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UM DEBATE INTERESSANTE

SOBRE OS “HAIKAIS”:

....................

 

HAIKAIS  - ESTRELAS E ESPERAS

Rogério Viana

FOLHETINS DA IM-PACIÊNCIA

Maria José Limeira

..........

 

 

No seu corpo,

brilho na madrugada

-Vênus, sou eu

(Rogério Viana)

 

 

O corpo da madrugada

tem brilho e muito encanto.

Quando estrela é apagada,

vida se esvai, fica espanto.

(Maria José Limeira)



- Postado por: Oficina às 01h49
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Haikais - Cont.

Aguardo seu sim

dizendo assim

-vem, vem pra mim

(Rogério Viana)

 

 

O sim não quer dizer tudo.

Muito mais nos diz o não.

A dor é sinal agudo.

O amor é palavrão.

(Maria José Limeira)

 

 

Estilhaços dos sóis

explodiram em nós

-maculados lençóis

(Rogério Viana)

 

 

Entre lençóis de cetim,

deslizam pernas e braços.

Você por cima de mim

é um mar cheio de sargaços.

(Maria José Limeira)



- Postado por: Oficina às 01h45
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Haikais - Cont.

Longa espera

você vem na véspera

-Vésper, é você?

(Rogério Viana)

 

 

Perdi a hora de ontem.

Hoje vou pegar o trem.

O que virá, nem me contem,

não sei por que nem por quem.

(Maria José Limeira)

 

 

Travesseiro transfigurado

no meio, colchas, edredom

-solidão, resultado

(Rogério Viana)

 

 

Todo ato solitário

não provoca conseqüência.

Homem sozinho, otário.

Mulher só, im-paciência.

(Maria José Limeira)

 

 

Aliança dada em trovas

agora é moeda de troca

-e não levo nem troco

(Rogério Viana)

 

 

Quem paga recebe troco.

Quem dá quer algo em seguida.

Moeda, dinheiro pouco.

Amor é alma ferida.

(Maria José Limeira)



- Postado por: Oficina às 01h39
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Haikais - Cont.

Maria,

Que bela tabelinha na base do 3 x 4, hein? Parabéns pelos textos e, outra vez, meus cumprimentos pelo dia das mães.

Sabe que estes retratos 3 x 4 que vc criou com base nos meus tercetos (ditos haicai...) estão ficando interessantes... Não conheço, ainda, nenhuma iniciativa como esta, misturar haicais e quadras. Então o título

Retratos 3 x 4 ficaria bom, não é?

Abraço

Rogério Viana

..........

 

Viana, estou inteira, querido amigo. Consegui sobreviver a mais um Dia das Mães! Foram tantos beijos e abraços, trocas de presentes, bolos e guaranás, vinho! Ah, os bons vinhos, que só me deixam com muito sono... Quanto às nossas tabelinhas, saiba que visitei sua página na internet e tem um bocado de poemas curtos seus por lá, e muito bonitos. Parabéns a você por seus "haikais desmedidos". Infelizmente, não tenho podido participar mais do orkut e gazzag como gostaria, onde nós dois estamos lado a lado, porque eles estão mais ariscos do que nunca. Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 01h36
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Haikais - Cont.

Haicais – Outono quase inverno em Curitiba

Rogério Viana

 

I

frio em Curitiba

um jato na direção sul

oito garças ao norte

 

II

frio seco

lago de pouca água

biguás sem pesca

 

III

manhã nublada

mãe e filha de mãos dadas

a caminho da escola

 

IV

folhas ao chão

tons amarelo-marrons

e um casaco pesado

 

V

manhãs frias

sem frutas, desjejum

tem brioche e chá



- Postado por: Oficina às 01h33
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Haikais - Cont.

VI

névoa no lago

corredor solitário assusta

o bando de gansos

 

VII

sapato forrado

nas manhãs curitibanas

o sol chega tarde

 

VIII

silentes pessoas

na fila do ônibus vermelho

o frio chega primeiro

 

IX

fina garoa

grama verde esmeralda

com brilho de diamante

 

X

frio lá fora

o menino na cama

apenas tosse



- Postado por: Oficina às 01h32
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Haikais - Cont.

Rogério,

me permita a intromissão.

Eu já li algumas coisas sobre haicais, sobre suas intenções, sobre Leminski, aí da sua terra, afinal, sobre estes três versos aí, que, na verdade, quando leio alguns de Leminski, até cumprem a função, parecem um soco.

Mas até onde isto que escreveu é um haicai, e, se for, por que seria um poema de valor algo como estas conotações que escreveu aí embaixo?

Ou seriam estes seus haicais apenas uma brincadeira de escrever, ou não, na verdade, sou eu quem não entendo patavina de haicai e estou metendo o bedelho onde não entendo...

Mas entendo que mãe e filha indo para a escola seja uma coisa normal, até gostei da do sapato forrado, esquenta e não carece de sol... Mas no mais, este seus haicais, para mim, são um tanto normais. Explique-se, caro amigo.

Sem delongas, que sou curioso sobre o assunto.

Saudações, ricardo.

- Postado por: Oficina às 01h28
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Haikais - Cont.

Prezado Ricardo,

De poesia você entende, com ou sem galos na parada. Um galo que canta  que enfrenta que desperta outros galos outros galos que desperta a madrugada...Sobre haicais ou haikais, também você entende. Afinal, quando você escreveu que meus haicais são "normais", já encontrou um modo de classificar o que faço. Sendo normais, ao seu julgamento, me sinto feliz com seu comentário. Mas, em verdade, de perto ninguém é mesmo normal, não é? Nem gente, nem haicai...Infelizmente não tenho o que lhe explicar.

Haicai ou haikai não se explica. O crítico é quem deve explicar qual a razão de classificar de normal ou anormal algum trabalho. O autor só escreve, não explica. E aceita, com humildade, os comentários críticos.

Sobre explicar, eu passo a bola, já que ela está com você, na sua posição crítica.

Assim, apenas para contribuir com esta lista e para que alguém do ramo (do haikai) comente sobre o trabalho da crítica literaria (ela citou os críticos de haicais ou haikais), coloco aqui o que recebi de uma conhecida Alice:

 

" Rogério - Era exatamente dessas pessoas (que dizem que o que fazemos não é haikai) que eu estava falando quando me referi à maldade da crítica. Os que se apegam às regras. Sinto que tanto o Paulo quanto eu somos

uma pedra no caminho deles porque já provamos conhecer a matéria e mesmo assim inventamos. Não é um mero usufruto. E fico feliz de ver que muitos se juntam a nós. O próprio Bashô disse: aprenda todas as regras,

assimile-as bem e depois, livre-se delas. Nada tenho contra as regras, desde que elas não virem grades para a criatividade. Então, o que eu queria ter dito, e digo agora é: bem vindo ao coro dos descontentes ao qual eu faço parte.

Abraços haikaísticos - Alice"

 

É isto... ou pode ser que seja...

Um abraço

Rogério Viana

- Postado por: Oficina às 01h24
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Haikais - Cont.

