
ADVERTÊNCIA:
A LEITURA DESTE TEXTO É DESACONSELHÁVEL
PARA MENORES DE 18 ANOS
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O NÓ DA BRAGUILHA
Um conto de Ademar Ribeiro
( Para análise )
Quando eu era bem jovem, cerca dos dezessete, no sítio do meu avô, ficava horas deitado no chão do depósito de cereais, entre apetrechos de montaria e réstias de cebola, espiando de revés o vaqueiro Brás sempre atarefado na sua lida diária: sandálias de couro cru enfiadas nos pés, os dedões à mostra, e, mais acima, na calça esgarçada da cor do barro, na braguilha meio suja e puída, um relevo delicioso que eu não me cansava de admirar com estranha ansiedade, o coração aos saltos. Assim ficava todos os dias, por muito tempo, só para sentir o seu cheiro acre, de mato, suor e tabaco. Suas botas pontudas, seu andar capenga, sua voz e seus gestos – tudo aquilo me encantava.
Certa manhã, fui com ele, em cavalo em pêlo, pastorear o gado, montado na garupa e agarrado à sua cinta para não cair. Como ainda escorregasse, ele me pôs à sua frente, numa sela improvisada com pano. Controlou o animal, diminuiu o trote, mas eu não conseguia me equilibrar sozinho.
Ele então me segurou por trás, um braço contra meu peito nu, e ficamos os dois encaixados, eu sentindo o perfume do seu hálito na minha nuca, o roçar do seu gibão nas minhas costas, e, assim embalado, sacolejando contra ele como se estivesse no céu, desmaiei de felicidade. Brás não contou a ninguém da minha queda do cavalo, e aquilo ficou sendo um segredo só nosso.No outro dia, lá estava ele na rede suja, onde dormia, na estrebaria.
Entrei, como sempre, sem me anunciar, puxei-lhe o chapéu e tentei escapar, mas ele me alcançou com o braço, abaixou minha calça e sorriu do meu traseiro à mostra. Fingi-me de ofendido, voei sobre ele para tirar a forra, e ficamos por um instante engalfinhados na rede como dois gatos num saco. Depois nos cansamos, a rede parou, e fui escorregando contra ele até encostar as coxas nas suas virilhas, que encontrei duras. Ele ergueu-se de um salto, cantarolou, foi até a janela coçando o cavanhaque, mas pude ver na sua calça, de perfil, um volume insólito que me gelou o sangue.
Não consegui dormir naquela noite, imbuído da imagem do Brás ereto, e, despido, no espelho do guarda-roupa, pela primeira vez, examinei todo o meu corpo. Primeiro o rosto, de todos os ângulos – sorri de várias formas, mergulhado no mormaço do próprio olhar. Estufei o peito apertando os mamilos, espremendo as coxas uma contra a outra. Com a ajuda de um espelho menor, conheci minhas costas esguias; apalpei a cintura, os dois pomos protuberantes da bunda, como dois frutos, cerrei os olhos na intenção do Brás e, o ânus piscando, ejaculei, de bruços, no chão.
Todas as manhãs, lá estava eu madrugando na porteira do curral, acompanhando cada passo do peão no manejo do gado. A minha excitação aumentava, estimulada pelo coito dos bichos: o boi que trepava com estardalhaço nas vacas no cio, quebrando porteiras e cercas, deixando nas ancas das fêmeas o brilho do sêmen e os vergões do cipó. Eu ficava no meu posto, sentado na porteira, sob os cuidados do Brás. Ali tomava o leite cru que ele me trazia na sua caneca “como se fosse meu pai” – pensava – “ou meu namorado”.
