
NOVO TEXTO EM DEBATE:
“O LIVRO XIS",
DE ADEMAR RIBEIRO
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O LIVRO "Xis"
Conto de Ademar Ribeiro
Nem bem o meu livro "Xis" inaugurava o seu estratégico ofício, indigitando ao frêmito e ao rubor seus primeiros leitores, e logo eu saía pregando um exemplar dele embebido em sal em cada uma das cruzes dos postes das ruas, como esconjuro, para que ficasse bem revelado antes de ser esquartejado, já prevenido por outras inconfidências, pela saga de Tiradentes e da minha própria irmã desencarnada às esconsas pelas forças das trevas, feitiços para-oficiais, legiões de demônios e afins, justo quando se abalançava a um grande vôo na sua carreira literária, e concluindo que tais demônios rondavam de preferência a excelência dos textos nascituros, de insuspeitada vanguarda, e, ainda mais, depois que os originais o meu "Xis" foram arrebatados da pasta por inopinada ventania, suas folhas remoídas pelos carros e pedestres na lama do asfalto, e, depois de recolhidas, restauradas e, em parte, reescritas, e de providenciado que estivessem sempre comigo e a salvo, à mão e à vista em todas as horas dos dias e das noites, até o prelo, dediquei afinal a raridade memória da minha irmã, em despique tardio aos espíritos imundos que a trucidaram, registrei o título "Xis" no notário local da Comuna, e com o meu verbo mexendo, engatilhado nas mãos, eu deslizava, célere, pelas ruas, pelas caladas, ora como num filme plácido, de câmeras potentes, dependurando, confortavelmente, sem me demover, um a um meu livrinho nas cruzes dos postes das ruas, cobrindo em um ai inumeráveis quarteirões, os bairros inteiros e toda a cidade, ora num outro filme pueril, de norte-americanas catástrofes, desbaratando monstros caricatos que me rilhavam os dentes e atravessando tsunamis que se abatiam sobre mim, até chegar de novo, incólume, ao
reduto das praças e à tertúlia das livrarias, com meu livro "Xis" causando muito zunzum, tititís, não tanto porque parecesse um negro ou um índio morto dependurado por toda parte, balançando nas cruzes dos postes das ruas ou porque estivesse indiscretamente exorcizado com as marcas d´água do sangue das cinco chagas de Cristo, mas porque sacolejava a cidade como se o primeiro míssil afinal devolvido da pacificíssima Rússia, tudo isso de estranho e semelhante ao de cujo conforme, tintim por tintim, escutei da minha irmã em seu leito de morte, a me cantar, inclusive, nomes, apelidos e escalões de lguns bruxos da cidade, seus locais de sabás, o que devo escrever para imobilizá-los e do quanto e de como podem ser perigosos esses demônios "literatejantes", o que por mim solenemente ouvido e anotado levarei a cabo na hora oportuna, porque comigo, maninho - maninha, te juro - a escrita vai ser diferente.
O LIVRO “XIS”
Um conto de Ademar Ribeiro
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Um trem desgovernado. Uma Apollo-11 que não tivesse saído chão, e o homem nunca alcançasse a lua (a lua é azul?). Um texto doido (de loucura mesmo!) e doído (do verbo dolorir). Um texto bonito (do substantivo boniteza). Arrasto. Arezo. Intermezzo. Um cálice
amargo. Um ai prolongado (aaaaiiii!!!). E um silêncio obscuro.
É tudo o que posso dizer deste conto de Ademar Ribeiro, “O livro Xis”, que me impressionou muito, sobretudo porque tem apenas um ponto (o ponto final!), e se processa como se os caracteres da Língua Portuguesa fossem apenas enfeites, que a pessoa usa
quando pode e quando bem quer.
Ao final da leitura (se houver perfomance num palco), o ator cai estatelado no chão (catapuuumm!), com os lábios roxos, por falta de respiração, e morre com o cérebro paralisado.
Este texto é riquíssimo em figuração e metáforas, tem uma força dos seiscentos diabos, é um discurso político de protesto e uma conclamação à desobediência civil.
Mas, a profusão de imagens, ao contrário de beneficiá-lo, torna-o um amontoado de palavras desconexas, a pretexto do lançamento do “Livro Xis”, sem dizer realmente a que veio, a quantas anda e porque se treslouca.
