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NO MEU SONHO

edison veiga junior

 

No meu sonho

 todas as pessoas são tristes.

 

 A diferença

 é que umas constroem pontes

 

 Outras

 se atiram lá de cima.

 

  www.cronopolitano.blogspot.com

 

 

UMA OBSERVAÇÃO

Maria José Limeira

 

(Para Edison Veiga Júnior)

 

Na minha cidade,

a paisagem humana

é alegre.

Embora certas pessoas

sejam tristes...

 

http://marialimeira.zip.net



- Postado por: Oficina às 02h03
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MAIS UM TEXTO EM DEBATE:

“BIOGRAFIA”, DE RICARDO PISOLER

...............................

 

Biografia (r.pisoler)

 

Sou uma pessoa que sofre

de um sofrer sem dor

de um tal calor

que nem esquenta nem morre.

 

Sou uma pessoa como você

que enquanto aguenta

socorre.



- Postado por: Oficina às 01h35
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Biografia - Cont.

BIOGRAFIA

Um texto de Ricardo Pisoler

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este poemeto “Biografia”, de Ricardo Pisoler, é rápido como relâmpago, um bocado intrigante (e instigante?). Isto porque, aparentemente, parece um texto inacabado, como se desafiasse os leitores a reescrevê-lo.

Comunicação em Poesia se faz assim: lança-se um desafio, sem dizer tudo, e os leitores que briguem com o texto, exigindo do autor o que este não pode dar, pedindo mais, e brigando pelo resto.

Gostei muito. Viu, Pisoler?

Peço desculpas aos amigos pela ausência. Mas é que estou com excesso de trabalho, com alguns intervalos de estafa,  com o computador cheio de vírus, e haja paciência. Um abraço.

- Postado por: Oficina às 01h29
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Biografia - Cont.

Este poema, "Biografia", de Ricardo Pisoler me remeteu ao "Diabo" do Ademar Ribeiro.

Uma pessoa de um tal calor que "nem esquenta, nem morre" e que "enquanto aguenta socorre" me parece vestir"jeans" e calçar "tênis" (era isso, não era?)

O poema não me disse muito. Há outros poemas do Ricardo postados no grupo que me chamam mais atenção.

Não gostei nem desgostei do poema.

Não teria muito mais a acrescentar

Abraços

Anderson Santos

- Postado por: Oficina às 01h26
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Biografia - Cont.

Amigo Anderson,

agradeço pelo comentário, e fico feliz que tenha gostado de outros poemas que postei aqui, embora deste em si não tenha.

Não me lembrei do poema de Ademar, nem sequer me inspirou.

Relendo-o, o poema de Ademar fala de outra pessoa, no caso o Diabo, mesmo que às vezes remeta-se ao diabo interior do poema dele mesmo.

Este abaixo fala de biografia, ou seja da primeira pessoa, e sempre dele mesmo.

Estes parâmetros já os tornam distintos, mas, embora isso não seja relação de diferença entre as coisas, prefiro acreditar que este poema fala dele próprio, e ao mesmo tempo não diz nada.

A verdade é que, nem sempre gosto de biografias, pois as pessoas já dizem o que são vivendo suas próprias vidas, deixando as marcas digitais em tudo aquilo que fazem. Esta seria a verdadeira biografia.

Então, quis e tentei criar um poema sobre biografia que se contradissesse o tempo todo, pois apesar de querermos ser além disso, nada somos senão um povo em ritmo de contradição. Tipo assim, esquentamos a terra que nos dá vida e ela nos retribui em desastres naturais, que nos tira a  vida.

Enfim, a biografia de qualquer pessoa está ligada à qualquer outro tipo de grafia existente, tal como a geografia, que está ligada a antropogeografia que se remete novamente à biografia particular do ser ou de um todo. 

E o sofrimento, a razão ou a felicidade é tão pouco importante como uma bola de futebol seria importante para os pés que a chutam e ao mesmo tempo a adoram.

Algo assim.

Sds, Ricardo.

- Postado por: Oficina às 01h23
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Biografia - Final

Olá Pisoler

Pequeno flash biográfico, que me soou mais como uma epígrafe do que um poema. Penso que deveria haver um aprofundamento maior nesta idéia, um desenvolvimento do texto, afim de expor mais esta 'biografia'.O verso final é triste e belo. gostei.

abraços

Rubens da Cunha

...........

senti falta de algo mais, pisoler - ou talvez não tenha entendido bem - ou tenha achado contraditório - ou inacabado...

não sei o que é, mas queria continuar lendo e o poema tinha chegado ao fim...

líria porto

 

...........

 

Eu o achei perfeito. Diz tudo. Não precisa que se acrescente mais nada.

O tipo de poema que a gente lê e acha que foi feito sob medida pra si mesmo.

Gostei muito.

Dira Vieira



- Postado por: Oficina às 01h17
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“NOTURNO”, UM TEXTO BONITO

DE AMINA RUTHAR:

EM DEBATE

......................

 _noturno _

 

sobre o azul do mar e do roxo da distância

repousam  entre silêncios os pudores das palavras

aquelas que calei diante as coisas não nomeadas

 

é lá  que te espero...

antes que eu morra de águas

 

no livro da  memória  e nas páginas dos ares

adormecem nos barcos do arco-íris as letras da tristeza

aquelas que perdi quando esqueci certezas

 

é lá que te espero...

antes que eu morra de ventos

 

Amina Ruthar

Rio de Janeiro- 19/setembro de 2005



- Postado por: Oficina às 23h04
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Noturno - Cont.

