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- Postado por: Oficina às 22h13
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UMA DISCUSSÃO ACIRRADA

SOBRE TEXTOS DE

ROGÉRIO VIANA:

“IPÊ ROXO E HAIKAIS”

....................

 

IPÊ ROXO E HAIKAIS

Rogério Viana

 

manto amarelo

a florida vestimenta

no fim do inverno

 

ipê florido

depois do longo frio

novo verde virá

 

flores amarelas

definem o fim do frio

-sol aquecendo



- Postado por: Oficina às 01h23
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Ipê roxo - Cont.

Rogério,

este seu poema, em forma de haikai, como é o que vc mais gosta, me agradou muito.

Desta vez consegui sentir um clima poético escondido na secura das palavras que compõe o verso em haikai.a primeira estrofe, por exemplo, só vem à tona na real pela segunda, quando se conecta aos ipês. No entanto, ela estaria perfeita sem se conectar aos ipês, simplesmente pelo manto amarelo. Ou seja, este poema poderia ser escrito somente entre a primeira e terceira estrofe, saltando a segunda, que veio somente lhe acrescentar.

Agradei, abraço, Ricardo.

...........

 

Prezado Ricardo. Um alerta. Estes textos são haicais (ou mais que tercetos!). Vamos supor que sejam haicais "desmetrificados", como diz o autor. Não podem ser analisados como um todo, em "estrofes", como diz você. Têm que ser lidos separadamente. Caso lidos como um todo, não podem ser haicais. Essa briga vem de longe.

Mas, você tem razão. O texto é bonito, tanto lido um por um poema, como num todo. Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 01h17
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Ipê roxo - Cont.

?Limeira, por que haicais são mais que tercetos?

quem é mais que quem, ou o que é mais que o que?

Eu li como poema, e, pelos parâmetros que tenho, como os haicais de Leminski, que são os que conheço, acho que eles são poemas tanto quantos os outros.

por exemplo:

 

" a palmeira estremece

palmas para ela

que ela merece".

 

vê que num terceto todas as linhas estão amarradas?

ou:

 

"por um fio

o fio foi-se

o fio da foice"

 

Todos os haikais deste mestre são de linhas interconectadas.

 

Neste caso do Rogério, ele interconectou as estrofes.

Sds. Ricardo Pisoler.

- Postado por: Oficina às 01h14
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Ipê roxo - Cont.

Texto: IPÊ ROXO E HAIKAIS

 Autor: Rogério Viana

 Comentário: Ademar Ribeiro

 

 Não sei o que poemas como este podem nos dizer além do que outros poetas e a própria  Natureza já não nos tenham dito, muito mais e melhor, em cores, ritmos e perfumes,  no seu esplendor calado. Ou que a minha sensibilidade embotada já não possa mais absorver.

 Os versos, mesmo quando brancos, não subsistem sem métrica, nem o poema sem  ritmo, quer seja ele um simples terceto, um haicai ou uma epopéia.

 Como também não um pé de ipê roxo com flores amarelas.

 A não ser que se trate de um daqueles enxertados

- Postado por: Oficina às 01h12
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Ipê roxo - Cont.

Colegas,

 Agradeço os comentários. Infelizmente tenho que dizer que nunca escrevi sobre ipê amarelo colocando como título ipê roxo por razões simples. Uma delas, principal é que haicai não tem título, ao contrário de outras formas de poesia. Eu tenho, sim, algumas vezes, para situar de onde veio a motivação para o haicai, para dar o clima dos haicais apresentados, é dar um tema e, sobre eles, escrevo vários, sempre tendo o cuidado de separá-los por números. Não vou mais comentar sobre se é haicai, haikai ou se é poesia, ou não poesia. Aprendi nas outras listas específicas sobre haicai, contudo, que esta forma de poesia (sim, é poesia) não é poesia que aceite rima. Há muitos detalhes nas várias regras. Exige-se,  dentre outras coisas, que o haicai tenha um kigo (que dá um tema

implícito ou explícito ao haicai sobre as estações, sendo calor tema do verão, flor, tema da primavera, folhas caídas, tema do outono, frio, lógico, tema do inverno).

