
Contra o Internetês
e o assassinato
da Língua Portuguesa:
Eu sei escrever
http://euseiescrever.blogspot.com/
SEDE
Antoniel Campos
Quero a mão por debaixo do agasalho
pra sentir-me em teu corpo por escrito.
Nos teus poros, a rua onde eu habito.
Tuas curvas, saber de cada atalho.
Quero ter-te da cama ao assoalho
e encostada ao teu quadro na parede.
Quero o espelho, a varanda e quero a rede,
quero antes, no meio e depois,
um só gosto na sopa de nós dois
: uma sede matando a outra sede.
....................
Fonte:
Poros e Cendais – Antoniel Campos
http://antonielcampos.blog.uol.com.br/
NOVO TEXTO
EM DISCUSSÃO:
“O OUTONO E A CIDADE”,
DE ROGÉRIO SANTOS
.....................
O outono e a cidade
ROGERIO SANTOS
O outono chega e cai sobre a cidade
Alterando a paisagem nua e crua
Não se vê mais mulher de blusa curta
Mas casacos bem cafonas e mofados
Agora não se vê perna desnuda
Usam calças bem surradas no passado
Meninas de cabelo mal lavado
Inundando a manhã do coletivo
Piscinas com dejeto acumulado
Garoa sepultada no telhado
Há pausa para um trago de conhaque
Na noite sem o canto da cigarra
A cidade que era toda perfumada
Hoje cheira naftalina condensada
O outono chega e cai sobre a cidade
Bem propício para um trago de conhaque
Rogério,
Uma maneira interessante de ver as coisas pelo avesso.
Pro meu gosto, aliás, avesso demais.
Deu entender seu tropicalismo, sua preferência pela primavera e o verão.
Como poema, não tem pontuação, não tem forma, nem métrica, nem volume, nem sensação, nem toca o coração, nem me fala algo que deveria saber e não sei, nem me conta uma novidade que poderia ficar encantado.
Gostei de algumas passagens, entretanto, como a da naftalina, como a da cigarra.
Mas mesmo assim, de uma forma geral, não gostei e não concordo também, com o contexto.
A não ser, no entanto, que esteja sob códigos e eu, burro, não o soube decifrar.
Sds,
Ricardo. PisolerConheço Rogério Santos por vários poemas interessantes que dele já li nas comunidades de que participamos. Porém, este que escolheu para iniciar na lista já o havia lido em outro lugar e já não me dissera muito naquela oportunidade. Relendo-o, a impressão que foi escrito sem maior cuidado, só para aproveitar (ao que parece) um tema que passou pela cabeça, ou/e encaixar algumas frases boas e sonoras que ele contém (em especial de "Garoa..." até "...condensada") continua presente. Deixa-se ler, seu assunto comum e estreito - na forma como apresentado. Mas, para quem já sabe que Rogério tem muito mais, esse foi muito pouco. Está devendo - e isso é bom, pois ele tem com que pagar a dívida, e por certo logo trará muitos outros escritos à lista.
(José Nunes)Desculpem esta intrusão apressada. Não pretendo fazer análise porque não tenho de forma alguma disponibilidade para tal. Acontece que gostei muito deste poema para que fique calada.
Rogério, penso que este poema seria um óptimo poema se você o iniciasse no verso "Meninas de cabelo mal lavado".Peço que o releia a partir daí para que me entenda.
"Meninas de cabelo mal lavado
Inundando a manhã do coletivo
Piscinas com dejeto acumulado
Garoa sepultada no telhado
Há pausa para um trago de conhaque
Na noite sem o canto da cigarra
A cidade que era toda perfumada
Hoje cheira naftalina condensada
O outono chega e cai sobre a cidade
Bem propício para um trago de conhaque"
MUITO BOM!
REpare que na primeira parte do poema você optou por ser demasiado óbvio e explícito....Há várias formas de se poder dizer que o Outono alterou a paisagem da cidade...
