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Eu vou colher o teu depoimento,

traçar o rumo da investigação.

À tua fala ficarei atento

a ver se apanho-te em contradição.

 

Se não convences, por requerimento,

te chamarei para acareação.

E com ou sem o teu consentimento

quebro o sigilo do teu coração.

 

Eu titular e nunca o teu suplente,

teu relator e o teu presidente,

bato o martelo nessa comissão.

 

Eu tranco a pauta, fecho o expediente

e dispensando cada depoente,

beijo tua boca em absolvição.

 

Antoniel Campos

..........

 

Poros e Cendais

http://antonielcampos.blog.uol.com.br/

 



- Postado por: Oficina às 02h06
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“DIAS VOLÁTEIS”, UM TEXTO DE

RUBENS DA CUNHA, EM DEBATE:

..............................................................

 

Dias Voláteis

  ® Rubens da Cunha

  

Dias voláteis.

Volantes e violetas.

Jogos inúteis de palavras

descompressam o amor.

 

Tenho fadigas.

Formigas por sobre o peito.

Dizem paixão.

Digo sobras, sopros,

esconjuros do que fui.

 

Dias voláteis.

Somem, somam

suas horas enruguescendo

meu corpo estante.

 

Tenho desculpas.

Descontos e farrapos.

Roupas tingidas em suor.

Dizem morte.

Digo esporas, espúrios

ativismos do sangue.

 

Dias voláteis.

Livros e lábios.

A Escrita névoa

o entendimento.

 

Tenho memórias.

Fugas e cabelos.

Dizem poema.

Digo escadas, escaras

das vidas que serei.



- Postado por: Oficina às 01h28
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Dias voláteis - Cont.

DIAS VOLÁTEIS

Um texto de Rubens da Cunha

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto “Dias voláteis”, de Rubens da Cunha, surpreendeu-me.

O corpo do texto não tem nada a ver com o título, acho eu.

Depois, é um texto escrito a partir de clichês batidos, que o autor não recriou.

Ele bem que tentou, é certo, retirando de algumas palavras suas grafias originais, mas... não deu certo.

O texto é substantivado, mas isto não o salva do lugar-comum.

Não se realiza como Poesia, apesar das forçadas-de-barra empreendidas pelo autor, perdido num labirinto sem saída.

Enfim, eu adoro o Rubens da Cunha cronista e, simplesmente, abominei este poema.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 01h23
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Dias voláteis - Cont.

Olá maria,

 Bem, obviamente usei algumas ferramentas na construção do poema que te desagradaram. gostaria que vc fosse mais explícita na seguinte afirmação: "é um texto escrito a partir de clichês batidos, que o autor não recriou" 

Quais os versos especificadamente mais te passaram esta impressão e por  quê? Apenas para entender teu ponto de vista, gostaria de saber sob que parâmetros você está olhando os versos para chamá-los de clichês. 

fico no aguardo e agradeço

Rubens

...........

 

Caro amigo Rubens.

Você sabe que sou sua fã. Sabe como admiro sua literatura (poesia & prosa). E quando digo que gosto, gosto mesmo. Quando não gosto, não gosto. O que vale, porém, em minha análise citada não é somente questão de gostar ou não. Você sabe.

Quanto à sua preocupação em relação à minha análise, faz sentido. Fui um bocado omissa, não fui?

E vamos aos clichês.

Achei seu texto um tanto “forçado”, a partir mesmo do va-va-vu (tantos vês, tantos vês...) um tanto fora de moda (voláteis, volantes, violetas). Também o verbo (é novo?) “descompressar” (ou descomprimir?) visto assim de longe não me soou bem...

Mais adiante, no mesmo ritmo (ou des-ritmo?) do va-va-vu, temos esporas, espúrios, livros, lábios, escadas, escaras... e por aí vai...

São palavras batidas, gastas, que você tenta recriar dando-lhes outras conotações, cujos significados nos escapam.

