
“POEMETO JURÍDICO”, DE ZÉMARIA
EM DEBATE:
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POEMETO JURÍDICO
Vocês nunca afirmem, colegas advogados
-Isto me é de domínio e posse definitivos
porque esta vida é liminar, provisória
tutela antecipada, fatalmente cassada
pelas instãncias superiores inexplicáveis.
Jamais se aproveitem das sucumbências
da mulher amada, amigos, da parte adversa
de forma vil e com litigãncia de má-fé
pois o processo inexorável dos destinos
reverterá o ônus sucumbencial irrecorrivelmente.
Qualifiquem os juízes com atenuâncias
julgar é cruento, às vezes sobe à cabeça
e, no fim, condenar e absolver, creiam
restam em papéis mofados, bolorentos
num escaninho qualquer do arquivo morto.
Agarrem-se ao amor das causas perdidas
como aquele que tive por Maria do Assaré
ainda irresolvido no Supremo Tribunal da Vida
e, todo dia, peticionem em desfavor da morte
porquanto viver é sempre o melhor recurso.
No prazo apresentem, nas últimas instãncias
com memorial, previamente distribuído
as suas razões finais, firmes, taxativas
onde se tente a óbvia súmula fundamental:
A vida é breve e o orgulho voluptuário.
Ex-positis, requeiro-lhes, nobres colegas
que tragam sempre poesia nos computadores
haja vista que escrever, prosar, poetar
processar a palavra escrita, ditada, orada
é só o que temos como descendentes de macacos.
Requeiro-lhes, por fim, certo do deferimento
que me orientem qual a medida, ação, processo
perante qualquer instância, juízo ou tribunal
devo tomar para resgatar, arrestar, recuperar
o amor perdido daquela Maria, lá do Assaré.
(zémaria, in "concebidos com pecado")
ANALISANDO:
Este poema já diz em sua primeira estrofe a quem é dirigido. Uma pessoa que estiver fora do meio jurídico não conseguiria entender o que o poeta propõe nas suas metáforas, pois tudo trás significados implícitos dentro de um procedimento de direito que só faz graça a quem sabe seus pormenores.
Mas o texto para quem sabe o que se trata tais imagens e metáforas usadas pelo autor é muito bem feito, o poeta conseguiu trazer ao leitor de uma forma graciosa a relação da vida com o mundo jurídico. Mas acredito que tal texto não poderia cair no gosto popular, como disse o colega Ademar, por ser demasiado técnico na sua linguagem.
Abraços
Hilton Junior..
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Caro Hilton
grato pela sua cota de apreciação ao poemeto.
cordialmente
zémariaTexto: POEMETO JURÍDICO
Autor: José Maria Marques
Comentário: Ademar Ribeiro
Esses versos popularescos, do José Maria Marques, formulados em linguagem jurídica, já não representam nenhuma novidade como experiência literária na poesia dita "sertaneja".
Outros já li, de outros autores mais singelos, bem mais concisos e bem-humorados, neste mesmo eixo paraibano da poesia nordestina.
Nestes aqui, a fórmula não atingiu aquele grau de bom humor esperado, que era tudo o que um texto como este poderia render.
Ao imbuir seus versos de laivos científicos e poetizar sua petição inicial, poeta e Advogado se embrulharam numa redação precária, cheia de falhas de concordância e de difícil assimilação popular, na sua especificidade como matéria de Direito.
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Caro Ademar
tomei boa nota do seu julgamento.
cordialmente
zémariaPOEMETO JURÍDICO
Um poema de zémaria
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto de zémaria, “Poemeto jurídico”, de poemeto não tem nada, porque é um poema longo, muito bonito e elegante, usando a linguagem jurídica para explicar uma dor-de-cotovelo que o autor sofre até hoje, apesar do tempo passado...
É interessantíssimo o poema, pelo muito que diz do sentimento do autor pela Poesia, invade a frieza dos processos, reinventa a vida nos escaninhos da memória e proclama uma dose de Paz entre os querelantes para resolver todas as questões.
zémaria é meu velho conhecido, e seu livro “Concebidos com pecado” está aqui entre meus livros de cabeceira, como dádiva preciosa, que enfeitou meu fim de semana numa época muito triste, e veio me dar um bocado de alento para que eu prosseguisse, apesar das minhas dores. Fiz uma entrevista com o autor para o site Encontro de Escritas, cujo espaço o poeta José Félix nos cedeu.