"O outono chega e cai sobre a cidade
Alterando a paisagem nua e crua
Não se vê mais mulher de blusa curta
Mas casacos bem cafonas e mofados
Agora não se vê perna desnuda
Usam calças bem surradas no passado"
abraços e desculpem o meu silêncio por falta de tempo.
Maria PAyle
Maria,
Muito obrigado pela análise.
Eu adorei e vou adotar esse novo formado, com certeza revitalizou e deu muito mais força ao texto.
Eu concordo com o José, o texto foi mesmo escrito sem muito cuidado diretamente numa comunidade do Orkut aproveitando uma idéia.O Ricardo comentou sobre tropicalismo - não, não tenho preferência por verão ou primavera, isso não se apresenta no texto.
Nunca tive pretensão de criar códigos indecifráveis, não é o caso e dificilmente será. Entre o complexo e o simples sempre optarei pelo segundo, que pode eventualmente carregar alguma complexidade. Quanto a gostar e não gostar, como comentei no final da análise do meu poema Eclusa, sei que aqui não é local para vitórias ou derrotas, e sim de reflexão.
Tinha acabado de sair de um bom show de música instrumental brasileira e a noite se apresentava fria, a primeira noite típica de outono/inverno em S. Paulo.
Nesse momento pela primeira vez no ano via pessoas usando blusas e casacos.
E como era virada de estação, ninguém estava preparado para aquilo.
Eu pensei nas minhas próprias roupas guardadas por 1 ano num canto do armário.
Eu pensei na frase de Caetano Veloso em Sampa - "...da deselegância discreta de suas meninas..."
E brotou o texto como pedra bruta.
Obrigado Maria pela arte da lapidação.
Obrigado ao José e ao Ricardo pela crítica.
PS: Maria, você é mesmo de Coimbra ? Ano passado justamente entre 18 e 28 de maio, tive a felicidade de viajar por Portugal e conhecer entre outras cidades Coimbra. Meu pai é dessa região, precisamente de Lagares da Beira, próximo a Oliveira do Hospital, ao pé da Serra da Estrela. Ele imigrou para cá em 1957 e nunca mais pode voltar. Foi uma emoção muito grande encontrar com minhas raízes, a maior que senti na minha vida. Portugal é uma delícia.
(Rogério Santos)Rogério,
É verdade que o complicado não é sinónimo de qualidade. Vejamos Clarice e Eugénio de Andrade. São simples mas jamais descuidados.
Cada palavrinha é calculada ao milímetro.
É interessante essa sensação do poema escapar das mãos do poeta.
Desde o momento de inspiração que é o seu nascimento, as voltas que ele pode dar!! Não me admiraria que às vezes nem o poeta reconheça o seu próprio poema, tão longe ele estará da sua ideia inicial,não?
Sobre Coimbra (aqui peço perdão não lhe ter respondido na altura) mas perdi-me com tanta mensagem,procurei em vão as respostas ao meu desafio meio traquinas, porque nele eu tinha uma ratoeira em que você caiu direitinho ;-)
José Régio foi o autor dos Poemas de Deus e do Diabo. O poeta nasceu e morreu em Vila do Conde. Os poemas referidos e o proprio Poeta, se assim poderemos dizer, nasceu em Coimbra,porque foi lá que nasceu a sua actividade literária.
Bonita, essa sensação do reencontro das raizes! Eu só soube o que isso é depois de atingida a minha maturidade.Dei comigo a chorar nos terraços da casa meia assombrada ,onde vivi a minha meninice.
Sobre Coimbra e outras cidades que nos emocionam, teremos tempo de falar,concerteza.
Ah! E o Brasil ? É o paraiso. Já vos visitei e adorei!
Maria Payle
...........
Maria Payle, com todo respeito, discordo! Maria Payle, se você está falando de Clarice Lispector, discordo. Não tem nada de simplicidade. É a escritora (era?) mais complicada de que se tem notícia. Tanto que quando estourou na lista de mais vendidas, disse que ficou preocupada: " Como é que antes ninguém me entendia, e agora estão me entendendo?". Foi o que disse aos seus editores, perplexa diante da vendagem de seus livros. Saludos.
