
EM DISCUSSÃO:
“O BEIJO”,
DE NARA TOLEDO
..................................
O BEIJO
Ai! Como demoras.....
Por que espero tanto teu beijo?
Se beijo vem da boca,
Por que a outra não beijo?
Mas, se outra não quero,
De onde virá o beijo?
O beijo, não sei o que é
Beijo é o que quero
Porque dele se alimento meu desejo
Ah! Vem, com pressa, trazer-me teus lábios
Por que me torturas?
Acaso pensas que não sou tua?
Sou tua...
Hã!? Mas, de súbito, já não sou -
E quero ser d'outros lábios vermelhos, quem sabe róseos?
Que beijo terá aquela boca daqueles lábios de tanta carne?
Amor, não te demores
Estou aqui a morder-me
A trair-te...
Queres perder-me?
Quem sabe - em minutos -
Descubro o que é o beijo?
Nara Toledo.
O BEIJO
Um texto de Nara Toledo
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Não é dos piores este texto “O beijo”, de Nara Toledo, autora ainda totalmente desconhecida (talvez um heterônimo?), cujos dados escapam ao site de busca Google...
Tem suas qualidades como Poesia. Pelo menos, foge do convencional, pois o beijo, amigos, seria muito bom se não fosse “a véspera do escarro”... Aliás, sobre o beijo, Augusto dos Anjos disse tudo em seus “Versos íntimos”. E quem mais ousaria contestá-lo?
O tema é gasto e cansado. Este é o problema. Mas, a nossa amiga Toledo o encara com a coragem e a cara. Contudo, para encará-lo precisa-se de muito mais que coragem e cara. É preciso talento!
Faltou língua, no texto de Nara Toledo...
E onde já se viu beijo sem língua?
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
ola, Maria
Escrevo-te apenas agora porque entrei na lista (a qual quero devotar meus elogios por ser um grande espaço de democracia e interação) no exato período em que vc precisou estar fora e, ao mesmo tempo, porque me pareceu adequado me apresentar melhor, já que vc levantou algumas dúvidas curiosas sobre mim:
Primeiro, eu me chamo Nara mesmo. Assim como também é meu o sobrenome
Toledo.
Segundo, não estou em site algum e, tão pouco, publiquei alguma obra.
Até porque, os meus interesses de publicação são técnicos - sou advogada e formanda
Uma biografia deveras enfadonha como se pode notar! Mas que, infelizmente, consome
consideravelmente meu tempo e diminui minha disposição a algo que considero tão
importante: o ócio criativo! Penso que apenas trabalhar para sobreviver nada mais é do que função vital de todos os animais... então temos de ter um momento para criar ou apreciar as criações, temos de ter um momento para a arte, caso contrário, não estamos
exercendo com plenitude nossa humanidade!
Então, literatura para mim é um prazer - amo ler! Razão pela qual fui estudar letras e que me permitiu até dar algumas aulas de literatura.
Descobrimos, dessa maneira, que não sou escritora... sou experimentadora, adoro experimentar ... é isso que faço ao escrever.
Tenho procurado o que é mais atual, mas perto do que e do como se fala, como lê e o que se compreende na literatura atual. Não que eu faça isso de forma acadêmica, por mais que use meus conhecimentos de lingüística e Língua, não sou de debruçar-me sobre a técnica, tão pouco tenho pesquisado empiricamente os novos e desconhecidos
autores. e até na maior parte das vezes, autores consagrados....
Mesmo assim, experimento e vejo no que dá - sem crises e menos ainda pretensões. De modo que cada apreciação que recebi no grupo foi muito bem vinda, acho interessante saber o que as pessoas pensam e o que as fazemos pensar.
Por isso dou tanto valor a esse grupo, gosto da proposta de uma lista de discussão, de troca de experimentação.
