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UM DEBATE PRODUTIVO:

 

Como receber as críticas?

Proponho o seguinte debate, pois estou preocupada com o desenrolar dos acontecimentos em algumas comunidades literárias.

1. Devemos só elogiar os textos, quando gostamos, e silenciar quando não gostamos?

2. Como lidar com as pessoas que pedem comentários aos seus textos, mas só aceitam se forem elogiosos?

3. Como lidar com aquelas que reagem negativamente em relação a quem usar de sinceridade e faz uma crítica contrária?

4. O que beneficia mais o autor: a crítica elogiosa ou a opinião contrária?

 

Podemos discutir este assunto inquietante?

Saludos e aguardo.

Maria José Limeira.

..........

  

Como receber as críticas - minha visão:

 

Minha amiga Maria:

Aí temos que deixar claro o que significa a palavra crítica. Como ex-participante da tua lista e de mais algumas outras, falo como resultado da minha observação pessoal. O que acontece é que as pessoas esquecem de criticar e partem para ataques quase pessoais. E pode ter certeza de que os que assim procedem nem escrever sabem. Juntam palavras daquelas que a gente precisa do dicionário, fazem frases "estrondosas", arrumam uma em baixo da outra e chamam de "poesia", esquecendo-se que poesia é o estado das coisas, que a busca tem que ser incessante. Na tua própria lista, assisti (e ainda acompanho eventualmente via blog) verdadeiros massacres às pessoas, verdadeiros atentados. E os autores são sempre os mesmos "poetas". Por essas e outras é que não participo mais de listas, e não é por temer críticas, que as recebo às duzias por e-mail e em alguns veículos onde publico. É que gosto e preciso de críticas e não de manifestações explícitas de inveja e despeito.

Biejomeu pra você.

Nel Meirelles

- Postado por: Oficina às 22h22
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Um debate - Cont.

Com licença...

Com todo respeito, e você sabe como admiro sua coragem, sua ética, e sua Poesia Linda, Nel...

Aproveitemos para esclarecer alguns pontos de suas observações:

 

1. "Massacres"... As pessoas confundem opiniões contrárias com "ataques pessoais".

E não existem massacres quando a palavra é "elogio"... Concorda comigo?

2. Deixar de participar de listas... Acha que é solução? Ou um ato de força? Ou melhor: uma postura anti-democrática? Não seria mais lógico continuar a participar das listas, para tentar melhorá-las, ao invés da despedida zangada?

 

Obrigada pela sua participação, e vamos continuar este debate muito salutar, e no sentido de que poderá mudar alguma coisa... Saludos, Poeta Lindo! Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h19
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Um debate - Cont.

V oltando..

Minha doce amiga: 

a) Quando eu falo em "massacre", me refiro à falta de educação que percebo. Eu posso criticar um texto sem desrespeitar o autor. Ou não? :) As pessoas são desnecessariamente agressivas. É isso :) 

b) Aceito críticas com o maior prazer, desde que eu perceba que quem me critica tem cabedal para tanto, seja artístico, seja acadêmico. De resto, não. 

c)Optei por deixar as listas justamente por não identificar as qualidades necessárias para exercer a função de crítica, e justamente nas pessoas mais virulentas. Não sou obrigado a conviver com mal educados.. rs 

d) Vc não tem idéia da quantidade de e-mails que recebo com críticas e sempre as levo em consideração, como forma de crescimento e de enriquecimento literário. 

e) Democracia não me obriga a conviver com o que não gosto.:)

 

meu beijo de carinho.;0

Nel Meirelles

 

esqueci

f) vindo de certas pessoas, considero eventuais elogios ao meu trabalho como "massacre" rs, rs e mais risos.:)

beijo!

Nel

- Postado por: Oficina às 22h16
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Um debate - Cont.

Oi, oi, Nel

Menino Lindo. Não sabe como estou aprendendo aqui nesta convivência memorável e com suas indicações sobre listas literárias e oficinas...

Saiba que eu não tenho medo das críticas, sejam de que tipo forem, inclusive com "agressões pessoais"... Portanto, não fique constrangido de ser sincero conosco, pois, a esta altura dos acontecimentos, não estou procurando "panos quentes" para acalmar minhas dores que são muitas...

Nel, os leitores criticam nossos textos, a maioria com o silêncio, e também não comprando nossos livros... Por exemplo: qualquer livro de Paulo Coelho: pode ser bom como quê, não compro! Por quê? Porque tenho minhas próprias referências de literatura, que passam bem longe deste belo autor. E nem preciso criticá-lo. Dou-lhe de presente meu silêncio zangado...

A crítica, por mais ferrenha que seja, é um ato de solidariedade do leitor para com o autor. O silêncio é que magoa mais!

Não acha? Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h12
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Um debate - Cont.

Maria e Nel

Concordo parcialmente com ambos.

 

Acho que inicialmente é preciso levar em consideração que a palavra crítica engloba, a censura bem como o elogio,  frente a isto entendo que Criticar é tanto apontar falhas quanto elogiar.  

Pessoalmente, mesmo que possa parecer mero clichê prefiro um censura fundamentada a um elogio forçado,

não sei se me fiz entender... Tenho muita dificuldade para comentar, pois não tenho conhecimento literário para tanto, eu acho que para censurar é preciso apontar os motivos pelos quais efetuo tal ato. Mas, gostaria de também

possuir conhecimento suficiente para fazer elogios subatanciados, ou seja, mais do que um mero " lindo". 

Concordo com o Nel, quando ele afirma ser desnecessário agressões pessoais, acho que a censura passa bem longe disto e, infelizmente tenho assistido a espetáculos deprimentes que nada acrescentam ao autor. 

Mas, discordo dele concordando com você Maria, que o afastamento das listas não é profícuo. 

Este meu posicionamento no entanto leva-me a ponderar muito antes de comentar algum texto,principalmente quando solicitam que o mesmo seja comentado. 

Eu não me sentiria constrangida, se você ou o Nel, pedissem algo do gênero, pois tenho plena consciência de que ambos possuem maturidade o suficiente para entender,mas e alguém desconhecido?? como agir?

Andréa

..........

  

Continuando...

Ontem por exemplo, numa comunidade em que participo, um membro solicitou comentários ao seu texto...

achei a idéia do texto interessante, não obstante precise ser retrabalhado, acho ainda que da forma escrita a leitura tira o fôlego.. Mas, me senti constrangida em tecer todos estes comentários...restringi-me a parte dele.. não sei até onde agi corretamente. 

Na mesma comunidade, postei um pequeno texto (que sequer ouso denominar de poesia), e o fiz com a intenção

avaliar se daquilo seria possível criar algo com mais substancia, as vezes faço isso...Um membro que não gostou, ao invés de dirigir-se diretamente a mim, abriu novo tópico generalizando, coisas assim acho desnecessárias e deselegantes.  

Creio que também é preciso tomar cuidado ao censurar, pelo simples fato de não gostarmos do estilo. 

Com isto quero apenas dizer que não obstante de modo geral eu não goste de textos muito longos, isto não significa que eu vá considerar todos os textos longos ruins, ou que eu considere bons todos os textos curtos. 

Finalmente acredito que sem crítica ( censura) não há crescimento.  

Beijos a ambos.

Andréa

- Postado por: Oficina às 22h10
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Um debate - Cont.

 

Bem vinda ao imbroglio, Andrea :)

Minhas queridas Maria e Andrea:

 Quando a doce Maria deixa de comprar um livro do Paulo Coelho, ela não o está ofendendo. Está exercendo o seu sagrado direito de escolha. Agora, se ela envia um e-mail pra ele dizendo que acha o que ele escreve é uma bosta, que ele é um imbecil e coisa e tal, aí não é crítica, é agressão. 

Se alguém diz que um poema meu não o agradou por isso e por aquilo, se fundamenta sua posição, claro que é bem vindo e eu vou usar esta informação para crescer. Agora, ler o que eu já li na lista, vão me desculpar, não é crítica. O mínimo que me parece é que é inveja de quem não tem capacidade de se expressar. 

