Postado por: Oficina às 21h13
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A inveja - Final

A INVEJA – LITANIAS

De Rubens da Cunha

 

 (Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

São belíssimas estas “Ladainhas” de Rubens da Cunha.

Embora escritas em “movimentos” (I, II, III, IV),  aparentemente sobre o mesmo tema (A inveja), podem ser  lidas separadamente, sem prejuízo da compreensão.

Interessante é que o tema principal ora aparece  substantivado ora em forma verbal, e a leitura deve  ser atenta a estes “cortes” bruscos, para não perder a  unidade.

Não é um texto que se abre à primeira leitura.

Tem que ser lido e relido, a fim de se chegar à  conclusão.

Outra coisa que me chamou a atenção é a exuberância de   imagens, que se multiplicam a cada verso, as palavras  perdendo os seus significados comuns e ganhando em

conotação.

Formam verdadeiras “cachoeiras” jorrando águas  límpidas numa mesma direção.

Este conjunto de textos é realmente uma obra de arte.

É Poesia em sua mais pura expressão, e não pode ser  confundido com Prosa.

Abre-se a várias interpretações.

Mantém o ritmo e a musicalidade do começo ao fim.

Nem tudo está perdido na Internet, Senhoras &  Senhores.

Temos Poeta de verdade na rede!

 

 (Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)



- Postado por: Oficina às 21h04
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“ ABAPORU”

UM TEXTO DE HILTON JÚNIOR

EM HOMENAGEM AO NOSSO BLOG

 

 

Olá Maria,

Primeiro quero desejar sorte e harmonia para os amigos que estão  chegando..

Depois quero lhe dizer que o nosso BLOg está maravilhoso, o tema do

template é a minha paixão e estou enviando um texto singelo que escrevi

sobre. Se alguém quiser comentar.... (Hilton Júnior)



- Postado por: Oficina às 12h08
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Abaporu - Continuação

ABAPORU

(Hilton Júnior)

 

Nestes últimos dias, passando pela Avenida Paulista e, pela centésima  vez admirando o quadro Abaporu, idéias me ocorreram.

Sua história é bastante interessante e importante para a nossa cultura.

Tarsila pintou este quadro e o presenteou a seu marido Oswald de  Andrade em seu aniversário. Oswald ao ver o quadro e a partir dele fundou o movimento antropofágico. Este movimento legitimamente brasileiro propunha a valorização incondicional da nossa arte, tanto literária quando nas demais expressões.

Vi no quadro a cabeça longe, parecendo que nossa cultura e nossa produção estavam longe do nosso chão. Os pés tão grandes e no tão próximos do solo e numa paisagem de aridez e simplicidade faziam com que a idéia de nacionalismo se fizesse presente aos apreciadores e aos artistas daquele tempo.

Mas acredito que o nome tipicamente nacional, por ser uma palavra indígena, os pés na nossa terra e a cabeça ao longe, lá no continente europeu, apresentam duplo significado. Um significado cultural de quebra de valores internacionais e internacionalizados combinado à valorização do pensamento nacional refletido nas mais altas formas de fazer arte.

Um outro significado, este mais profundo, diz respeito à nossa própria existência. Acredito que devemos olhar para nós mesmos, para tudo aquilo de bom que fazemos, termos os pés no chão e aprender que aquilo que somos e fazemos são de grande valor para nossas vidas sem nos preocuparmos com aquilo que vem de fora, como críticas e aprovação social.

As criticas servem para garantir o controle das pessoas sobre nossas vidas, talvez se estas fossem feitas para nos engrandecer e com esse propósito poderiam contribuir para a formação do nosso eu, sem o uso de máscaras para faze-las e para aceitá-las.

Divido esse pensamento com amigos que tenho no coração, esses que ao dizerem qualquer coisa olharão para o que somos, para o que fazemos e principalmente para aquilo que construímos no dia-dia e na convivência.

Amigo é aquele que reconhece e admira o Abaporu que existe dentro de cada um de nós.

 



- Postado por: Oficina às 12h02
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Abaporu - Final

Ô coisa linda, amigo Hilton Júnior. Esta lista precisa de pessoas como você para engrandecer a Amizade, o Companheirismo e a Solidariedade, que devem ser pontos de referência, no extenuante trabalho de analisar textos. O "template" do nosso blog foi escolhido pela amiga querida Dira, que atualmente está silenciosa, porque me pediu um tempo para meditação, coisa que todo mundo precisa de vez em quando para se reciclar.

Porém, ela continua conosco, acompanhando nosso trabalho na lista. A concepção do blog também é toda de Dira, a quem agradeço a colaboração que vem nos dando para que a lista sobreviva. Um abraço, saludos,

e obrigada pelo seu texto lindo, Hilton Júnior. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 11h58
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