Seu texto compõe, portanto, uma colcha de retalhos difícil de decifrar, e aí nos chega a expressão correta para ele: -  Não entendi.

Afinal de contas, me diga, meu doce Rubens, o que quer dizer este texto?

Saludos.

Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 01h19
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Dias voláteis - Cont.

Poesia volátil,

gosto e aprecio mais os textos da semana.

Sem mais.

Ricardo Pisoler

...........

 

Olá Pisoler, 

Obrigado.

são dois universos distintos, mas pelo que leio dos teus textos, vc transita mais pelo meu lado cronista mesmo.

abraços

Rubens

- Postado por: Oficina às 01h14
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A poesia apresentada por Rubens traz bons achados, figuras interessantes, faz pensar e sentir junto como autor - assim está completa e atinge seu objetivo. Ressalvas? Excessos de pontuação que "empobrecem", restringem o texto - talvez uma mania de escritor de textos longos em que a pontuação é companheira indispensável. Acredito que com pequenas modificações nesse aspecto a obra ficaria ainda mais interessante. E uma pergunta: onde se diz - "a escrita névoa o entendimento" não seria "a escrita enevoa o entendimento"? saudações.

José Nunes

...........

 

obrigado, josé, por sua análise.

Quanto a pontuação, vou rever possíveis excessos, quanto ao névoa/enevoa, gosto muito de retirar as palavras de suas gavetas gramaticais e fazer com que elas exerçam novas funções sintáticas.asim, o substantivo virou verbo. :))

abraços

Rubens

- Postado por: Oficina às 01h10
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Dias voláteis - Cont.

É consequência, ao ler <<Dias voláteis>> de Rubens da Cunha, pensar em Simbolismo.

Os versos iniciais remetem a Cruz e Souza e seus mais famosos versos pertencentes ao poema "violões que choram" (Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas, / Vagam nos velhos vórtices

velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.).

Além da aliteração em V, o poema é prenhe de rimas leoninas baseadas em paranomínias (sobras/sopros, somem/somam, esporas/espúrios, escadas/escaras), elipses, zeugmas, enfim, figuras sonoras, de sintaxe, de palavras e de pensamentos, marcas registradas dos simbolistas, que tanto buscaram "uma linguagem que fosse capaz de sugerir a realidade, e não retratá-la objetivamente", negando a natureza em busca do místico-sobrenatural.

Um poema bem conseguido, apesar de estar enquadrável em uma escola fora de época.

Penso na poesia como algo atemporal, e me desagrada a idéia de escolas fixas, apesar de também me desagradarem poetas natimortos, que não passam de mera repetiçãoi de fórmulas prontas.<<dias voláteis>> é uma releitura de um estilo e de uma temática, sem

ser natimorto, sem ser repetição do fácil.

Gostei particularmente dos versos (Tenho memórias./ Fugas e cabelos.)

Me remeteu a raízes, e o quanto nos preendemos ou despreendemos das

nossas. Fugimos de nossas raízes, e nos restam cabelos e dentes, todas as

raízes que um dia ainda hão de partir. Memórias Fugidias e memórias

enraizadas. Signos.

Um poema bem conseguido, certamente.

Anderson Santos

- Postado por: Oficina às 01h03
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Dias voláteis - Cont.

Olá Anderson

obrigado pela análise

Duas questões.

A primeira, não acredito que o simbolismo seja uma idéia fora de época, talvez a idéia de escola, corrente literária, ou isso ou aquilo, esteja fixo no tempo, mas a ""uma linguagem que fosse capaz de sugerir a realidade, e não retratá-la objetivamente", é uma idéia que me move muito ainda. Acho que poesia é mistério, fascínio, e a idéia simbolista, junto com a surrealista é que me propõe  os melhores jogos.

A segunda.

Não dá um ódio de Cruz e Souza que 'proibiu" qualquer aliteração em v?