Os outros grupos que conheço parecem ter a função de abrir espaço para se publicar aquilo que o mercado não comporta...(um mercado marcado hoje pela literatura de entretenimento, no qual a arte é sublimada), já a Oficina é muito mais interessante. Para tal, eu tento contribuir com o meu melhor, o pouquinho que sei de literatura
luso-brasileira e teoria literária.
Então é isso, espero ter ajudado em suas dúvidas.
um forte abraço e até breve,
Nara Toledo.
Olá Nara! Prazer
Este poema contém um desejo escondido. Ao mesmo tempo que se declara apaixonada por um certo amor, revela um desejo por outro amor.
Podendo até mesmo ser um desejo reprimido, por alguém do mesmo sexo, talvez.
Ou outros lábios, em outros lugares. É um poema cheio de tesão, erótico e forte.
Estou com vontade de beijar, vou lá embaixo agarrar minha mulher e enchê-la de beijos. Se ela não me quiser beijar vou pra rua e lascar um beijo na primeira gostosa que encontrar.
desculpe a forma bruta com que respondo, mas beijo bão tamém é assim. de rancar os beiços do lugar.
abraço e, claro, beijos do pisoler.
O Beijo de Nara Toledo
Breves Comentários:
Cada leitor recebe um Poema conforme suas extensões ou limitações- literárias. No meu caso , com limites de saber, declaro. Claro , conheço das normas e regras da língua que nos são impostas pelo bom e difícil Português, todavia na Poesia acolho as palavras mais pelos sentidos ( emoção) que pelos ditames lingüísticos. Ao ler um poema fico à espreita de algo mágico , que inaugure um sentir renovado até mesmo sobre o que é lugar comum, como no caso de Nara Toledo com O Beijo.
Com todo respeito , devo dizer : - não me senti tocada pelo poema de Nara Toledo, achei o poema frágil tanto na forma, quanto no conteúdo.
Abraços de, Amina Ruthar
Texto: O BEIJO
Autora: Nara Toledo
Comentário: Ademar Ribeiro
Não vou perder tempo discutindo se este escrito da Nara é, ou não, prosa, poema ou até mesmo se vem a ser um texto.
A não ser se considerado naquela acepção genérica, por extensão de sentido, que inclui tudo quanto se escreve como sendo “literatura”, incluindo-se bulas de remédios, prescrições médicas, receitas culinárias, listas de supermercado, legendas de antigas fotonovelas e o diabo a quatro...
O que lemos aqui seria a tentativa de um monólogo interior, dos mais melífluos e titubeantes, totalmente inócuo, sem nenhuma qualidade estética ou literária, que a autora usa para se declarar à pessoa eleita – pobre criatura!
Até aí tudo bem. Cada um escreve como pode, e não como quer.
Mas uma vez o texto nos aparecendo para análise numa 0ficina Literária, atinge-me quase como ofensa pessoal, ou como chacota com a Língua e a Literatura brasileiras, dignas de todo o nosso acato.
Para quem já bateu mundos e fundos no aprendizado literário internacional, com uma bagagem que incluiria cursos e mais cursos, em USPs, Mackenzie´s e outras Universidades que tais, como já gritou sobre o telhado a nossa amiga Nara, este seu “texto” só pode ser uma peça que a autora nos prega para checar a nossa paciência. E conseguiu!
OK, Nara?
Ademar,
você me fez pensar.
Você me faz cagar.
Tá vendo Ademar?!
Rimou.
Fico impressionado com uma coisa.
De quê gosta? Por que vive?
Não vejo um único e sequer comentário positivo de sua parte.
Tirando sobre aquela merda de NY que escrevi um dia....
Cara... vc tem que se revelar em preto e branco, que suas cores estão mortas. Natureza morta.
Ficarei feliz em ouvir suas réplicas, me haverão em si mais vivas do que se tem mostrado.
E não adiantará tb se retirar desta oficina, o perseguirei implacavelmente por todos os lares que houver uma coberta.
É a vida, nobre Ademar.
