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ERA UMA VEZ E NÃO ERA UMA VEZ

Maria José Limeira

 

Tudo que acontece na terra tem raízes no sub-solo.

Mesmo na seca mais intensa, sempre haverá uma flor vermelha para ser colhida.

Existe um opositor cruel e assassino dentro de cada um de nós. Preso na coleira.

Toda encruzilhada se transforma em beco sem saída.

Tem gente que gosta de perseguir a luz alheia.

Dicas para lidar com alguém atacado pelo orgulho ferido: se for maior do que você, fuja; se for mais fraco, comece a pensar o que fazer; se ele estiver doente, deixe-o na paz de Deus; se tiver espinhos, recue e ande na direção oposta; se ele estiver cercado de garras pontiagudas, passe ao largo...

Dupla imperfeita: doce ingenuidade e escuridão covarde.

Mulher que se casa com homem destrutivo pensando em curá-lo está apenas brincando de casinha.

Não tenho medo de treva. Enxergo no escuro.

Se eu não escapar do que me oprime, serei sempre escrava.

Não existe silêncio na tortura.

Quando descobri a armadilha, já estava presa nela.

As coisas não são o que parecem.

Toda história de Trancoso começa assim: Era uma vez e não era uma vez...

Animais que vivem na escuridão convivem com assombrações.

Devemos deixar morrer o que deve morrer.

Ser boazinha não vai fazer minha vida florescer.

A recompensa de ser boazinha é ser mais maltratada.

Para ser aceita por meus inimigos, eu seria obrigada a fazer três coisas: primeira, ter, pelo menos, dois cursos de doutorado; segunda, ficar pendurada no Monte

Everest de cabeça pra baixo; terceira, voar sozinha de ultraleve, sem saber guiá-lo.

Se eu ficar parada servindo de saco de pancada, não crescerei nunca.

Não há coisas mais lindas neste mundo que pôr-do-sol, Bolero de Ravel, e dia amanhecendo.

- Postado por: Oficina às 01h56
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Era uma vez - Cont.

Na cidade que construí, as casas dançam.

Os homens têm medo do poder da mulher.

Cultivar jardim é uma prática de meditação.

Quando consigo ouvir minha voz interior, saio das

trevas.

Uma lágrima escorre nos olhos de quem sonha.

Amar é viver uma série de mortes e renascimentos.

Estou cansada de pedir às pessoas o que elas não têm para me dar.

Procuro um lugar onde possa me abrigar e viver em paz.

Não preciso pedir licença a ninguém para sonhar.

Quando corpo morre, alma sobe ao céu. Sonha!

Quando desisto, perco o sentido de mim mesma.

Sentimento do exílio é mais antigo do que se pensa.

Não tenho talento. Não sou importante. Não posso fazer nada. Não sei como fazer, nem quando. Não tenho tempo.

– São desculpas que inventamos para justificar nossa omissão...

Não entendo Poeta que empresta seu nome para a prática de atos de vilania.

“A mão que afaga é a mesma que apedreja”... É por esta – e por outras coisas  – que Augusto dos Anjos é o Poeta do Meu Coração...

 

(Do livro “Crônicas do amanhecer”).

Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB.



- Postado por: Oficina às 01h55
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Era uma vez - Cont.

aqui estou a reverenciar a grande escritora!!! a guerreira nordestina que conhece solos ressequidos e não se deixa abater! que escreve coisas  lindas como essa crônica!

grande maria - grande!

beijão

líria

..........

 

Uma bela crônica Maria, interessante composição estrutural harmônica e bem construída. Boa Noite,

 Amina

- Postado por: Oficina às 01h52
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Texto: ERA UMA VEZ E NÃO ERA UMA VEZ

 Autor: Maria José Limeira

 Análise: Ademar Ribeiro

 

 Esta crônica da Maria José Limeira refoge ao caráter  transitório do gênero a que  pertence, procurando fixar-se em perenidade, na  memória do leitor, pela força  inconfundível do estilo da autora, já consagrado em  obras anteriores.

 Dir-se-ia uma pesada colcha de retalhos de  reflexões, habilmente cerzida com um  mesmo fio subjetivo, com emendas perfeitas e  imperceptíveis, mas com relevos e  texturas diferentes.

 Mesmo que o leitor discordasse do nexo científico,  moral e filosófico de cada   uma das sentenças aqui expostas, bem como do seu  conteúdo piegas -  como eu decerto discordo - ainda assim lhe tiraria o  chapéu pelo fino acabamento  artesanal da peça como um todo.

 Conheço textos infinitamente mais importantes desta  autora, alguns ainda inéditos,  outros já publicados em livro, na década de 80.



- Postado por: Oficina às 01h50
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Era uma vez - Cont.

