
UM TEXTO BONITO
DE RITA MARIA FÉLIX DA SILVA:
“ODE PARA CASSIMIR”, EM DISCUSSÃO
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ODE PARA CASSIMIR
Por Rita Maria Felix da Silva
Ó, nobre guerreiro,
lamento tua sorte...
Onde estão teus deuses,
que te abandonaram?
E onde estavam os meus,
que não te protegeram para mim?
Ó, nobre guerreiro,
maldigo tua sorte...
Tu, que tanto fostes,
orgulho para teu povo,
tombas sem piedade,
por mãos de inimigos,
nesta terra estranha,
em morte desonrosa...
Ó, nobre guerreiro,
choro por tua sorte...
Jamais nascerá teu filho,
termina aqui tua linhagem....
Quem cantará teu nome?
Quem contará teus feitos?
Se sequer serás lembrado...
Ó, nobre guerreiro,
blasfemo por tua sorte...
Meu canto macula o vento
e logo é dissipado....
Dele nada mais restará,
como nada mais resta de ti....
Porém, ó nobre guerreiro,
no reino da Morte,
guarda minhas palavras,
e lembra-te que sofro por ti
Texto: ODE PARA CASSIMIR
Autor: Maria Rita Felix da Silva
Comentário de Ademar Ribeiro
Este texto da Rita ficou entre poema lírico e prosa poética, e mais para elegia do que para ode.
Acho que a indecisão da autora quanto aos gêneros literário e poético do seu escrito comprometeu-lhe a estrutura, prejudicando seu rendimento.
Se houvera de ser poema, teria de ser mais contido, condensado, enxuto, alinhado – com alguma rima ( que rima não é pecado ) e alguma métrica que lhe desse ritmo e musicalidade. Sobretudo em se tratando de uma ode, que foi feita para ser cantada.
E se houvera de ser, ao contrário, Prosa ( que Prosa, por ser prosa, não desmerece nenhum texto ), por que não distendê-lo à vontade, na horizontal do papel ou do vídeo?
O contexto é muito bonito e me lembrou um outro personagem bem conhecido nosso.
E a propósito, desculpando-se a minha ignorância, quem foi Cassimir?Ademar,
Muito obrigada pela análise, comentário e sugestões.
Considero-me como prosadora. A poesia para mim é um flerte, porém bastante agradável, ao qual volto de tempos em tempos.
"O contexto é muito bonito e me lembrou um outro personagem bem conhecido nosso."
Por curiosidade, quem? Por favor.
"E a propósito, desculpando-se a minha ignorância, quem foi Cassimir? "
:)
Rita Maria Felix da Silva.Concordo plenamente com o Ademar, apesar de achar que algumas pequenas alterações podem levar o texto ao poema.
Dentre as coisas que li de Maria Felix, penso que prefiro os contos fantásticos, pelo menos por enquanto.
O texto me fez pensar em I-Juca Pirama.
Sobre coisas que eu alteraria, cito
Onde estão teus deuses,
que te abandonaram?
(E) Onde estavam os meus,
que não te protegeram?( para mim?)
no exemplo, retirando o que está entre parênteses.
Enxugar e rimar. Se queres uma Ode, precisas de musicalidade.
Mais não há a citar. Cassimir, ao que percebo pela leitura de outros textos postados , é um personagem de um Universo fantástico criado pela autora.
Penso que Ademar já disse tudo que havia a dizer em suas poucas linhas... não vou me estender.
Abraço, e sucesso
AndersonAnderson,
Obrigada pela leitura, comentários e sugestões.
Por favor, e curiosidade, quais outros textos meus você leu?
Li Juca Pirama faz muito tempo. Não creio que tenha sido influência para "Cassimir".
"Cassimir, ao que percebo pela leitura de outros textos postados , é um personagem de um Universo fantástico criado pela autora.":)
Rita Maria Felix da Silva.
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Li os textos que mandaste para a lista
Desértico, NETZ-OTPEC, A ILHA NO FIM DAS ROSAS, DRA. ALQUILON, MIGUEL
REENCONTRA JÚLIA, esses os que guardei...
Abraços
Anderson
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Rita,
Eu gostei, é o primeiro texto que leio de sua autoria e, em função disto, atrevo-me a sugerir que enxugue um pouco os versos de forma a dar-lhes ritmo.
Abraços,
Andréa.
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Oi, Andréia.
Obrigada pelos comentários e sugestões.
Logo, logo vou postar outros textos meus aqui na Oficina Literária.
Rita Maria Felix da Silva.ODE PARA CASSIMIR
Um texto de Rita Maria Félix da Silva
(Análise crítica)
Maria José Limeira
“Ode para Cassimir”, de Rita Maria Félix da Silva, é um texto forte, estilo “noir”, um tanto longo para meu gosto, mas não deixa de ter os seus encantos.