Uns a deixam ferida, outros, em panos quentes a amordaçam....
Eu prefiro seguir a cruz.
Norte sul leste oeste.
Capiche?
Meu Jesus, na cruz, me deu este ensinamento.
Grande abraço do Pisoler.
Sobre "O beijo"
De que nos fala "O beijo", em seu primeiro verso? Dúvidas, dúvidas perguntantes, aflição de não saber, e aflição lutadora, buscando...onde estás, o que é que faço ? Desconfio, o amor está "fritando" alguém...e deve ser amor de jovem, na disposição de luta, porém, quantas perguntas, mistérios da vida, a resolver...o amor na linda idade. O ar é refrescante, o dos jovens dias...e também é um amor "encarnado", manifesta-se no corpo, na boca, pede atos concretos, sensuais, pede beijos...um corpo amoroso pede beijos; como não, com ele, pulsar ? A emoção foi posta, de chofre, impacto, no primeiro beijo, ou melhor, no primeiro verso. A "encarnação", esta foi posta no fraseado " se beijo vem da boca, "; beijo, ato físico, boca, "locus", espaço físico pro amor. Situou-se, e bem, o fremir dos sentimentos.
Jovem amor, não tem ainda teorias, e, honesto, declara-se não saber estabelecer o que caracteriza o beijo, primeira frase, no 2º verso; mas dele sabe que lhe alimenta o desejo; sabe e diz; assume e declara seu desejo. É 2005, e a poesia de astramercurio fala instalada no feminismo, no direito às mulheres de donas serem de tudo que é seu, corpo incluso; então fala de seu tempo, sem panfletos ou registros discursivos, da modernidade; pode-se também esperar isso das artes, que digam sobre seu tempo, que o revelem.
Continuando moderna, dona de sua vida e corpo, à aflição, responde explorando a possibilidade do outro, de outras bocas, com naturalidade, independente, ausência de pejo, à claridade, em alto e bom som.
E, mas, aí então, essa fala para um " tu ", 2º pessoa, será que teria uns ares "retrô" ?seria a formulação do poema algo meio antiquado, gastinho, impróprio em jovens mãos , principalmente as escancaradas modernas ? Ah, a modernamercurial demostrou apreço à estética Pós-moderna, em escritos, é ocorre-me a visão de certos edifícios da Paulicéia de Andrada, pós-modernos, com elevadores e outros equipamentos de última geração, atualíssimos, formatados em estilo que lembra o neo-clássico. É. pós-modernos admitem o resgate da herança, os dados do passado, para comporem com o hoje, com elementos hodiernos. A composição de astraNara faz-me pensar nesse caminho.
Não querendo parecer professoralmente muito sábia e arrogante ( há postos de observação mais interessantes e profícuos), até porque jovens, como parece o poema, detestam isto, arriscaria sugerir um pouco mais de música, fazer as palavras serem mais "dançantes" em sua própria melodia, "surfarem".
Refrescante, em sua afoiteza moderna, fremente, em sua busca amorosa, pós-moderno, em sua contemporaneidade. Bom trabalho, astramercúrio.
Astrais saudações
Ney Maria“VELHA CASA”,
DO POETA ZÉ MARIA,
EM DEBATE:
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Velha casa
Eis aqui ainda a mesma casa
só que hoje é só destroços
o que eram porta, janelas
tapadas estão por tijolos.
Por dentro só vejo ruínas
por dentro está tudo oco
nela eu já morei um dia
quando anelava e era moço.
Neste quarto que é só piso
Muitos poemas hei composto
que não melhoraram o mundo
mas feitos neste propósito.
Passaram-se morte e vida
hoje só trago o arcabouço
por dentro sou só ruínas
por dentro está tudo morto.
zémaria in concebidos com pecado
VELHA CASA
Um texto de zémaria
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Um poema é ou não é. Sem meio termo.
Para sê-lo, precisa ter: dramaticidade, conflito e emoção no conteúdo. Ritmo, musicalidade e tchan, na forma.