Colegas, 

Haikais são como os olhos das pessoas. Há uns que só gostam dos olhos  pretos, outros se deliciam com os verdes, muitos só querem os azuis e há aqueles que se apaixonam pelos olhos castanhos... Cada um vê os

haikais/olhos que mais lhe agradam. Há, até, quem aprecie um olho meio  estrábico, pois acha que cai bem naquela determinada pessoa. Questão de gosto... e gosto não se discute. 

Como o prezado Pisoler classificou meus haikais de normais -e eu o respeito por isto - houve, numa outra lista, quem gostasse apenas de 3 da última safra que encaminhei. Um deles, por sinal, foi citado pelo crítico, exatamente um que o Pisoler disse ser "normal". Normal pode ser, então, castanho, preto, verde ou azul? Façam as suas escolhas. As minhas são apenas os haikais que faço e que ofereço, com humildade, para que possam ler e comentar criticamente. Quanto a ter que explicar, acho que não é bem por aí... Poesia e haikai não se explica. 

Vai o comentário do Douglas Edem, o mestre Guin Ga sobre meus haikais, estes em questão:

 

Rogério, de sua nova fornada, apreciei estes três.

 

manhã nublada

mãe e filha de mãos dadas

a caminho da escola



- Postado por: Oficina às 01h18
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Haikais - Cont.

Bem caracterizadas, tanto a estacão do ano como a afetividade da cena. 

 

névoa no lago

corredor solitário assusta

o bando de gansos

 

Idem, porém alteraria a ordem dos versos e proporia ligeira alteração

no verbo: 

névoa no lago

o bando de gansos se agita

com o corredor solitário 

 

silentes pessoas

na fila do ônibus vermelho

o frio chega primeiro

 

Este traduz bem o clima da espera, e até nós, que o lemos mais ao  norte, sentimos também o frio e maldizemos a demora. Muito  bom. 

Guin  Ga 

- - -

É isto... ou pode ser que seja...

Rogério Viana

- Postado por: Oficina às 01h14
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Haikais - Cont.

Crítica, críticos & criticados...     

Com todo o respeito aos doces participantes deste forum. Mas, eu vi uma opinião aí  de uma tal de "Alice" (será "Alice Ruiz"?)  sobre crítica literária, que eu não gostei, de jeito nenhum. Ora, meus amigos.  Desconfiem

das pessoas que dizem "Eu sou assim". Quando a pessoa diz isto é porque, decididamente, não está a fim de mudar mais coisíssima nenhuma, e recebe com desconfiança as tentativas que outros fazem de tentar demovê-la desta posição. Nossa amiga Alice não aceita bem a crítica quando se mostra contrária. Gozado... Eu não sei por que quando os críticos elogiam, são classificados de "inteligentes". Quando emitem parecer contrário

(uahuhahahahuahai!!!)  são chamados de "venenosos". Por que será? Será uma questão de "umbigo"? Obrigada ao amigo Viana por levantar esta questão.

Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 01h07
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Haikai - Cont.

O rei cai

 

em terra de rei

quem tem um cego,

opa! errei.

( João Andrade)

...........

 

Maria,

Alice é Alice Ruiz que foi casada com Paulo Leminski.

Rogério

..........

 

OK.OK., amigo Viana. Eu conheço os textos de Alice Ruiz. É uma boa poetisa. Acredito que aqui o assunto

mereça um melhor aprofundamento.

Seguinte: ou é haikai ou não é.

Ou é soneto ou deixa de sê-lo, passa a ser outra coisa.

Um haikai não pode ter estrutura de uma epopéia.

O soneto tem regras próprias.

Eu não posso escrever uma trova, dizendo que é soneto.

Concorda comigo? Acredito que me fiz entender agora.

Saludos, e obrigada pela sua colaboração. Maria José

Limeira

- Postado por: Oficina às 01h02
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Haikais - Cont.

Amigo Rogério.

Essa coisa toda aí embaixo, a mulher do Leminski e etc, essa coisa toda de que haicai também é haycai e tal, essa coisa de que poema não se explica (e veja que isto está virando um dogma, um estigma, que pode até nos colocar no nível dos imortais, como deus que criou a terra e tudo e etc e não aparece e não se explica de forma alguma, mandou Jesus em seu lugar e coisa e tal) e finalmente este exemplo aí debaixo, que pretendo aprofundar um pouco com voê, se me permitir:

 

Você haicaizou:

 

manhã nublada

mãe e filha de mãos dadas

a caminho da escola

 

O outro cara disse:

 

1-Bem caracterizadas, tanto a estação do ano como a afetividade da cena.

 

Aí eu digo:

 

2-Estava sem sol, a pobre criatura pegou na mão da filha porque tava frio, ou pra ela não atravessar a rua e ser atropelada, ou pra não ser sequestrada, e levou a pentelha pra escola as sete da manhã puta da vida porque acorda cedo todo dia no frio e etc e tal

 

Você pode dizer:

 

3-Mas é um insensível mesmo!!! O cara número um captou muito melhor que você a nuance que eu quis provocar, este impacto de estação com o carinho afetivo entre as famílias.



- Postado por: Oficina às 00h58
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Haikais - Cont.

Aí eu digo novamente:

 

4-Mas claro que vc prefere a análise dele, ela lhe foi favorável, por

isso vc a colocou para tentar me convencer deste haicai.

 

Aí vc me diz:

 

5-Não senhor, só a coloquei para que tenha a idéia que outra pessoa tem

uma idéia totalmente diferente da sua quanto à mesma coisa, e aí

caracteriza o meu raicai...

 

Aí eu digo:

 

6-Mas é claro que é verdade! Isso é óbvio! Eu tenho idéias contrárias à

da minha esposa e à do porteiro do prédio e a do presidente da

república... E te digo: E daí? Isso é poema? É raicai?

- Postado por: Oficina às 00h54
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Haikais - Cont.

 

Então transformo o seu pra ver, talvez até plagiando:

 

manhã ensolarada

mãe e amante de mãos dadas

a caminho do parque.

 

Bem caracterizadas, tanto o corneamento do marido como a afetividade da cena. (o outro cara poderia dizer)

 

Ou mais:

 

noite estrelada

pássaros e namorados no meio fio

a caminho da solidão.

 

Essa aí foi diferente, menos óbvia, o cara poderia dizer:

 

A escuridão é para todos,

as estrelas, pra alguns.

 

Abraço, irmão.

Ricardo Pisoler



- Postado por: Oficina às 00h52
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Haikais - Cont.

Ricardo Pisoler,

Amigo... Olha... vc tem todo o direito de não ter gostado do haikai ou  raicai...como vc cita. Mas, pelo amor de Deus! Grosseria, não cara.

Quer brincar? Comigo não, meu irmão... Vá brincar com suas negas, ok? Agora falando sério... coloquei a opinião de alguém que é um dos mestres do haicai brasileiro apenas para contrapor sua visão, que respeito.

Se fosse para reforçar sua opinião eu teria que receber outras críticas negativas, como isso ainda não aconteceu, repasso outra crítica (digamos que foi positiva) para você talvez entender que há quem goste de olhos azuis, como quem adore dos castanhos...

(Rogério Viana)

- Postado por: Oficina às 00h46
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Haikais - Cont.