Quando eu fiz estes versos, me lembrei imediatamente do poema dele, mas optei por manter os versos, até porque a intertextualide também é uma realidade muito marcante nos nossos tempos.

é isso,

abraços

Rubens

...........

 

Rubens...

Siga assim, simbolista... o fazes muito bem

e, sim... qualquer aliteração ficou proibida depois do Cruz e Souza...

Mas não dá ódio não... dá orgulho... eita brazuka bem bom, não é

mesmo?

Abraço

Anderson

- Postado por: Oficina às 01h00
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Dias voláteis - Cont.

Vou seguir, é uma questão de identificação.

alterar isso é alterar a minha biologia de escritor :))

acho difícil.

abraços e obrigado

rubens

..........

 

Rubens, bom dia.

Eu gostei.

Após a leitura da sua poesia compreendi exatamente as colocações que você fez, quando conversamos sobre aquele meu texto.

Sua poesia é sonora e inteligente.

Bom final de semana,

Beijos

Andréa Motta

..............

 

Obrigado Andrea,

minhas observações são sempre a partir dos meus conceitos (poderia ser diferente? :)) )

fico contente que tenha gostado.

abraços

Rubens

...........

 

dizer que aprecio a escrita de rubens é redundância! no entanto, ainda prefiro as crônicas, embora goste dos versos... escolhi estes!

 

"Tenho fadigas.

Formigas por sobre o peito.

Dizem paixão.

Digo sobras, sopros,

esconjuros do que fui."

 

um abraço

líria

- Postado por: Oficina às 00h53
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Dias voláteis - Final

Obrigado, Liria.

Como eu disse para o Pisoler, são estâncias diferentes, o poeta, o cronista,

antes, eu até tentei misturar, e ainda faço algumas vezes, mas hoje já tenho mais consciência das fronteiras entre uma coisa e outra.

 abraços

Rubens

...........

 

Gostei bastante deste poema do Rubens assim como gosto das suas palavras na prosa, com as crônicas que nos envia semanalmente. Este texto é bastante maduro, suas palavras sabem o que estão dizendo. O "eu" deste poema conhece os seus sentimentos e os canta de forma segura e nos passa com um ritmo saboroso tudo aquilo que sente e tudo aquilo que extraiu

deste sentimento na sua vida.

Parabéns ao Poeta, acertou muito bem, chegou lá com mérito.

Abraço

Hilton Junior

- Postado por: Oficina às 00h50
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“O DIABO”, UM TEXTO INQUIETANTE

DE ADEMAR RIBEIRO, EM DEBATE:

..................................................................

 

O Diabo

Ademar Ribeiro

 

Nem feio

nem bom

nem bonito

nem ruim

o Diabo

insípido

calça « tennis »

veste « jeans ».



- Postado por: Oficina às 00h10
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O DIABO

Um texto de Ademar Ribeiro

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

O Diabo é uma das figuras mais ricas da literatura popular. Até mesmo na música ele faz das suas. O tema é rico e, na maioria das vezes, muito engraçado.

Porém, no poema de Ademar Ribeiro, “O Diabo” (será poema mesmo? tenho cá minhas dúvidas!) o diabo é frio, calculista, insosso e meio amorfo, sem graça nenhuma.

Sinceramente, eu gosto mais daqueles textos pesados que Ademar escreve, carregados de simbolismos e metásteses (oopss! metáforas!).

Sem mais, saudações, agora sem pt.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

- Postado por: Oficina às 00h06
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O diabo - Cont.

Lendo o poema de Ademar, tive a impressão trazida pelo próprio texto: que "O diabo" parece uma obra calçada a "tennis" e vestindo "jeans".

Assim, ficou nem feia, nem boa, nem ruim, nem bonita;  "insípida", como o próprio retratado. Esperamos outras, do bom poeta Ademar. saudações.

José Nunes

- Postado por: Oficina às 00h03
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O diabo - Cont.