Cada sentença é um enunciado, tão rico quanto a Bíblia Sagrada em seus melhores momentos de armagedon. Daí porque o que acho é que existem embutidos neste conto
vários temas que podem muito bem servir de esteio para novos escritos desse autor, sem nenhum desdouro dos resultados.
É pegar ou largar!
Esta é minha humilde opinião.
Maria José:
Obrigado pelo esforço despendido na tentativa de leitura deste meu conto, quando outros se calaram diante dele em "silêncio ensurdecedor".
Sei que não é um grande texto, mas apenas um exercício de linguagem escrito
propositadamente sem pontuação, à moda da Casa, como prova de que também eu consigo parecer original...
Mas - desculpe que lhe diga - nada entendi do seu palavrório e discordo do pouco que entendi. O que vem a ser "arezo"?
Para mim, tudo que você escreveu tem dois pesos e duas medidas. Ou será mesmo má redação?
Mas aceito sua análise com serenidade e não vou tentar explicar aquilo que ou não carece de explicação, por estar muito evidente, ou não deve ser explicado porque pertence ao oculto. O importante é que o texto tenha causado "frisson", e não só a você, como estou certo que causou, a julgar pelo silêncio reinante.
Quanto à idéia de novos textos com o mesmo tema cabeludo: não pretendo fazer carreira como exorcista.
Abraços amigáveis
Ademar
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taí! gostei! bem escrito, bem elaborado, reli com muito prazer!
se sou concisa para poetar, mais ainda para manifestar meu agrado, né??
beijão
líria
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Não sendo crítico literário, diria que se trata de um bom conto na linha do fantástico, com linguagem escorreita, erudita, que denota o grande conhecimento do autor sobre o tema.
Como simples leitor, fiquei curioso em conhecer, mesmo em síntese, o conteúdo do XIS. Parabéns.
ZémariaZémaria:
Tive uma irmã, também poeta, que me confidenciava, em detalhes, antes de morrer, muitas das suas visões e delírios envolvendo pessoas do nosso meio como se fossem verdadeiros bruxos e demônios. Partindo desse material insólito, e de outras impressões pessoais, bem realistas, colhidas quando do lançamento do meu sexto livro, aqui na minha província, é que vim a escrever este conto, anos mais tarde, como forma de "exorcismo".
Não sou contista, mas poeta pra lá de bissexto, e aqui vai o meu poema mais recente,
especialmente para você:
Química do poema
Ademar Ribeiro
Quando matares,
não mates por dia,
não mates por mês,
nem mates por ano.
Não mates com tora,
em tocaia, na esquina,
não mates com vírus,
não mates com bala
nem arma de cano.
Não mates só um,
nem apenas dois,
nem somente três,
nem setenta e cinco,
nem cinco mil e poucos.
Mas, ao matares, agora,
e quando matares ainda,
mata, sem pena, de vez, e por cima,
na química do poema, na cabala da rima,
oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e oito.
Abraços.
Ademar RibeiroO texto do Sr. Ademar Ribeiro
Tentei ler o texto do Sr. Ademar Ribeiro com a maior isenção possível (o que é difícil), confesso.
Conto?
Claro que não!
Há no conto características intrínsecas, tão profundas e definidas, que não é possível confundir o conto com outro gênero.
O leitor sabe, o leitor percebe.
O texto de Ademar Ribeiro é carregado de adjetivos, peca pela prolixidade narrativa de (pequenos) eventos repetitivos, é fraco de enredo, e pobre na trama.
Como diria Antonio Candido: "o conto é constitutivo de elementos essenciais (trama, idéia e personagens) , mesmo quando não aparecem , estão lá", o que não é o caso do texto em questão.
Bem, se não é conto, não é crônica, muito menos poesia , entendo válido como exercício, porque escrever é preciso, mas claro está que não é esse, do Autor, o ofício.
Concluo, lembrando Drumonnd , falta ao Senhor Ademar Ribeiro, apesar de todas as tentativas de parecer íntimo das palavras e das letras, o principal: - a chave, aquela que abre para o leitor o mundo mágico da boa escrita.
Amina RutharObrigado, Amina, pela sua reflexão sobre meu texto, suas críticas bem arrazoadas e palavras respeitosas.
Eu não mereço tanta deferência.