 Assim, vou repetir o material enviado originalmente para que tenham uma idéia do que fiz. Os haicais apresentados foram por uma seleção da Maria Limeira e, acredito, que por lapso, tenha incluído o título IPÊ  ROXO E HAICAIS e meu nome embaixo, quando eu falava, especificamente, de um MARAVILHOSO IPÊ AMARELO que eu havia fotografado em Curitiba, em Setembro do ano passado, bem ao lado da Rodoviária da cidade e que é uma explosão amarela de vida. Aliás, O IPÊ AMARELO é a árvore símbolo do Brasil e um dos principais Grêmios de Haicais do país ganhou este nome.

 Postei no Recanto das Letras, em maio, no dia 16. Neste site há necessidade de se colocar um título e, como disse, para ajudar o entendimento, coloco o tipo de poesia (HAICAI) e o tema abordado (sobre um ipê  amarelo). Para confirmarem, visitem:  

 http://www.recantodasletras.com.br/poesias/17243

 

 Haicais - Sobre um ipê amarelo

 

I

 manto amarelo

 a florida vestimenta

 no fim do inverno

 

 II

 ipê florido

 depois do longo frio

 novo verde virá

 

III

flores amarelas

definem o fim do frio

 - sol aquecendo

 

 Rogério Viana

Publicado em: 16/05/05 o

 

Agradeço, novamente, a atenção.

 Rogério Viana

- Postado por: Oficina às 01h09
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Ipê roxo - Cont.

Prezado Rogério Viana. Divulguei seus haikais assim como os recebi, com título no subject da mensagem, em PVT, com pedido de análise. Inclusive em outra mensagem, você incluiu a foto do Ipê. Eu entendi que o Ipê roxo fazia parte do tema, porque, sem modéstia nenhuma, eu  sei o que é um haikai. Infelizmente, o título-tema deu origem a esses mal-entendidos, e talvez tenha prejudicado no resultado dos comentários. Mas,Viana, você, que é um "gaijin" (é assim que se escreve?), sabe que os tercetos não têm unanimidade, nem em quem os escreve, e muito menos nos que os lêem. Aqui nesta linda lista, os tercetos já fizeram seus estragos, certa vez, com discussões acirradas e brigas com maus resultados. Espero que tudo se acalme, e saiba que gostei muito dos seus haikais lindos, sejam roxos, amarelos ou vermelhos. E ainda estou devendo aos companheiros e companheiras as análises dos textos em discussão, que  não fiz. Um abraço afetuoso, e continuemos nossos trabalhos. Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 01h06
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Ipê roxo - Cont.

Tudo bem, Rogério. Não se trata de deslindar aqui qual a cor do seu  pau-d´arco, se amarelo ou roxo, nem se a sua poesia ou a poesia japonesa são, ou não, Poesia.

O que quis dizer é que verso é verso, e poema é poema, aqui ou na "china".

Os paus-d´arco devem saber mais disso do que muitos poetas, metrificando-se dos troncos aos galhos, dos galhos às ramas e dos botões às flores. 

(Ademar)

..........

 

o primeiro haikai é, para mim, perfeito - contém ritmo, clareza, uma pincelada dada com muita competência!

o segundo, penso, ficaria melhor com um retoque, é apenas uma sugestão:

 

" ipê florido

 depois do longo frio

 virá novo verde"

 

do terceiro não gostei, parece-me faltar lapidação!

Líria

- Postado por: Oficina às 01h03
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Ipê roxo - Cont.

IPÊ ROXO E HAIKAIS

Uns textos de Rogério Viana

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Bem, vamos dar ao tema o título de “Ipês floridos”, como o autor quer, e seria o certo, uma vez que, por culpa minha (e peço mil perdões), houve desvirtuamento nas análises dos ipês de Rogério Viana, por conta desse mínimo detalhe.

Estou contando, para justificar meu lapso imperdoável, com o acidente que sofri, entre um ipê que recebi e o outro que li, já que o fato lamentável que me aconteceu ocasionou um trauma que deixou minha mente em branco e/ou bloqueada por alguns dias.