Analisando <<o Diabo>>

O poema me lembrou a charada infantil que pergunta "Qual é a diferença entre a bota e a calça" (pesquise no google assim mesmo e encontrarás 19 páginas. Não pesquisei as variantes).

E o poema é assim mesmo. Infantil.

Uma vertente social é perceptível mas não chega a ser impactante. O diabo é o comum. Mas o diabo é insípido. Logo, o comum é sem graça.

Marilena Chaui, na obra "Convite à filosofia", ensina que a ciência é o que vem combater o senso comum, mas que usa dele para encontrar métodos.

 

Se o diabo é o comum, e consequentemente o senso comum (as crendices, rotinas, superstições, o infantil , logo, o involuído), então a filosofia do poema apontará que a ciência (e o dual maniqueísta que sempre aposta na necessidade das trevas para a existência da luz), e suas ciências serão Deus, o que eleva o poema para um nível tecnicista dentro do

tecnicismo.

Talvez eu esteja indo longe demais para encontrar verdades dentro de um poema que não me causou impacto.

Não nego que pode ser interpretado dentro de um contexto filosófico (tanto que o fiz), mas isso não o eleva (não para mim) ao status de poesia.

Anderson Santos

- Postado por: Oficina às 00h00
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O diabo - Cont.

pra mim o diabo calça sapatos

e não usa jeans,

veste terno azul marim.

o diabo, enfim descoberto,

pelas câmeras de tv,

veste mesmo é voto,

e compra na sua loja,

seus grandes otários....

ah ah ah ah ah ah ah!

 

sds, Ricardo Pisoler

...........

 

Gostei da “análise”, Maria.

Eu já sabia que não iam gostar da forma como “o” representei.

Comigo, seja “ele” o que for, ou como quer que se “o” represente, não tem nenhum prestígio.

Sabe que você, ao contrário do Emerson, escreve muito bem, até mesmo quando não diz nada que se aproveite?

E eu que eu nem gostava deste poema, agora comecei a gostar...

“Ademauzinho”

..........

 

Obrigada, querido Ademar. Estou gostando de ver suas manifestações tipo “complexo de Édipo”. Aviso a você e aos navegantes desta Linda Lista que não sou nenhuma autoridade aqui. Quem tiver alguma queixa contra o desempenho da lista, vá se queixar ao bispo. Saludos, e me desculpem o “destempero”! Maria José Limeira.

- Postado por: Oficina às 23h56
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O diabo - Cont.

Bom dia Ademar,

Como não estou habituada com estas análises e tive um problema com o computador, acabei por me atrasar ao cumprimento do mister, mas vamos lá.

Gostaria de inicialmente de esclarecer que precisei fazer um esforço muito grande para do poema afastar a figura de seu autor, pq. eu esperava muito mais de você. Isto decorre do fato de não conhecer seus textos (poesia e/ou prosa), mas ter acompanhado a forma como você dirige as análise aos textos dos demais participantes.

Infantilidade minha talvez, mas repito, eu esperava muito mais, algo mais retórico, mais forte, devidamente e corretamente pontuado, etc..etc..etc...

No entanto a sua poesia O Diabo, é um texto sem originalidade, o que me decepcionou, esperarei pela próxima.

Com os votos de um excelente final de semana,

Andréa

...........

 

Tem razão, Andréa. É como se um desses textículos minimalistas que os poetas da minha cidade costumam publicar em jornais e, às vezes, na "internet".

Não pretendi fazer história com ele, e vou colocar os parênteses em "insípido".

Mais alguma coisa?

Obrigado pelo lembrete.

Ademar

...........

 

caro ademar e integrantes da lista

o momento mais difícil para mim é este, não sei analizar textos, sei apreciá-los ou não - então vamos lá: gostei desse poema curto, da rima nem um pouco óbvia, e podia tanto ser um diabo quanto um homem, descrito assim, o que me leva a pensar que somos todos feitos da mesma massa, anjos, diabos, mulheres, homens, o que, no meu entender, não deixa de ser verdade...

beijão

líria

...........