Leia isto, por favor:

 

(é do grupo Haikai-Sama, da moderadora, a Rosa Clement): haicai-sama@yahoogroups.com

 

De:"Rosa Clement"  Mais informaçõesData:Wed, 11 May 2005 16:41:02

-0300Assunto:[haicai-sama]

 

Re: Outono quase inverno em Curitiba

 

Rogério & todos - Da série, destaco esses dois haicais. Ambos estão compostos por um fragmento (primeira linha) e uma frase (segunda e terceira).

São imagens simples cujos momentos são captados instantaneamente de maneira quase lógica, mas que estão lá para o leitor confirmar. O primeiro sugere a preocupação natural da mãe em proteger ainda mais a filha numa

manha nublada. O segundo faz um contraste entre solidão e companhia. É esse o caminho. Querer superar a si mesmo é o grande desafio do haicai.Abraços. Rosa

 

manhã nublada

mãe e filha de mãos dadas

a caminho da escola

 

névoa no lago

corredor solitário assusta

o bando de gansos

(Rogério Viana)

 

Então, confirme sua opinião, mas, respeitar a opinião dos outros também  é uma forma de aprender.

Grato

Rogério

- Postado por: Oficina às 00h20
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Haikais - Cont.

Maria, 

 O Ricardo Pisoler não gostou dos haicais. Ponto  pacífico. Criticou, em especial um. Ponto pacífico.  Em fóruns exclusivos de haicais (aqui não é, é uma oficina literária, ampla, aberta), dois escritores  bem conceituados no mundo do haicai gostaram do que  eu havia escrito. Se acato a opinião do Pisoler,  também tenho que acatar a opinião dos outros dois,  concorda? O Pisoler é que apelou, fazendo gozação  com uma grosseria que tenho que repelir, pois não  concordar é uma coisa e tentar fazer com que apenas  a opinião dele seja considerada é outra. Na força,  meuirmão... não dá não...! Com jeitinho, tudo... na

 marra, nem morrendo...! 

 Se você julgar que colocar haicai aqui não será bem  vindo, eu deixo de enviá-los. A decisão é sua. 

 Só para completar. Há 3 linhas de haicais no Brasil,  segundo Paulo Franchetti, um professor especialista  em haicais. São as tais cores dos olhos - verde, preto, azuis... Quem defende uma linha, critica as  outras, não gostando, até abominando... Participo de  vários grupos e recebo críticas e sugestões de todos  eles. Assim, aprendo com as críticas e afino meu

 aprendizado sempre. 

 Abraço

  Rogério Viana

...........

 

Impedir que qualquer texto seja posto em discussão seria desvirtuar os princípios democráticos desta Linda Lista, e implantar censura em plena democracia. Nossa Linda Lista é movida a divergências e muitas brigas. E não vai perder esta sua principal

característica. Não veja ofensa onde há apenas ponto de vista pessoal, amigo Viana. Fique à vontade aqui conosco, porque sua opinião vale muito, e seus textos lindos também... Gostei dos seus haikais lindos.

Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 00h13
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Haikais - Cont.

Da mesma forma, amigo rogério:

Não sou grosseiro nunca, é sério.

Lido com as palavras como um plebeu lida com as leis.

Se te ofendo, fazes parte da elite burocrática que ajudo a destituir.

Meus questionamentos são sérios, pelo que não duros.

Não aceito conversa de madame, não aceito conversa de quem não sabe-se explicar.

Nem por isso sou pior ou melhor do que você e seus haicais.

sou quem te questiono é a pura verdade.

Você aguenta até que limite?

Até o limite de seus haicais?

até o limite do que outros pensam sobre seus haicais?

Minha briga é sadia, pode acreditar.

Se não quer se explicar, pois diga, mas não jogue a peteca pra mim  sobre sua não responsabilidade sobre meus questionamentos.

Eu brinco com minhas negas, e elas respondem à altura.

Por que não você, nobre branco dos haicais?

Sds, Ricardo.

- Postado por: Oficina às 00h08
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Haikais - Cont.

Bem, amigos, fiquem à vontade para responder  à  Líria:  é haikai ou não é? Saludos. Maria José Limeira.

 ..........

 

a lua vazou

gota a gota até minguar

pequenas pérolas

(líria porto)

..........

 

é puríssimo haicai.

como disse Leminski:

 

"sol lua

por que só um

de cada no céu

flutua"

 

talvez o verbo no infinitivo, neste poema de Líria, tenha deixado tudo a desejar.

sds. Ricardo Pisoler

..........

 

Segundo pesquisei por aí, o haicai se compõe de três versos brancos, sendo o primeiro e o último pentassílabos, e o do meio heptassílabo,  tendo como tema a Natureza, estações do ano etc. Coisa de japonês. E mais não sei dizer.

Se isso fosse uma prova, no colégio, ia levar um bom zero.

Ademar



- Postado por: Oficina às 23h59
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Haikais - Cont.

Ademar,

acredito que deva conhecer o Paulo Leminski.

Por favor, encaixe suas colocações nos haicais deste mestre, e te darei um cem, ao contrário de dez.

sds, R.

..........

 

 

Não, Pisoler, não conheço.. Só de ouvir falar.

Mas já andei lendo haicais, já faz muito tempo..

Não sou muito chegado...

Não me filio a nenhum gênero específico de poesia, a não ser àquela linha negra dos meus poemas, que você conhece, que é o resto do resto do resto e da qual ninguém quer nem saber...

Ademar

..........

 

engraçado.

o que mais gosto é o resto do resto do resto.

adoro as piores coisas, senão não fazia tantas....

ah ah ah.

mas concorde comigo:

Sua colocação sobre haicais foi... PÉSSIMA!.

ah ah ah.

Meu amigo, sabe que gosto de vc.

Mas tb não te perdôo.sds,

Ricardo



- Postado por: Oficina às 23h53
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Haikais - Cont.

algumas dúvidas:

- o verbo no infinitivo está mal colocado?

- usa-se metáforas num haikai???

- a metrificação 5-7-5 é absolutamente necessária?

beijão 

 

a lua vazou

gota a gota até minguar

pequenas pérolas 

líria porto



- Postado por: Oficina às 23h49
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Haikais - Cont.

Prezada Liria,

  Minha modesta opinião, baseada em leituras diversas:

 

  1. - o hai-kai é forma poética nascida sempre dos  estados de contemplação dos fenômenos da natureza- ou seja de momento presencial.

   - a métrica , para os puristas ( e orientais) é obrigatória sim: 5/7/5. Para estes a metáfora seria o excesso.

  Veja os dois exemplos :

   

  O mais famoso haicai de Basho:

 

um velho tanque

o sapo pula dentro--

o som da água

 

 

Anibal Beça

 

girassol na tarde

se curva em reverência

o sol se vai

      

  2.no Brasil quem introduziu  foi Guilherme de Almeida que definia essa forma como "uma.anotação.poética.e.sincera.de.um momento de elite", em 1936 e 1947 .