Todos os textos de zémaria são bons, e eu sou suspeita para falar sobre este autor, porque sou sua “macaquinha de auditório”. Com muita honra!
Portanto, minha resposta a este poema lindo é somente esta:
DUETO FATÍDICO
Maria José Limeira
Inscrevam-se nos papéis
passados
da Suprema Côrte:
Deferido
Data Venia
e Tenho Dito!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
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Doce Limeira
vindo de quem vem, a apreciação ao poemeto
me é de grande valia e aponta a validade da
minha pouca poesia.
abraço
zémariaA via é extrajudicial... negociações. O simples rompimento sem danos patrimoniais nem à honra não gera direitos tutelados (curiosamente, tive uma aula sobre isso exatamente ontem). Claro que gera "dor" e, nesse sentido, dano moral. Mas tais danos são riscos da "natureza do negócio", como também o amado ficar doente etc. Quem não gostar e não aceitar... que se dedique a Deus ou algo "assim".
Régis Antônio Coimbra
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Régis, achei muito interessante seu aparte. Com relação a danos morais, é muito relativo. Os danos morais são pessoais. O que pode ser dano para você pode não ser para mim. Ouvi falar que, nos Estados Unidos, o pedido de indenização por danos morais virou uma verdadeira indústria, e as vítimas estão ganhando dinheiro muito. Escreveu, não leu: danos morais nele!
Ah-ah! O poema de zémaria é muito bonito, mas, não entendo por que gera este tipo de discussão sobre danos morais. Saludos. Maria José Limeira.De minha parte... li uma pergunta sobre que medida seria cabível (relê a última estrofe) e a resolvi responder. Como já disse, ontem mesmo tive uma aula sobre isso e o professor comentou que não há dor maior que a dor de amor... mas que o Direito não se mete nisso diretamente, apenas interferindo se houver outros fatores como a humilhação pública em face de traição ou rompimento escandaloso, ou danos patrimoniais (a noiva já
contratou a comida para a festa de casamento, comprou e distribuiu os convites...). Note-se que, nesse caso, há danos materiais (as despesas do casamento) e extrapatrimoniais não necessariamente "morais", como o danos à imagem e, secundariamente, o sofrimento (dano moral em sentido estrito) mais ou menos inerente a esse dano à imagem (dano moral em sentido amplo).
Quanto à paixão dos juristas pelo "dano moral", decorre precisamente da possibilidade de sempre "discutir", ainda que a probabilidade de ter sucesso possa variar muito. Nos EUA... bem, há uma cultura de alta litigiosidade e, principalmente, muito dinheiro... e advogados. Então, é normal que haja indústria de tudo, inclusive de "ações por danos morais" as quais, lá, podem atingir valores astronômicos, embora geralmente combinados com danos patrimoniais.
Régis António CoimbraDoce Limeira
grato ao seu "exarado" sobre o poemeto.
abraço
zémaria
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gosto do poema e pronto! e quem vai dizer que não basta??????
beijão, poeta!
líria
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Grato e já te disse, mas vale repetir:
Líria, vc. tem a lira.
abraço
zémaria
Eu digo que não basta, Líria!
E ainda esqueci de dizer que não é poema. É prosa, e dessas bem "prosaicas"!
O José Maria é bom poeta, disso já tivemos boas amostras através dos seus dísticos. Mas, desta feita, forçou demais a barra.
Acho que ninguém está obrigado a ser poeta, nem creio que exista uma superioridade essencial da Poesia em relação à Prosa.
Então, por que todos só querem ser poetas?!
Será que a Poesia andaria em alta na Bolsa?
Eu, pelo menos, quando alguma vez escrevo um conto, não o arrumo como fogueirinha de São João para que pareça poema.
Mas, para o meu desapontamento, essa é a tendência geral do pessoal da 0ficina. A tal ponto que ninguém chega sequer a perceber quando desponta entre nós um verdadeiro poema, daquele ou daqueles dois que você mesma já escreveu.
Aquele abraço!
Ademar Ribeiroainda bem que respondeste à provocação! eu morro de inveja de quem faz prosa, eu não consigo! gostei e gosto do que o zemaria escreve, sem avaliar direito se é poesia ou prosa... essa é a minha limitação!