Ademar Ribeiro
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Ademar amigo:
Eu estou já desistindo da minha vocação de Crítica Literária. Em primeiro lugar, porque não tenho as ferramentas adequadas para analisar textos de seu ninguém, uma vez que não consegui concluir meu curso universitário, onde bem poderia colher os saberes necessários para dar meus pitacos. Em segundo lugar, toda vez que eu critico um texto de sua autoria, Ademar Lindo, você não fica satisfeito com a minha humilde colaboração e pede sempre mais, como se eu tivesse alguma coisa a mais para lhe dar. Pois fique sabendo: não tenho. Você terá de se contentar com o pouco que me cabe... Ah-ah! E sobre seu texto “ O livro Xis” era isto mesmo que eu tinha a lhe dizer. Se bem que não me contentei em fazer uma crítica formal, e sim uma análise meio doida, bem dentro do espírito do seu conto que, aliás, é conto mesmo, embora sob os protestos de Amina, que diz que o texto não é conto. O resto que me faltou dizer Amina disse tudo. E muito bem-dito. Devolvo para você as palavras que me disse, um dia, quando protestei em relação a crítica que você fez de um texto meu: “Aceite nossas críticas com humildade” . Viu? Eu também sei retaliar. Saludos. Maria José Limeira.Para Maria José:
Tá bom, tá bom, tá bom!!!
Faz de conta que não acabei de ler nada, vou me fazer de morto por alguns tempos, como alguém que conheço, e depois veremos...
Quando a Amina superar sua fase vulnerável e estiver de novo pronta pra briga, a gente se fala..
Quero saber quando foi que o Carlos Drummond e o Antônio Cândido encontraram a "chave mágica" para escreverem conto mais arretado que o meu..
Aliás, essa tal "chave mágica" me lembrou uma piada que o Otoniel me contou, bem
"pasoliniana", no melhor estilo "Decameron":
A freirinha, muito nervosa, foi se queixar à Madre Superiora de que um certo padre havia posto "aquilo" na sua mão, dizendo ser a "chave do céu". Ao que a outra retrucou:
-Aquele é um cabra safado!!! Pois não é que outro dia queria por na minha boca dizendo ser "apito de chamar anjo"!
Abraços
Ademar.Vulnerável sim, estátua não!
Para que saiba: - minha vulnerabilidade de forma alguma apara minhas garras, ao contrário mais afia.
Quanto a bibliografia citada :
1. Antonio Candido:
Formação da Literatura Brasileira
INVESTIGAÇÕES, Lingüística e Teoria Literária
CRÔNICA:O GÊNERO,SUA FIXAÇÃO SUAS TRANSFORMAÇÕES
2.A chave , referida por Drumonnd , citada:
2.1. na tese de Doutorado de Affonso Romano de Sant'Anna ( ENTREVISTA
REGISTRADA) - arquivos e distribuição PUC -RIO
2.2. na palestra de Lygia Fagundes Teles -Contos , anais da ABL
Leia, gostará com certeza!
Amina Ruthar
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Uma mensagem que a Maria nos mandou dizendo que por aí afora há muito pseudo-leitores, que dizem que lêem muito q na verdade é, tão somente, uma máscara "cult". O conto do Ademar não recebeu muitos comentários e isso não quer dizer que as pessoas não o leram. Eu acredito que este texto é muito difícil, primeiro por sua linguagem.Prefiro ficar aqui na leitura confusa a tecer qualquer comentário. Digo com toda a sinceridade que não entendi muito o seu conto e tenho receio de dizer o pouco que entendi pois não é seguro.
Abraços.
Hilton Júnior.Fique à vontade, Hilton.. Quem sabe você não traga a centelha de lucidez que faltou à
Limeira e à Amina!
Ademar
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Ademar amigo. Protesto veementemente! A tal "centelha de lucidez", com licença, falta a você, que não entendeu o espírito da crítica que fiz ao seu texto lindo, utilizando uma forma não convencional, bem dentro do sentido do seu livro Xis.
Em segundo lugar, tirando alguns detalhes com os quais não concordo, a crítica de Amina foi, ao contrário, altamente formal e disse claramente algo que você estava precisando ouvir.
Terceiro: arranque seu umbigo fora, que ele está atrapalhando seus argumentos e impedindo-o de crescer como profissional da escrita.
Sem mais nada a acrescentar, e encerrando o assunto, aceite meus cumprimentos.