Maria José Limeira.hum..eu sabia que ia gerar polémica.Não se ir a fundo nas questões é o que dá.
Maria, eu não estava falando do ponto de vista de conteudo.Corrijo:
Clarice é aparentemente simples.:-))
Maria Payle
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Maria,
a simplicidade é o âmago de nossas questões, porém expô-la sempre nos fora cruel.
Daria um exemplo se fosse capaz, darei um exemplo não o sendo:
-O poeta fala o que sente, e de sua forma, gera luz.
Outro analisa pelo que sente, e de sua forma, provoca luz.
Gerar e provocar estão na mesma direção, ou não, pois a luz sempre nos é, mistério de onde vém. Bj.
Ricardo Pisoler
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é bem verdade, Ricardo!
Maria PaiyleO OUTONO E A CIDADE
Um texto de Rogério Santos
(Análise crítica)
Maria José Limeira
É muito bonito este texto “O outono e a cidade”, de Rogério Santos. Guarda a delicadeza dos haikais, com sua comunhão com a Natureza, o eu-distanciado, sendo que o narrador-personagem apenas se debruça sobre a paisagem, emprestando-lhe um estado de espírito.
Interessante é que o texto é tão plástico que poderia virar filme curta-metragem, com suas cores cinzas, de céu anuviado, seus ares mofados, e seus frios densos.
O autor contrapõe ao outono que chega o verão que se despediu às pressas dando lugar a uma outra estação.
Apesar de curto, o texto poderia livrar-se, ainda, do excesso de verbos, tornando-se mais conciso e mais denso.
A repetição, no final, sobre a “dose de conhaque” tirou-lhe a dramaticidade que vinha mantendo desde o início. Daí porque eu substituiria a frase “bem propício para um trago de conhaque” por “bem propício a cabeleira e cavanhaque”, para enfatizar a idéia de “passado” que o texto ressalta.
São estas as minhas considerações ao amigo Rogério Santos, como amiga e admiradora de seus textos lindos.
Eu Gostei do texto do Rogério.
Ele conseguiu usar as imagens de forma muito competente ao mesmo tempo nos deixou um pouco de melancolia com a despedida do verão alegre para dar espaço ao outono, parece que esta estação lhe traz lembranças ruins do seu passado. Por isso tudo velho na estação que chega, o cheio de naftalina nos faz sempre lembrar de alguma coisa que já passou.
É bem a cara de São Paulo no seu outono, aquela estação que não é inverno nem verão.
Quando ele fala das meninas de cabelo mal lavado e o coletivo cheio destas mocinhas, ele descreve bem o que acontece com todos aqueles que ali estão em sua melancolia na fria manhã e a solidão tendo estas tão diferentes pessoas cafonas como companhia.
Achei o texto rico de imagens e de significados múltiplos. Cada pessoa que ler vai se identificar com o poema, tanto aquele que enfrenta as dificuldades de locomoção numa grande cidade quanto as beldades cafonas que desfilam na Avenida Paulista.
Acredito que para enfrentar tal melancolia é preciso mais que um trago de Conhaque...rs.
Abraços Quentes na madrugada outonal de São Paulo...
(Hilton Júnior)Maria José Limeira
Um dos maiores benefícios da Internet é a possibilidade de fazer amizades, usufruindo de todas as alegrias que um bom amigo nos dá.
Sou particularmente feliz neste ponto.
Consegui amigos incríveis, na Internet.
Amizades que se solidificam à medida em que o tempo passa.
Uns, zangados e vociferantes.
Outros, meigos, tristes e assustados.
Alguns, deprimidos e problemáticos.
Muitos, alegres e extrovertidos.
Amigos, amigos & amigos, que vão e retornam, na mesma velocidade. Mas, estão sempre presentes.
O que nos une e nos torna tão próximos, apesar da distância física que nos separa, é aquela coisa linda, razão primeira de nossas vidas, que dá sentido ao nosso caos: a Poesia.
Entre Poesia e Livro, não existe distância.