- pior ainda é quando o verso me some... risos
beijão
líria
conta-gotas
líria porto
quando o verso cessa
desvive o poeta
como se o universo
conspirasse contra
e o mar secasse
virasse deserto
e fosse a existência
esse faz-de-conta
eu morro de inveja e não morro
acho que prosa é rosa
e poesia, socorro.
ricardo pisoler
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gostei disso, pisoler!!!!! muito!
líria
p/Líria e Maria José:
Eu, Líria, Ademar. No meu comentário, que não sei se você leu....
E ainda esqueci de dizer que não é poema. É prosa, e dessas bem "prosaicas"!
O José Maria é bom poeta, disso já tivemos boas amostras através dos seus dísticos. Mas, desta feita, forçou demais a barra.
Acho que ninguém está obrigado a ser poeta, nem creio que exista uma superioridade essencial da Poesia em relação à Prosa.
Então, por que todos só querem ser poetas?!
Será que a Poesia andaria em alta na Bolsa?
Eu, pelo menos, quando alguma vez escrevo um conto, não o arrumo como fogueirinha de São João para que pareça poema.
Mas, para o meu desapontamento, essa é a tendência geral do pessoal da 0ficina. A tal ponto que ninguém chega sequer a perceber quando desponta entre nós um verdadeiro
poema, daquele ou daqueles dois que você mesma já escreveu.
Aquele abraço!
Ademar RibeiroSenhoras. Senhores. Ademar e Todos. Estamos tratando aqui apenas de textos! Textos, minhas Gentes Lindas! E textos não queimam feito "fogueirinhas de São João"!
Estou tentando remediar os erros que já cometi nesta Linda Lista, desde o seu renascimento, e me segurando como posso para não ser reincidente evitando pegar uma
daquelas penas brabas por prática de crime hediondo.
Ah-ah! Sugiro que os colegas da lista aproveitem o mote da fogueirinha de São João levantado por Ademar e iniciemos uma ciranda... Cordelistas do meu Brasil! A
postos! Saludos e dando risadas. Maria José LimeiraCONSELHOS ÚTEIS:
A diferença entre a palavra certa e a palavra errada é
a mesma diferença entre um relâmpago e um vaga-lume.
Mark Twain
*
Corte os adjetivos, a maioria deles, os que sobraram
ficam mais fortes, eles são fracos um perto do outro.
Mark Twain
*
Toda vez que você quiser escrever a palavra “muito”,
escreva “danado de”. Seu editor irá apagar os “danado
de” e seu texto vai ficar bom.
Mark Twain.
*
O homem que não lê bons livros não tem nenhuma
vantagem sobre o que não sabe ler.
Mark Twain
*
Nenhuma paixão no mundo é comparável à paixão por
alterar os textos de outra pessoa.
H.G. Wells
*
A diferença entre ficção e realidade?
A ficção tem que fazer sentido.
Tom Clancy
*
A linguagem é uma chaleira rachada que batemos para
fazer os ursos dançarem. Quando o que queríamos mesmo
era mexer com a clemência das estrelas.
Gustave Flaubert.
Para Cruz e Sousa
Oh formas negras, escuras, entrevadas, formas deformadas, transformadas, depravadas, formas que vagam, divagam, que sangram luz nas aras, que mancham os altares com formas claras. Oh formas luminosas que
douram o dia, formas vaporosas, aladas, assexuadas que guardam, que resguardam nossas entranhas nas quais guardamos nossas formas negras, nossas formas magras, nossas formas frias. Cruz negra dos sonhos
impossíveis, das formas imperfeitas, das sombras assombradas, estandarte das causas inglórias, anjo tísico negro de alma negra da rastejante escória, ilumina o multicor das almas transitórias. Olímpio dos párias, restos,
rejeitos da história, a farsa, a força, a face urbana me fez, filho de ratos rotos, flor dos esgotos, falo drummoniando contigo outra vez. Digo não, digo sim, talvez diga talvez. Sussurros, suplícios, flagelos, sou crucificado, imolado, enforcado para a salvação de vocês.
Definitivamente Deus não é brasileiro, nem fala português.
VERSOS PERVERSOS X
Um texto de João Andrade
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este “Versos Perversos X”, de João Andrade, não é o que se pode dizer de um “texto ruim”, ou “insosso”, ou “fora do esquadro”. É um texto aprumado, em estilo “noir”, etc.
Poesia ou Prosa?
Nem uma coisa, nem outra.