 

ai, ai... analisar é com s - desculpa a falha... rsrrrs

líria

- Postado por: Oficina às 23h51
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O diabo - Cont.

Isso, Líria!!!

Todos já da mesma massa plástica: anjos, diabos, mulheres, homens... e americanos! Menos eu.

Pra quem não saberia analisar textos, estás me saindo muito bem!

Ademar

............

 

lembrei-me duma historinha: minha filha pequena fora ao jardim zoológico, perguntei a ela - o que viste lá? ela: - uns bichos... perguntei-lhe - quais??? e ela - ah, mamãe, uns soldados... (risos )

beijão

líria

...........

  

e foi??? 

ehêhêhê!.. coitadinhos dos bichos!

Ademar



- Postado por: Oficina às 23h48
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O diabo - Cont.

Liria:

Por favor, não repare...

Foi feito no "repente"

da sua frase... 

 

Lírico

( Para Líria Porto )

 

Quanto privilégio ouvir

os sons dessa primadona

que esconde o "esse" de cobra

que solta o "zê" da abelha

e obstante consoante

sabe ser flor e néctar

ser  formiga e cigarra

armazenando o alimento

enquanto (en)canta sem parar

 

Ao som de si, uma líra

cria o som absoluto

e não cobra uma líra

pois não tabela o apreço

mas armazena riqueza

na poema-correnteza

no poema-endereço

na flor de sotaque turquesa.

um cais da delicadeza

 (Rogério Santos)



- Postado por: Oficina às 23h45
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O diabo - Cont.

isso é um presente lindo, rogério!!!!! muito obrigada! gostei imensamente de tê-lo recebido de ti!

beijo grande

líria

............

 

Líria, eu acabei editando uma palavrinha do poema.

Como disse, foi coisa de repentista, seduzido por tanta coisa linda que

vc escreve.

Fico imensamente feliz que tenha gostado.

É pouco para te homenagear.

Beijo

Rogério Santos

- Postado por: Oficina às 23h42
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O diabo - Cont.

Não sei até onde as criticas feitas ao poema do Ademar são verdades....

O poema não é nada daquilo que o Ademar nos mostra em suas análises e  nas suas palavras? Ele é exatamente o que o Ademar nos diz a cada dia, é a critica direta a todos os homens por suas ações e por sua postura  neste mundo que modifica e mortifica. O poema é simples, não tem grandes saltos e nem tem a vontade de voar alto. o poema é a critica e a

comparação do homem ao diabo, diabo este que o próprio homem criou dentro de si.

Abraços

Hilton Junior

...........

 

Penso que as vezes, o Ademar quer nos pegar, travestindo o diabo de anjo, enfileirando-o em palavras cortadas, para ver o que a gente entende mesmo de poesia. Aí ele vem com esse diabo, que se arruma, se enfeita e tenta dar-lhe uma maquiagem de poema. Seria mais uma brincadeira dele?

Observei que ele brincou com os antônimos os trocando de lugares. Ficou interessante, ficou até engraçadinho, mas isso não o salva de ser um texto simplesinho, ou eu diria mesmo, uma brincadeira.

É verdade sim que o diabo calça tênis e veste jeans.

Dira

- Postado por: Oficina às 23h40
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O diabo - Final

Texto : O Diabo

Autor : Ademar Ribeiro

Análise e Réplica Geral: Ademar Ribeiro        

 

Este poemeto de Ademar Ribeiro ( vê-se mesmo sem querer ) aborda um tema-tabu  na Poesia, ao desfazer do « sacrossanto » imperialismo norte-americano de forma jocosa, concisa e quase explícita, causando indignação

incontida nos leitores adeptos do atual « mundialismo », viúvos e netos e bisnetos das ditaduras militares, conforme se vislumbra nas críticas despropositadas que lhe foram dirigidas. 