Este poema de zémaria, “Velha casa”, tem tudo isto, e muito mais.
Tem a marca de um autor em comunhão com sua obra.
Tem todo o contexto de quem constrói com responsabilidade, sem esquecer do compromisso com a Língua.
O tema da “velha casa” é antigo. Tão antigo quanto a humanidade em seus esforços primeiros para se fixar à terra.
Casa não é apenas prédio que abriga o corpo físico. É também a morada do coração e da alma.
É esta simbologia, sobretudo, que vejo no texto de zémaria.
Um belo texto, aliás!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
Eita... difícil falar desse poema.
Primeiro, se as portas e janelas estão tapadas com tijolos, como o personagem entrou ou olhou lá pra dentro? Narrador onisciente em poesia?
As quadras são confusas e lembram quadras infantis.
Neste quarto que é so piso
Muitos poemas hei composto
que não melhoraram o mundo
mas feitos neste propósito.
Não há vida nesses versos. Não há poiesis. O moto-contínuo do poema é fátuo. Parece que frases se elencaram sem vontade, se particionaram e se maquiaram de poema.
zémaria já postou tantas coisas boas aqui, que nem acredito que o
poema é dele.
Parece poema escrito aos 12.
Talvez eu é que esteja ranzinza hoje.
Sei lá
Abraços
Anderson Santos
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Anderson
boa análise concreta do poema
grato
zémaria
Velha Casa - Jose Maria - Analisando
Farei minha leitura do poema de José Maria, sobre os argumentos de Anderson:
Penso sua leitura desapercebeu alguns elementos , vejamos:
Claro que a entrada é possível, sem carecimento de outra magia ou poderes, que não aqueles da poesia.
2. Destaco "in concebidos com pecado" , ai a salvaguarda do poeta , ai sua permissão para escritura singela em quadras ( que também não são minha preferência), porque leva a imaginar uma série evolutiva de poemas -sentimentos, sem pacto com o rigor das métricas, regras e "tétricas" poéticas.
3. Quantos de nós não escrevemos poemas inúteis , julgados porém agentes de transformação de uma realidade feia e suja?
Na verdade, assim como as cartas de amor, todos os poemas são inúteis.
Concordo que esse não é o melhor poema de nosso José Maria, assim como concordo que você anda mesmo em rabugices.
Abraços,
Amina
a morte é feito uma vela
uma vela imensa que se abre
defronte ao vento
diante do mar
partindo da terra.
é coisa que precipício algum
que delírios o seja
coisa mais forte que nos despeja
sem sentido em encontrar.
a morte é o ponto final de nossas
mesmo que possas
aqui estar.
(r.pisoler)
..........
Alô Ricardo, obrigado pelo poema-apoio.
zémaria
adoro esse poema! pra variar, né, sabiá-laranjeira????
beijão
líria
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Oi Liria, obrigado. Vc sabe que todo poeta traz um passarim
no peito, né? Vc., acho, tem uma cotovia.
abraço
EM DISCUSSÃO,
“`POEMA”,
DE LÍRIA PORTO:
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poema
líria porto
eu sei
existe um anjo
e ele me alumia
acende a lamparina
clareia a escuridão
percebo então a fonte
o verso até a rima
e mesmo se tropeço
não levo grandes tombos
achei a janela
o poço a gamela
o sal o barco à vela
um pouco de lentilhas
o vinho o batom
assim vivo eu a vida
a soprar feridas
a tocar meus sonhos
POEMA
Um texto de líria porto
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Gostei muito do texto “Poema”, de líria porto, que não fica nada a dever aos demais textos que conheço da autora.
Em se tratando de líria porto, não seria nenhum favor dizer o quanto a sua profícua produção nos presenteia na internet, ora com tiradas humorísticas, ora em reflexões filosóficas ou como respostas a qualquer desafio, que ela aceita todos, na maior desenvoltura e com a mesma competência.