“Cassimir”, naturalmente, é um personagem que o eu-lírico inventou para dialogar com a perda, e isto é muito natural em poetas de todas as idades e escolas literárias.
Eu gostei deste texto, porque adoro a “literatura gótica”, sou doida por vampiros e pelos personagens fantásticos que a Rita inventa, pois fui lá nos endereços que postou nesta Linda Lista e degluti com a maior voracidade os textos que ela escreve.
Em “Ode para Cassimir”, a autora não reinventa e nem revoluciona a Poesia em forma e conteúdo, mas dá seu recado com elegância e dignidade.
Gostei muito.
Maria,
Muito obrigada pela análise e pelas palavras gentis.
Fiquei muito contente que tenha gostado de "Ode para Cassimir" e que tenha se agradado de outros textos meus.
Conforme você já deve ter lido em minhas respostas a outras análises, considero-me prosadora, não poetisa.
A poesia para mim é um "flerte", porém tão prazeiroso que sempre volto a ele.
Neste e-mail estou postando dois outros textos meus (que você já deve ter lido), um poema (Netz-Otpec) e uma prosa (O Tesouro de Omalura).
O primeiro foi escrito algum tempo depois de "Ode...". Postei "Ode..." num fórum de poesia. A receptividade foi tão boa que me empolguei e escrevi "Netz...".
"O Tesouro de Omalura" escrevi num período bem complicado de minha vida. Trabalho excessivo e muito cansaço. Eu precisava competir contra o sono para poder escrever...
Até breve e muito obrigada.
Rita Maria Felix da Silva.aprecio a tua escrita, rita! embora te digas prosadora, os versos escorrem bem da tua caneta! e tens um jeito que é teu, uma preferência por temas com os quais não sei trabalhar, embora goste...
parabéns
líria porto
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Liria,
Muito obrigada por seus comentários.
Quanto aos temas, eu classifico meu próprio trabalho literário em três aspectos:
Contos; Poemas e Fanfictions.
Normalmente, meus poemas diferem dos contos porque apresentam um caráter mais sentimental. "Ode para Cassimir" e "Netz-Otpec" representam uma ponte entre
meus contos e poemas, pois lidam com o fantástico e são sentimentais também.
Rita Maria Felix da Silva.Saiba, ó nobre Rita, que este estilo fantástico/ficção
sempre me agrada. Parabéns.
zémaria
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José Maria,
Obrigada pelo comentário (e por ter gostado de meu texto). Já enviei outros materiais para esta lista.
Espero também goste deles.
Rita.EM DISCUSSÃO:
“POEMA BÊBADO”, DE ANDERSON SANTOS
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Poema bêbado
aguardente gole quente lama
que te afunda inunda os olhos corda
que seguras força bamba frágil
proteção do medo que há em ti.
só um copo dois a saideira
e a que fecha a conta e a do santo
e a do amigo que não via há tempo
e a da morte que deixou-te assim
passo em falso encontra o chão e o senso
e a vergonha que traduz-se em choro
de fraqueza do homem forte e pânico
vida em falso encontra fins nos meios
e a desculpa se transforma em tese
pra que o meio só te leve ao fim.
Anderson Santos
Anderson,
Acho que havia comentado anteriormente este seu poema, achei-o
excelente!!
Bjs
(Andréa Motta)
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eu queria ter escrito esse teu poema! parabéns!
LíriaAnderson,
O seu poema é uma delícia de ser lido em voz alta. Parece que estamos subindo uma escada. Lembrou-me Sinal Fechado: olá, como vai, eu vou indo e você tudo bem? Muito interessante. Nota-se que você esmerou-se em
procurar as palavras exatas na forma exata para compor a sonoridade que ele apresenta. Do conteúdo já nem falo, está ótimo. Muito bem articulado, organizado. Gostei do seu poema. Passa ao leitor a embriaguês, das
palavras soltas, mas que dizem tudo, como o título propõe.
parabéns. gostei muito do seu poema.
Dira
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que poema mais doido héin véio?
cê tomou essas pinga tudo?
cê achou barata e pisou em escaravéio?
tomô água-benta de buteco cabeçudo?
óia que eu tb bebo sim e tô vivendo,
e tem gente que não bebe e tá escrevendo...
salute,
Ricardo.
POEMA BÊBADO
Um texto de Anderson Santos
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto “Poema bêbado”, de Anderson Santos, é no mesmo estilo daquel’outro de Rubens da Cunha intitulado “Dias voláteis”. Escrito em cima do metafísico e do etéreo, parece bêbado mesmo, pois não diz coisa com coisa.
Meninos & Meninas. Eu gosto de textos românticos, meio melosos e sorumbáticos, e não dessa coisa substantivada ao extremo, seca, esturricada...
Sou mais os poemas melodramáticos de Pablo Neruda. Saludos!
E estamos conversados!
Olá Maria José
Obrigado pela análise.