NOTURNO

Um texto de Amina Ruthar 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Sobre o texto “Noturno”, de Amina Ruthar, direi as coisas de sempre: são lindos os poemas de Amina, cheios de imagens inebriantes, etc.

O mais interessante é que a autora parece estar compondo uma obra, com a sua postura elegante, sem altos e baixos, onde conta o desenrolar de sua tristeza, desfia sutilezas e deixa sempre um mistério a ser desvendado.

É uma obra de reflexão, à qual não falta profundidade.

Uma beleza, os versos de Amina!

...........

Texto: - noturno –

Autora: Amina Ruthar

Comentário: Ademar Ribeiro

 

Posso estar errado, mas me recuso a ver a Literatura como fenômeno atemporal, e o autor, com sua varinha mágica, a propor ao leitor imagens poéticas absurdas e figurações espetaculares. Talvez eu me contentasse com bem “menos” do que se pudera apreender nesses textos da Amina, escritos com um certo vocabulário poético específico da chamada “poesia pela poesia”.

Acho essa maneira de escrever - com mil desculpas à autora – por demais sofisticada e nem por isso original. Principalmente quando, no caso deste texto, em meio à grandiosidade das imagens impostadas, pintam lugares-comuns como “livro da memória” e impropriedades tais que “páginas dos ares” e “letras das tristezas que perdi quando esqueci certezas”.

Não tenho mais sensibilidade para com essa linha de escrita. Mas, para provar que ainda sou poeta, reconheço que o texto foi bem até o “até que eu morra de águas”, mas acabou de acabar no “até que eu morra de ventos”.



- Postado por: Oficina às 23h01
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Noturno - Cont.

A escrita de Amina é profusa e imagética, como outros já disseram antes de mim.

Acompanho seus escritos na lista "Escritas", que pertence ao Mestre  José Felix, mesmo com sua participação esparsa.

De lá, destaco o poema <<cantiga de adormecer tristezas (para Matheus  que luarizou)>>, poema que ainda tenho guardado.

<<Noturno>> é o tipo de poema de Amina Ruthar que gosto. (apesar de ainda gostar mais de <<Das horas púrpuras>>)

Um poema de descobertas, de entregas e de verdades. Um poema de um lirismo ímpar, ainda que tristeza.

Oswaldo Montenegro estava certo quando disse em "Metades" os verso <Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza>

Noturno é uma música linda.

Parabéns poeta

Anderson Santos.

- Postado por: Oficina às 22h57
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Noturno - Cont.

Cara Amina,

talvez seja engano meu, ou falta de percepção lírica de sua poesia  lírica e metafórica, mas fosse eu, colocaria "o roxo das distâncias" ou "diante das coisas não nomeadas", assim como pôs na terceira estrofe "no livro da memória e nas páginas dos ares"...

no mais, considero um poema de grado infinito, pois remete as figuras a este estado de não sobriedade, onde nem só tristeza tem valia, mas a sentimentalidade do ser que a sente.

nuca faria um poema assim, seja por falta de capacidade, ou por diferenças infindas.

Está aí meu apreço.

Sds,

Ricardo Pisoler.

...........

 

Amina,

Não diria que faço análises, falo das impressões que o texto poético me provocou. Admiro as análises dos nossos colegas. Na verdade aprendo por aqui. O seu poema, eu diria que é um poema previsível. Que não me chama muito a atenção, senão pela melodiosa forma de conter a palavra morna.

Mas ele guarda uma sutileza erótica, sensual, não nomeada. Eu diria que elegantemente você tratou o desejo como palavra que não se deve dizer. "É lá que te espero..." onde o objeto de seu amor sabe do que vc fala, mas o leitor apenas imagina. Lá, nas suas muitas águas. Sutil. Doce. E aí, da volúpia, do desejo não nomeado, você morrer a ver navios... nos ventos. Enquanto as águas permanecerão caladas. Sufocadas. Você nos leva do molhado do desejo que ficou roxo, à secura do que morre na areia da praia. Ao sabor dos ventos. Muito interessante. Você guarda do leitor também aquilo que sente. E ele se contenta em esperar que você o contemple com outras confissões mais intimas sobre o seu desejo.

Eu gostei sim do seu poema.

Inda mais por você nomear as cores dos sentimentos.

Dira. Vieira

 



- Postado por: Oficina às 22h54
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Noturno - Final

Para Maria José Limeira, e todos os Companheiros da Oficina:

Desculpas pela escassa participação , agradecimentos pela leitura e  análise de - noturno - , aprendo e apreendo com vocês as lições de escritas.

Meu jeito de estar: - dedico a todos essa " talvez poesia " , com respeito e  admiração .

Abraços de,

Amina Ruthar 

 

_ na casa vazia ... _

 

entre  os galhos dessa  madrugada esguia

nas  pausas do vento, colho -te no canto

do  outono, porque ficastes nas sementes

feito  promissão  de  uma qualquer  poesia

 

nas  vértebras do  silêncio visito-te como se

em sol futuro de palavras esquecidas, ainda

pulsantes nas rubras floradas de buganvílias

 

aos ruídos  da chuva rasgo as  veias do papel

corto  o pulso das letras que respiram agonias

 

onde gotejam em persistências tuas memórias

-até que toda sede se afogue no galope das horas !

 

Amina Ruthar

RJ- 01/10/2005

.........

 

queria escrever versos assim, amina...

líria porto

 



- Postado por: Oficina às 22h52
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