Quanto ao afastamento das listas, repito que não sou obrigado a conviver com pessoas mal educadas. Uso esse conceito na minha vida pessoal e não abro mão de respeitar e ser respeitado. 

Agora, análise literária é matéria árdua, pois envolve além dos conceitos técnicos, uma coisa extremamente subjetiva que é o conceito de estética de cada um. 

beijos :)

Nel Meirelles

- Postado por: Oficina às 22h05
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Um debate - Cont.

Oi, Andréa. Olá Nel...

Andréa Linda. Saiba que é muita honra para nós tê-la aqui em nosso meio, discutindo coisas e bradando contra os erros e apontando caminhos... Seja bem-vinda. Viu? Andréa, em minha longa experiência com oficina literária (sou uma crítica ferrenha e uma leitora exigente. Mas, dou o direito aos meus opositores de responderem na mesma moeda...), tenho enfrentado barras na internet, má-vontade, expulsões de listas, sofro perseguições, e tudo porque eu digo o que penso com todas as letras. Porém, há um lado bom na história. Sou muito cortejada para analisar textos e escrever prefácios de livros de pessoas que nem sei quem são, pois não as conheço pessoalmente. Já perdi a conta de quantos prefácios de livros eu fiz e esses textos estão espalhados na internet inteira e nas mãos dos leitores que compram os livros... Meu princípio é um só: quando gosto, digo que gosto e por quê. Quando não gosto, digo também. Não sou crítica literária formal. Sou apenas uma leitora atenta... No meu entender, não existe crítica "isenta". Os textos nos tocam de acordo com nosso nível cultural, nossa educação etc.

Nel, obrigada pelos esclarecimentos, e vou voltar ao assunto. Saludos. Maria José Limeira.

..........

 Peço licença

Peço licença aos colegas para arrastar estas mensagens para a minha Oficina Literária no egroups, onde o Nel já esteve. Creio que será de grande ajuda para esclarecer algumas coisas estranhas que estão acontecendo por lá. Saludos e aguardo respostas. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 22h02
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Um debate - Cont.

Paulo Coelho: uma grande merda!

Pois me desculpe, doce Nel, mas era justamente isto que eu gostaria de dizer ao Paulo Coelho sobre a literatura dele, e o mais interessante é que já vi outros críticos dizerem esta mesmíssima coisa a ele, e não foi através de email, foi pela grande imprensa mesmo e nos sites da internet... Um autor tem que conviver com esses atropelos, pois no momento em que divulga sua obra, ela já não lhe pertence. Então, do mesmo modo que uns elogiam, outros jogam pedras. Isto é inevitável. Ninguém pode fugir desses embates, alegando que quem faz crítica contrária é "mal-educado", e "bem-educado" seria quem elogia... Estou muito interessada neste debate, porque certa vez pedi-lhe para analisar criticamente minha Oficina Literária, e estou tomando suas críticas como se fossem dirigidas a ela, à minha Oficina Literária especificamente, incusive citando o blog e a "sua lista". Não que eu não concorde com alguma coisa que você diz (tanto que estou aqui discutindo), mas discordo também de muita coisa. Viu? Esta discussão vai me servir de guia para fazer algumas modificações em nosso desempenho, a fim de adequá-lo aos objetivos para os quais a lista foi criada... Saludos, e obrigada, amigo Nel, pelo que puder nos ajudar... Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 21h59
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Um debate - Cont.

Maria e Nel

Inicialmente agradeço o carinho com o qual fui recebida :)

Maria, por mim você está autorizada a transcrição do tópico, sem qualquer problema.

Agora passo a responder especificamente as colocações de ambos:

Inicialmente entendo que a discussão sobre crítica, passa por outra discussão o ato de escrever é um Dom ou um Exercício? Entendo que compreende as duas coisas é um dom que precisa ser exercitado, aprimorado.

Assim sendo, a crítica faz-se necessária como aprendizado. 

Nel, concordo que você e ninguém é obrigado a conviver com falta de educação, esta na minha opinião passa longe do que entendo por crítica (censura).

Mas, diga-me com toda a sinceridade, este afastar-se das listas efetivamente é uma decorrência da falta de educação alheia ou mero ato de acomodação? ( afasto-me para não me aborrecer ao invés de enfrentar a situação).

Maria, apesar de mantermos contato há pouco tempo, conheço um pouco de sua trajetória, na verdade conheço estórias ( se veridicas ou não desconheço). Mas admiro-a pela firmeza de seus atos e postura.

No entanto, no que respeita a censura específicamente, e em momento algum digo que você assim procede,

concordo com o Nel quando este afirma que muitas vezes as pessoas são agressivas desnecessariamente.

Acho que existem diversas formas de ser dito que algo não presta, ou que poderia ser melhorado,

sem ferir sensibilidades.

Posso chegar a alguém é dizer-lhe simplesmente seu trabalho é uma merda (nada estaria acrescentando ao autor

e poderia estar tolhendo um diamante ainda não lapidado). Mas, poderia dizer-lhe que o trabalho dele poderia ser melhorado, se viesse a ser retrabalhado ou dizer-lhe que está muito aquém de outros por ele já produzidos expondo os motivos técnicos ou não que me levam a tal conclusão.

Não obstante, mais uma vez concorde com a Maria em sua afirmação de que não existe Crítica isenta, creio que o local onde se faça referida crítica

é importante.Espero estar contribuindo de alguma forma à controvérsia.

Andréa

- Postado por: Oficina às 21h57
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Um debate - Cont.

Meninas

Como é bom poder trocar idéias assim, de uma forma educada e respeitosa! :) E essa é a diferença, minha querida Maria: você pode dizer ao Paulo Coelho que a literatura dele é uma merda, mas não pode dizer que ele é um merda, até pq você não o conhece.:) E volto ao ponto de partida: crítica é crítica e falta de respeito com a pessoa é outra coisa.  

No caso específico de uma lista, penso que o principal objetivo é o crescimento da cada um, através das críticas. O que ocorre é que as coisas em listas, por sua prórpia natureza, são caóticas. Uma pessoa posta um texto e 20 pessoas postam ao mesmo tempo. Aí os egos inflamados começam a malhar as outras pessoas (e não os textos) e a coisa se transforma em uma guerra.  

Andrea: não acho que sair da(s) lista(s) seja acomodação não. É falta de saco de aturar gente ignorante querendo palpitar sobre o que não conhece. Seria como eu entrar em uma lista de física quântica e querer dar palpites. Impossível. 

Então as pessoas empilham frasesinhas rimadas e acham que são POETAS (e se assinam como tal, como se poeta fosse um título acadêmico)e desandam a falar bobagens. Juro que não tenho paciência.:) Pode ser que eu esteja virando um velhinho ranzinza... rs 

De qualquer forma, esta nossa discussão está deliciosa, justamente por isto: estamos no campo das idéias, que é o caminho para a LUZ. 

beijos às duas.

Nel Meirelles

- Postado por: Oficina às 21h53
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Um debate - Cont.

Indo para a forca

Eu sou suspeito nesse assunto

Até por que quando digo que não gosto, deixo bem claro por que. 

Sempre faço o possível e o impossível para não agredir quem escreveu o texto. Sou direto e incisivo sobre o que está escrito. 

Chamei a pouco tempo um texto de "ingênuo", dizendo que ele era próprio dos "escritores que se iniciam". 

Quase fui linchado em sítio público (perdoem-me o trocadilho, admito, infame) 

Nel estava por lá e assistiu a esta cena. 

Poemas são como filhos. Ninguém gosta de ouvir dizer que o filho é mal criado... mesmo que saiba que ele é. 

O processo de "desinflamento" do ego é doloroso, pois o despreendimento do EU é algo que nem todos nós conseguimos, e quem consegue, nem sempre o consegue com totalidade. 