Após estas explicações que, em princípio, não teriam nada a ver com análise crítica, mas que servem pelo menos de consolo para mim e o pobre autor, vamos ao que interessa.

Estes haikais de Viana são, realmente, muito bonitos e interessantes e, embora alinhados sob um título-tema, não podem ser lidos como um todo, pois cada um tem vida própria, e estão bem dentro do espírito desse gênero literário. Infelizmente, os livros didáticos ainda não se debruçaram sobre os haikais como deveriam, a fim de evitar que os tercetos sejam confundidos com os haikais e vice versa, pelos poetas desavisados.

Os haikais têm regras próprias e não podem ser escritos como se fossem sonetos, rapsódias e epopéias, como tenho visto por aí.

O que ocorre, afinal, com os haikais, no meu pobre entendimento, é que eles estão esgotados como Literatura, ainda que certos grupos de poetas inescrupulosos, que fazem cópias baratas dos haikais, tentem reeguer, à custa de mágicas mirabolantes, uma linguagem poética ultrapassada, dando-lhe outro nome xaroposo e ridículo, apresentando-se como “ vanguardistas”. (Argh!).

Millôr Fernandes que é poeta e humorista, usou os haikais para expressar sua arte de humor (onde é mestre), “abrasileirando” o gênero poético, e puxando a brasa para sua sardinha. Mas, terminou também se repetindo.

A palavra é justamente esta: “repetição”.

De tanto se repetir, o haikai acaba cansando a beleza dos leitores. De tal modo que o que se pode observar é que, tirando os nomes dos autores de cada texto, tem-se a impressão de que todos os haikais são escritos pela mesma pessoa, ainda que os autores sejam diferentes.

Que diferença haveria, então, entre os ipês roxos, amarelos, vermelhos, cor-de-laranja ou rosa-choque, etc. nos haikais de Viana, se tanto faz como tanto fez?

Se os haikais (ou que outro nome lhes dêem) estão na moda, que obrigação teria alguém de gostar deles? Mas, também, por que não gostar? Isto está no coração dos pobres leitores, como direito inalienável de cidadão. Não somos obrigados a gostar das drogas chamadas Zezés de Camargo e Lucianos, Paulos Coelhos e outros bichos mais estranhos, embora a maioria goste (e muito)... Ora, ora, ora!

Esta é minha humilde opinião.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 01h00
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Ipê roxo - Cont.

Vou aproveitar a analise da Maria para continuar falando sobre as  "repetições" no haikai. Quando ouvi falar deste tipo de arte fiquei bastante  curioso e procurei me aprofundar no assunto, mas ao longo das minhas  leituras percebi que pouco de novo eu encontrava e acabei decepcionado com os poemas. Não sei se a adaptação deste arte milenar para a nossa cultura desgastou o haikai, ou se foi a falta de criatividade ou até a presença de tantas regras deixaram os autores sem liberdade para criar. A cultura japonesa é maravilhosa e muito difícil de ser dominada e acredito que certas coisas sejam difíceis de se importar e ter valor cultural  forte numa cultura com tantas facetas como a nossa.

Os poemetos do Amigo Rogerio são muito bonitos, mas os três falam da mesma coisa, se ambientam na mesma coisa e não suscitou nenhum sentimento ou reflexão nova. Tem imagens ricas, mas tão somente. Se eu for para o campo e me sentar numa varanda estarei praticando o haikai ao vivo, pois é exatamente isso que ele nos faz pensar.

Se a minha idéia sobre o tema for irreal, gostaria que alguém me explicasse o espírito do haikai e me apresentasse variantes e textos mais  criativos, que fujam das repetições sobre a natureza, as cores e a estação do ano.Porque se haikai for só isso continuarei decepcionado.

Abraços

(Hilton Júnior)

- Postado por: Oficina às 00h58
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Ipê roxo - Cont.

Hilton. O espírito do Haikai é o sentimento diante da Natureza, sem intervenção do Eu, com economia de verbos e adjetivos. Tudo muito rápido, leve, mas com muita profundidade, o que é difícil encontrar na maioria dos poetas que transitam pela internet. Na forma, tem três versos, dentro da métrica estabelecida.