As análises feitas antes do período de avaliação, respondi em PVT para quem as fez (Dira e Andréia, se não estou enganado)
Se não perdi mensagens do grupo, foram apenas estas.
Não tenho o que escrever como réplica. O poema não te disse nada ao não te dizer coisa com coisa.
Como não me cabe explicar meus poemas, fica mais um puxão de orelha para que eu corrija minhas criptografias poéticas.
Abreijos
Anderson Santos
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Sóbrio poema, em forma de soneto,
que ojeriza a bebida.
zémaria
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Obrigado pelo comentário Zémaria.
Abraço
AndersonTEXTO EM DEBATE:
“EVOLUÇÃO”, DE ZÉMARIA
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EvoluçãO
Gosto de pensar que os meus filhos
são melhores do que eu, evoluíram
que Cacau e Popi, além de planar
têm visão de raio x, podem voar.
Gosto de intuir que farão da terra
um mundo inda melhor de se estar
sem fome, sem guerra, sem miséria
que a minha geração nâo pôde dar.
Gosto de imaginar que os mocinhos
ao final, dos bandidos vão ganhar
embora nem sempre seja possível
mas quem sabe Raquel conseguirá.
Gosto de sonhar, cada dia que apaga
e chega a mim o tempo da velhice
que vou lavando a minha estultice
escutando o que diz Luiz Gonzaga
mais amando as auroras, os ocasos
e o design da Vitória de Samotrácia.
E, um dia, antes que a morte venha
que eu consiga dar à tapa a outra face.
zémaria (poema hoje publicado na FOLHA PE.)
EVOLUÇÃO
Um texto de zémaria
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Eu gostei muito deste texto lindo, “EvoluçãO”, de zémaria. Aí está todo o sentido de eternidade que o ser humano almeja. O mais interessante é que o autor deu um tchan de liberdade ao conceito de “filhos”, omitindo, inclusive, o senso de “propriedade” que geralmente os pais transportam para a filharada.
Este texto poderia muito bem significar a revolução da Educação, onde o autoritarismo está sendo banido, dando lugar ao diálogo. Não mais a tortura, o chicote e a palmatória, normas disciplinares como meios de se fazer entender, mas a ternura no relacionamento pais-&-filhos.
Somente quem gosta de ouvir os passarinhos e as músicas de Luiz Gonzaga seria capaz de um gesto tão largo...
É um texto belo, que me emociona muito.
Maria
obrigado pela visão do poema.
abraço
zémaria
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Gosto de pensar neste texto do Zémaria como uma cantiga.
Me incomoda o "além de planar podem voar" por dizerem a mesma coisa para mim.
De resto, uma cantiga bem arranjada, com leves escorregões na sonoridade e na cadência, e uma forçada de barra com a Vitória de Samocrácia, que me pareceu entrar no poema sem necessidade e quebrando o contexto.
Abraços
Anderson
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Anderson, eu discordo que “planar”, neste caso, seja a mesma coisa que “voar”. Como você sabe, há várias qualidades de vôos. Há o vôo cego, o vôo de mergulho daqueles pássaros que pescam os peixes, o vôo do colibri e o vôo do urubu... Planar, no caso aqui, é uma imagem poética muito bonita. E voar é outra coisa!
Quanto à “Vitória de Samocrácia”, você já parou para pensar se a vitória fosse do Flamengo? Um abraço e Saludos. Maria José Limeira.Bom Dia Zezé
talvez o autor tenha querido dar dois sentidos, mas para mim, no sentido geral, ficou na mesma... não consigo ver diferente, por mais que tente (não tenho visão de raio x)
E se a vitória fosse do Flamengo, podia ser coisa do mensalão do futebol (já que agora tudo é mensalão)
não... falando sério. A Vitória de Samocrácia (sem cabeça e com asas) entrou no poema quebrando o ritmo tanto dos versos, quanto do tema (na minha opinião, é claro).
Me pareceu estar ali para dar um toque "cult" num poema que vinha todo em um tom "naiv".
Eu gostei do poema de forma geral, mas a escultura virou um alienígena no meio dele.
Abreijos
Anderson
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E ahhhh.....
É Samotrácia
(e nem foram os dedos que se enganaram... fui eu mesmo... sem perdão)
Abreijos
Anderson
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Anderson
obrigado pela análise
tomei boa nota da opinião
zémaria
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Estamos aqui.
Abraço
Anderson Santos
be-lís-si-mo, zemaria!!!!!
obrigada!
líria
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Ausente um pouco da lista, me atualizando, se não disse
digo agora, Líria, obrigado digo eu.
abraço
zémaria
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Zémaria
Achei ótimo!,
teria apenas uma sugestão a fazer-lhe que o divida em estrofes.
abraços
Andréa
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Andréa
obrigado, pode ser uma boa a sugestão.
abraço
zémaria