Maria José, que já trabalhou em oficinas literárias comigo sabe como sou. Direto e sincero. Aliás, Maria José já me viu indo mais longe provavelmente, reescrevendo o texto de alguém da maneira como eu gostaria de ler (releitura poética) 

Se eu fizesse isso na discussão que Nel presenciou, eu teria sido mutilado. (e veja bem... se eu tivesse o pavio mais curto, a discussão teria chegado a um ponto muito crítico, pois chegou a um ponto em que me recomendavam ler, pois eu não estava entendendo o que me era dito) 

Quanto a critica e o elogio vazio. (incluindo a Andréa no tópico)

Viva elogiando que é lindo ver uma criança engatinhar, sem nada fazer para ajudá-la a dar os primeiros passos, e ela seguirá engatinhando por muito tempo, e provavelmente se machucará muito mais no processo de aprender a andar.

Mas se quando ela está andando, tu disseres que ela anda torto, feio, esquisito, e que era melhor ela nem andar, podes gerar um trauma dos grandes. 

Somos todos crianças.

Eu ainda quero aprender a caminhar um pouco melhor. Se alguém aí notar que eu estou repuxando uma perna, me avise ok? Se minha postura estiver errada... também.

Abraços a todos

Anderson Santos

- Postado por: Oficina às 21h50
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Um debate - Cont.

Confesso que quando abri este tópico, esta discussão, não esperava tanto. Pedira ajuda a Nel Meirelles para me dar umas indicações sobre minha Oficina Literária, e que fizesse sua crítica sem peias nem cabrestos, mas fiquei com medo das conseqüências. Porém, vejo que meu medo não tinha razão. Pois o que vejo aqui é um debate de alto nível sobre um assunto inquietante que começa a preocupar todos nas comunidades internáuticas.

Nel, finalmente, entendo seu ponto de vista. Deve-se criticar o texto, e não o autor.

Porém, a diferença entre texto e autor é tão sutil, e depende muito de como o autor recebe as críticas. (E aqui voltamos ao ponto de partida, razão de ser deste debate).

Outro dia, ao comentar texto de uma moça que pedira comentários, eu disse apenas: "Não é poema, é prosa, embora prosa da boa". Pronto, ela saltou-se de lá e desafiou: "Por que você diz que meu texto não é poema? É para me desmoralizar?" - A partir daí, não foi mais possível o diálogo, e eu fui obrigada a me retirar do local, pois, em respeito à Moderadora, recusei-me a baixar o nível, para onde a outra me puxava... Saludos. Maria José Limeira.

..........

 

Sobre a opinião de Anderson Santos

Sou suspeita para falar sobre Anderson Santos, pois somos amigos de longas datas, e qualquer coisa que eu diga poderá soar redundante... Meus primeiros passos na crítica literária na internet quem me ajudou a dá-los foi Anderson, numa oficina memorável da qual participamos juntos, e sinto saudades... Não é hora de confissões agora. O que vale é que eu e Anderson crescemos juntos na internet, e eu lhe devo alguma coisa do que sou hoje, em ética, postura em listas literárias, etc. A palavra dele para mim é lei, portanto, e eu agradeço a contribuição que ele nos dá agora, esclarecendo alguns pontos obscuros neste "imbroglio", como diz Nel Meirelles. Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 21h46
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Um debate - Cont.

Meus queridos.

A cada nova leitura do tópico, tenho ponderado muito sobre este circulo, e não raras vezes, concluo que chegamos todos a mesma conclusão por caminhos diferentes.

 

Entendo perfeitamente a posição do Nel, quanto à falta de educação, tenho o mesmo posicionamento, a censura deve ser feita ao texto e não ao autor, mesmo que o liame que separe ambos seja muito tênue.

Há um ano e pouco atrás freqüentava um site onde foi criado um espaço exclusivo para Críticas e designada uma pessoa supostamente com cabedal para desempenhar tal função. Neste espaço os textos seriam "detonados", tal espaço sobreviveu mesmo de 15 dias.. pois ao invés de detonar o texto o fulano detonava o autor, não raro iniciando suas críticas assim: Você é burro ou o que? é estupidez escrever desta forma,etc..etc..etc..

Na minha opinião inadmissível tal postura.Pelo tempo que durou o espaço inadmissível para outras pessoas também, (pois não era o autor como pessoa que estava se colocando em julgamento já que só participavam do espaço textos escolhidos e publicados pelo próprio autor),mas sim o texto lá publicado.

 

Anderson meu anjo, conheço muito pouco de você, exceto alguns poucos e excelentes textos que tenho lido em outra comunidade em que participamos juntos.

Acho que compreendi sua colocação sobre o engatinhar, não obstante ontem em primeira leitura eu tivesse interpretado de forma totalmente diversa.

Mas, vamos lá: Em primeiro lugar eu não disse que costumo comentar utilizando-me para tanto do termo lindo ou afim... mas sim que eu gostaria de possuir conhecimento técnico que me permitisse realizar uma critica mais apurada.

  Continuando.... 20/8/2005 06:28

Participo efetivamente de poucas listas e comunidades, não obstante no meu perfil existam muitas, sou muito exigente e depois de determinado tempo acabo deixando de lado as mesmas pq. não me sinto à vontade ou não me coaduno com o perfil destas, talvez eu já não tenha mesmo é paciência para ficar lendo porcarias ou para alimentar egos afoitos por novos elogios.

 

Tal qual você, reescrevo alguns textos que acredito ficariam muito melhores se escritos de outra forma e também é claro já fui mal interpretada. Mas também recebi aceitação, esta dubiedade é natural nos grupos sociais, creio eu.

Aproveito para desejar a vocês, Maria, Nel e Anderson um final de semana pleno de Paz.

(Andréa)

- Postado por: Oficina às 21h41
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Um debate - Cont.

êta coisa boa!

Isso está ficando muito gostoso! Seja bem vindo ao "bonde", Anderson!

 

De fato eu presenciei a tal da discussão que aconteceu. Foi terrível e sabem por que? Porque as pessoas não dissociam seus textos dos seus prórpios sentimentos. Quero dizer o seguinte: cada texto é um pedaço de veia, um naco de estômago, porque é assim com quem escreve por catarse, pode desabafo, pra colocar seus bichos pra fora. Fazem do ato de escrever o substituto do divã do analista. Não são "escritores" e nem "poetas". São pacientes.

 

Escrever, se encarado como ofício, deve se prender à observação da vida, das coisas, dos fatos. Claro que há um toque pessoal, claro que há um tanto de visão subjetiva. Meus poemas, entretanto, não são meus filhos. São apenas meus poemas, fruto do meu trabalho incessante na busca da essência, na busca da poesia pura. Erro, tropeço, cometos poemas horríveis. Claro. Lógico. Mas se alguem me diz isso (e teve um comentário há tempos atrás no Fala Poética onde a pessoa disse que achava hipocrisia alguem gostar daquilo porque os poemas estavam uma merda), não me atinge o peito e nem me faz sangrar a alma. Agora, se alguem me diz que eu sou o merda e não o poema, aí meu sangue nordestino se manifesta, puxo da peixeira e sangro o patife á morte.. rs (isso é brincadeira, claro).

 

Acho que chegamos ao ponto em que o título do tópico deveria ser: "Como criticar literatura" .:)

 

Me perdoem se estou meio confuso no escrever, mas essa gripezinha tem me deixado febril demais.

 

Um bom fim de semana pra vcs :)

(Nel Meirelles)

- Postado por: Oficina às 21h38
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Um debate - Cont.

A Maria José Limeira e demais colegas da 0ficina "0rkut":

 

Acabo de ler todo o debate transposto da 0ficina "Orkut" e venho somar também o meu palpite sobre a questão Literatura&Crítica Literária, de suma importância para nossa atuação.

Não que eu seja propriamente apologista da má-educação - que não é, em  si, nem boa nem má, apenas um artifício pequeno-burguês -, mas não concordo com os  nossos colegas ao pregarem a boa educação como condição "sine qua non" ao nosso relacionamento de escritores.

Afinal não se pode esperar nenhum comedimento no trato de algo de natureza tão imponderável quanto a Literatura, muito menos quando se trata de discuti-la com paixão, entre escritores.das mais diversas tribos sociais e ideológicas.