A grande excitação que tomava conta de mim levou-me ao esmero no visual. Passei a arrumar o cabelo com cuidado, rebatendo o brilho do rosto com o pó compacto da minha tia e tomando outras medidas estéticas e higiênicas. Tornei-me hábil no uso do espelho, onde treinava posturas de sedução, delicados gestuais de pés e de mãos, encurtando o calção à altura das nádegas para revelar o início das polpas macias. Por alguns dias, distanciei-me de todos e do próprio Brás, fazendo longas caminhadas mato adentro, em concerto com a natureza, para aliviar a tensão e o medo que se apoderavam de mim. Preparando-me, instintivamente, como noiva desavisada, para o grande momento que sobreviria.O meu avô adoeceu e viajou com a minha tia para se tratar na cidade, conduzidos pelo Brás, em carro de boi, até a ferrovia. Em casa, ficamos só eu e a Silvina, uma mulher alegre e boazinha, que me fazia todas as vontades e me deixava em total liberdade. Já era noitinha, e acabávamos de jantar, solitários, na cozinha, quando ouvimos o grito do carro de boi. Era o Brás que voltava. Entrou, desengonçado, segurando o chapéu de couro inseparável, ralando as botas pelo chão da casa. Foi direto para mim e deixou cair na mesa um maço de cigarros já aberto, da minha marca predileta. A Silvina deu graças a Deus pela sua volta, preparando o seu prato enquanto indagava da viagem e do meu avô.
Brás sentou-se a minha frente e começou a comer, arrumando, com a faca, o bocado no garfo, segurando os talheres dentro das mãos fechadas – o cabelo cor de mel caindo-lhe em mecha sobre um olho, enquanto me olhava, bisonho, com o outro, mastigando por trás do bigode loiro, molhado de leite. Acabou de jantar, levantou-se e bateu no meu ombro em sinal para acompanhá-lo. A Silvina cochilava, encostada no rádio, embalada por mil anjos, como nos romances de M. Delly.
O meu amigo desapareceu na noite e atravessou o terreiro rumo à estrebaria, eu a segui-lo de perto. Empurrou, com um joelho, a velha porta de madeira do galpão onde morava, riscou fósforo, acendeu candeeiro e, com as mãos em concha, na mesma chama, um cigarro de fumo cru. Deitou-se como estava, na cama tosca e larga, vestido e de botas – um braço sob a nuca, as pernas abertas e tesas, o olhar perdido no teto.
Eu continuava na sua rede, os olhos pregados nele: as botas sujas sobre o lençol, a calça esticada, o nó da braguilha, a fivela, o umbigo tufado, a cabeça inclinada para trás, o pescoço rude, o grande pomo-de-adão que afinal se mexeu. Ele chamou o meu nome. Olhei, e bateu com a mão na cama indicando o espaço vazio.
Desci da rede, em pânico, como num sonho. Sob a luz amarela do candeeiro, o quarto bruxuleava como num incêndio, o teto e as paredes se mexendo num bailado de sombras e lampejos. Deitei-me ao seu lado, de bruços, o rosto sob a coberta. Senti o seu braço pesar sobre mim, demoradamente, por todo o tempo de um cigarro: podia ouvir o estalejar das fagulhas e contar uma por uma das suas baforadas ofegantes.
Sua coxa subiu nas minhas nádegas. Agora ele desabotoava a calça, desatacava o cinturão, a fivela tilintava. Montou em mim como no seu cavalo, com a calça entreaberta, abaixou com o dedo o meu calção e foi introduzindo, devagar, no meu reto, a ponta viscosa do seu pênis duro como madeira. Já todo ocupado por ele, sentindo dentro de mim o pulsar do seu prepúcio, quis gritar de gozo e de dor, mas ele me sujeitou com suas pernas pesadas, cobriu-me por inteiro e, com três estocadas finais, satisfez ao nosso tácito desejo.
O NÓ DA BRAGUILHA
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Não é a primeira leitura este belíssimo conto de Ademar Ribeiro, “O nó da braguilha”. Já o conhecia de outras conversas literárias, quando o autor, pessoalmente, mostrou-me sua pérola, indagando-me se seria possível expor o texto para análise nesta Oficina.
Claro que concordei de imediato, e o autor combinou que o amadureceria, retirando entraves e acrescentando aquilo que por acaso estivesse faltando.
Passaram-se longos meses após nossa citada conversa, e só agora o texto surge entre outros, como se não quisesse nada, querendo...
Talvez devido ao tempo da primeira leitura, e agora conhecendo o texto completo e acabado, tive algumas agradáveis surpresas.