Maria José Limeira.Meu caro Hilton. Fiquei surpresa com estas suas considerações.
Primeiro: você se refere a um texto de Maria da Conceição (Frô), que divulguei na lista, onde ela exorta os poetas a, além de colocarem seus textos, comentarem também os textos dos colegas, no caso, na comunidade "Poesia sem livro", da qual é moderadora no orkut. Você entendeu o texto errado. Eu apenas transpus a preocupação dos moderadores quanto ao trânsito de textos em listas de discussão, onde a maioria dos cadastrados apenas divulga seus textos, sem se importar de ao menos ler, e depois comentar, os textos dos colegas.
Em segundo lugar: eu acho da máxima prioridade que alguém, ao não entender, ou não apreender bem as mensagens contidas nos textos, que peça explicações ao autor sobre a forma e o conteúdo, que isto não tem nada demais...
Fiquei mais surpresa ainda, com sua alegação de que não arriscaria um comentário ao texto de Ademar "porque não é seguro"... Uma pergunta incômoda, amigo Hilton: de que você tem medo aqui? Outra pergunta mais infame ainda. Desarme-se e me responda: aqui é, por acaso, guerra do Iraque, ou tiroteio em Bagdá? Saludos e aguardo.
Maria José Limeira.Realmente Maria,
Entendi tudo errado, fiz uma leitura besta do que você colocou e tirei conclusões erradas. Eu realmente não entendi "patavina" do texto do Ademar e esperei os comentários, que não aconteceram, dos colegas para tentar aclarar minhas idéias em relação a eles. Confesso que, muita vez, e ainda, me sinto inseguro ao escrever depois das linhas que leio por aqui, isso não é culpa de ninguém e não acho que aqui é guerra nenhuma, acredito que minhas linhas não tem profundidade e poesia suficiente. Parei com tudo nos últimos tempos pra tentar achar e reorganizar os meus conceitos literários. Vontade não me falta. Realmente fiz comentários infelizes nos últimos posts e peço que re-considerem o amigo inseguro aqui e aceitem a garantia de melhores leituras, pelo menos mais atentas, e meus comentários mesmo que cheios de falhas e desconhecimentos virão para que vocês possam examinar e discutir comigo. Aqui Maria, diferente de tudo por aí, é um lugar de paz, mesmo com as discussões mais acirradas e muita vez briguinhas, encontro paz ao ler meus e-mails e tenho
extraído muito por aqui, de tudo.
Vamos pra frente que tem poesia atrás da gente.
Abraços
Hilton JuniorPrezado Hilton Júnior. Você é um rapaz jovem e, se não me engano, novato na internet e em listas de discussão. Eu peço desculpas se fui muito dura com você, exigindo além do que você está preparado para nos dar.
Hilton, vou-lhe confessar uma coisa. Eu sou campeã de mancadas na internet, e já caí em muitas gafes por aí a fora.
Estou numa lista de discussão no orkut, chamada “Cybercultura”, rodeada de “doutores”, e tem horas que eu realmente me perco. A internet é um poço sem fundo, e não dá para ler as mensagens apressadamente, senão dança...
Eu tenho notado seu esforço incansável para acompanhar os trabalhos da lista, e como você tem boa vontade para manter as discussões.
O conto de Ademar é realmente de difícil entendimento, porque o autor usa uma linguagem nova para se expressar, diferente daquele começo-meio-e-fim tradicional. Até eu senti dificuldades para analisa-lo, pois não é um texto que se abre na primeira leitura.
Continue suas atividades na linda lista, e me desculpe o atabalhoamento.
Saludos. Maria José Limeira.Rescaldo - Livro "Xis"
Antes de colocar o meu conto " Livro "Xis" na Lista, para análise, não lhe dava a importância merecida.
Mas agora as coisas mudaram, ao constatar que, mesmo sendo ele um texto propositadamente "despontuado", de estrutura insólita ( único ponto vulnerável por onde
a oposição atacou ) e eu ainda um contista amador, conseguimos provocar um grande reboliço anímico em quantos o leram.
Esse fato surpreendente deixou-me bem motivado para escrever também prosa, apontando-me novos caminhos além da Poesia a que sempre me dediquei.
Agradeço a todos pelo grande favor que me fizeram, e passemos adiante, que isso foi apenas um texto..