Mesmo se o nosso objeto de crítica fosse, por exemplo, marcas de geladeira ou qualquer outra bugiganga comercial, ainda assim não poderia ser tratado a frio, sem o risco de brigas acirradas Quanto mais em se tratando deste nosso produto sem fórmulas pré-estabelecidas e de pretensões insuspeitadas!

Não sei se os amigos já perceberam: estamos em plena guerra declarada, já não há como escapar deste fato incontestável, que nem toda elegância ou erudição poderiam  contornar.

Segundo tenho assimilado em longo aprendizado Literatura não é lazer e deve ser discutida até  as últimas conseqüências.

Quem não agüentar o tranco, que junte seus textículos e saia da roda, como outros têm feito e venho pensando em fazer.

Esta é a minha opinião simplória e radical sobre o assunto. 

Ademar Ribeiro

- Postado por: Oficina às 21h36
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Um debate - Cont.

*Leitora*

 

Estou por aqui,nos bastidores,acompanhando,este desfecho.Como leitora claro.Com a inocência brotada,neste debater.Separar o autor de texto? Me confundi com isso,pois imagino,que poetizar,tem que ter uma sintonia.Algo que se é discutido,mas como discutir,o momento do autor nesta hora? Se ele sobrevive da poesia,ha uma certa obrigação?Mas se você expõe o que ha em seu ser,sem se preocupar,deixando fluir,ela será aceita? discriminada?Como disse,simplesmente leitora.Ou será que poetizar,é como estar em um palco? Que você precise de aplausos?Sim tenho muito a aprender,me perdoem por estar aqui,nem sei se vão levar em consideração,essas minhas duvidas.Mas respeito cada um,que se expõe.Admiro esta força,que os impulsiona,a estar se deixando em um transparecer..Ou este transparecer tbm é controlado?Estou por aqui,sem permissão,mas deixando transparecer,que isso poda.Não é fácil,agradar a todos,então o fluir,tira um pouco da mágica,das palavras? Sim é um aprendizado,e viver da poesia ou viver na poesia?Perdão,mas leve em consideração,o que tudo isso,deixa-nos duvidas.Sim simplesmente leitora.Que esta por aqui,absorvendo aprendendo tanto..Um abraço.

Ps: maria se quiser deletar,esteja a vontade,nw quis encher esta pagina,simplesmente criou duvidas em torno,deste circulo entre vocês(poetas)e eu como leitora.Mas a sensibilidade?Esta sim,nw da pra ser medida,mesmo que a inventemos em nosso poetizar.

(Cris)

- Postado por: Oficina às 21h30
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Um debate - Cont.

O leitor em primeiro lugar!

Obrigada, querida! Não existiriam autores sem leitores. Você, em primeiro lugar. Ninguém quer considerar, mas... se não existissem leitores, para quem escreveríamos? Saludos! E obrigada pela sua participação! Maria José Limeira.

........... 

Para Cris & todos

Não deletamos textos aqui. Não somos deletadores de textos. Não temos comissões de inquisição nesta linda comunidade. E ninguém será expulso por dizer o que pensa. Assumimos compromisso com a democracia ao fundarmos a comunidade. Este é um território livre. Todos têm o direito de expressar suas idéias, sem censura. Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 21h27
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Um debate - Cont.

Sobre a opinião do Ademar:

Transcrevo o trecho que me chamou a atenção: " Não que eu seja propriamente apologista da má-educação - que não é, em si, nem boa nem má, apenas um artifício pequeno-burguês -, mas não concordo com os nossos colegas ao

pregarem a boa educação como condição "sine qua non" ao nosso relacionamento de escritores. " 

Percebo que o Ademar, a quem não tenho o prazer de conhecer, diz que a boa educação não é necessária a um relacionamento entre escritores. Ora, escritores são seres humanos e como tal merecem respeito e merecem sim um tratamento educado. Seria o caso de se dizer que não vou tratar com urbanidade o lixeiro e nem o açougueiro, porque também exerço uma dessas profissões. 

Volto ao meu ponto inicial: boa educação é essencial em qaulquer tipo de relacionamento. Volto ao ponto: respeito é fundamental.  

Nem mesmo o discurso anacrônico de "pequena burguesia", já tão desgastado, justifica a falta de educação. 

A posição que li somente solidifica a minha decisão de sair das listas, de não permanecer ao lado da falta de educação, da falta de urbanidade, da falta de respeito, que no meu entender é um recurso dos fracos: "grito para ser ouvido, pois meu discurso não trem conteúdo". 

Abraços dominicais e vou correndo pra missa lavar a alma.:)

(Nel Meirelles)

- Postado por: Oficina às 21h23
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Um debate - Cont.

Mais uma visão

Tomo a liberdade de colar aqui um trecho da entrevista da minha amiga Leila Miccolis, que achei pertinente ao nosso papo. 

Diz ela: " Bom, você pergunta qual o gênero mais difícil, no meu entender. Eu acho que a poesia, pela concisão e a crítica literária porque um bom crítico (no meu modo de entender) precisa entender bastante de teoria literária, não basta ficar no "achismo" (acho bom ou acho mal). Deveria levantar questões interessantes, realçar pontos apagados e externar com clareza seus pontos de vista. E essa ponte entre o livro e o leitor (portanto também tendo em vista a teoria da recepção, para conseguir um tipo de abordagem que alcance o público a que determinado livro se dirige) não me parece nem um pouco fácil. "

 

BINGO! Nada de falta de educação e nem "achismos", mas estudo, estudo e estudo.. e propriedade nas análises.

(Nel Meirelles)

..........

  

OK. Tudo bem, mas...

Amigo Nel, sem deixar de dar-lhe razão, levanto outro quesito:

Mas... e o leitor comum, que não é crítico literário, e não tem como ponto de referência o que as Leilas dizem quanto às obras?

Estes leitores comuns, para os quais escrevemos, são realmente quem decide que obras ficarão para toda a eternidade, e quais as que passarão junto com os modismos... Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 21h16
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Um debate - Cont.

Respondendo as ultimas ponderações

Quanto a posição do Ademar: 

Numa primeira leitura, entendi a colocação do Ademar exatamente como foi entendida pelo Nel, mas após reler seu posicionamento, tenho a nítida sensação que nós (Nel e eu) e Ademar “falamos” de coisas distintas.

O que colocamos é a má educação como sinônimo de falta dela, ou seja, a utilização de palavras agressivas e/ou de baixo calão dirigidas a pessoa do autor.

Após reler tais colocações com mais acuidade, passei a crer que Ademar, nada mais fez do que provocar um direcionamento diferente para discussão, com contraposição de idéias, referindo-se a boa ou má educação, como conhecimento ou saber. Onde a educação é utilizada como meio de encobrir contradições, ou seja, é utilizada como um instrumento de persuasão dissimulador e alienante da realidade, produzindo uma idéia ilusória de normalidade.

Posto desta forma, concordo com ele parcialmente, pois entendo que o cidadão comum é capaz de efetuar uma boa crítica sem necessariamente seguir as regras literárias pré-estabelecidas para tanto. No entanto, se levarmos para este aspecto, o tema passará a ter um cunho filosófico com discussões a cerca da dialética,etc..

Quanto a questão posta pela Maria:

A crítica efetuada pelo cidadão comum como reagir a ela.

Depende de cada um, do amadurecimento e desprendimento do Ego.

(Andréa Motta)

- Postado por: Oficina às 21h13
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Um debate - Cont.

Nel

Entendo tua posição 100%.

Há uns 3 anos atrás eu fiz exatamente isso. Saí de todas as listas literárias das quais fazia parte, pois minha convivência com o ego alheio tornou-se inviável.

Entendo e respeito. Na hora certa se volta, ou não. 

Poesias são filhos, não é? E poetas são mães extremamente zelosas que não agüentam que se diga nada contra eles. 

Não todos... mas aqueles que na verdade fazem da poesia o espelho do seu próprio EU. São intimistas, sobrecarregados de existencialismo e fundamentalismo sem nem ao menos terem tido contato com Hegel, Kierkegaard, Heidegger, ou Sartre; sem dar-se conta do quanto a exaltação do EU em detrimento do OUTRO já causou ao ser humano (e à humanidade). 