Eu estou abismada com a mediocridade e a ignorância reinantes na internet com relação aos haikais, e pasma com a proliferação de Poesia de péssima qualidade com o nome de haikai. Vi, no orkut, pessoas irresponsáveis que instalaram comunidade de Haikai, onde ensinam aos parceiros como escrever coisas horríveis e rotularem-nas como haikais, assassinando o Português, o Japonês e o próprio haikai, coitado, que não tem como se defender.

 

Vejam este poema, como é lindo, tem o espírito do haikai dentro dele, mas não é haikai: 

 

DESPEDIDA

Eugénio de Andrade

 

Junho chegara ao fim, a magoada

luz dos jacarandás, que me pousava

nos ombros, era agora o que tinha

para repartir contigo,

e um coração desmantelado

que só aos gatos servirá de abrigo.

 

Neste texto, junho, luz de jacarandá e coração desmantelado, e mais os gatos, se confundem com o eu-lírico como se fossem uma coisa só, tanto é que o autor conseguiu esconder o eu (tinha) e a gente nem sente que o poema está na primeira pessoa. (Eu chorei ontem, quando li este poema, e coloquei-no no meu blog)...  Poesia, Senhoras & Senhores, não é tapioca, que virou mexeu fica pronta. Saludos. Maria José Limeira.

http://marialimeira.zip.net

- Postado por: Oficina às 00h55
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Ipê roxo - Cont.

Repassando, no meu mísero entender, o que a Maria José tentou explicitar, na sua análise ( muito fraquiiinha... ), sobre o pau-d´arco roxo do Rogério, haicais e Poesia, concluímos, afinal, surpreendentemente, que poesia só é poesia quando é, de fato, Poesia...

Contar sílabas, ou versinhos, a rigor, para empurrá-los dentro de uma métrica pré-estabelecida, seja ela de um haicai, soneto, cordel ou do Diabo-que-a-carregue, não é bom caminho para a Poesia.

Eu, pelo menos, nas minhas somas misteriosas, só conto a grosso modo, em grande número e em larga escala - para matar- , acertando no alvo,  quando acerto, com os cálculos da alma.  

Aliás, o próprio conceito de "contar" deve ser bem outro lá no Japão, onde não só a escrita é diferente da nossa, mas também, até mesmo ( dizem ) certos orifícios do corpo têm outros formatos.. cala-te, boca!

Ou vocês nunca ouviram falar disso por aí?

E se o negócio é ter que gostar dos paus-d´arco do Viana, quer sejam roxos ou amarelos...

- Não gostei. E pronto.

E, ainda, como já dizia o Pisoler: "-Quem quer brigar?"

(Ademar)

...........

 

Ademar, Ademar...

Obrigado pelos comentários...

Não quero rimar nada com o nome Ademar...

mas bem que pensei num verbo muito engraçado...

Abraços

Rogério Viana

..........

 

...eheh...fico a imaginar que verbo será esse..

Desculpe-me as brincadeiras, Rogério...

(Ademar)



- Postado por: Oficina às 00h52
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Ipê roxo - Cont.

Rogério,

Tenho muita dificuldade em tecer comentários em Haikais.

Acho os Haikais bastante frios, e talvez essa seja justamente sua natureza.

No entanto, as imagens da vida cotidiana traduzidas nas estações, trazem imagens singelas e belas.

Não acho os seus Haikais envolventes, mas sem dúvida, muito fotogênicos.

Li e fiquei imaginando uma cena.

O poeta e a contemplação.

Abraços fraternos

Rogerio Santos



- Postado por: Oficina às 00h49
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Ipê roxo - Cont.

Atrevo- me a opinar sobre o tema haicai.

Entendo como uma forma de poesia difícil, principalmente para nós ocidentais. Sua característica contemplativa -quase uma clausura, exige um afastamento  dos fatos pelo autor, raro de ser alcançado.