Essas pessoas, que trago bem guardadinhas no meu coração, querem ouvir minha opinião sobre suas produções literárias. Pedem-me prefácios dos primeiros livros que pretendem publicar.
Querem que eu analise seus textos.
Alegram-se quando eu me encosto num poema fazendo parceria.
Agradecem-me elogios, e respeitam minhas opiniões contrárias.
Escrevem textos dedicando-os a mim, transformando minha inquietante pessoa em feliz Musa Inspiradora.
Quando cito livros, digo livros aos montes que me chegam via Internet e por Correio convencional, com humildes pedidos de análise crítica, que eu atendo na hora.
É sofrida a espera para quem queimou as pestanas durante longas madrugadas para dar seu recado ao mundo, e aguarda respostas.
Independente disto, gosto de escrever sobre os textos que me emocionam.
Sou uma leitora exigente e zangada.
Mas, acho que todo texto literário tem algo de bom, que nos sensibiliza e emociona.
O que é bom para mim pode não ser para outros. E vice-versa.
Dentro desse espírito de amizade e companheirismo, exercitado nas listas de discussão e comunidades literárias, já analisei textos dos poetas Edison Veiga Júnior, Ricardo Mainieri, Carlos Eduardo B. Costa (Carlão), José P. di Cavalcanti, José Félix, Jurandir Argôlo, Joaquim Evónio, José Antonio Gonçalves (JAG), Dalva Lynch e Antoniel Campos, entre outros.
Também fiz apresentação dos livros de Arnaldo Sisson, Oswaldo Martins, Fausto Rodrigues Valle, Eric Ponty, Haroldo P. Barboza, Ana Merij, e Everardo Torres, etc., etc.
Em minha caixa de correio convencional, não param de chegar livros, novinhos, com cheiro de tinta, que é o que mais gosto neste mundo, com dedicatórias em manuscrito e os autores me pedindo opinião.
Na minha caixa de mails, chovem textos de teses de Doutorado, antologias, primeiros poemas e crônicas, cujos autores me pedem serviço de revisão e coordenação editorial, nos quais me profissionalizei na vida real.Depois de me libertar de empregadores e empregados detestáveis (abomino uns e outros) posso, finalmente, dedicar-me à arte literária em toda sua plenitude, sem obedecer a exigências de censuras e comissões de inquisição.
Nisto, considero-me privilegiada.
A arte verdadeira não tem limites, nem se curva a regras.
Sou uma pessoa orgulhosa, seletiva nas amizades.
Dou mais valor à qualidade do que à quantidade.
Enganei-me, poucas vezes, com alguns lobos vestidos de cordeiros.
Noutras oportunidades, descobri, tarde demais, que pessoas de fala mansa e palavras bonitas eram, na realidade, os chamados tarados do parque, famosos motoboys, cobras a quem ajudei e, na primeira oportunidade, quiseram me morder, na tentativa de me destruir.
Tenho como norma ser ferida apenas uma vez, não dando oportunidade para me ferirem de novo.
Enterrei essas pessoas bem enterradas, e Deus tome conta delas, e de mim também.
Por isso que dou o maior valor aos amigos verdadeiros, poetas do meu coração, que me mandam livros pelo correio e besos de luna e de chocomilk via Internet.
Sem falar nas inúmeras amizades que fiz na minha cidade e nos lugares por onde andei.
Que venham, pois, mais livros e amigos.
E beijos, muitos mais!
(Do livro “Crônica do amanhecer”).
Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.
EM DEBATE
....................
Maria José Limeira
O santo do meu altar
tinha um sexo-petisco.
Ouvia pássaro cantar.
O seu nome era Francisco.
Filho do latifúndio,
despojou-se dos seus bens.
Fez discursos no gerúndio.
Mudou de roupa e de gens.
Ao invés de ódio infindo,
tomou amor para si.
Do feio fez tudo lindo.
Cantou música em mi.
Chamou o sol de irmão,
e a lua, de doce dama.
O bater do coração
dá as horas de quem ama.