Este tema tem sido proverbialmente explorado, sobretudo no Jornalismo e na Crônica, com propósitos sensacionalistas e em composições ardilosas, constituindo-se antes em elogio subliminar à coisa criticada do que em investidas convictas contra ela.

O poema em questão refoge formalmente ao filão mais elaborado do autor, ao tomar o minimalismo como ingrediente oportuno para uma tripla sátira. Quais sejam :

a) ao Diabo,  enquanto símbolo de corrupção moral, estética e política;

b) ao insípido sistema capitalista ( no simbolismo « tennis » e « jeans » ) ;

c) ao « minimalismo », enquanto modismo literário - que não é senão, como outras correntes modernistas propostas pelo próprio Capitalismo, mais um prolapso da « literatura pós-moderna » a que devemos reagir em

defesa da Língua.  

Afinal, o que mais se poderia dizer do Diabo, do Capitalismo e do « minimalismo »  que não fosse através de um “poemóide” que tal, de forma e extensão propositadamente minguadas como o autor o concebeu?

“Poemóide”, sim, mas que me abriu muitas portas ao meu próprio entendimento e quanto  aos companheiros da 0ficina

..........

 

Excelente, Ademar, excelente!!!!!!

Sua análise está perfeita!

Dira

- Postado por: Oficina às 22h54
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UM TEXTO LINDO
DE DIRA VIEIRA, EM DEBATE:

“INCISIVA”

....................

 

Incisiva

 

melhor que tu cases

com a outra

e tenhas com ela

filhos barrigudinhos e de nariz escorrendo

porque mais vale

o amor da outra

que esse meu amor

 

de puta

 

(cansei de lavar, passar e parir poemas inúteis)

 

Dira Vieira

 

http://www.madamemin.zip.net

http://www.ocisco.net/dira.htm

http://oficinaliteraria.zip.net

http://pontofuturo.org



- Postado por: Oficina às 00h43
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Incisiva - Cont.

INCISIVA

Um texto de Dira Vieira

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Um texto (qualquer texto deste mundo!) a gente lê com as armas de que dispõe. Pode ser o texto do poeta mais genial do mundo. Se não me disse as coisas que eu gostaria de ouvir (ou de dizer!) não disse nada.

Isto acontece também com a música, com as artes plásticas, com os filmes e teatros, etc., e com a arte em geral.

Eu fico besta (pasma!) vendo aquelas mocinhas, ao lado de seus impecáveis mocetões, dançando animadamente nos bailes funks, ao som de endiabrados tigrões, deliciadas, como se estivessem no céu... Talvez, para estas, o fato de existirem autores como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e outros cobras da Literatura Universal não queira dizer nada.

Pois bem. Não se trata aqui de poposudas e poderosas, mas de um texto lindo intitulado “Incisiva”, de uma autora chamada Dira Vieira, que todos conhecemos, pela sobriedade de sua obra em franco andamento, que me soa bem, tanto na Poesia quanto na Prosa.

Este texto “Incisiva” tem tudo da nossa amiga Dira Vieira:  ritmo, elegância, concisão, e muitas surpresas no seu desenrolar, até a tacada final.

Há quem lembre que existe uma literatura dita “feminina”, com assuntos próprios das mulheres escritos por elas.

Poderia haver injustiça nessa classificação se fosse impossível às autoras ingressar naquilo que todo escritor almeja: o alto vôo na direção da universalidade.

Dira o consegue. Dira o sabe. Dira chega lá. Com seu passo cadenciado. Com sua paciência de trabalhar o texto. Sobretudo, com humildade.

Este texto “Incisiva”  é de uma beleza extraordinária. Tanto no conteúdo, quanto na linguagem.

É um grito de protesto, sem nenhum grito. Dito em voz baixa. “Incisivamente” como o disse a autora, pura e simplesmente.