No caso deste “Poema”, líria não foge de si mesma.
Numa linguagem simples e escorrida, enfoca o cotidiano, reciclando linguagem, ritmando versos, etc.
Gostei muito do verbo “alumiar”, que casa bem com a palavra “lamparina”, e gostei também do fecho do poema, que é o “arredondamento” do texto que muitos “bons autores” ainda desconhecem, mas líria usa-o como ninguém.
Sem dúvida, um texto bonito, com ótimo resultado.
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).
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tu, maria, sempre generosa com meus versos!
eu tinha saudades tuas! beijo
líria
A líria tem um dom natural de cadência de versos que, se aprimorado, seria uma pérola
Ela inicia o poema com os heróico-quebrados (ou hexassílabos)
EU SEI E XIS TEUM AN
E E LE MEA LU MI
A CEN DEA LAM PA RI
CLA REI AES CU RI DÃ
A segunda estrofe mantém o ritmo, mas na terceira estrofe começa uma mistura de redondilhas menores (pentassílabos) e heróico-quebrados que tira o brilho anterior.
O poema que antes ganhava um estilo sonoro bucólico, trovadoresco, se perde na sonoridade, apesar de sustentar-se no tema.
A autora poderia tentar manter as redondilhas ou buscar os heróicos.
Mas isso é apenas tecnicismo.
Em relação ao tema, bucólico como o estilo, o poema é muito bem alcançado. Gostei bastante.
Meu lado tecnicista é que queria vê-lo redondo.
Abraços
Anderson
O poema de Líria , ou a lírica de Liria:
Essa Moça, escreve como se tirasse os sons de uma harpa, suave e terna , doce e amorosamente.
Novamente, volto ao Anderson : - muitas vezes a redondice cansa, ó Menino, e nem sempre o tecnicismo é capaz de fazer uma Poesia... Liria domina a temática proposta, flui sem rigores na sonoridade que o poema
exige.
Tenho lido alguns poemas (?) onde o comprometimento técnico arruína o belo.( o que não se aplica ao Anderson, é claro, Poeta que aprecio)
Claro, para transgredir é preciso conhecer , evidente que a licença poética nasce dos saberes tidos.
Líria, penso...escreve como quem canta em versos, tem ouvido afinado: basta!
Ei, Anderson, acho que sua rabugice me pegou!
Abraços,
Amina
os poemas de Liria sempre são alumbramento.
este devia chamar-se "Tocadora de Sonhos".
abraço
zémaria
“DESLUMBRAMENTO”,
DE MARIA JOSÉ LIMEIRA,
EM DISCUSSÃO:
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DESLUMBRAMENTO
Maria José Limeira
Tão longe de mim, estás tão perto
que até posso tocar-te com os dedos.
Ao largo, no entanto, és meu incerto.
E tão perto assim és meus degredos.
Distante, mar bravio que não toco.
Quanto mais perto ficas mais te avultas.
Tanto mais brado mais além o foco.
Quando cicio, porém, tu não me escutas.
Estando longe, não sabes meu anseio.
Estando perto, contudo, mais descrença.
Tão longe-e-perto sem um termo-meio,
tua proximidade desavença.
Tua distância irrompe no infinito.
Se chegas perto, és só uma miragem,
ora silente e, em seguida, grito
de voz amordaçada em carceragem.
Tocante poema da Limeira. Maria, "touché".
abraços
zemaria
...........
Maria José,
Bom sua volta, melhor assim com poema de deslumbrar, revirando emoções.
Abraços,
Amina Ruthar
TEXTOS PARA ANÁLISE:
“poema” – líria porto
“Velha casa” – José Maria Marques
“DESLUMBRAMENTO” – Maria José Limeira
Nesta atual rodada de textos para análise, temos três poemas de três autores distintos, dois dos quais de poetas por excelência ( líria e José Maria Marques ), e um terceiro de Maria José Limeira, mais propriamente contista.