E a comunhão foi tanta,
com a terra e o ser vivente,
que hoje quando se canta
sua oração comovente,
a Natureza em respeito
levanta as mãos para o céu,
e o que não tem mais jeito
muda o amargo em mel.
Soldado, diz a soldado:
baixa as armas, vem cantar.
Todo ser espoliado
um dia vai se juntar.
A bala que atinge cega.
Dor que esmaga vai passar.
Todo sofrimento é brega.
Toda música tem luar.
Enquanto se abrirem flores,
houver pássaro no infinito,
e alguém morrer de amores,
o meu santo vai ser mito.
Pois quem tem sol por amigo
e lua, por ser amado,
não ficará sem abrigo,
se esquentará do meu lado.
Soldado, diz ao comparsa:
transforma em rosa agora
a bala que mata e caça.
Joga indumentária fora.
O que Francisco falou
sobre esquecer e perdoar
já foi Outro quem ensinou.
E é tão fácil voar!...
O poema é lindo. Muitos irão dizer que a linguagem usada é simples e as rimas também, mas o texto tem uma mensagem aparente e um ritmo fascinante exatamente por causa do uso das rimas feita de forma ordenada. O texto foi feito não para rimar certinho mas para parecer uma prece, um ensinamento, e sua musicalidade facilita o entendimento.O texto é simples, por isso gostoso de ler, não cansa o leitor por ser um poema longo, ele anima o leitor a continuar sua leitura. Um texto bem trabalhado e bem cantado.
Abraços
Hilton Junior
..........
Então, doces companheiros & companheiras? Ninguém vai analisar meu texto lindo? Caso ninguém se habilite, eu mesma o analisarei. Posso começar? (Vocês não vão gostar do que eu vou dizer do meu próprio texto. Pois vou elogiá-lo a mais não poder. Ouviram?). Saludos.
Maria José Limeira.FOLHETINS DE SOL & LUA
Um texto de Maria José Limeira
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Então, senhora dona Maria Limeira? Ninguém mais se habilita a analisar seu “texto lindo”? E por isto recorre à minha ajuda? Ah-ah!
Quem diria, hein? Que um dia a senhora fosse cair nas armadilhas que armou para os outros?
Quem mandou a senhora abrir uma “linda Lista” chamada “Oficina Literária”, para alguéns usá-la somente por vaidade, sem se preocupar com o que se passa ao redor, divulgando os próprios textos deles, e sem ler os poemas dos demais?
A senhora pediu solidariedade, e recebeu solidão? Por quê? De besta!
A senhora, dona orgulhosa, crente que abafa, que estava pensando em dividir opiniões de alto nível com seus pares, quando fundou sua lista, vê o seu fórum agora transformado em trocas de abobrinhas, conversas de comadres, de sábado choveu, domingo fez sol, virou mexeu, e tapioca não é beiju...
Gostei, comadre, do seu texto. Só acho que, ao invés de escolher São Francisco de Assis como tema, deveria ter escolhido São Sebastião, crivado de flechas, ou Nossa Senhora das Dores, aquela que encontra o filho na encruzilhada, carregando pesada cruz, e, com um lenço branco na mão, enxuga o suor do rosto dele, para ajudá-lo na caminhada, na procissão do Senhor dos Passos. Ficaria bem melhor na senhora essas imagens.
Saludos!
Ah-Ah Dona Maria Limeira, isso não é justo. Fiz os meus comentários ao seu lindo texto e ninguém viu???? Agora faço suas palavras dramáticas as minhas. Abraços tristes....
Hilton Junior
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Maria,
Que texto lindo o teu.
Eu destaco duas frentes:
1 - A importância da religião na cultura popular brasileira.
Eu não sou religioso, mas sou tolerante com o tema.
Principalmente por estar presente com força no folclore do nosso povo.
Isso é muito bonito, lembra as folias de reis, congadas e outras festas populares.
É a arte que vem de baixo para cima, misturada na crença, desprezando os acadêmicos e suas mumunhas.