( _Um texto, meus colegas!!! ), como diria a Maria Limeira..
Só que as amigas se esqueceram de analisar o texto no seu aspecto contextual, nas suas implicações temáticas, onde reside o seu "miolo".
- Medo da "Virginia Wolf"?
Ademar RibeiroUM TEXTO DE LÍRIA PORTO
EM DEBATE:
“RELÂMPAGOS DE UMA NOITE ATORMENTADA”
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relâmpagos de uma noite atormentada
líria porto
sonhei com leminski
deu-me um uísque
e um lampejo
tenho sorte
há sessenta anos
não me levo à morte
preciso aprender com acertos
erros não ensinam ninguém
a ponta do sapato
quando avistou a barata
cometeu assassinato
isto é o pé direito
porque o esquerdo
fez o enterro
terremoto
maremoto
motorista
motosserra
moto-boy
moto-contínuo
não importa o que pensem
somos donos da nossa loucura
e da nossa lucidez
a morte acampa
atrás das curvas
onde morrem os maridos
nascem as viúvas
maledicentes e serpentes
têm o mesmo veneno
tu me negaste três vezes
depois passei muitos meses
sem me enxergar no espelho
e tanto puxei o fio
acabei puxando um rio
um mar cheinho de peixe
melhor é fechar a boca
talvez até ficar rouca
a dizer inconseqüências
entre o céu e a terra
só uma coisa me emperra
essa coisa sou eu mesma
tanto mais penso estar certa
mais permaneço alerta
pode ser engano ledo
suportar as agruras
só bêbado!
RELÂMPAGOS DE UMA NOITE ATORMENTADA
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Ao ler “Relâmpagos de uma noite atormentada”, de Líria Porto, fico pensando: é a primeira vez que encontro esta autora - cujo poder de concisão é dos mais admiráveis que conheço na Internet - num texto longo (longuíssimo!), prolixo e redundante... Ora, meus amigos & amigas, acho que o sentido do relâmpago diria exatamente o contrário, pela rapidez com que corta os ares, e pela fugacidade própria desse fenômeno da Natureza, o qual assusta e causa horror, principalmente em crianças buliçosas como imagino que a Líria seja...
Mas, nem tudo está perdido, porque a autora soube resguardar a unidade do seu texto, sem se perder pelo meio do caminho, num poema cheio de metáforas, rico em simbologias, etc. etc.
Noites atormentadas são coisas que não nos tem faltado ultimamente, e este texto de Líria parece que vem a calhar, pois o terror insuportável e indigno dos céus do nosso País tem invadido nossos lares, sem trégua, sem dó e sem pena, com as notícias alarmantes de mensalões, corrupção política dando no meio da canela, e mais as agressões pessoais de fora a fora, partidas de cabras safados que não querem nossa felicidade, e ajudam a afundar nosso barco em águas perigosas...
Eu, que há anos não coloco bebida alcoólica no meu organismo, confesso que tenho pensado seriamente em voltar ao vício. Pois, diga-se de passagem: é melhor se atolar em merda, bêbada, em desatino, mas contente, do que agüentar uma realidade, sóbria, sem qualquer prêmio...
Daí por que, Meninos & Meninas, acho que este meu estado de espírito tem tudo a ver com o poema de Líria. O vice-versa também é verdadeiro!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
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oi, maria
estou morrendo de rir - na verdade foi uma noite atormentada, eu acordava, escrevia algo num pedaço de papel, cochilava, acordava, escrevia outra coisa - depois juntei tudo, fui passando para o computador, não necessariamente numa ordem - não há conexão de uma estrofe com a outra!
pensei que entenderiam assim! cada cabeça uma sentença, né?
se pensarmos que é um poema só, puxa vida, isso é mesmo um samba do crioulo doido!
beijo
líriaTexto: relâmpagos de uma noite atormentada
Autora: líria porto
Comentário: Ademar Ribeiro
Sei, bem melhor que ninguém, que não se pode "matar um leão por dia".
Eu mato, em média, quando muito, um ou dois por ano, e ainda o pessoal acha pouco.
Mas esse texto da Líria é "gato". Do tipo "colcha de retalhos". Desses, aliás, que têm andado bem na moda, na nossa Linda Oficina Literária e que vão do amarelo-rosado ao cinza-chumbo e do branco-geladeira ao marrom-fúcsia.