Alguns são tão fundamentalistas que beiram ao terrorismo quando vêem seus "espaços" invadidos. Husseins e Ladens de seus "jardins floridos" 

Quando chamei isso de UMBIGOCENTRISMO, quase fui expulso da convivência de uma comunidade. Saí antes do chute. 

E é claro que há que se ter educação.

Quando eu disse lá naquela discussão que o poema era ingênuo, eu falava do poema, não da autoproclamada poetisa. (eu me digo escrevinhador de versos). Ela ignorou-me e o André veio em sua defesa (defesa extremamente machista, no meu ponto de vista, que teria ofendido à poeta mais do que o termo ingênuo se a não defesa dela após as afirmações do primeiro não fosse, possivelmente, tão machista quanto) naquela disputa de saber que de nada me acrescia. Naquele ponto descobri que poderia retornar a essa convivência. Já sou capaz de digerir e expelir o que não me serve, sem produzir odores desagradáveis.

E para evitar constrangimentos, não estou chamando nem o defensor, nem a defendida de machistas... vejam bem... estou dizendo que a defesa de um e que a Não defesa de outro é que tinham entrelinhas machistas (se resta dúvidas, releia o parágrafo). 

Separar crítica ao ato de crítica às pessoas é realmente difícil, não é mesmo?

Quantos tiveram que reler o parágrafo conforme sugerido em parênteses? 

Acabaram os 2048 caracteres...

(Anderson Santos)

- Postado por: Oficina às 21h09
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Um debate - Cont.

amigos..

Não estou escrevendo por preguiça ou desleixo.. estou com uma febre já há uns dois dias que não me deixa raciocinar direito...

Volto assim que estiver em condições.

(Nel)

...........

 

Você já sabe o que eu penso das críticas que passam a mão na cabeça dos escritores e criam, assim, monstros e daqueles que não aceitam a crítica quando esta discorda ou não servem de lenha alimentadora de seus egos egóticos...o problema é uma falta de aceitação atrelada a uma inexistência de humildade nos nossos escritores atuais que já querem se lançar como os Joyces ou Sartres da vida (o eterno problema do trabalho para a eternidade)...o principal é, gostar de escrever...o resto sana-se com o tempo...

zéronaldo

- Postado por: Oficina às 21h06
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Um debate - Cont.

Obrigada, "zé" ...

Obrigada, "zé", pela sua colaboração. Esta discussão surgiu como forma de "salvar" minha lista do egroups. Oficina Literária, igual a esta, onde os poetas estavam se rasgando em pedaços, a pretexto de criticar textos. De vez em quando, a gente faz uma reciclagem para colocar os pontos nos iis... Todas essas mensagens estão sendo repassadas para ali, e quem quiser se juntar a nós, mande email em branco para:

 

oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br

 

Quase todos os poetas que estão aqui estão lá também. 

Um abraço, e vamos manter acesa a chama da poesia, seja ela ruim, boa, virtual, real, eterna ou transitória.

Saludos. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 21h04
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Um debate - Final

Sobre a opinião de Ademar...

Eu acredito que a Andréa foi quem mais se aproximou do que Ademar quis dizer quanto à boa-educação e má-educação em relação aos comentários dos textos em listas de oficinas literárias. Ora, meus amigos, uma análise crítica independe de boa ou má educação, porque não é esta posição a mais interessante quanto à leitura de um texto. A crítica somente opina, e não tem nada a ver com boa educação. Uma crítica pode ser impessoal, fria, ou pode usar argumentos personalíssimos para explicar um texto.

Por outro lado, é difícil separar o autor do seu texto, e é por isto que os autores se exasperam tanto ao ver suas obras espinafradas no meio do terreiro. Um abraço e saludos. Maria José Limeira.   

 

Aviso & Pedido

Caso ninguém mais se habilite a emitir opinião sobre críticas aos textos, um aviso: toda esta discussão será divulgada no blog da nossa Oficina Literária. Pedido: Caso alguém tenha alguma coisa contra, que fale agora ou se cale para sempre... Saludos, e obrigada a todos os desafiantes colegas. Maria José Limeira.

.......... 

Fonte:

Comunidade “Oficina Literária”

www.orkut.com/

- Postado por: Oficina às 20h57
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OPINIÃO SOBRE NOSSA OFICINA LITERÁRIA:

 

Um pedido

Eu gostaria que alguéns fizessem uma avaliação crítica da minha Oficina Literária, dizendo se estamos ou não no caminho certo. Saludos. Maria José Limeira.

............

 

Oi,

Estive na oficina - novamente - e prestei mais atenção.

O primeiro texto, Transitoriedade, é maravilhoso. Vi sua análise o elogiando. Pensei: eles vão elogiar todos os poemas. Mas quando vi que vc destroçou os hai kais e depois destruiu o poema porcaria Serpenteando, notei que a oficina tem um enfoque atraente.

Ao menos para mim que gosto da verdade nua e crua.

Enfim, se existir um caminho correto, vou atrás de vcs pois já estão nele.

Beijos  

Giovani Iemini

............

  

Obrigada, viu?

É muita honra para nós seu elogio. Você é um poeta muito exigente, daí porque o valor de sua crítica se amplia. Saludos. Maria José Limeira.

............

Fonte:

Comunidade “Bar do Escritor”

www.orkut.com/

 



- Postado por: Oficina às 20h51
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UM TEXTO DE LÍRIA PORTO

EM DISCUSSÃO:

“TRANSITORIEDADE”

.......................

 

            transitoriedade             

líria porto

 

caminhamos

algibeira furada

a levar a vida

pra lá e pra cá

 

a cada dia

pinga um dia

até um dia

a vida acabar



- Postado por: Oficina às 01h42
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Transitoriedade - Cont.

TRANSITORIEDADE

Um texto de líria porto

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto lindo, de liria porto, “Transitoriedade”, tem o cheiro e o sabor de uma cantiga bem popular, do gosto daquelas que a mamãe cantava para a gente adormecer, tipo “boi, boi, boi, boi da cara preta”....

Notamos a musicalidade e o ritmo do poema, que saltam à vista, sem meias palavras, e pode ser transformado em cancioneiro popular, sem nenhum problema.

Para mim, é uma “parlenda”, sem dúvida alguma.

Tem um fundo filosófico trazido para a linguagem simples daquele povo das cidades do interior que, observando o céu, sabe quando vai chover, se a época é de plantio, e quando haverá boa safra para uma colheita produtiva.

A idéia da coisa em trânsito empresta movimento ao texto.

As palavras perdem sua representação comum e ganham em significados.

A expressão “algibeira furada” não quer dizer, necessariamente, que alguém passa fome, por exemplo.

Trata-se, portanto, de outra fome que desgasta muito mais do que as dificuldades que o cotidiano impõe ao cidadão comum: a fome espiritual, num sentido de busca.

Eu gostei muito da metáfora contida em “a cada dia pinga um dia”, pois empresta uma outra visão de tempo.

O tempo, em Poesia, é uma das coisas mais difíceis de captar.

E eis que líria o conseguiu, num gesto de audácia. E da maneira mais singela!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 01h39
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Transitoriedade - Cont.

Esse poemeto da Líria vale apenas pelo contexto.

Seria o caso de eu perguntar se as cestas básicas e outras medidas do atual Governo não estariam sendo de alguma valia, mais do que em outros tempos - se  é que não estou enganado, porque já não me sinto tão pobre assim.

A primeira estrofe está mal-trabalhada.

A palavra "caminhamos", por si só, não vem a ser um verso, etc. etc.

Nota 4 para você, Líria, que já escreveu outros textos bem melhores..

    Ademar

...........