Uma delas, inclusive, é descobrir que Ademar Ribeiro consegue, neste conto, uma unidade admirável, sem se perder em prolixidades, apesar do texto longo e dos detalhes que o enfeitam.
É um texto que mexe com os nervos dos leitores.
Narrado na primeira pessoa, incomoda muito mais, com um eu-lírico se esbaldando em minúcias e pormenores.
O convencional, tipo começo-meio-e-fim, não prejudica a narração. Antes, a valoriza, levando os leitores a acompanhar o desenrolar da história com o maior interesse e curiosidade.
Mesmo porque é um texto erótico por excelência e aborda o amor carnal entre duas pessoas do mesmo sexo (e mais: homens! masculinos!), sem cair no banal ou no chulo.
Este texto para mim é uma surpresa agradável que a internet nos reservou.
Maria José e demais colegas:
Protesto contra a reformatação rala dada ao meu texto pela moderação!
Na minha opinião, isso equivale a alterar a forma de um poema sem o consentimento do poeta.
Prefiro que o leiam como está,, na forma compacta como o digitei originalmente, que ficou, sem dúvida alguma, muito mais estética.
Sei que isso não infllui nos possíveis méritos de um texto. Mas, por favor, sim?
Ademar Ribeiro ( já meio desconfiado com prováveis patrulhamentos )
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sem resvalar para o banal, ademar ribeiro deu o recado com imensa competência! gostei muitíssimo desse conto! bem estruturado, bem escrito, marcaste um gol, ademar!
parabéns!
líria porto
(eu o tinha lido no outro formato e gostara igualmente!)
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Também gostei. Entretanto, pareceu-me que o personagem-narrador seria mais jovem do que indicado... Talvez Ademar tenha preferido não se meter ao mesmo tempo com homossexualismo e "quase" pedofilia... se bem que "pederastia" (no sentido de importantes cidades-estado gregas dos tempos clássicos) tem tudo a ver com o caso...
Régis
Eu diria com o perdão do trocadilho, que esse texto do Adhemar é foda !
Muito bem escrito mesmo.
Conseguiu uma coesão admirável, sem banalizar o tema.
(Rogério Santos)Fiquei encantado com o compasso do texto do Ademar.
Um conto muito bem equilibrado, sem excessos, técnico, quase cirúrgico na exatidão, e ainda assim lírico, poético, picante sem ser vulgar.
A imagem do homossexual é mais uma vez mostrada como efeminado em seus cuidados visuais, o que repete a fórmula desgastada imposta pela mídia, mas há um respeito nessa imagem, o que difere do preconceito inerente dos meios de comunicação.
Gostei muito do texto. Surpreendente
Abraço
Anderson Santos
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Este conto de Ademar Ribeiro é, realmente, muito bom, beirando a perfeição. Digo isso pois o tema escolhido autor é forte, não agrada a gregos e a troianos em suas maiorias mas, foi tratado de forma sutil,
verdadeira e, o conto tem um ritmo malicioso, tem uma linguagem poética, usando de imagens ricas onde o leitor consegue situar a sua viagem pelos acontecimentos. O personagem na descoberta da sexualidade está certo de que seus instintos o guiarão para a felicidade.
Parabéns Ademar, você foi brilhante.
Abraços
Hilton JuniorAos caros colegas
Obrigado - líria, Dira, Régis, Hilton, Anderson, Maria José e Rogério Santos - por opinarem sobre meu texto “O nó da braguilha”, cujas qualidades literárias achava e ainda acho discutíveis.
Eu já submeti a análise, aqui na Oficina, outros textos meus – em geral poemas de cunho político – bem melhores que este conto isolado, mas nenhum deles conseguiu, como este, uma cotação tão positiva, chegando quase à unanimidade! Isto quer dizer que as pessoas, pouco a pouco, estão evoluindo moralmente, para encarar com lucidez certos tabus sexuais..
Quanto ao comentário do Régis, em particular:
“Também gostei. Entretanto, pareceu-me que o personagem-narrador seria mais jovem do que o indicado... Talvez Ademar tenha preferido não se meter ao mesmo tempo com homossexualismo e "quase" pedofilia... se bem que "pederastia" (no sentido de importantes cidades estado gregas dos tempos clássicos) tem tudo a ver com o caso...”