Não sei, na verdade, por onde pegá-lo para fazer meu comentário, e pergunto à amiga Líria se estaria mesmo sóbria ao escrevê-lo.
Ademar Ribeiro
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estava sonolenta, ademar, e os agrupei, embora cada um tenha vida própria - na verdade cada um nada tem a ver com o outro - são relâmpagos individuais...
beijão
líriaNão sou crítico literário, mas sigo as regras. Líria Porto é grande e profícua poeta. Detalhe. Cada dia ela ousa inovar. Este poema cheio de aparente non-sense, quase à maneira dadaísta me encantou.
Considero bom o poema quando o leio e me emociona. O poema de Liria me emocionou, com seu lírico e moderno sarcasmo.
Tenho dito.
zémaria
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pois é, zé, também não sou crítica literária e sempre fico assim, como tu, na hora de dizer o que "sinto" frente a um poema - obrigada pelos teus olhos lindos sobre o que escrevo! sabes como gosto dos teus versos, ainda ontem estava ali, dando umas bicadinhas no teu livro, que adoro!
beijão
líriaO Poema da liria a primeira vista foge um pouco do seu estilo, mas acredito que as explicações que a autora nos deu deixou a coisa mais clara: esta deve ter sido uma noite dificil liria....rs.
Mas cada estrofe é uma independente das outras e cada uma contém uma verdade, uma linha de pensamento que toca a alma, aí estamos falando de liria porto, sempre concisa e elegante nas verdades que propõe.
Claro que este texto pode ser lido como um todo partindo da idéia do seu titulo, nossos sonhos desconexos, nossos pesadelos são assim, cheios de verdades loucuras, medos e reflexões.
Abraços
Hilton Júnior
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obrigada, hilton, pelas tuas palavras, conseguiste, melhor até do que eu, captar a noite de tormentas!!!! não havia sossego, meio dormindo, meio acordada, com o estômago dando voltas, algo me acordava e me impelia a escrever assim, coisas desconexas! então pensei - isso é uma loucura!
No entanto, vou mandar como nasceu - pedaços de poema rasgados, espalhados...
beijão
líria
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Os versos de Liria Porto, são de fato relâmpagos do sentir.
Como bem disse a Autora: - anotações noturnas vindas da alma livre, sem maior compromisso com rédeas ou métricas.
Abraços,
Amina RutharUM TEXTO BONITO EM DISCUSSÃO:
"CANTIGA DE ADORMECER TRISTEZAS",
DE AMINA RUTHAR.
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cantiga de adormecer tristezas
(para Matheus, que luarizou)
um gesto mudo
no silêncio dos lírios sobre a mesa
vultos das palavras de linho
no monograma azul das ilhas de madeira
e essa súplica rasgando a sobre-tarde
menino,
quero uma canção de magias
daquelas que a gente inventava
para desvendar os segredos
quero um ramo de sonhos
daqueles que a gente escrevia
para assorear os medos
ideogramas, menino
de calar sozinhices e adormecer tristezas
até que essa lágrima te abrace nos rastros de um cometa
Amina Ruthar
25/06/2005
Um texto de Amina Ruthar
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Ahmeudeusdocéumeudeusdocéu... Eu gostei tanto dessa “Cantiga de adormecer tristezas”, de Amina Ruthar... Parece assim um texto lindo que foi escrito para mim e para todas as pessoas de sensibilidade que transitam comigo em todas as listas. Abre uma clareira no deserto, e pousa como helicóptero da paz em missão de salvamento... Esta criança que “luarizou” realmente é um achado. E a “sozinhice” mineira?
Eu não sei por que, mas este texto me lembra aqueles enterros de crianças que se realizam em cidades do interior, ou nos bairros de periferia, onde o caixãozinho do “anjo” é carregado a pé, acompanhado somente por crianças, com umas flores pobres nas mãos, e etc. etc.
E “essa súplica rasgando a sobre-tarde” realmente me pegou desprevenida.
“...assorear os medos” também foi demais. Foi demais, Amina Linda!
Eu gostei muito deste texto, rico em detalhes que fogem da mesmice convencional, e criam alguma coisa que é o Belo que toda Poesia exige.
Saludos, Poetisa, com uma reverência respeitosa!
sou sei "gostar" ou "não gostar", sentir um poema - gosto da escrita da amina, já manifestei isso muitas vezes! esse é para mim um poema triste, mortes precoces me tocam sobremaneira, ainda mais escritas de um jeito bonito assim!