 

  3. Segundo Leminski:

  - Você tem a fórmula do conteúdo, que é o que os poetas contemporâneos obedecem, ao invés da contagem de sílabas;

  -Escolha temas simples: natureza, primavera, verão, outono, inverno;

 

  - O primeiro verso expressa algo permanente, eterno

  - O segundo, introduz uma novidade, um fenômeno;

  - O terceiro e último, é a síntese;

 

  E mais alguns pontos que entendo essenciais:

 

  - o hai-kai é anti-retórico, liso e simples = Kirei;  deve conter profundidade e mistério =Yugen

 

  Afirmam os dados históricos que os orientais gastavam muitas vezes  mais de 10 anos ( até uma vida|) para escrever um único hai kai.

  Outro dado: Leminski:  também introduziu a rima no hai kai.

  Espero ter sido útil.  Bom dia,

Amina Ruthar

 



- Postado por: Oficina às 23h45
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Haikas - Cont.

obrigada, poeta! acho o haikai uma das coisas mais difíceis na poesia! A gente lê, acha simples como um quadro de miró, no entanto, é necessário genialidade! confesso-me incompetente!

beijo, amina, e obrigada!

vou continuar buscando...

beijo

líria

...........

 

Muito bom Amina.

Claro como a água.

Muito obrigado.

sds, Ricardo

- Postado por: Oficina às 23h31
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Haikais - Cont.

Colegas,

Antes de dizer se um terceto é ou não haicai, o recomendável é ler um

haicai recomendado/escrito por um dos mestres brasileiros.

Estes são de Dougas Eden, o Mestre Guin Ga (o nome é a consagração de

todo mestre). Vejam:

 

alegria e gula

feijoada de sábado - -

e uma soneca... 

 

tarde fria --

crianças buscam em vão

a bola perdida 

 

à beira do riacho

envoltas em toalhas

crianças tiritam 

 

madrugada fria

silêncio tudo envolve

nem insetos cantam

 

Yá Yá

 

Abs. Rogério Viana

..........

 

Colegas,

 

Vai mais um, de José Marins, de Curitiba, outro grande nome do haicai

paranaense e brasileiro.

 

quantos pirilampos

posso contar esta noite?

caminho enluarado

(josé marins)

 

Abs. Rogério Viana. 

 



- Postado por: Oficina às 23h28
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Haikais - Cont.

Colegas,

acabo de ler a interessante entrevista da colega e mestra do haicai,  Alice Ruiz, no site do Centro Cultural Banco do Brasil. Abaixo alguns trechos que selecionei; para ler a entrevista toda, clique aqui:

http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr/bsb/ent/EntrevistasDet.jsp?&Entrevista.codigo=561

 

- "Desde que escrevo, escrevo porque preciso.

- "Acho arriscado publicar com pouca idade, são raros os jovens que estão prontos para enfrentar tanto a crítica quanto os aplausos sem se desviar do seu caminho.

-  "Escrevia haicai antes mesmo de ter contato com ele. Quando mostrei os tercetos sobre natureza que fazia ao Paulo Leminski, ele me apresentou o haicai e desde então tem sido uma forma de expressão constante em minha vida. Mais que isso, tenho aprendido com o haicai a leveza, a concisão, a simplicidade, a contemplação e, porque não dizer, meu desenvolvimento espiritual.

-  "Alguns poemas têm mais efeito que outros quando ditos. Outros pedem o tempo do livro, do papel, todo o tempo que o dizer não oferece. Para ser dito, o poema tem de ter maior "diretidade", quase como uma letra de música.

-  "Quando o texto me vem, muitas vezes só vou descobrir depois de pronto se é poesia para o papel ou poesia para cantar."

 

     Alô, amigos de Brasília, não percam essa:

 

Rodas de Leitura - Alice Ruiz

CCBB Brasília

Dia 29 de junho, às 19h30

Entrada franca - As primeiras 25 pessoas que chegarem ao Centro Cultural Banco do Brasil para o projeto Rodas de Leitura ganharão um exemplar do livro YUUKA , autografado pela autora

SCES Trecho 2, Lote 22

Tel.: (61) 310-7087

E-mail: ccbbsb@bb.com.br

 

Um abraço,

 

com escoras podres

velha casa abandonada

tardinha de inverno

(josé marins) 

(Repassado por: líria porto)



- Postado por: Oficina às 23h17
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Haikais - Cont.

Colegas,

Ninguém é obrigado, nesta lista, a gostar de tercetos ou haicais. Quem não gosta, não gosta e está tudo bem. Quem gosta, gosta. É assim.

Para quem gosta de haicais, vou colocar umas dicas, feitas na forma de comentários, em outra lista, exclusiva para haicais. Quem gosta poderá aproveitar as dicas. Quem não gosta, acredito, não terá mesmo o que fazer com elas, pois não lhe interessam mesmo...

Colo, aqui, o que foi comentado noutra lista. Bom proveito e,  desculpem-me os que não gostam...

 

Di Maio e colegas,

seu haicai:

 

Manhã de junho.

A passarada na árvore,

No lado do sol.

(Di Maio)

 

contém o que precisa sempre ter um bom haicai:

 

1. captar o momento presente;

2. revelar isso em duas frases (duas partes);

3. trazer-nos o karumi, a beleza das coisas cotidianas;

 

Parabéns.

 

Tenho um semelhante (talvez) na observação:

com um abraço,

 

dia prolongado

sempre mais verde ao norte

as árvores ficam

(josé marins)

..................

Viana amigo. Nosso amável poeta José Marins cometeu um ligeiro engano ao elogiar, como bom compadre, o insípido "haikai"  do Di Maio... Não seria "as árvores ficam sempre mais verdes ao norte"? Ou eu estou enganada?  Saludos, e me responda se puder... Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 23h09
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Haikais - Cont.

inconstante

 

líria porto

 

eu vi a lua amuada

esquecida lá no céu

linda lua a minha lua

embrulhada numa nuvem

apareceu e sumiu

deixou-me aqui

preocupada

 

depois a lua voltou

sorridente sem receio

tão bonita olhos fúlgidos

a minha lua é de lua

charme de mulher bela

às vezes sofre deveras

às vezes me manipula



- Postado por: Oficina às 23h00
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Haikais - Cont.

HAICAI

Ademar Ribeiro

 

à lua lá no céu

alguma loba ulula:

lua de lula

 

( inspirado em poema da Líria )

...........

 

Ademar,

É o óbvio ululante... você é mesmo um ser do outro mundo... pra não

dizer outra coisa naquela patamar que você adora...

Rogério Viana



- Postado por: Oficina às 22h56
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Haikais - Cont.

eu adorei teu haikai, ademar, não me perguntes porquê! essa coisa de lê-lo e senti-lo redondo, com a perfeição das pérolas...

agora me diz, revi meu poema, pensei que ao invés de "olhos fúlgidos" talvez "olhar oblíquo", para contrastar com a forma alegre com que a lua retorna depois do sumiço, o jeito sorrateiro dela, o que achas? 

obrigada, teu haikai foi um presente!

beijão

líria

..........

 

Que bom que você gostou! Espero que os "haicaicetistas" também gostem.

Quando à pergunta sobre os versos do seu poema, não gostei de nem uma das duas alternativas.. Ele começou muitíssimo bem, mas logo se perdeu.

Nesse caso, acho que a única saida seria reescrevê-lo, enxugando-o na medida, como você sabe fazer. Você tem outros muito melhores.