O que me leva a concordar com todas as falas de Maria Limeira. Apelidam tercetos ( e outros etcs ) de haicai, também outra forma- síntese dificílima, sempre com amparo da licença poética.

Enfim, apenas um breve olhar, que nem sou competente para opinar.

Bom dia para todos.

Amina Ruthar

 

PS. As explicações abaixo, creio de Rosa Clemente.

- Postado por: Oficina às 00h46
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Ipê roxo - Cont.

Haicai: O que é?

  O haiku, traduzido para o português como haicai, é a forma de poesia mais tradicional da cultura japonesa. Autores ocidentais tendem a definir o haicai como um poema de 17 sílabas dispostas em três linhas de 5, 7 e 5 sílabas métricas. O haicai deve oferecer um momento de reflexão, de forma que cause no leitor, uma sensação de descoberta. Esse momento está para o haicai, assim como o satori está para o zen e o nirvana está para o budismo. O haicai também deve conter um kigo, palavra que se refere a uma das estações do ano, que indica quando foi escrito. O tema do haicai é principalmente observações de cenas que acontecem na natureza. À medida que o haicai ganhava a simpatia dos ocidentais, algumas de suas características foram sendo deixadas de lado, enquanto que outras foram sendo incorporadas à sua forma. Isto fez com que o haicai fosse moldado ao gosto de seu praticante, conforme as influências literárias de sua cultura.

  Há muito mais para dizer sobre o haicai. Por que praticamos o haicai?

Será que o número de sílabas realmente importa, ou as letras maiúsculas usadas no início de seus versos garantem maior fidelidade à forma? Qual  a importância da pontuação em um haicai? Qual a relação entre haicai e zen? Por que é preferível não usar a ersonificação em um haicai?

Quanto que podemos confiar nas traduções feitas sobre haicais? Tentaremos responder a essas questões nos textos seguintes, com base na literatura disponível.

- Postado por: Oficina às 00h44
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Ipê roxo - Cont.

 Haicai: Origem

    O termo haicai é brasileiro. No dicionário Aurélio, além de haicai, constam os termos haicu, haikai e haiku e todos nos remetem ao haicai.

Mas quem traduziu haiku como haicai e com base em que? Pode ser que a resposta a essa pergunta esteja em algum texto escondido, mas por enquanto tem permanecido sem explicação, pelo menos para mim. O interessante é que as demais formas, tais como a renga, a tanka, o senryu e o haibun, foram incorporados ao vocabulário do escritor de haicai por  empréstimo direto de seu nome original. Suponho que foi o termo haikai que deu o nome ao nosso haicai, já que a pronúncia é a mesma, mudando apenas o k para o c, pois o k não pertence oficialmente ao alfabeto português. Mas por que não se chamou de haicu, como consta no dicionário Aurélio? Há ainda uma controvérsia sobre a pronúncia de haicai com o h mudo, mas após 15 anos de convivência com escritores brasileiros, a pronúncia do h como r é a única que tenho escutado. E já que haicai significa haiku...

- Postado por: Oficina às 00h39
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Ipê roxo - Cont.

Assim como a história da literatura brasileira, a história da  literatura japonesa está dividida em vários períodos. No período inicial, Nara, que durou aproximadamente de 710 a 794 depois de Cristo (d.C.), os poetas japoneses, influenciados pela poesia chinesa, praticavam o uta, que significa canção, levemente adaptada do quarteto chinês para um poema de cinco partes, em japonês. O uta passou a ser chamado de waka, e finalmente, tanka (poesia curta e elegante), um poema composto por duas estrofes, sendo a primeira de 5-7-5 sílabas e a segunda de 7-7 sílabas, escrito por uma pessoa e praticada nos seis séculos seguintes. Quando a tanka passou a ser escrita por duas pessoas, ou seja, uma escrevia a primeira estrofe e outra a segunda, recebia o nome tan renga. Sobre a

influência da tan renga, os poetas passaram a adicionar novas estrofes, criando assim um poema mais longo, que passou a ser chamado simplesmente de renga. É nesse período que surge o grande mestre Matsuo Basho (1644-1694), que na verdade não foi um mestre do haicai, mas sim, um mestre da renga.