 

oi, maria, acabo de chegar de araguari, lá apenas lia rapidamente e limpava minha caixa de emails, não tinha acesso fácil a computadores - além do mais, minha mãe passou por maus pedaços, estava hospitalizada...  enfim, é a  vida, né? continuo apreensiva, vamos ver como será daqui pra diante...

peço aos companheiros do grupo desculpas pela demora em responder as mensagens; algumas, nem tenho mais aqui...

estamos com algumas baixas, vou sentir falta do rogério e da amina, gosto da escrita deles!

enfim, maria, obrigada pelas tuas palavras a esse texto tão despretensioso...

beijo grande

líria

..........

 

caro ademar

obrigada pela leitura e comentário - o formato desse poema é uma experiência, versos curtos e quebrados... sobre o conteúdo, assim sinto a vida, não a vida material, mas o tempo, ele se esvai como se o carregássemos mesmo numa sacola furada... sobre o primeiro verso, tens razão, não está nada bom! nota quatro - peguei recuperação!!!! risos

beijão

líria

- Postado por: Oficina às 01h34
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Transitoriedade - Final

A Líria é aquela poeta que consegue dizer muito em poucas palavras,  este poema não é diferente. Poema com ritmo nostálgico, onde o eu lírico vê a vida com a calma das pessoas que vivem longe das loucuras dos grandes  centros. O texto é gostoso de se ler e nos acalma a alma das correrias que vivemos. A poeta chegou lá com certeza e atingiu o leitor onde

quis.

Um abraço

Hilton Júnior

........... 

 

interessante, hilton, é perceber nos teus comentários, essa tranqüilidade que acalma, essa delicadeza toda...

beijo e obrigada

líria

- Postado por: Oficina às 01h31
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EM DEBATE:

“NEW YORK”, DE RICARDO PISOLER

........................

 

New York (r.pisoler)

 

Finalmente conheci

a terra das torres que se foram.

Muitas outras torres restaram

muitas formas, movimentos e cores.

 

Uma cidade que realmente representa

o que o capital político emprega.

Quatro latas de lixo em cada esquina,

uma ambulância para cada ser que espirra.

 

Um parque central onde as pessoas respiram,

museus de arte onde aprendem o que são.

Monumentos a quem foram importantes,

disciplina, razão e religião.

 

Pessoas de toda parte do mundo,

cada uma com suas cores e vestes,

até as folhas que caem dos ciprestes

dentro de um livro, ou secas pelo chão.

 

Não se ouve fofocas nem reclamações,

ninguém acima de ninguém,

além do topo que se conquista.

 

Nova York é como uma bela vista,

todos são o que são, como nas revistas,

a menos de um perigo secreto de explosão.



- Postado por: Oficina às 01h24
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New York - Cont.

NEW YORK

Um poema de Ricardo Pisoler

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Segundo tenho conhecimento, Nova Iorque é uma cidade caótica, tanto quanto pode ser qualquer uma grande cidade do planeta. Mas, este poema “New York”, de Ricardo Pisoler, salvaguardou sua condição de cidade, redimindo-a com a boa visão que podemos ter de qualquer outra metrópole, com seus problemas principais e o povo que nela transita e/ou reside.

O mais interessante neste texto é que não se limita à descrição física do lugar, mas interioriza paisagens, emprestando-lhes sentimentos e emoções.

É um texto bonito, bem escrito e aprumado. Não se perde em quinquilharias e gorjeia apenas em torno do essencial, reservando ao leitor uma surpresa no último verso, arredondando-lhe o sentido e abrindo as asas para um novo tema.

Gostei muito!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 01h20
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New York - Cont.

Este texto é bastante diferente do que conheço e da visão que tenho do  Ricardo. Ele tem um estilo forte, descontente e revoltado, esse texto é  de alguém que esteve deslumbrado com algo novo, algo que o apaixonou de primeiro. Só achei o ritmo entre as estrofes um pouco desordenado. O  texto se trabalhado com outras palavras poderia ter um ritmo mais constante.

O autor atinge o leitor naquilo que o seu texto propõe.

Abraços.

Hilton Júnior.

..........

 

é isso aí, Hilton.

Abs. Ricardo.

- Postado por: Oficina às 01h18
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New York - Cont.

Olá, doce amigo? Você fez falta por aqui. Viu? Senti saudades! Um abraço, e obrigada pelo texto lindo.  Saludos. Maria José Limeira.

 ----------

 

eu também sinto saudades suas, Limeira amiga. Agora estou de volta, renovado, espero poder ajudar mais, e aprender mais também.

 grande beijo,

Pisoler.

...........

 

Boa sacada.

cordialmente

zémaria

- Postado por: Oficina às 01h16
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New York - Final

está bem escrito e bem poderia ser uma crônica... concebo poemas menos descritivos, no entanto, pisoler o fez leve, bom de se ler...

líria

..........

 

Neste poema do Pisoler tudo parece no seu devido lugar, até as folhas  que caem das árvores, revelando o poeta no seu "Eu" mais simplório, porém verdadeiro. Jamais o imaginaria capaz de versos tão coerentes, em total desacordo com a sua escrita tresloucada.

Não fosse ainda por certos lugares-comuns e solecismos cometidos em  pontos estratégicos do texto, diria que se trata do seu melhor poema.

Honesto, sincero, deslumbrado, de um ufanismo deslocado, bem ao gosto de 99,9% de brasileiros. 

Afora os 0,1% onde me incluo.

Ademar Ribeiro

- Postado por: Oficina às 01h11
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Ainda sobre "O ônibus"

O ÔNIBUS
Um texto de Luciano Ratamero 
(Análise crítica) 
Maria José Limeira
 
Este texto incrível, “O ônibus”, de Luciano Ratamero, 
que se pretende “concreto”, está muito longe de se parecer 
graficamente com um “ônibus”, o que dá para notar 
que a intenção foi boa, mas o resultado, nem tanto.
Contudo, consegui ler o texto abstraindo o gráfico 
(sem leva-lo em consideração) e me restringindo 
ao conteúdo.
O conteúdo é um clichê das coisas comuns, sem 
grandes vôos, mantendo um ritmo razoável, 
dizendo o que já se sabe desde o tempo em que
esse tipo de transporte coletivo foi inventado, 
em substituição aos chamados “paus-de-arara”.

- Postado por: Oficina às 23h18
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Sobre "O ônibus" - Cont.

Trata-se de um discurso solitário, que poderia ser 
diferente, se a mão do narrador pudesse alcança
 a mão do seu objeto do desejo, que não se 
configura e nem fica claro aos olhos do leitor.
O autor comete o erro comum a tantos outros 
autores que confundem o tu com o você, 
sem optar por nenhum destes, o que torna 
o texto mais pobre.
Mesmo com todos esses desacertos, fica-nos 
a bela lição de que, na solidão 
do transporte coletivo, 
“tudo é passageiro, menos o motorista e 
o cobrador”, como reza a piada antiga que 
os velhos caminhoneiros contam, 
há mais de 200 anos...
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista 
democrática de João Pessoa-PB)


- Postado por: Oficina às 23h15
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“O ÔNIBUS”, UM TEXTO
DE LUCIANO RATAMERO,
EM DEBATE
.....................
 
O ônibus
Peço-lhes que dêem uma olhada nesse 
poema concreto que eu fiz, 
me dêem uma análise, sim?
Mas, claro, não posso colocar 
figuras aqui.
Quem puder me ajudar, vai lá e depois 
responde esse e-mail com a
análise, sim?
Brigado,
Luciano


- Postado por: Oficina às 22h37
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O ônibus - Cont.

O ônibus

Luciano Ratamero 

 

Na vida, tudo é passageiro.

Essa é a verdade.        

Tudo é passageiro.

     Então seria  a vida       

um ônibus?

Se a vida fosse mesmo    

um ônibus,

eu   e  você

ficaríamos  bem  distantes.

Tudo  seria  diferente.

Mas se a vida é  também passageira,

eu bem que largaria a mão

da vida    pra     quem sabe

segurar  a tua mão.



- Postado por: Oficina às 22h11
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O ônibus - Cont.