 

Bom dia, Líria...e voltemos aos haicais.. Quero ver se você consegue o 5-7-5....

Ademar



- Postado por: Oficina às 22h48
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Haicais - Cont.

HAICAIs

Ademar Ribeiro

 

à lua lá no céu

alguma loba ulula:

lua de lula

 

a lua clareia

a rua cheia de estrelas

bandeiras ao vento

(líria porto)

...........

 

Ficou até bom, mas....não, Senhora...

Quero tudo contadinho: 5-7-5

Ademar

............

 

a lua clareia

a rua cheia de estrelas

bandeiras rubras

(líria porto)

..........

 

Líria:

Nenhum dos dois somou 5-7-5.

Façamos o seguinte. Vou recontar o meu.

Depois você reconta o seu.

Ademar

..........

 

vou tentar reescrever o poema!

beijão

líria



- Postado por: Oficina às 22h44
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Haicais - Cont.

chiiiiiii... a métrica não ficara "nos conformes"! refiz o haiki!!! desculpa!

líria

 

 

HAICAIs

Ademar Ribeiro

 

à lua lá no céu

alguma loba ulula:

lua de lula

 

( inspirado em poema da Líria )

 

a lua clareia

a rua cheia de estrelas

bandeiras vermelhas

(líria porto)

.......... 

 

Haicai lunar

( Rogerio Santos)

 

as fases da lua

recitam quatro poemas.

(geo)métricapura.

 

1) Sobre o 5-7-5, dúvida:

Vale a regra poética da sílaba mais forte no final da frase ?

Ex: recitam quatro poemas ( essa frase de 8 sílabas, estou contando 7, e desprezando o "mas" - li isso em algum lugar )

Em - as fases da lua e geométricapura ( são 6 sílabas, mas usando o mesmo critério, contaria 5 sílabas...)

O haicai acima, tem 5-7-5 ou 6-8-6 ?

Isso é ou não é essencial na construção de um haicai ?

Já ouvi opiniões diversas.

Eu acho que o meu haicai lunar é 5-7-5

 

2) Achei esse haicai bonito, vai ficar do jeito que está. hehehe... 

Abraços a todos

Rogério Santos.



- Postado por: Oficina às 22h41
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Haikais - Cont.

Santos:

6-8-7 ( não? )

Não sei, não sei das sutilezas na contagem das sílabas..

O verso certo não seria "geometriapura"?

O meu, acho, contou 5-7-5.

Ou não?

 

à lua no céu

alguma loba ulula:

lua de lula

(Ademar)

 

Na minha opinião, melhor "geometria pura"..

E sobre os meus versos: formam, ou não, um haicai?

Ademar

..........

 

Na minha opinião é. pode ser classificado como haicai.

Tem a métrica 5-7-5. 

Mas poéticamente, eu achei meio forçado - lua de lula.

Embora o jogo de palavras seja bonito.

(Rogério Santos)



- Postado por: Oficina às 22h36
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Haikais - Cont.

Vc + uma vez tem razão.

 Eu acabei de escrevê-lo.

 O terceiro verso nasceu - métrica pura.

 Depois eu inventei - (geo)métrica pura

 E evolui para - (geo)métricapura ( porralouquice minha, misturei geo+  métrica+ pura, e a palavra apura, contida no meio.

 Vc propõe - geometriapura - acho que ficou mais limpo, e não perdeu o  “apura " que eu quis contemplar no meu verso.

 Tá aprovado.

 Agora só não sei se é haicai... mas que é bonito, eu não tenho

dúvida.

 Retificado fica:

Haicai lunar

 

as fases da lua

recitam quatro poemas.

Geometriapura

(Rogério Santos)



- Postado por: Oficina às 22h31
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Haikais - Cont.

Luciano Ratamero escreveu:

 

Posso me arriscar a fazer um haicai? Bem, acho que

posso. Já vi muito

escritor que sequer conseguiu cumprir o 5-7-5. Na

verdade esse haicai

eu já tinha feito faz tempo, na época mais como uma

brincadeira.

 

Bah, chega de nhénhénhé, lá vai.

 

 

O tempo a voar

 

Sonhos, ventos no ar,

vidas na brisa a soprar;

tu não vai passar.

 



- Postado por: Oficina às 22h20
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Haikais - Cont.

Querido Luciano. Boa noite! Obrigada pela sua colaboração, e saiba que estamos muito orgulhosos e felizes de tê-lo como colega de turma. Ah-ah! Não é haikai, querido Luciano, não é haikai. Haikai não tem título. Isto é um terceto, um pouco pobre, com as rimas verborrágicas em "ar"... Outra coisa, Luciano, quando você colocar seus textos na internet, não se esqueça de assiná-los. Tem muita gente viva de plantão, pegando textos sem assinatura e assinando-os como se fossem deles.. (Não nesta linda lista, graças a Deus). Um abraço, e obrigada pela sua linda colaboração. Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h16
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Haikais - Cont.

Opa, valeu pelas dicas.

Então não é um haicai. Okay, tudo bem, foi tudo de brincadeira mesmo. Vivendo e aprendendo.

Gosto da maneira direta de vocês, viu. Andei lendo os e-mails, as análises e tudo mais, gostei muito. Vejo que eu ainda não tenho comparação com os poetas de verdade, como já era certo no meu pensamento. Uso de minha juventude pra melhorar isso, ver se tenho condições de seguir em frente ou então manter a poesia como hobby. Não acho necessário assinar. Não acho que alguém seria capaz de vender um best-seller com meus poemas. Mas mesmo que eu assine, isso não impedirá que os outros acabem copiando. Seria necessário registrar os textos, o que é caro demais pra meus textos e pra minha condição financeira. 

"andando e cantando e seguindo a canção" 

Luciano Ratamero



- Postado por: Oficina às 22h14
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Haikais - Cont.

Amigos & Amigas. Eu tive uma contratrariedade muito grande durante o desenrolar do projeto de catalogação de 3 mil livros no escritório onde estou trabalhando. O serviço foi interrompido bruscamente, até que as coisas se ajeitassem. Tirei uma semana de férias por

conta própria, porque fiquei um tanto derrubada. Hoje, o patrão telefonou para mim, me pedindo para retomar os serviços. Esse caso me deixou meio cabreira... Mas, já estou voltando ao normal.

Atenção, amigos, enquanto estive calada, fui retomando nosso blog, que está meio parado.

A discussão sobre o assunto "haikai"  já ultrapassa as 25 páginas do meu word cansado e foi muito produtiva.

Temos, fora isso, três textos em discussão. Caso as discussões estejam encerradas, permitam-me colocar mais três textos para debate.

Obrigada a todos pela participação, e vamos continuar nossos trabalhos.

Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h04
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Haikais - Final

LUAS DO LULA

 

à Lua no céu

alguma loba ulula:

Lua de Lula

(Ademar Ribeiro ) 

 

a lua clareia

a rua cheia de estrelas

bandeiras vermelhas

(líria porto)

 

fruto maduro

Lua cheia amarela

povo azedo

( Ademar Ribeiro )

 

Lula na lama

tentáculo agarrado em barro

pouco se sustenta.