- Postado por: Oficina às 00h35
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Ipê roxo - Cont.

A renga, que tinha um caráter humorístico, era a forma poética preferida por Basho, que a praticava com seus discípulos durante suas viagens. Basho chamou de hokku a estrofe de três linhas que iniciava a renga  e de haikai as demais estrofes. Foi Basho que transformou o hokku, dando-lhe as características da natureza, de seriedade e eliminando o  kireji, como um elemento mandatório (ver seção sobre Pontuação). O hokku  passou a ter maior profundidade e a enfocar também o momento do haicai, ou  seja, aquela sensação ou emoção de que falamos tanto e que um bom haicai deve possuir.

    No final do século XIX, Basho já era considerado um mito, mas quem  despontava na época era o quarto mestre mais importante do haicai, Masaoka Shiki, que, segundo Reichhold (2002), achava essa adulação à Basho repugnante. O hokku então, ganhou nova roupagem, quando Shiki passou a chamar o hokku de haiku, combinando hai de haikai e ku de hokku. Depois  de algum tempo, o termo haiku se popularizou e se tornou uma forma independente da renga. Veremos em maior detalhe sobre tanka e renga, e os quatro mais importantes mestres do haiku, em outras seções desse trabalho.



- Postado por: Oficina às 00h31
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Ipê roxo - Cont.

Haicai: Pontuação

      Escritores japoneses não usam sinais de pontuação no haicai como os ocidentais, mas empregam o kireji, traduzido como "palavras que cortam". Como informa Reichhold (2002):

        Palavras como ka ou kana seriam equivalentes ao nosso travessão ou à nossa vírgula. Algumas desses kireji, sendo verbos ou adjetivos, são também usados para dar ênfase ou transmitir uma mensagem de emoção. O uso dessas palavras no haicai japonês ocupa uma ou duas unidades de sons, reduzindo o número de unidades em 6 a 12%.

      Conforme a informação acima, o uso de pontuação em um haicai é outra dificuldade que tentamos resolver para atender às nossas necessidades linguísticas. De acordo com Reichhold (2002), considerando-se que o haicai não é uma sentença, o uso de pontuação parece forçá-lo a ser o que não é. Em nossa convivência com o haicai, frequentemente encontramos aqueles que usam um excesso de pontuação ou nenhuma. Há os que usam

dois pontos, ponto e vírgula ou travessão no final de um fragmento, ou ainda um ponto para fechar o poema. Qual seria o correto?

      Alguns escritores usam esses recursos para dar a pausa necessária entre os fragmentos de sentenças. No entanto, o uso de um ponto não é necessário, porque o haicai não é uma sentença e, portanto, não deveria ser fechado desta forma. Reichhold (2002) afirma que todo haicai que possui um recurso de pausa, como os acima mencionados, pode ser reescrito de forma que a pausa seja naturalmente identificada. Para a autora, um haicai que usa pontuação é um haicai que falhou em preencher sua forma mais básica.

- Postado por: Oficina às 00h25
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Ipê roxo - Cont.

Amina, Maria e Amigos

Amina o material que nos enviou foi muito importante para tirarmos  algumas dúvidas e conhecer um pouco mais sobre o haikai.

Concordo que na internet há uma grande quantidade de asneiras  intituladas de poesias e principalmente haikai, deve ser por isso que ainda não  consegui me apaixonar por tal expressão de arte.

Há sempre a dúvida: "É ou não é haikai?", aliás todas as discussões  acerca de tal assunto começam por aí, até mesmo nos meios dos poetas que  praticam tal arte.

Eu acredito que o haikai é feito para ser algo de profunda reflexão e rico em imagens, suadosismos e nostalgias, acredito que ao lermos o poema devemos suscitar em nós mesmos sentimentos guardados no fundo do nosso baú, foi assim que o haikai me foi apresentado. Mas não encontrei um sequer, além de Leminsk, que me deixassem boquiaberto com o poder de mexer com os meus sentimentos. Aliás é exatamente isso que eu procuro nas poesias. Os Haikais são muito belos, este em questão tem a sua beleza, suscita imagens nos nossos corações mas, são muito parecidos com outros que rodam por aí. O que pode estar acontecendo comigo é não ter lido o suficiente nem a qualidade de haikais para entender seu espírito.