2 - Seu texto é um côco de embolada. Li ouvindo os pandeiros. É Jackson do Pandeiro, Patativa do Assaré - é Rap(sódia)
Um super beijo
(Rogerio Santos)
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Prezados amigos Hilton & Rogério Santos. Vocês entenderam bem o sentido da coisa. O poema é cordel, é por isto que se ouvem os batuques e se invoca a música de Jackson do Pandeiro. Obrigada pela vossa colaboração. Saludos!
Maria José Limeira.Crítica análise à uma análise crítica
Eis um dos melhores (senão o melhor) dos textos que já li nesta oficina, exatamente um texto que não pretendia (pelo que pude deduzir) ser posto para análise. Mas a minha lúcida, inteligente e corajosa amiga Maria superou-se, ao enfrentar em letras o fato de que sua empreita estava sendo transformada em mera vitrine por "alguéns", por apontar a circunstância que se muitos estão sendo tratados como fantasmas, pessoas invisíveis, deturpando, assim, o espírito e os objetivos desta linda oficina (lindos como o espírito e os objetivos daquela que a criou). Brilharam na minha mente as suas palavras, prezada amiga, porque sabe o quanto prezo a sinceridade, as expressões da verdade, as explosões de sentimento - que eu mesmo tento, às vezes, como você bem sabe, da mesma forma, expor em versos - ainda que resultem nos mais óbvios lugares-comuns. Por esse motivo, não poderia de lançar essa desavisada opinião, mais uma vez em demonstração do meu apreço por sua pessoa. E para mais não dizer, porque nem caberia, permito-me reproduzir um texto recebido de um outro prezado amigo meu para sua consideração e dos demais integrantes da lista. Saudações acadêmicas.
José Nunes:“Oi José Carlos, Eis o que entendo sobre sua "provocação".
Como não podemos evitar o problema do homem e do seu destino, precisamos viver melhor, precisamos que nosso viver tenha sentido. Estou convicto que o sentido tem que ser fruto da experiência. Se suportamos corajosamente nossas "questões sem respostas", dinamismo extraordinário entra em ação e contribui para a superação dos conflitos.
Não podemos correr o risco de nos identificarmos "apenas" com nosso papel social e profissional; não podemos nos contentar com a coisa do bom economista, bom advogado, médico etc. Segundo Hoderlin, " onde está o perigo, está, também, a salvação". Precisamos da sabedoria que nos auxilie a nos mantermos atentos aos fatos para, a cada instante, corrigirmos posicionamentos, a fim de permanecermos no grande fluxo da existência, afinal não podemos querer que as coisas aconteçam de acordo com nossas idéias.
Quando jovens, na primeira metade do viver, as "questões" passavam por: o que os meus pais esperam de mim? O que o mundo quer de mim? Como posso sobreviver do melhor modo possível? Entre tantas outras, evidentemente, pressionados pelo ambiente externo ( família, cultura, sociedade etc. ) As "questões" em torno das quais organizamos nosso viver nos engrandeceram ou nos diminuíram.
A construção do sucesso nos levou para mais longe de nós mesmos e de qualquer sentido em nossa jornada. A psique somatiza nossa violação em nossos corpos, angústias, comportamentos estridentes à nossa idade etc. Não podemos esquecer que temos uma jornada interior.
Na segunda metade do viver, a "questão" mudou completamente. Agora devemos nos perguntar: " o que a psique pede de mim?”Essa questão nos leva a mudarmos do plano biológico e social para o plano psicológico e espiritual. Claro que é compreensível que na primeira metade do viver esteja em primeiro plano o desenvolvimento do ego e a participação social. Entretanto na segunda metade do viver, "não somente nós temos questões para a vida, mas a vida também tem questões para nós". O ser psicológico se pergunta: o que está acontecendo comigo? Quais as causas? De onde em minha história, em meu caminhar, isso vem? Nossa identidade de ego é adquirida com grande dificuldade, sob tendências regressivas, desejo por felicidade e descanço, caprichos e vicissitudes de um ambiente externo cruel e devorador. Trabalhando para que na segunda metade do viver ele se torne mais interessante, podemos observar que no processo de desenvolvimento não somos simplesmente os protagonistas, mas, freqüentemente, somos, também, as mais surpresas testemunhas. Não importa o tamanho do papel, cada um de nós é portador de parte do grande padrão de desenvolvimento. Nossa história está envolvida na história do mundo e a história do mundo está envolvida em nossa história particular. O desafio é a inclusão e a aceitação das questões, algumas conscientes, outras inconscientes. Quanto mais lidarmos conscientemente com as questões, mais experienciaremos nosso viver de modo significativo. Devemos examinar cuidadosamente as questões no cotidiano para não vivermos de forma inconsciente, com as mesmas pressões dos padrões da primeira metade do viver.