...........olá, luciano
não há como ler um texto teu e não levar em conta 
a tua idade! quem sou eu para aconselhar, né? 
no entanto, é admirável que já escrevas 
e te submetas à análise dos teus 
textos, creio que é um bom caminho!! outro é 
a leitura  de outros 
autores, outros poetas, 
percebo que gostas de escrever!
então,  menino, segue em frente, 
que atrás do ônibus 
vem gente!!!!!!
beijão
líria

- Postado por: Oficina às 21h42
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O ônibus - Cont.

Nenhum preconceito contra o Concretismo - eu mesmo 
já lancei mão de certos recursos gráficos em alguns 
dos meus poemas. 
Acontece que neste, do Ratamero, em particular, 
o ônibus ficou demasiado largo, e curto, sem 
o devido aconchego para Eu e você namorarmos na 
cozinha. 
Quem sabe não fosse melhor colocar os 
passageiros em fila, fora do 
ônibus, para uma conversa ao pé do ouvido?
Ademar Ribeiro

- Postado por: Oficina às 21h38
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O ônibus - Cont.

Analisando: 
Depois de ler o título e olhar muito para 
o texto é que achei alguma 
imagem, portanto é um pouco dificíl qualificar 
como concretismo. Mas o texto traz um pouco de 
imagens ao distanciar as palavras dando uma noção 
do sentimento do eu lírico do distanciamento que ele 
tem com o objeto amado.O texto não é ruim, mas 
também não é um texto brilhante. 
Já li textos melhores do autor. A proposta é 
boa e o tema também,o texto consegue atingir
 o leitor naquilo que se propôs, ele passa 
o sentimento do eu lírico. Abraços.
Hilton Júnior
...........
Parece-me que não falei do ônibus de Luciano. 
Se falei desculpem.
Andando de ônibus, de trem, pelas ruas da 
cidade também se  aprende 
e se escreve poesia. 
Bem pensado Luciano, o teu ônibus.
cordialmente
zémaria  

- Postado por: Oficina às 21h30
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O ônibus - Final

Aproveitando pra responder tudo de uma vez.
Primeiro, brigado, Líria. Eu faço isso 
exatamente pra ver se eu evoluo. 
Ver se eu consigo lapidar essa pedra 
que tenho aqui dentro, ver se algum 
dia ela  vira diamante. Não tenho medo 
de expor meus textos, afinal, 
quem tá na  chuva é pra se molhar.
Quanto àquele erro de confundir 
o tu com o você, segunda com a terceira 
pessoa, eu uso isso propositalmente. 
Quero que, além do poema, exista uma 
identificação do leitor com a poesia, 
que ele possa se ver no meu lugar 
ou no lugar do eu lírico. 
Não quero que a poesia seja pros que 
lêem, pros seres que têm a incrível 
chance de adquirir cultura. Ou que querem adquirí-la.
Mas enfim, acho que é só isso.
E podem continuar tranqüilos, eu tô aqui. ^-^
Beijos pra todos,
Luciano


- Postado por: Oficina às 21h18
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UM TEXTO POLÊMICO

DE ANDERSON HENRIQUE

EM DISCUSSÃO:

“TEM DIA QUE É FODA...”

..................................

 

Tem dia que é FODA...

 

            Tem dia que é foda. Você fica ali encostado, de caneta na mão, papel sobre a mesa e merda nenhuma para escrever nele. Sabe como é, né? A cabeça cheia de idéias, mas no papel que é bom, nem reticências. Mas é assim mesmo.

Esquenta não. Por mais que se observe a vida, em certos momentos, ela é  que

te observa. Fica parada ali pertinho, escondida. Uma espectadora quieta  e silenciosa, só esperando uma exclamação sua. Pelo menos, você tentou.

Pior é quem não escreve nunca, nada. Dá dó né? (esta frase é quase uma música baiana. Aê Aê, ê ê ê, ô ô ô) Pense bem, pelo menos você tem, mesmo que  de vez em quando, o papel para desabafar. E que não tem? Aí vai pra psicólogo, psiquiatra; fica tão especialista na mente humana, que falta pouco para psicopata(do latim psyché - alma + páscho - sofro). Sem contar o  dinheiro que gasta. Escrevendo você só sacrifica a você mesmo e às árvores.

Foda-se ecologia. Se for no micro não faz diferença. Ah, tem também o papel reciclado, mas que também já foi árvore um dia. (Virou palhaçada o texto, vou parar por aqui...)

- Postado por: Oficina às 08h55
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Foda - Cont.

Pior é quando nada acontece. Nem vírgula, nem interrogação; nem ponto-e-vírgula, nem travessão. Parece que tudo está suspenso em um paradoxo absurdo sobre quem fica com o filho: o ovo ou a galinha(neste caso, os ovos. Ou quem sabe o pênis, carteiro sexual incansável). Mas tem nada não. É  neste momento que se deve abrir aspas e dizer "Vá pro caralho, marasmo filho-da-puta!!!", e então tudo volta ao normal, ou pelo menos deveria. Se não funcionar, bebe mais um gole de vodka que as idéias voltam a fluir normalmente. Aquele que disse que o álcool faz mal, foi porque nunca  soube conter em si os benefícios que ele apresenta, e acabou, no seu grande momento de iluminação, trocando os pés pelas mãos. Deve ter sido o mesmo que disse que de bêbado não tem dono. Resultado: acordou cheio de ardências.

      A grande verdade é que a vida não passa de um grande texto mal escrito, sem pontuação ou regra gramatical. Quase uma epopéia(ou você ainda acha que não é heroísmo acordar todo dia às seis da manhã?). Acontece tudo tão rápido que nem dá tempo de fazer uma revisão, e quando menos espera, o texto já está na mão de todo mundo para criticar e apedrejar sem lhe pedir autorização ou pagar direitos autorais. Também não adianta olhar para trás e querer apagar tudo, porque a borracha, ou está no útero da mamãe, ou no saco do papai; nunca em suas mãos. É assim mesmo, nasceu, é um abraço. Arque com as conseqüências do que seu pai fez com a sua mãe sem querer saber dos detalhes. Vai por mim, vai ser nojento. Ah, e nunca culpe os velhos,  pois eram tão inocentes quanto este texto de merda que acabei escrevendo sem ter o que dizer e vou dar um ponto final sem explicar. Talvez um ponto de exclamação!

 

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h53
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Foda - Cont.

TEM DIA QUE É FODA...

Um texto de Anderson Henrique

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Lendo este texto sobre o nada, “Tem dia que é foda...”, de Anderson Henrique, o qual se supõe uma crônica de quem nada tem a dizer, eu recordo o que se pretende chamar “a última crônica de Fernando Sabino” (ah, Fernando Sabino, que sabia escrever como ninguém!), quando ele, dizendo-se sem assunto, escreveu uma das coisas mais bonitas e comoventes que a Literatura Brasileira foi capaz de criar... 

Não que o texto de Anderson realmente tenha nada a ver com a genialidade de Fernando Sabino. Ao contrário! Enquanto o texto de Sabino chega às raias da grandeza, o de Anderson não consegue sair do chão, e negreja no meio da mediocridade como mosca na sopa e no mel...

É um texto insípido e, perdoe-me dizê-lo, só cheguei ao fim da leitura sem deixá-lo de lado, por obrigação desta Oficina Literária, e para não decepcionar o autor com o meu silêncio magoado.

O autor mistura linguagem culta com palavrões e expressões coloquiais esdrúxulas, confunde o eu com o tu, e o tu com o você, na maior cara-de-pau, e ainda por cima, no meio da algaravia, exclama: quem escreve, sem nada para dizer, incomoda apenas a si mesmo e às árvores... Não, senhor Anderson, quem escreve ruim incomoda mais ao leitor do que a si mesmo. Ah-ah!

E como eu já disse mais do que o texto valeria, faço um pedido: - Senhor, respeite os leitores e tenha uma boa foda.... ooopsss! eu quis dizer tenha uma  boa-noite.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

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Não havia pretensão no texto; nenhuma.

Não era para voar. Nem ele, nem ninguém.

O que dizer? Nada...

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h47
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Foda - Cont.

Olá Anderson.