Peço até para o amigo Viana me enviar mais haikais, em pvt se achar melhor, para que eu vá aprendendo e modificando a minha visão sobre o assunto.

Abraços

Hilton Junior

- Postado por: Oficina às 00h18
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Ipê roxo - Cont.

haicai

ser ou não ser

sem perder la ternura

jamais.

 

(r.pisoler

hilton junior

r. viana

che guevara

shakespeare)



- Postado por: Oficina às 00h15
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Ipê roxo - Cont.

Posso me arriscar a fazer um haicai? Bem, acho que  posso. Já vi muito  escritor que sequer conseguiu cumprir o 5-7-5. Na  verdade esse haicai  eu já tinha feito faz tempo, na época mais como uma  brincadeira. 

 Bah, chega de nhénhénhé, lá vai. (Luciano) 

 

 O tempo a voar

 

 Sonhos, ventos no ar,

 vidas na brisa a soprar;

 tu não vai passar.

...........

 

Querido Luciano. Boa noite! Obrigada pela sua colaboração, e saiba que estamos muito orgulhosos e felizes de tê-lo como colega de turma. Ah-ah! Não é haikai, querido Luciano, não é haikai. Haikai não tem título. Isto é um terceto, um pouco pobre, com as rimas verborrágicas em "ar"... Outra coisa, Luciano, quando você colocar seus textos na internet, não se esqueça de assiná-los. Tem muita gente viva de plantão, pegando textos sem assinatura e assinando-os como se fossem deles.. (Não nesta linda lista, graças a Deus). Um abraço, e obrigada pela sua linda colaboração. Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h12
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Ipê roxo - Final

é um haikai? é possível usar metáforas num haikai???? acho que não.

   

a lua vazou

gota a gota até minguar

pequenas pérolas

 

líria porto

..........

 

Bem, amigos, fiquem à vontade para responder  à Líria:

é haikai ou não é? Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 23h59
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UM TEXTO INQUIETANTE

EM DISCUSSÃO:

“DAS RELAÇÕES”,

DE LÍRIA PORTO

....................

 

das relações

líria porto

 

exclamações

interrogações

reticências

 

que tal

um ponto final?



- Postado por: Oficina às 16h26
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Das relações - Cont.

DAS RELAÇÕES

Um texto de Líria Porto

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto lindo, “Das relações”, de Líria Porto, agradou-me muito.

Primeiro, porque é um texto rápido, de poucas palavras, que diz tudo de uma só vez, e pega o leitor de surpresa, sem dar-lhe tempo de pensar.

Segundo, porque as palavras estão colocadas nos lugares certos, numa seqüência infernal, que explica bem de que trata o relacionamento humano, em todos os níveis.

Terceiro, porque não é o eu o que mais interessa no caso, mas o nós, com todas as implicações sociais que ele inclui.

Quarto: é um poema de uma escritora de estilo inconfundível, que vai compondo sua obra com uma sobriedade admirável e com uma lucidez difícil de ser encontrada na internet.

Este texto é um mundo!

É de Líria Porto, e estamos conversados!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 16h22
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Das relações - Cont.

Líria amiga. É um belíssimo texto. Exemplo de concisão, de sobriedade e competência. É uma linda surpresa na minha manhã chuvosa, cheia de sobressaltos e tristezas...

(Ah, minha linda Oficina Literária!

 Por que me magoas?)

Saludos.

Maria José Limeira.

 

 

ah, nossos corações sensíveis... liga não, maria, és grande, maior que a mágoa!

beijo

líria

- Postado por: Oficina às 16h20
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Das relações - Cont.

Texto: Das relações

Autor: Líria Porto

Análise: Ademar Ribeiro

 

Este poemeto da Líria Porto sugere o desenlace de um caso amoroso, em  pouco mais de três versos de uma só palavra, e com uma economia máxima de linguagem.