O primeiro passo rumo a viver significativo é admitir que não temos o viver que pretendíamos ( mesmo com todo sucesso alcançado ), visto que outras forças trabalharam e trabalham dentro de nós, fazendo escolhas, determinando padrões, a serviço dos nossos medos ou ilusões.
Temos que ser conscientes de que algo maior tinha destino próprio em nós, porém quando o ambiente externo se impôs, quando fizemos escolhas atendendo as pressões, esse algo maior foi ferido e por ainda se encontrar ferido se expressa no corpo, na afetividade, nos sonhos, nos comportamentos inadequados à nossa idade etc. Jung escreveu: sabemos que não fazemos nossa história; nossa história nos faz ou ainda não sou eu que crio a mim mesmo, mas eu aconteço a mim mesmo.
Não tenho respostas às suas questões, porém gosto muito do que o poeta Rilke escreveu em Letters to a Young Poet: . . . seja paciente em relação a todas as coisas não resolvidas em seu coração e tente amar as próprias questões como se fossem livros escritos em idioma desconhecido. Não se esforce buscando respostas, elas não lhe serão dadas, visto que você não será capaz de vivê-las. Temos que viver as questões. Vivendo todas, talvez, você, aos poucos, mesmo sem perceber, comece a caminhar na direção de um dia distante,
onde encontrará as respostas".
Caminhemos, portanto, vivendo todas as nossas questões com confiança e coragem.
Abraços,
Arnaldo”Prezado amigo José Nunes. Quando convidei você para esta Linda Oficina Literária, e também nas minhas comunidades do orkut e gazzag (estas cada vez mais difíceis de navegar) foi porque nossa convivência vinha já de outras praias, onde fazemos parcerias e brincamos de poetar na maior algazarra, dentro do espírito da Poesia. Sei que você pode nos dar grandes contribuições, e enriquecer cada vez mais este espaço. Obrigada pela sua
colaboração, e não se espante com nosso excesso de liberdade aqui. Foi nosso amigo Hilton Júnior quem disse: "O silêncio em relação aos textos postados, realmente, é muito mais doloroso do que uma crítica sincera". Saludos!
Maria José Limeira.Maria, dos textos em pauta, somente o seu recebi, tendo em vista que recentemente ingressei no grupo. Talvez porque fosse para ser assim - começar criticando essa sua obra, com a qual me identifiquei até por uns outros folhetins que fizemos juntos e andam perdidos por aí.Então, aí vai:
E se a nossa anfitriã tivesse um livro de receitas tipo "As 1000 receitas (de poesia) da Vovó Maria" a especialidade da casa seria, vejamos: folhetins! Essa mulher gosta de colocar a mão na massa para criar folhetins dos mais diversos sabores: apimentados (já foram muitos, não é?), humorados (bem e mal), achincalhadores e, vejam, uma nova criação: doces! (quem diria...). Abraçando o tema da vida franciscana, fala da simplicidade de viver e amar, de como o bem pode gerar o bem e, mais de tudo, confessa a sua fé. O texto só não corre perigo de ser usado na liturgia dominical porque a Maria (que não tem jeito mesmo...) tratou de tascar um "sexo-petisco" no coitado do Francisco, além de prometer que o santo "esquentará" do seu lado. É isso. Receita aprovada. Doce, na medida certa.E a cada mordida, uma cócega. Resta esperar pelas sempre novas criações culinárias, digo, literárias de Maria.