(Ricardo Pisoler)

 

as fases da lua

recitam quatro poemas.

Geometriapura

(Rogério Santos)

 



- Postado por: Oficina às 22h01
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TEXTO EM DEBATE:

“O PARTO”,

DE HILTON JÚNIOR

....................

 

O PARTO

Hilton Junior

 

O grito que cala

a dor restante

O resultado da profecia,

adorno de cada instante

 

Solidão resistindo a tudo

Madrugada chuvosa

acalma as chagas,

pele irritada e nervosa

 

Os restos pilham no quarto

O cheiro sentido ao longe

A foto assiste ao parto

O Ser iluminando a noite

 

As palavras de alívio

afogam-se na chuva

noturna de verão

e, reticências ao martírio



- Postado por: Oficina às 02h05
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O parto - Cont.

Texto: O PARTO

Autor: Hilton Junior

Comentário: Ademar Ribeiro

 

Este poema "O Parto", do Hilton Junior, divide-se em quatro estrofes de quatro versos de pé quebrado, com rimas eventuais e pobres.  O conteúdo de cada verso de per si, bem como a confusa disposição dos mesmos nas estrofes e no texto roubaram-lhe a dramaticidade requerida pelo tema, talvez devido ao excesso de sensibilidade e ao envolvimento apressado do autor com a coisa dita. Segundo meu ouvido acusa, também a metrificação não contribuiu para a unidade sonora do poema como um todo. Caso lhe fossem tiradas as

poucas rimas, poderia ser lido como prosa.Aconselharia o autor a reler muitas vezes os seus textos depois de escritos, de preferência em voz alta e com distanciamento, como se não fossem seus.



- Postado por: Oficina às 02h01
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O parto - Cont.

Ademar,

Muito obrigado, gostei bastante da sua análise. Vou procurar aprimorar  a forma de escrever. É um pouco complicado ler um texto meu com distanciamento já que o texto é, sem dúvida, parte de mim ou de algum sentimento que tive, não é tarefa fácil mas não é impossível. Escrevo para aprender, acredito que aprendemos muito na prática.

Um tio meu, que gosto muito, me disse uma vez para eu parar de escrever poesia por dois anos e, nesse período, ler todos os poeta que eu pudesse e conseguisse. A partir desse dia escrevo como um termômetro, para saber como eu estou indo nos meus conhecimentos. E analises como a sua são importantes para que eu saiba como estou como escritor.

Não tenho muito tempo para ler e isso me incomoda bastante, mas com calma e com a ajuda que estou tendo de todos por aqui vou caminhando e acredito chegar lá.

No que diz respeito à rimas isso se corrige com o aprimoramento do vocabulário e isso, acredito eu, é lendo que se consegue.

Agradeço mais uma vez o seu comentário,e vamo que vamo.

Aquele Abraço.

Hilton Junior

...........

 

não sei... o tema é tão mágico que senti falta de poesia, de envolvimento do poeta - a mim me pareceu muito descritivo - ou eu que não entendi bem?

Está meio confuso para mim, além de sentir necessidade de lapidação das palavras...

destes versos gostei:

 

"As palavras de alívio

afogam-se na chuva

noturna de verão"

 

beijão

líria porto

- Postado por: Oficina às 01h59
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O parto - Cont.

Falta de métrica nas vírgulas, suas únicas pontuações. Não é verdade que todos os poemas devam ter pontuações, mas é lógico que se houver determinadas pontuações, devam ter métricas em suas colocações. A não ser em versos livres, que não tem métrica em forma alguma, e nem pontuações. Continuando, as estrofes se constroem ainda mais sem métrica, com o "que" colocado em algumas dando velocidade, e com a apresentação apenas do

sujeito e predicado, sem continuação, quebrando o ritmo por completo.

No final, pode ser entendido mesmo com um parto, sempre ilógico e repleto de surpresas, que afinal, é o que sempre me agrada, e agrada a todos em um parto.

sds.Ricardo.

- Postado por: Oficina às 01h57
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O parto - Cont.

Olá Hilton, 

Teu poema apresenta alguns recursos interessantes, mas carece de um alvo, de objetivo mais específico. Ao final veio a pergunta e daí? parece que falta concluir, falta dizer algo realmente marcante, qeu resuma, que exponha esta cena de Parto.

Outro ponto são as rimas, a necessidade de rimar prejudicou esta estrofe:

 

Solidão resistindo a tudo

Madrugada chuvosa

acalma as chagas,

pele irritada e nervosa

 

este 'pelo irritada e nervosa' sobra, diminui a força poética e metafórica dos versos anteriores.

e nesta estrofe

 

as palavras de alívio

afogam-se na chuva

noturna de verão

e, reicências ao martírio

 

os tres primeiros versos constituem uma só idéia : "as palavras de alívio afogam-se na chuva noturna de verão". além de fugir do esquema das rimas das estrofes anteriores, é um recurso que não foi usado em nenhuma delas também. Outo ponto é a pontuação. Ou se pontua corretamente, ou não pontua-se (este é meu lado parnasiano e ditador falando) este esquema de tira pontos e colocar vírgulas em nada contrubui para o poema, apenas acrescenta a ela uma certa confusão inútil.

O que é "reicências" ?

valeu

Rubens

- Postado por: Oficina às 01h54
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O parto - Cont.

Minha leitura sobre o Poema O PARTO:

O uso de metáforas estende-se por todos os versos. Recurso lingüístico  que confere corpo a poesia, todavia o autor interrompe seu efeito ao dar conclusões quando retira o "susto" do leitor ou nega a imagem proposta.

Vejamos:

 

1. " madrugada chuvosa / acalma as chagas" , é uma metáfora sim, e bonita , porque nesse caso a madruga é ungüento.  Quando o autor continua "pele irritada e nervosa" , anula a imagem poética , pois remete a explicação das chagas  ou da solidão como pele irritada e nervosa, aqui se quebra a magia.

 

2. Demonstrando:

Bastante , no meu entender:

 

O grito que cala

a dor restante

adorno de cada instante

 

( aqui não vejo necessidade de "resultado da profecia "- redunda)

 

Solidão resistindo a tudo

Madrugada chuvosa

acalma as chagas

 

3. A proposta temática é boa , talvez uma certa confusão provocada  pela alocação dos versos.

 

Vejamos o ultimo verso:

 

As palavras de alívio

afogam-se na chuva

noturna de verão

 

encerraria aqui,ou separaria o ultimo verso, para conferir mais força ao mistério que o mesmo carrega, pois no  pós- Parto ( seja ele qual for) a dor é uma incógnita, o que fica bem posto na expressão reticências:

 

As palavras de alívio

afogam-se na chuva

noturna de verão

 

E, reticências ao martírio. 

 

Concluindo: o Autor tem bons recursos , usa uma temática simples com força , cabendo apenas um certo aparo  para evitar  o óbvio, que sempre compromete a relação de descobertas e magias  que a poesia descortina (individualmente) em cada leitor.

 

Hilton Junior , aceite minha apreciação como de uma leitora atenta, sem qualquer pretensão doutrinária.

Atenciosamente,

Amina Ruthar

- Postado por: Oficina às 01h50
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O parto - Cont.