Três textos que não representam nenhum fiasco literário, não se estropiam na gramática ou na semântica, não “sacaneiam” os leitores com aqueles bla-bla-blás semióticos nem assinalam nenhuma disfunção psíquica da parte dos autores, mas que ficaram aquém das suas capacidades enquanto escritores veteranos.
O que mais me chama atenção, desta feita, sobretudo ao longo do texto da líria, é uma acentuada arritmia decorrente da métrica irregular, bem como a predominância de rimas foscas, do tipo “tombos/“batom”/“sonhos”; ou, quanto ao José Maria, “destroços”/“tijolos”, “oco”/“moço” etc.
No caso da Maria José, por outro lado, a tentativa de metrificar e rimar a todo custo para compor o soneto limitou o texto a um mero exercício de versificação, engendrando imagens bem simplórias.
Resultado. Os poemas não evoluíram em nenhum sentido, fragmentando-se pelo caminho, antes de se morderem as caudas.
Como se esses garotos pudessem – como podem - dar-se ao luxo de sair por aí escrevendo às pressas, sem voltarem aos seus escritos para os devidos reajustes. Ora, ora, ora... Hê-hê-hê..
Ademar Ribeiro
Eu protesto!
Caro Ademar. Eu protesto e não aceito.
Primeiro lugar. Não reconheço em sua opinião uma crítica literária isenta e comprometida com os cânones da ética e da política de boa vizinhança estabelecida no relacionamento humano.
Segundo. Não concordo quanto aos "erros" que você aponta nos textos analisados, sem especificar os trechos onde os lapsos estão inseridos.
Terceiro. Quanto ao texto da líria, não vi as "rimas" de que você fala com tanta ênfase. Aliás, não vi rima nenhuma no texto citado.
Quarto. O zémaria é um poeta consciente. Seus textos guardam a simplicidade da poesia nordestina e o texto dele em questão foi publicado num livro solo de nome "concebidos com pecado". É um bom poema.
Quinto. Agora vamos especificamente ao que interessa. Você diz: "Os poemas não evoluíram em nenhum sentido, fragmentando-se pelo caminho, antes de se morderem as caudas". Ora, amigo Ademar... Isto é "crítica literária"? Por que este desprezo e escárnio sobre o alheio?
Sexto. Sobre meu poema "Deslumbramento", você equivoca-se na classificação. Não é um soneto, viu? Soneto tem regras próprias e não estou à altura delas...
Conversamos pessoalmente sobre meu texto – por telefone, e quando estivemos juntos em sua casa, recentemente - quando lhe falei das minhas dificuldades em escrever poemas, e lhe pedi uma crítica isenta, com sugestões para retificações, etc.
Inclusive, lhe disse que aceitaria todas as sugestões possíveis para melhorar meu texto, pois, apesar de trabalhado durante muito tempo, o resultado não havia me deixado satisfeita. Estou decepcionada com sua "crítica" e peço-lhe, por favor, que me ajude de novo, desta vez dentro das regras... Saludos, obrigada, e aguardo. Vamos retomar
as discussões literárias nesta Linda Lista, até dar no osso, gentes lindas! Maria José Limeira.
Maria José:
Em primeiro lugar. Se a minha crítica é isenta, não pode se comprometer com os cânones estabelecidos pela política de boa vizinhança no relacionamento humano, que, a essas alturas do campeonato, só podem causar nojo.
O que, por exemplo, sabe você de relacionamento humano?
O que eu disse sobre os textos apresentados foi o máximo que deles se poderia dizer. Não implica nenhum xingamento ou ameaça pessoal velada à integridade física, moral ou literária dos autores analisados: a ninguém chamei de “puta”, “viado” ou veado
( aquele bichinho obra-prima da criação) .
Está de acordo com os propósitos da oficina, de analisar imparcialmente os trabalhos apresentados.