Esta crônica eu coloquei no ar graças ao seu insistente pedido, por telefone, sob a alegação de que você gostara muito dela (era "linda", "maravilhosa" e todos os etcs. do mundo)... Mas, porém, contudo, apesar de surpresa com suas restrições, acho que você foi bem generoso em relação a ela... Obrigada. Maria José Limeira.

..........

 

Maria José, não exagere...

Eu disse, apenas, a uma primeira leitura, que o texto era "bem amarrado".

Daí a dizer que era "lindo", "maravilhoso" etc. há uma grande diferença.

Não se faça de vítima, e aceite as críticas com verdadeira humildade...

Ademar

- Postado por: Oficina às 01h43
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Era uma vez - Cont.

Maria, se não me engano já conheço ou já tive a  oportunidade de comentar este seu texto. E olha que

 tenho uma memória razoável.

 Eu gosto de poemas que são condensados de frases,  são como o céu, amontoados de estrelas, cada uma

 pertencendo a uma constelação diferente, e contanto,  outra realidade.

 Não me lembro o que comentei no passado a respeito disto, mas me lembro que o que quiser que tenha

 comentado faz parte do passado, e como todos mudam,  meus comentários também são novos.

 Se escolhesse um de seus versos para comentar  escolheria este daí abaixo:

 

 "Uma lágrima escorre nos olhos de quem sonha."

 O colocaria assim::

 

 Uma lágrima se esconde nos olhos de quem sonha.

 Sds, Ricardo.

..........

 

Olá, doce amigo? Eu coloquei o texto na "Busca" da lista, e não o encontrei, a não ser quando foi postado

originalmente, quando recebeu alguns olás rápidos. De qualquer maneira, gostei muito destes seus

comentários. Um abraço, e obrigada pela sua participação. Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 01h40
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Era uma vez - Cont.

HISTÓRIA

José Nunes

 

A vida não começa

No “Era uma vez”

De um conto de fada,

Infelizmente.

 

O amor dessa vida

Não vem galopando, trazido

Por um belo príncipe,

Infelizmente.

 

A moça desse amor

Não espera, dormente,  

Pelo doce beijo,

Infelizmente.

 

Mas, mesmo assim, sonhamos,

E esperamos, um dia,

Que possamos viver

“Felizes para sempre”.



- Postado por: Oficina às 01h35
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Era uma vez - Cobt.

Analisando...

Não acredito ser este o estilo de escrever de Maria José Limeira, não sei quando esta crônica foi escrita mas percebi certa imaturidade nas  idéias da autora. Digo isso ao comparar as análises que a mesma faz aqui  na oficina, onde suas palavras são seguras e o seu tom de segurança exprime maturidade de idéias.

O texto me parece um desabafo, uma conversa da autora consigo. Parece  páginas de um diário onde o eu acaba por revelar suas impressões seus medos e principalmente seus sonhos e sua autonomia de sonhar. O eu nesta crônica me parece perdido, nas própria identidade. Em quem devo confiar?

Uma grande leitura.

Abraços

Hilton Junior

..........

 

As pessoas das listas conhecem a mariajoselimeira forte, altaneira, braba que só um siri dentro de uma lata... E ficam chocadas quando a outra mariajoselimeira aparece: fraquinha, combalida, capionga, lenta e xaroposa, de asa quebrada, perebenta e triste... Meninos & Meninas, se vocês estão precisando de uma SuperMãe, não contem comigo. Ouviram? Tenho minhas fraquezas, como todo mundo, se me dão licença. Saludos! Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 01h33
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Era uma vez - Final

Ah-Ah Dona MARIAJOSELIMEIRA,

Não disse nada disse que você disse que eu disse...

Só achei o seu texto com idéias imaturas e não sentimetaloides, achei que vindo de você eu esperava um texto com idéias mais maduras, certezas essas coisas. Imagino que você tenha medos e incertezas, claro que não as mesmas que eu, você viveu uma época diferente. E não tento achar uma mãe em você, a minha vai bem, obrigado e, você mesma me acusou de tentar cantá-la certa ocasião. Cuidado senão canto dinovu.

Só achei o texto diferente de você, da imagem que tinha da autora,achei o texto bom, mas não ótimo, faltou certa malícia, você fez um desabafo dos seus sentimentos no texto. Nada mais justo

Um beijinho.

Hilton Junior

- Postado por: Oficina às 01h30
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TERROR EM LONDRES

Douglas Mondo

 

As ruas já não acolhem as marcas dos passos.

Perderam-se os traços e os compassos.

Há apenas tropeços, escorregões e marca-passos.

 

Não há cimento nos muros, apenas sangue e estilhaços.

Já não ardem amores, ferve o brilho opaco das dores.

Há corpos espalhados, explosivamente mutilados.

 

Pessoas indo e vindo entre desligados caminhões.

As direções levam a lugar nenhum, sem som algum.

Vermelho, amarelo e verde, sinal de pobres corações.

 

Não há razão entre antes e depois. Apenas favores.