Aqui, o excesso de concisão compromete o texto, que pode ser confundido com um simples achado da autora, se não com a sua incapacidade para redigir textos maiores.

Esse tipo de construção literária telegráfica, a exemplo dos tercetos e haicais, me parece bastante oportunista e só deveria ser usado quando a densidade do tema enfocado sobrepujasse em muito a sua forma minimalista, dando-lhe sustentação eternidade afora.

O que não é o caso deste poema leve, gracioso e casual, onde a pequenez da forma e a transitoriedade do conteúdo se casaram numa união efêmera.

Uma vez passado o efeito imediato da leitura, torna-se um texto descartável, ao qual o leitor não mais voltará.

..........

 

Esse cara é rude, mas é bom.

Ricardo

- Postado por: Oficina às 16h17
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Das relações - Cont.

Ademar.

Concordo inteiramente com a sua opinião a respeito dos "tercetistas", que acreditam que não sabendo escrever poemas longos, apelam para a ignorância de pensar que terceto é a solução para  saírem da mediocridade...  cometendo assim um "ledo engano", pois terceto não é pra qualquer um aventureiro.

Não concordo com você em relação ao poema da Líria, "Das relações", pois  este texto vai ficar gravado na minha memória por séculos, amém. Embora não concorde com você em relação a isto, gostei da lucidez da sua análise. Saludos, e obrigada pela sua belíssima colaboração. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 16h15
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Das relações - Cont.

Líria,

estou aprendendo esta forma de poema, curto e objetivo.

Também estou aprendendo os outros, maiores, subjetivos.

O que posso dizer deste seu poema é que:

Ele foi fruto de uma inspiração única, mas quando posto no papel e lido por um qualquer, como eu, pareceu-me um tanto óbvio demais, pela conjectura em relação às pontuações serem um tanto quanto diretas e sóbrias. Tudo está absolutamente correto, em relação às relações, isto é o que deve prevalecer.

Mas eu acredito que, este tipo de texto, curto, curtíssimo, para implementar mais emoção e aquele suspiro do leitor, deve pegar o leitor igual uma bala perdida, um choque, um arrombo, um assalto.

O seu ponto final não me pegou, quando li e reli seu texto, ele me pareceu óbvio para dar fim ao poema, como para qualquer relação.

Grande abraço, Ricardo.

..........

 

Prezado Pisoler. Não concordo quando você diz que o poema de Líria é óbvio. Acho que ela preparou uma grande surpresa ao leitor colocando um ponto de interrogação no final do texto. É assim mesmo o relacionamento humano. Gostei muito do texto. Em tempo: não acho que você é "um qualquer". Você sabe que é o Poeta do Meu Coração. Saludos! Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 16h11
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Das relações - Cont.

Não acho que óbvio seja sinal de menosprezo, Limeira.

As coisas óbvias são verdadeiras, tenho certeza do que disse.

Disse que um poema curto deve extrair do fruto outro sabor, deve transcender.

Acho que este não transcendeu, percorreu o poema no caminho da lógica  que findou em seu ponto final.

Não disse que desgostei do poema, apenas não amei-o loucamente.

Sds, R.

..........

 

Captei, captei,

amada mestra.

Realmente não tinha me atentado para a beleza do ponto de interrogação ao final do poema, deixando em dúvida todas as outras informações....

Retiro tudo o que eu disse, me apaixonei pela donzela escondida no canto.

Ricardo Pisoler.



- Postado por: Oficina às 16h09
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Das relações - Cont.

Pisoler, Maria, Ademar:

 hoje, ao reler esse poemeto, percebo-o fosco - engraçado como o  distanciamento do momento da criação nos dá uma visão mais severa! sou de  escrever com poucas palavras e poemas curtos, embora poucas vezes  cometa  tercetos...  em resumo, gostei menos hoje da leitura desses meus versos, notei neles  impaciência, precipitação!

 obrigada, maria, bom que gostaste! acho que mais que eu!

 obrigada pisoler e ademar, pela leitura e comentários!

 

 desses abaixo eu gosto!