O PARTO

Um texto de Hilton Júnior

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O parto é alguma coisa forte, violenta, sangrenta... O parto é a continuidade da vida. O parto não é somente o ato físico, mas o estado sentimental  mais intenso do ser humano feminino, a que ninguém pode ficar indiferente.

É... É preciso ser mulher para entendê-lo. Os ginecologistas obstetras não entendem o parto, a não ser como ato mecânico.

Eu vi no poema “O parto”, de Hilton Júnior apenas mais uma tentativa frustrada de colocar no papel um tema que o autor não domina bem, e do qual nada entende.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 01h45
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O parto - Final

Amigos,

Estou muito feliz com as análises de todos os que tiveram o carinho e a atenção de ler e de tecer comentários acerca do meu poema.

Desta vez as análises foram feitas para promover a boa poesia, aprendi muito com cada um de vocês e com cada comentário feito sobre as rimas, a métrica, os excessos, os sentidos e significados. Enfim uma oficina, onde cada um disse e explicou as suas impressões e não como sendo verdades universais mas como sendo um olhar atento e experiente para o texto em discussão.

Quando comecei a postar meus poemas fui vaiado e ridicularizado por muita gente, a Maria foi testemunha, não desisti e acredito que os meus poemas de hoje são muito melhores do que meus poemas da época, aprendi muito com cada um que se deu o trabalho de analisar de forma correta meus poemas e é por isso que ainda continuo com coragem de coloca-los aqui para vocês. O presente que recebi de cada um de vocês me deixou feliz e acredito estar mais próximo do que aqui acontece e mais seguro para dar meus palpites.

A todos ofereço um pouco da minha alegria e do meu contentamento por estar aqui.

Um abraço forte em todos.

Hilton Junior

..........

 

Hilton:

Você não precisa agradecer, estamos aqui para isso.

Estamos esperando mais..

Ademar

- Postado por: Oficina às 01h43
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UMA DISCUSSÃO ACIRRADA

EM TORNO DA POESIA:

“BREVES / BREVÍSSIMOS”,

DE AMINA RUTHAR

....................

 

Breves / Brevíssimos

 

na  letra muda ,

não  na  palavra : 

- o   tempo

 

 

no sorriso  do cometa ,

não  na madrugada :

- o  poema

 

 

nas  páginas  do  dia ,

não  na  biblia :

-  a  vida

 

Amina Ruthar-01/06/2005



- Postado por: Oficina às 01h31
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Brevíssimos - Cont.

Texto: Breves/Brevíssimos

Autor: Dona Amina Ruthar

Comentário: Ademar Ribeiro

 

A única saída para estes tercetos da Dona Amina Ruthar, tanto quanto para os meus "Folhetins do cocho", teria sido a de não terem sido escritos.

A única diferença que vejo entre ambos é que aquele meu foi escrito propositadamente, a titulo de pilhéria chula, e sem pretensões literárias, enquanto que este aqui, frio e estático, se arroga a boa Literatura.

Estes três tercetos da Amina Ruthar procuram sustentar-se no  insustentável de certa ala sofisticada da poesia dita modernista, da qual os poetas estreantes usaram e abusaram há algumas décadas e até hoje.

Caminha, de palavra em palavra, a conta-gotas, para não escorregar na redação, em busca de imagens enviesadas que não se concretizam, criando pontos de referência e associações inalcançáveis ao comum dos mortais.

Em outras palavras: o meu texto sujo e emporcalhado saiu-se muito mais ricamente guarnecido de métrica, rimas, ritmo e sentidos, apesar de cometido sem maiores cuidados.

- Postado por: Oficina às 01h21
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Brevíssimos - Cont.

Ademar: Com todo o respeito e a admiração que tenho por você. A comparação é esdrúxula e fora de ´propósito, para não dizer “racista”  e “discriminadora”,, como você observa em outro email que já se perdeu neste interminável lenga-lenga e troca de “cortesias”, que já está me irritando... (tejuropordeus!). Comparar a delicadeza de Amina com a malvadeza do seu cocho, pra mim é o cúmulo da insensibilidade e da crueldade. Cada macaco no seu galho, como bem diz o ditado popular. Pode ser que outra seja sua seara, amigo Ademar, mas você precisa ler os textos dos poetas pondo-se no lugar deles, analisando-os como eles são, e não como você gostaria que eles fossem... Os haikais realmente são arte delicada. Não são para cavalos que comem em cocho. Eu mesma não gosto da maioria dos tercetos que alguéns chamam de haikais e que abundam na rede internáutica com uma constância ululante. Mas, sei reconhecê-los quando são de qualidade. Cavalheiros, nossos avós já diziam que em mulher não se bate nem com uma flor. Um pouco de elegância não faz mal a ninguém, Senhor Ademar. Saludos. Maria José Limeira..

..........

 

Maria José:

Quem já escreveu alguma coisa como "Uma coisa enorme" não poderá, de modo algum, me jogar a primeira pedra...  ( Não é, Dona Amina?).

Quer dizer, então, que devo me colocar no lugar dos outros?

E quem se colocaria no meu lugar, que ninguém nunca se colocou?

Conheço cavalos que comem flores, se você quer saber, que nem o burrinho do "Platero e eu", cuja leitura aconselho ao pessoal da 0ficina.

E por falar nisso: está me chamando de cavalo? Ou de macaco?

Ademar ( fulo.. )

- Postado por: Oficina às 01h18
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Brevíssimos - Cont.

BREVES / BREVÍSSIMOS

Uns textos de Amina Ruthar

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Todos aqui sabem da minha ojeriza  aos tais tercetos. Principalmente aos mal-escritos que proliferam na internet com pecha de “vanguarda”. Tenho simplesmente horror aos haikais que não são haikais, porque são sonetos, quadras, poemetos e outras coisas assim chamadas erroneamente de haikais.

Mas, vamos fazer exceção aos tercetos de Amina Ruthar, nestes “Breves/Brevíssimos”, aos quais eu dou meu Salve-Salve, sem nenhum favor, porque são lindíssimos, generosos em simbologia poética, lirismo, conceitos filosóficos, etc. etc., e  delicados e elegantes como a autora.

O tempo é etéreo e fugaz, diz Amina, jogando-o numa letra muda que não é palavra. Um terceto assim vale a pena e eu gostaria de tê-lo escrito.

Ainda mais porque ele está encadeado aos demais, como parte do todo, e como um todo deve ser interpretado e respeitado.

É rápido, etéreo e fugaz também o cometa riscando o céu durante a madrugada, e, como tal, manda uma mensagem poética que não é só madrugada (lá vem o tempo de novo Amina, o tempo!), é a Natureza se acomodando ao balé do Universo, transformando-o em Poesia. É isto que diz a segunda estrofe, que está ligada à primeira através do conceito de tempo.

Na terceira estrofe, estão as “páginas do dia” (Amina, olha o tempo aí de novo!), onde a vida se movimenta, “não na bíblia”, porque a bíblia, no caso, é objeto inanimado, sem passado, presente ou futuro, sem a dinâmica que a vida requer...

O mais incrível neste texto é que o personagem principal é um narrador-observador que reflete sobre o que vê, sem a ajuda do eu.