Trata-se de um texto contemporâneo, uma “prosa-poética”, das que abundam na internet com uma arbitrariedade irritante.
Mas, irritante ou arbitrário não se pode dizer deste texto de João Andrade, fiel ao conjunto da obra que este autor vem construindo com uma tenacidade admirável, acertando aqui e/ou errando ali, e seguindo sempre em frente.
O autor tenta alcançar as alturas da qualidade da obra de Cruz e Souza a quem dedicou o texto, e por isso caprichou nas metáforas (algumas bem interessantes!).
Uma das coisas que me deixam amuada é o uso do “modismo”, na esperança de lançar alguma coisa nova, em vão. A falta de pontuação adequada num texto pode transformá-lo de obra genial em mediocridade. Há uma profusão de vírgulas neste texto, onde deveriam estar pontos continuados.
Mas, nada disso compromete o todo.
Apesar dos contrários, gostei. No conjunto, o resultado foi bom, apesar da prolixidade dos detalhes.
essa forma angustiada de discorrer sobre a aflição do vício me tira o fôlego, quase como se a fumaça me entrasse toda de uma vez! de todos os cigarros do mundo! é um texto forte, pungente! isso me agrada, embora já tenha lido do autor textos melhores...
líriaTexto: Versos Perversos
Autor: João Andrade
Comentário de Ademar Ribeiro
Este texto caótico, híbrido de Prosa e Poesia, muito comum nessas paragens da nossa 0ficina, é mais um daqueles que me deixam desalentado logo a uma primeira leitura.
Será que a Literatura não deve ter mesmo nem pé nem cabeça?
Ou será que a minha acuidade como leitor anda superada, sem mais alcançar o que outros poetas alcançam?
Por isso que tenho lido minimamente, muito menos ainda do que outrora, para me resguardar das eventuais regurgitações literárias causadas por excesso de leituras e pouca assimilação.
Para ter certeza de que o que escrevo representa a rigor o que pretendo dizer, e não aquilo que meu inconsciente me sussurrou após alguma dessas leituras mal digeridas de que falei.
Justamente nessas contingências é que vejo este texto do João Andrade, que se apresenta ao leitor como se mal saído do limbo, numa enxurrada de imagens fantasmagóricas, antes de situar-se no espaço/tempo do papel onde veio cair.
Não fosse a indicação prévia da sua intertextualidade com o universo poético de Cruz e Sousa, explicitada pela dedicatória, não se saberia do que, de quem ou com quem fala o autor no seu monólogo interior.
Trata-se de uma prosa curta, indefinível como gênero literário - nem crônica, nem conto nem poema - apesar das rimas sonoras e de um vago apelo formal à semelhança de versos.
Em seu aspecto lingüístico, é ainda um texto compulsivo, repetitivo, de precária estrutura sintática e recheado com nada menos de 27 adjetivos na sua pouca extensão
Analisando:
O titulo não condiz com o corpo do texto, este texto não é cantado em versos, é uma pequena prosa que começa no mesmo ritmo que termina, não acrescenta nada ao leitor e não propõe nada de novo na sua forma de fazer literatura.
Um texto de pequeno tamanho como este ou diz muita coisa nas entrelinhas, como já vi textos do mesmo autor e que eram brilhantes e pequenos, ou não dizem nada como é o caso deste texto em analise.
O autor neste texto trabalha bem as palavras nos seus sons, colocadas e lida em voz alta dá um aspecto de discurso bravo e revoltado, mas um discurso vazio, sem grandes propostas nem grandes revelações. Já vi textos melhores deste autor.
Abraços
Hilton Junior
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Tendo aqui ensaiado uns dísticos perversos, cuja parte III-final em breve enviarei, nem sabia que o João tinha tão bons versos perversos, dignos do homenageado. Parabéns.
cordialmente
zémaria
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Obrigado a todos pela leitura e comentários do meu texto.
Saudações
João AndradeVEJAM!
Balas perdidas.
Tiros no meio do salão.
Trocas de tapas.
Entre na briga pelos bons textos:
Lista de Discussão Oficina Literária:
http://oficinaliteraria.zip.net
Para participar de nosso Fórum de Discussões,
mande email para:
oficina_literaria-subscribe@yahoogrupos.com.br
Saludos!
Maria José Limeira.
Há alguma coisa me doendo
do lado esquerdo do peito.
Deve ser o último sinal
de que ainda tenho coração.
(Maria José Limeira)