Mas, não é somente a rebeldia da mulher. É o protesto humano por excelência. Com todas as letras! E nisto reside sua universalidade.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

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Maria, não sei o que dizer, senão agradecer análise tão linda. Muito

obrigada. Vcs são maravilhosos.

Dira

- Postado por: Oficina às 00h37
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Incisiva - Cont.

Texto: Incisiva

Autor: Dira Vieira

Comentário: Ademar Ribeiro

 

Este poema da Dira, construído sobre um tema trivial, e escrito em linguagem simplória,

de curta elocução, gerou uma metáfora surpreendente entre o nosso amor essencial de poetas pela nossa criação e aquele outro, físico e estabelecido, da procriação humana.

A má divisão dos versos e alguns termos supérfluos não concorreram para melhorar o poema, mas também não o puseram a perder.

Gostei muito, mas – com licença da Dira – li-o como escrito abaixo:

 

“Melhor que tu cases com a outra

e tenhas com ela filhos barrigudinhos

porque mais vale o amor da outra

que esse meu amor de puta.

Cansei de parir poemas inúteis.”

...........

 

Obrigada, Ademar. Não discordo de nada. Só da arrumação do poema. Sabe o que é? Vivo fazendo poemas em voz alta. Daí os espaço, as paradas obrigatórias para respirar e para dar ênfase à frase, ou palavra. Meu abraço, moço.

Dira

- Postado por: Oficina às 00h32
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Incisiva - Cont.

Olá Ademar.

Um grande ícone da separação não convencional de versos é Adair Carvalhais Júnior, Autor de "Desencontrando Ventos" e "Roteiros para um final de era".

Lau Siqueira (O Comício das Veias (Paraíba: Editora Idéia, 1993), O Guardador de Sorrisos (Paraíba: Editora Trema, 1998) e Sem Meias Palavras (Paraíba: Editora Idéia, 2002).), em crítica aos escritos de Adair, diz:

 

"O primeiro livro, Roteiros Para Um Final de Era - Poemas Reunidos  (Belo Horizonte: Edição do Autor, 1998), já revelava a principal característica do mineiro Adair Carvalhais Júnior. Um poeta sem algemas, liberto de certos rigores postiços impostos pelas brigadas estéticas." (...) "O ritmo fraturado, destacado no prefácio pela voz lusitana da poeta Soledade Santos, é, provavelmente, o nervo exposto de uma maturidade que já pinta as cores de um arrebol na poesia de Adair. Segundo ele próprio tem afirmado em listas virtuais de discussão literária, 'trata-se de uma tentativa de desintegração do verso para dar ao leitor a possibilidade de reinventá-lo'. E o que será a poesia se não uma eterna tentativa de invenção e reinvenção?"

Soledade Santos (Quatro Poetas da Net (Sete Sílabas, 2002)), poetisa Lusitana, prefacia:

 

"Ritmo nervoso, sincopado, de inusitadas quebras de versos e estrofes, produzindo surpreendentes associações e, sobretudo, uma tensão rítmica para a qual buscamos instintivamente alívio. Mas esse alívio é sempre adiado para o verso seguinte, para a estrofe seguinte, em sucessivos transportes sintácticos e melódicos, ensaiando rupturas discursivas e poéticas, subvertendo a doxa."

- Postado por: Oficina às 00h26
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Incisiva - Cont.

 

Bem... vamos então ao poeta, com a competente poesia "Some Daqui"

 

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Some Daqui

 

essa luz na minha

cara atrapalha-me a

dormir apaga

 

as lembranças da minha

cama afasta seu

sorriso dos meus

dias

 

espana a poeira das nossas

janelas deixa

o negrume pousar na

minha mão

 

e quando eu

acordar terei

esquecido os versos que

te fiz 

Adair Carvalhais Júnior



- Postado por: Oficina às 00h19
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