" ideogramas, menino
de calar sozinhices e adormecer tristezas
até que essa lágrima te abrace nos rastros de um
cometa"
abraços
líriaEssa memina Amina neologiza, escreve bem. Me buleversa a sua poesia, como diria Bandeira.Dá vontade da gente ser esse menino a quem ela se dirige, no seu afã de desvendar os segredos da vida, afastar os medos e adormecer as tristezas. Não é isso que os poetas buscam?
zémaria
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Este poema da Amina não foge ao seu estilo elegante, sério e cheio de imagens emocionantes. Um texto que não dá pra ser lido uma só vez e cada vez visualisamos mais emoções.
Lindo Texto
Hilton
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Liria/Maria/Hilton ...
Obrigada :
- pela leitura e comentários.
No olhar do outro , somente, nossa palavra: - semente!
Bom Final de semana e toda Poesia.
Abraços de AminaTexto: Cantiga de adormecer tristezas
Autora: Amina Ruthar
Análise: Ademar Ribeiro
Para mim, em princípio, nem os qualificativos de "sério" e "elegante", do gentil colega Hilton Junior nem os exclamativos "aiaiaimeudeusdocéumeudeusdocéu"..., "helicóptero da paz" e outras incontinências da doce Maria Limeira seriam pertinentes na análise de um texto literário.
Não obstante, quando reportados ao texto em discussão, vêm a calhar como uma luva, resumindo, com acerto, o que do mesmo se poderia dizer.
Eu ainda iria mais além, para ajuntar ao que foi dito mais algumas das minhas tolas considerações.
Este poema foi escrito com vocabulário e retórica característicos de uma certa poesia dita moderna, repleta de termos e imagens supostamente inusitados, mas que, de tão repassada de poeta a poeta, por décadas e décadas de Modernismo, parece repetir sempre a mesma cantiga sempiterna, diante da qual não tenho como não bocejar.
Isto porque não reconheço a Poesia como fenômeno atemporal isento do registro espaço/tempo, mas como seqüência evolutiva, no mínimo revolucionária, da própria realidade.
Porque, segundo penso: se até mesmo Deus, de tão irado com as atrocidades terrenas, já estaria prestes a reformular seus conceitos diante da Eternidade, por que não também nós, poetas, mortais, diante de uma poesia fastidiosa e imutável ?
Isso é o que penso e o que manifesto, com o devido respeito, acerca da Poesia em geral, deste texto em análise e dos comentários a ele tecidos.
"Helicópteros da paz".. - Pois sim..PARA ADEMAR:
Uahauahuahau!!! Ademar amigo. Você é uma pessoa surpreendente: sempre mijando fora do caco, e sem aceitar as rédeas que lhe quiseram impor, como é que vai exigir dos outros aquilo que não serve para você?
Eu posso fazer minhas críticas literárias com quantos “ais meus deuses dos céus” eu quiser, e ninguém tem nada com isto!! Posso expor minhas opiniões de ponta cabeça, jogando amarelinha no meio da rua, dando cambalhotas e saltos mortais... ora.... ora, ora... Já se viu uma coisa dessas? E eu nem preciso dizer aos amigos nada mais sobre o que você ajuntou de minha pobre análise do texto de Amina. Você mesmo já disse:
são tolas suas considerações!
Desde o começo ficou combinado entre os amigos desta Linda Comunidade que cada qual se junte com seu cada qual e faça uma análise sincera sobre os textos. E você não tem fugido a esta regra, com sua presença constante e sua atenção a tudo que se passa por aqui.
Mas, ficou combinado também que devemos opinar a partir do texto do autor, e não tomando como referências gostos pessoais ou de como eu escreveria isto usando outras palavras...
E quanto aos meus helicópteros, são meus, e pronto, posso usá-los em defesa da Paz. E que você use seus aviões cheios de mísseis na direção de quem você quiser, já que optou por assumir a fantasia de Senhor da Guerra.
E olhe aqui pra você:
aixydi#*&dodduyrvbnmkjknnbmmgvzxlkgfm,idjdldfjk
dfhjsdhgassuduauahsdkdkdkdkddj!!Ah-ah!
Maria José Limeira, dando ri