Já não ardem amores, ferve ódio na alma sentida.

Há palpitações e medo, dolorosamente sem vida.

 

www.douglasmondo.com.br



- Postado por: Oficina às 01h03
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Este texto conseguiu ser tão insignificante quanto o próprio ''atentadozinho" que o motivou, não chegando a matar a minha vontade de ler Poesia. He, he..

Ademar

..........

 

Amigo Douglas, prazer em revê-lo nesta Linda Lista. E obrigada pelo poema. Saludos. Maria José Limeira.

 

 

Maria José, linda!

Mora em meu coração!

Sempre! beijos

Douglas

- Postado por: Oficina às 00h58
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Terror em Londres - Cont.

Para mim foi uma grata surpresa vê-lo de novo participando de nossa Linda Lista. Peguei o endereço do seu site, vou visitá-lo e transcrever alguns dos seus textos em nosso blog e colocar nele seu end. Um abraço e volte sempre. Sabe como eu gosto de sua Poesia. Saludos. Maria José Limeira.

 

Ademar,

às vezes acho que vc não foi bem criado.

Queria ver se falava assim se tivessem matado alguns dos seus.

Ou será que é sozinho?

Sds, Ricardo.

..........

 

Ei, Pisoler!

Fui muito bem criado, com leite de uma velha zebu chamada "Lobisomen”..

Também fui instruído por minha avó a matar e comer o inimigo cru, após a sétima Lua, durante uma grande festa em torno de uma fogueira..

Os "meus", a que você se refere, tombam diariamente, aos milhares, de fome ou sob o poder das armas.

Ademar

- Postado por: Oficina às 00h54
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Terror em Londres - Cont.

Prezados. Quando houve o ataque terrorista às torres gêmeas, nos Estados Unidos, eu fui uma das primeiras a me posicionar sobre o assunto, em lista de discussão.

Fui expulsa do lugar, pois divergia da maioria dos que apoiavam o país do Tio Sam... Em seguida, comecei a perder os amigos de internet, pelo mesmo motivo.

Resolvi me calar, fazer que não vejo, etc. Guerra do Iraque eu não digo mais nada sobre ela, pelo mesmo motivo. Os amigos de listas bolivianas abriram uma lista de discussão somente para falar mal de Bush, e me colocaram nela à força, onde eu só lia as mensagens, sem dizer nada. Até que a lista fechou...

Todos sabem que eu tenho horror a Bush, Tony Blair e adjacências... Mas, não aceitarei mais desafios neste sentido. Acho que essa discussão é daquelas em que a gente se envolvia, na adolescência, em mesas de bar, querendo mudar o mundo a partir de um copo de cerveja bem gelada. E mais não direi... Saludos, e obrigada.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 00h50
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Terror em Londres - Cont.

Maria José (com todo respeito ):

Ninguém aqui pediu a sua opinião...

Naquele seu tempo - do copo de cerveja bem gelada - quem governava os U.S.A  devia ser ainda o tal Roosevelt, e isso devia fazer alguma diferença.

Se tem sido expulsa das listas, deve ser por conta da sua posição incoerente, sempre em cima do muro, exposta às pedradas de ambos os lados...

Confesso que estou muito decepcionado com esse último atentado em Londres...

Afinal, o que representa esta cifra de apenas "cinqüenta" diante do extermínio diário no Iraque, no Afeganistão, na África, etc.?

Francamente, caros amigos, o cinismo também tem limites...

Portanto, Maria José linda: deixe-nos brigar sossegadamente ..

Ademarzinho..

...........

 

Ademarzinho: Bem que dizia minha mãe. - Em boca fechada não entra mosca... Saludos. Ass.: Limeirinha.

- Postado por: Oficina às 00h47
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Terror em Londres - Final

Ademar, boa noite!

Postei apenas um poema.

Bobo, insignificante, que nada diz. Apenas um momento meu de reflexão.

Nada além disso!

 Qualquer relação dele com atentado ou perda de vida humana pela  intolerãncia, coloca o opinador no mesmo nível do cara que apertou o detonador da bomba.

Ambos são  medíocres!

Entenda: Já não temos mais idade para confrontações irresponsáveis nem  para extravasar ciúme mascarado de opinião literária. Ainda mais ofensiva!

abraços!

PS: Ainda continua inseguro em relação à sua paixão? Se toca, cara!

Douglas Mondo

- Postado por: Oficina às 00h44
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...poesia só é poesia quando é, de fato, Poesia...

(Ademar Ribeiro)



- Postado por: Oficina às 15h42
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Noturno

 

Caiu a noite

A nostalgia

misturada co'uma

leve melancolia

desceu pela garganta

e como a seiva da uva

deixou minha alma

bêbada em tuas mãos

 

(Douglas Mondo) 

http://www.douglasmondo.com.br



- Postado por: Oficina às 14h31
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