 

Bem, teu texto me soou como uma pequena revolta adolescente, pequeno  burguesa. Literariamente falando tem algo interessante na meta-linguagem usada, mas falta-lhe uma subversão verdadeira, para além dos palavrões

e da filosofia de botequim. Talvez nem seja este teu interesse, subverter. Entaão penso que você deveria aprofundar mais na ironia, do jeito apresentado, fingindo-se de revoltado, me pareceu um texto de auto-ajuda. Assuma isso, ponha mais humor, mais raiva, diga de uma vez por todas que todos os que escrevem fazem isso apenas para confessar as idiotices, geralmente sexuais :)) e pronto, criaste uma polêmica, inútil, mas uma polêmica

abraços

Rubens da Cunha

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Valeu pelos comentários. Precisava disso: discutir. Nunca é demais, e quase sempre polêmico, mas não me subverto a nada, nem aos textos. Também não vou além da filosofia de botequim, não há necessidade. Os palavrões são o  que me prendem à realidade e mantém a pouca consciência que tenho. Todos usam, todos criticam; mau(l) superado. Não é desabafo, nem auto-ajuda, muito menos revolta. Excesso de ironia induz ao mau-humor, e assim, temos aos  montes.

Fico com a burguesia adolescente, e não digo jamais que confesso minhas idiotices no papel. Não seria verdade.

Bom estar com vocês. Abraços.

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h43
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Foda - Cont.

Analisando:

 

Este texto não acrescntou nada a literatura, não é literatura e tão  somente palavras jogadas no papel. O narrador tenta colocar a linguagem de  um jeito despojado sem sucesso algum, palavras de baixo calão são interessantes em um texto quando usadas com moderação e em momentos que se necessite de tal, acredito que o autor usou os palavrões para deixar o

texto mais leve, coisa que não obteve sucesso, o texto ficou carregado e pareceu uma tentativa frustrada de revolta. parece que o narrador fala consigo, sobre a sua incapacidade de ter idéias e de escrever. O texto tem passagens muito interessantes que acabaram ficando perdidas no meio das palavras sem sentido, o texto não acrescenta nada de novo, não

propõe nada, não tem imagens, não tem um ritmo interessante de prosa.

Acredito que conhecendo o autor e outros trabalhos vamos tirar melhores conclusões sobre as idéias e a forma que o autor usa para expressá-las.

Escrever é um ato de muita dificuldade e temos que saber que as idéias devem ser passadas aos leitores de forma agradável e inovadora para que a literatura seja arte de fato.

Abraços

Hilton Junior

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Valeu pela análise. Palavrão leve? Onde? A linguagem é não é despojada, tampouco pesada. São realmente palavras jogadas no papel; como todo texto.

Algumas com carinho, outras sem nenhum. Tudo desintencional e  instintivo.

Não é nada novo e não propõe nada. Queria o quê, proposta indecente? Mudar o mundo? Doces ilusões. A literatura não faz isso, muito menos um texto despretensioso. Ritmo interessante de prosa? Interessante... Esquenta não.

Vem mais por aí.

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h40
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Foda - Cont.

Anderson,

Acredito que toda idéia é válida e pode se tornar um texto incrível  mas, depende de como o autor resolve tratar essa idéia e transformar em texto, seja ele crônica, conto, poesia etc. Acredito que a idéia do seu texto poderia ter sido tratada de outra forma. Você poderia explorar de outra forma, aos meus olhos o seu texto ficou pobre ficou enfeitado demais com palavrões e você usou uma linguagem que não convenceu. Todo texto se compõe de palavras jogadas no papel? Sim, mas depende de como elas são jogadas. Você não precisa mudar o mundo com as suas palavras, você pode usá-las da forma que você quiser, mas saber usar as palavras para tornar um texto mais agradável para a leitura depende da forma como vc casa a idéia e as palavras.

Aquele Abraço e não fique bravo comigo não....rs.

Hilton Junior

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Fico bravo naum. Senão nem mandava. Relax.

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h37
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Foda - Cont.

Texto: Tem dia que é foda!

Autor: Anderson Henrique

 

Esta crônica bem-humorada, do Anderson, é um exemplo simplificado de

metalinguagem, ao tomar como tema o próprio ato da escrita.

Nela o autor abre caminhos com a caneta, no vazio do papel, catando o  que vai escrever

na próxima linha.

Seu conteúdo é corriqueiro, não aspirando a grandes vôos, como toda  crônica que se preze.

Mas apesar de certa confusão no tratamento verbal, entre segundas e  terceiras pessoas, o

texto vale como exercício naquilo a que se propôs.

Gostei, sobremaneira, dos sonoros palavrões.. .

Ademar Ribeiro

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Vou revisar o texto. Devia tê-lo feito antes de mandar para a lista,  mas valem as cacetadas.

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h35
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Foda - Final

Eu achei este texto bom pra caralho.

Puta que o pariu!

Melhor que um cá de merda que já ouvi por aqui,

inclusive minha própria.

Não me acrescentou porra nenhuma, e daí?

A não ser por umas boas risadas,

que cá pra nós,

nesta vida, sofrida, a sós,

risada é ouro...

Sds,

Ricardo Pisoler

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A idéia era essa, apesar dos problemas do texto que eu não havia percebido.

[Anderson Henrique]

- Postado por: Oficina às 08h33
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AINDA O TEXTO DE MARIA JOSÉ LIMEIRA

“ONDE VAI REPOUSAR MINHA SAUDADE?”

UMA RELEITURA. POR ADEMAR RIBEIRO

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Maria José:

Se a minha inveja de você não é pelo seu antigo arrojo como escritora,  que, ao contrário, sempre aplaudi; nem inveja dos seus atuais pastiches literários neoliberalistas, já que

escrevo melhor que você, na sua  opinião - de que mais, então, haveria de ser? Responda-me. 

 

Texto: ONDE VAI REPOUSAR MINHA SAUDADE?

Autora: Maria José Limeira

RELEITURA de Ademar Ribeiro

 

Um bom texto, na minha opinião - seja ele poesia, conto, crônica,  capítulo de novela, ato de peça teatral ou simples bilhete - deve ter começo, meio e fim definidos, ou seja, intróito, desenvolvimento  e conclusão.

Deve ter fluência na elocução e interação semântica entre seus  componentes, até o final.

Deve versar sobre um tema de interesse coletivo, ou que abranja uma grande parcela da humanidade.

O que não é o caso desta crônica-pastiche, da Maria José Limeira, engendrada com reflexões pessoais ególatras, que se perde numa intertextualidade mal-resolvida e termina

no mesmo ponto morto onde começou.

Seria antes o segmento desentranhado de um todo - no caso, livro de memórias - com as cisões ainda  à mostra e sem arremates.

Como se não bastasse, o seu contexto é surdo, mesquinho, pontilhado de  imagens poéticas surradas, de uma pieguice quase infantil, não conduzindo o leitor a nenhuma catarse que valha a pena.

Enfim, um texto que fica muito abaixo do antigo arrojo desta grande  escritora, nos idos anos 80, em  seus contos "O Lado Escuro do Espelho".

- Postado por: Oficina às 23h12
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Releitura - Final

Prezado Ademar. Aqui quem vos fala é Maria José Limeira, sua amiga e conterrânea. Estou corroborando aqui o que já lhe falei pessoalmente, quando lhe pedi perdão pelos meus arroubos nesta Linda Lista, falando de "inveja" e outras coisas incompatíveis com o espírito do nosso espaço. Espero que você seja generoso e me perdoe realmente, do fundo do seu coração, em nome de nossa bandeira de luta e do quanto já vivemos juntos, durante todos esses anos...

Realmente, eu estive errada. Na verdade, quem sente inveja de você sou eu. Não aquela inveja destrutiva, mas a inveja que nasce da admiração que nos une e que sempre nos uniu. Estivemos "separados"  algumas vezes, em circunstâncias cercadas de tragédias que não vêm ao caso agora. Não nos separemos agora por coisas pequenas que não nos dizem respeito. Um abraço, e obrigada pela nova leitura do meu texto. Saludos, com afeição. Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h04
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