Se os textos são bons, não hesito em me desdobrar em elogios; quando não, fazer o quê?
São textos previsíveis, que nada representam na ordem as coisas, inclusive em relação a outros já escritos pelos mesmos autores.
Não sou crítico literário, e o máximo que posso fazer é lançar o meu alerta. Quando escrevo meus próprios textos, não conto com ajuda alheia e assumo todos os riscos.
Quanto ao seu poema, seja ou não soneto – mais uma vez digo – achei um texto muito fraco, repleto de rimas e versos forçados.
Além do mais, não entendo nem me interesso por sonetos.
Peça opinião a alguns dos seus amigos críticos literários.
Ademar
Ademar Lindo. Estamos numa Oficina Literária, e a todo vapor. Daí porque acho que toda opinião é válida, inclusive a sua (claro). Seria muito interessante que todos os associados desta Linda Lista colaborassem nos debates, com sua dúvidas, adendos, discordâncias, brigas pelos bons textos, etc., pois este é o espírito deste espaço. Pedi esclarecimentos sobre a opinião que você externou quanto ao meu texto. Você responde que, não sendo “crítico literário”, só lhe resta dizer quando o texto “presta” e quando “não presta”. Mas, agora eu pergunto: o texto não presta por quê? E, não prestando para uns, isto seria definitivo? Ou tem textos que não prestam para mim, mas para você são bons, e vice-versa?
Neste ponto, seria bom levantarmos a mesma questão que vimos debatendo desde a criação desta lista:
Seria válido aferir o mérito de um texto apenas com a medida precária do “gostar” ou “não gostar”? Ou deveríamos levar a discussão mais a fundo, para ver até onde a corda estica e onde pode estourar?
Um abraço, e obrigada por aceitar nossos desafios.
Saludos.
Maria José Limeira.
Esse poema da Zezé tem algumas coisas que eu não gosto.
Primeiramente, o repetido "tão perto... tão distante" dos poemas de saudades.
É certo que diversas e diversas vezes nos apropriamos de temas para
contar a história com a nossa voz, mas há temas que por vezes cansam (já não suporto mais ler histórias de suspense/terror onde alguém é enterrado vivo).
A voz da Maria José neste poema dá ao tema um sentido dúbio. A dualidade do distante próximo se inverte, mescla e mistura num jogo de gato e rato. distante/perto, distante/distante, perto/perto, perto/distante. O EU poético se mistura com o EU mutilador, o Eu da auto-comiseração, ou o NÃO-EU. É um poema de dor, mas uma dor também dual, que gera um tipo de felicidade masoquista.
Acho que o problema real é o clichê das distâncias. O poema tem seu brilho, pois ainda é um poema da Maria José, com sua marca.
Um poema bom com um tema ruim.
Abraços
Anderson Santos
Obrigada ao Anderson pela sua análise lúcida. É a análise mais próxima do “contraditório” que o meu texto enfoca. Quanto ao “tema ruim”, devo lhe dizer que sei tudo sobre os “temas ruins”, pois sou fã ardorosa de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa, poetas que souberam trabalhar como ninguém os “temas ruins”... Saludos. Maria José Limeira.
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oi, ademar
sobre tua análise:
- o poema de zé maria eu já tinha me manifestado a respeito - gosto de tudo que ele publicou em concebidos com pecado! e "a velha casa" está entre eles! o livro é primoroso, de poemas lindíssimos!
- deslumbramento, da maria limeira, é um poema bem trabalhado, mas me agrada
menos, ela tem escritos muito melhores... não sei dizer exatamente o quê, parece-me que neste sobram e repetem-se palavras, lugares comuns...
- sobre o meu, tens toda razão - é um poeminha bem ruinzim... desculpa-me por tê-lo enviado! beijão e obrigada!
Líria
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Quieta, líria!!!
Não fales mal do soneto da Maria José, que ela vai trepidar dentro da lata como siri na Lua Cheia, e vai pinçar tua língua..