Régis: O seu aparte quanto a pedofilia/pederastia resvalou no contexto do conto e fica por conta da sua insana fantasia. Cada cabeça uma sentença!
Ademar RibeiroOi, Ademar. É que senti um ar de "descoberta" no conto e, assim, achei que 18 ou 19 anos para o personagem-narrador um tanto inverossímil. E parecia haver uma severa assimetria entre o peão e o "joven", a ponto do jovem ser mesmo como um gurizinho que vai andar a cavalo com o peão (no mesmo cavalo...)... então, mais uma vez, pareceu-me que seria mais verossímil se o personagem tivesse no máximo uns 15 anos (o que já livraria da pedofilia e tornaria improvável até a pederastia, que depende de um não ter barba ainda). Mas acho que uns 10 ou 12 anos seria o mais verossímil, considerando-se algumas cenas, como a da cavalgadura...
Régis“PÂNICO”,
UM TEXTO DE LÍRIA PORTO,
EM DISCUSSÃO
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pânico
líria porto
nas unhas roídas
sinal de aflição
colou umas outras
imensas esmaltadas
fez cara de alma
e entrou no avião
PÂNICO
Um texto de Líria Porto
(Análise crítica)
Maria José Limeira
É interessantíssimo este texto “Pânico”, de Líria Porto, na medida em que a autora economiza ao máximo o número de palavras, chegando ao cúmulo da concisão.
É um texto tenso e explícito sobre o sentimento universal do “medo de avião”, já abordado por vários autores em produções memoráveis. A novidade em Líria Porto, contudo, é dizer o máximo com o mínimo de palavras, e nisto é uma verdadeira Mestra.
O que eu gosto muito nos textos dessa autora é que ela não precisa apelar para a ignorância, o besteirol e o modismo para dar seu recado.
Neste ponto, é única, inconfundível.
{Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB}
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obrigada, maria! hoje eu lia um poema imenso do fabrízio carpinejar, fico numa inveja!!!!
beijão
líriaEste poema da Líria é um poema-piada.
Deu-me um sorriso, e se este era o objetivo, foi cumprido.
Colocaria parênteses no segundo verso, de resto, gostei
Abraços
Anderson SantosLíria, na semana que vem, antes de entrar num vôo que preciso fazer,
vou tentar esquecer esse teu texto !
Achei incrível o conteúdo desse texto tão compacto.
Esse poderia ser usado com tranquilidade numa propaganda de calmantes.
Quem sabe ?
Dizem que não se ganha $$$ com poesia.
Acho que é um caminho ( risos )
Comercial de 45 segundos, o ator/atriz caminhando em direção ao avião, na escada ( vamos ficar com aeroporto sem "modernagens" do tipo que dispensa as maledetas escadinhas... ) lembra que tem no bolso um "sossega leão" qualquer.
Embarca, dispensa o jornal, pede uma água e toma.
Na hora da decolagem dorme feito criança.
O narrador declamando teu poema...
Que tal ?
(Rogério Santos)Poema curto. Diz tudo. Só não entendi como se faz cara de alma. Mas adorei o poema, líria.
Dira
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aí fui pensar, dira, como é cara de alma??? é cara de alma, oras...
risos
beijão e obrigada
líria
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coisa de poeta que é tudo doido..hehehe
(Dira)
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Texto: pânico
Autora: líria porto
Comentário: Ademar Ribeiro
Este poemeto instantâneo da Líria, curiosamente, foge à temática bucólica da autora,
enquanto texto urbano e moderno que é.
Como dois ou três outros que tive oportunidade de analisar aqui na Oficina, tem retórica
perfeita e é exemplo de concisão.
Mas – me pergunto – um poema assim tão curto, com tema tão restrito, conseguiria a Eternidade?
E eu mesmo me respondo: _Talvez se o avião caísse.