Outra coisa que me surpreende neste texto é o conceito de tempo que a autora recria na maior simplicidade, sem repetir o que assimilou de outros autores, pois o tempo é um dos temas mais difíceis de ser abordado, sem cair na mesmice do que se disse antes em Literatura.

Esta autora, para mim, é uma surpresa agradável.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

- Postado por: Oficina às 01h12
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Brevíssimos - Cont.

Maria José Limeira,

Agradeço sua análise ( generosa ), que remete a uma lição de escrita.

Você capturou  o implícito de forma soberba.

Melhor que os Breves, sua exposição , de quem conhece do ofício.

Como boa aluna: aprendo.

Abraços,

Amina Ruthar

- Postado por: Oficina às 01h10
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Brevíssimos - Cont.

Olá Amina, 

é um tanto difícil comentar poemas tão concisos. Eu prefiro poetas verborrágicos tipo Jorge de Lima, Hilda Hilst, que atravessam páginas viajando em torno de um mesmo ponto:))

O que eu pude perceber nestes três flashes é um jogo de palavras que vai revelando pelos contrastes de significados o lirismo, a poesia.

- Postado por: Oficina às 01h06
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Brevíssimos - Cont.

O problema está na pouca originalidade deste conflito, por exemplo:

 

na  letra muda ,

não  na  palavra : 

- o   tempo

 

O que é uma 'letra muda'? qual o seu poder para 'guerrear' com uma palavra ampla, perigosa como 'palavra'? a idéia é interessante, mas acho que precisava ser algo mais itenso do que 'letra muda' para guardar o 'tempo'

o segundo está mais equilibrado, mas o terceiro precisava de algo também mais intenso.

Sem nenhuma conotação religiosa, mas literária mesmo, acho que a bíblia contém bem mais vida do que as páginas do dia :)) 

é isso, acho que esta estrutura interessante, mas que poderia resultar em algo mais inovador, se você se amparasse em palavras mais inovadoras. 

abraços

Rubens

..........

 

Rubens da Cunha,

Meu obrigada por sua análise.

Ao leitor  a leitura, assim é! Tiro lições, pego aprendizagens.

Amina Ruthar.



- Postado por: Oficina às 01h04
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Brevíssimos - Cont.

Olá doce Rubens? O amigo me desculpe o reparo. Mas, não concordo com a interpretação que você deu à palavra "bíblia”  utilizada por Amina neste texto lindo. Bíblia aqui tem o sentido figurado de “regra estabelecida”, ou de “tudo conforme o figurino”, “coisa convencional” etc. O amigo analisou a estrofe do poema tomando como base a “bíblia sagrada”  da Santa Madre Igreja, apesar  da sua ressalva de que não estava tomando a palavra no sentido religioso. O texto de Amina subverte a questão. Viu? Não é nada disso! E acho que, neste sentido que eu dei, as tais “páginas do dia” dizem muito mais do que bíblia...Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 00h59
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Brevíssimos - Final

A primeira estrofe, a segunda estrofe, belas.

São duas estrofes impessoais, que colocam sentimento em função da  realidade.

Tempo e poema.

A se fazer a conclusão entre tempo, poema e biblia acho que pecou.

A terceira estrofe também é verdadeira, mas não se relaciona  completamente com as duas primeiras.

Principalmente com o título do poema, "breves/brevíssimos".

A biblia nunca fora coisa brevíssima, depois de sua escrita, sempre foi coisa duradoura, e cada vez mais atual.

Considero este poema como um delírio importante, muito mais pensado do que escrito, mas que sua informação está  muito mais escondida no ventre da autora do que no escrito, que a absorveu por completo.

é isso, sds,

Ricardo.

- Postado por: Oficina às 00h54
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Só para lembrar, sem comentários:

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PS: a meu ver, a moderação é que está atrapalhando esta lista.

Não se pode agradar a gregos e troianos.

Não se pode falar em liberdade de expressão e em "evitar desvios".

"Livre pensar é só pensar".

Toda discussão (exposição) é sadia.

Abaixo a moderação

que fica tentando apagar incêndios!

Abaixo a moderadora!

Viva a Doce e Democrática Maria Limeira!

  (Di Maio, em 09/06/2003)

---------- 

Saludos!

Maria José Limeira



- Postado por: Oficina às 00h48
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Que cada um faça a sua parte.Clique no link abaixo e Assine a Carta ao Presidente.

 

http://cartaaopresidente.zip.net/

 

Obs. Repasse aos seus contatos. É o mínimo que podemos fazer.

 

Dira Vieira

 

Dira Vieira

http://www.madamemin.zip.net

http://www.ocisco.net/dira.htm

http://oficinaliteraria.zip.net

http://pontofuturo.org



- Postado por: Oficina às 00h16
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Feche seu BLOG no dia 29

 

Obs. Clique nas tarjas pretas para assinar a Carta ao Presidente

 



- Postado por: Oficina às 18h22
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Não é uma coisa de gênio,

mas de doido.

(Jornal A Gazeta)

 

Imagine uma coreografia no escuro.

Imagine agora um espetáculo

que se passe em plena escuridão.

(Jornal O Globo)

 

Lúmini – Companhia de Dança

http://www.lumini.art.br/



- Postado por: Oficina às 00h00
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SOBRE A LINDA LISTA OFICINA LITERÁRIA

 

1.Esta Linda Lista foi criada há três anos, a fim de suprir necessidade de analisar textos, dizendo o que pensamos, sem necessidade de que isto seja motivo para ser considerado "ofensa", ensejando expulsões, banimentos e outros "castigos" que vemos em outros lugares.

2.Convidamos para nosso espaço todos os poetas mal-comportados do mundo, na certeza de que é possível conviver com os contrários sem problemas, e no afã de provar que manteremos as diferenças, dentro do respeito e dignidade que toda pessoa humana merece.

3.Esta Linda Lista já enfrentou crise homéricas no passado, abrigando pessoas que aqui aportaram com o fim exclusivo de tumultuar nossos trabalhos e agredir a Owner (eu, a Moderadora), coisa que conseguimos superar com a ajuda de todos os integrantes, e sobrevivemos também a outras catástrofes.

4.Em outras ocasiões esta Linda Lista se deu ao luxo de passar até mais de um ano em repouso, com os associados desmotivados, mas todos se mantiveram em seus postos, sem pedir descadastramento, até que atravessamos também esta fase, e estamos todos aqui inteiros e incólumes, em saudável convivência.

5.Nosso lema principal é o respeito aos limites alheios, e qualquer tentativa de ferir este princípio será rechaçado veementemente por todos os associados, em defesa de um espaço que é único na internet.

6.Devemos zelar por esta Linda Lista, que nos é cara, e não tentar destrui-la com  mensagens desairosas contra companheiros e companheiras, pois o que nos une e o  que nos motiva é a Poesia, e em nome dela é que estamos aqui.

Um abraço e saludos.

Maria José Limeira, Moderadora.



- Postado por: Oficina às 23h50
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Podemos nos livrar

de uma neurose,

mas não podemos nos curar

de nós mesmos.

(Jean-Paul Sartre)



- Postado por: Oficina às 03h11
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