(José Nunes)Se na sua terra "Vovó Maria" é elogio, aqui na minha terra, ao contrário, é insulto! Ah-ah! Mas, gostei da sua análise. Inclusive você captou bem o que é a minha pessoa, e o que são meus textos como um todo. Obrigada, amigo. Saludos.
Maria José Limeira.
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Maria, não chamei vc de vovó, ó xente (se bem que tenho uma amiga que, com 37 anos, é avó - foi mãe aos 15 e a filha mãe aos 20). Vc tem mais de 37 anos. não é? Só usei o fato de haver inúmeros livros de "Receitas da vovó", para dar leveza à crítica.E, falando dela...vc gostou? Ih, é sinal que tenho que melhorar...pensando bem...chamei vc de vovó, sim! E
aí, nona, quer brigar? Esculhambações acadêmicas pra vc.
(José Nunes)
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Gostei muito da sua crítica linda, e pode participar de nossos trabalhos sem medo de errar. Um abraço, e mande mais! Saludos.
(Maria José Limeira).FOLHETINS DE SOL & LUA
Texto de Maria José Limeira
Análise: Ademar Ribeiro
Neste poema despretensioso e, por isso, talvez, um tanto descuidado, Maria José Limeira deve ter-se motivado na estátua nua de um São Francisco de Assis, que não me constava existisse, cujo "pinto" lhe saltou instantaneamente aos olhos, a uma primeira mirada antropofágica, pois que iniciou o texto com a gulosa imagem de "sexo-petisco"...
Logo, porém, as coisas mudaram, e a Santa Madre Igreja muito tem que agradecer pelo poema ter-se compenetrado, conforme ao que se propunha, e sem outros sacrilégios do gênero, nos amores platônicos do santo com a irmã Lua, e o irmão Sol, e a cotovia...
Este é um tema dos mais batidos na subliteratura universal, sobre o qual já se fizeram vários filmes medíocres, portanto muito difícil de ser tratado sem que se recaia numa tremenda xaropada.
Na minha opinião, o poema começou mal, reerguendo-se a meio caminho e degringolando de vez na última estrofe. Alguns versos bem ritmados, outros atropelados pela métrica irregular. Alguns pontos ( ah, os pontos! ) que eu trocaria por vírgulas...
Um texto sofrivelmente conduzido pela maestria da autora, que já escreveu, inclusive, poemas invejáveis, mas que não me causou lá esses grandes deleites enquanto leitor, não mais que outros já escritos sobre o mesmo sujeito.
Ah-ah!!
"Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão" .
Esta resposta xaroposa, baseada no cancioneiro popular, é a única que me ocorre no momento para responder a esta estranha análise literária, a um amigo que diz uma coisa e escreve outra. Talvez a autora (eu) devesse ter escrito mesmo sobre São Sebastião, sob a tortura de flechinhas, e com o sexo coberto apenas por um minúsculo trapo colorido, para combinar com as várias tonalidades da cor do seu sangue. De qualquer maneira, doce Ademar, eu prefiro você assim mesmo, sem regeneração, do que convertido a uma fé que inspira este tão fraco texto (como você diz) de minha pobre autoria. Saludos e gracias.
Maria José Limeira.
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Hêhêhê.. sem comentário!
Ademar
UM TEXTO INTERESSANTE
EM DEBATE:
“QUÍMICA DO POEMA”,
DE ADEMAR RIBEIRO
....................
QUÍMICA DO POEMA
Ademar Ribeiro
Quando matares,
não mates por dia,
não mates por mês,
nem mates por ano.
Não mates com tora,
em tocaia, na esquina,
não mates com vírus,
não mates com bala
nem arma de cano.
Não mates só um,
nem apenas dois,
nem somente três,
nem setenta e cinco,
nem cinco mil e poucos.
Mas, ao matares, agora,
e quando matares ainda,
mata, sem pena, de vez, e por cima,
na química do poema, na cabala da rima,
oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e oito.