( Brincadeirinha, Líria! Gostei muito e muito do seu poema, e é por essas e outras que não entro mais, nem amarrado, em avião )UM TEXTO BONITO
DE ROGÉRIO SANTOS,
EM DEBATE:
“FREGUESIA DO Ó
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Freguesia do Ó
ROGERIO SANTOS
Da Ladeira Velha
Do Largo da Matriz
Da Rua da Bica
Do Mirante do Bruno
Do Largo do Cliper
Da Rua da Balsa
Do casario remanescente
de tempos idos
Das ruas de terra
da infância vivida
Dos caminhos sepultados
de viajantes tropeiros
Dos meandros apagados
do rio que foi vivo
Transpira a história
Que foi engolida
pela cidade
Retoma teu trilho
Itaberaba
Respira bem fundo
Vestígios de charme
Em finais de tarde
Nas mesas de bares
De flertes e olhares
No pão do divino
Seu mastro e bandeira
Resiste uma benção
Da mãe padroeira
FREGUESIA DO Ó
Um texto de Rogério Santos
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este poema “Freguesia do Ó”, de Rogério Santos, não é necessariamente um texto grandioso, daqueles de arrombar a boca do balão. Não se trata de um poema revolucionário que inova forma e cria uma nova escola a partir da qual a Literatura ganhasse um rumo diferente... Não. Nada disso.
É um poema escorrido, singelo em sua delicadeza.Guarda muito de um passado que ainda resiste em várias cidades interioranas, onde as pessoas se sentam em cadeiras nas calçadas, refletem sobre os fatos do dia, contam estórias e histórias, dedilham uma boa viola.
É um texto localizado, cujo conteúdo retrata um lugar (ou um bairro) com o que restou de suas lembranças, refletindo ainda na atualidade em que mergulha.
É um poema bonito, sim e, apesar de curto, conta uma longa história.
Como Poesia, talvez lhe falte alguma coisa para se completar. Mas, o que importa é que, mesmo assim, comunica.
Gostei muito!
Texto: Freguesia do Ó
Autor: Rogério Santos
Comentário de Ademar Ribeiro
Gostei deste poema memorialista, leve e sóbrio do Rogério, na medida em que me sinto incapaz e desenvolver temas que tais.
Achei o texto melodioso, com ares de letra de música, se não estou enganado.
Alguns versos mais longos ( “casario remanescente” ), outros quase nulos ( “pela cidade” etc. ) e outros mal divididos fugiram à métrica e atropelaram um pouco o ritmo.
A estrofe “Retoma teu brilho/ Itaberaba / respira bem fundo” destoou dentro do texto e não faria nenhuma falta, caso fosse suprimida.
Aqui ficam minhas sugestões, ô Rogério.. e não é mais questão de Bacurau e Jacu...
Adhemar,
Li com muito apreço o seu comentário sobre o meu poema.
A Freguesia do Ó é um dos bairros mais antigos de S. Paulo ( se não for o mais antigo ) já que foi fundada em 1580.
O "pedaço" que vc sugeriu que eu retirasse, por coincidência é justamente uma estrofe que eu inseri.
Propositalmente faz o leitor dar uma respirada.
E aborda um pouco da toponímia do bairro.
Infelizmente as constantes mudanças em nomes de ruas e outras localidades, soterram muito da nossa história.
Aqui ainda sobraram alguns nomes de ruas, avenidas e alguma coisa
de pesquisa que remete ao passado.
(Aquela conversa de Bacurau e Jacu, é coisa de cordel.)
Abraços
RogerioVivi em São Paulo por 18 anos ( 1978/1996), conheci a cidade de ponta a ponta, por força do meu trabalho.
Mas, até hoje, não consigo memorizá-la por zonas.
A Freguesia do Ó, p. ex., de que lado fica?
Ademar
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Adhemar, fica as margens do Rio Tietê, na zona norte da cidade.
Próxima ao bairro da Lapa.
Entre Casa Verde e Pirituba.
Da Marginal do Tietê, avista-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó.
RogérioBasta dizer que gostei. Um quê de nostalgia e saudades num poema
bastante equilibrado.
Sem ressalvas
Abraço
Anderson Santos
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poema lindo, delicado, sensível, saudosista sem ser piegas - uma linda homenagem, sem dúvida!
líria porto