Histórico:

- 09/04/2006 a 15/04/2006
- 02/04/2006 a 08/04/2006
- 26/03/2006 a 01/04/2006
- 19/03/2006 a 25/03/2006
- 12/03/2006 a 18/03/2006
- 05/03/2006 a 11/03/2006
- 26/02/2006 a 04/03/2006
- 19/02/2006 a 25/02/2006
- 12/02/2006 a 18/02/2006
- 05/02/2006 a 11/02/2006
- 29/01/2006 a 04/02/2006
- 22/01/2006 a 28/01/2006
- 15/01/2006 a 21/01/2006
- 08/01/2006 a 14/01/2006
- 01/01/2006 a 07/01/2006
- 25/12/2005 a 31/12/2005
- 18/12/2005 a 24/12/2005
- 11/12/2005 a 17/12/2005
- 04/12/2005 a 10/12/2005
- 27/11/2005 a 03/12/2005
- 20/11/2005 a 26/11/2005
- 06/11/2005 a 12/11/2005
- 23/10/2005 a 29/10/2005
- 16/10/2005 a 22/10/2005
- 02/10/2005 a 08/10/2005
- 25/09/2005 a 01/10/2005
- 18/09/2005 a 24/09/2005
- 11/09/2005 a 17/09/2005
- 04/09/2005 a 10/09/2005
- 28/08/2005 a 03/09/2005
- 21/08/2005 a 27/08/2005
- 14/08/2005 a 20/08/2005
- 07/08/2005 a 13/08/2005
- 31/07/2005 a 06/08/2005
- 24/07/2005 a 30/07/2005
- 17/07/2005 a 23/07/2005
- 10/07/2005 a 16/07/2005
- 03/07/2005 a 09/07/2005
- 26/06/2005 a 02/07/2005
- 19/06/2005 a 25/06/2005
- 12/06/2005 a 18/06/2005
- 05/06/2005 a 11/06/2005
- 29/05/2005 a 04/06/2005
- 22/05/2005 a 28/05/2005
- 15/05/2005 a 21/05/2005
- 08/05/2005 a 14/05/2005
- 01/05/2005 a 07/05/2005
- 24/04/2005 a 30/04/2005
- 17/04/2005 a 23/04/2005
- 10/04/2005 a 16/04/2005
- 03/04/2005 a 09/04/2005
- 27/03/2005 a 02/04/2005
- 20/03/2005 a 26/03/2005
- 07/03/2004 a 13/03/2004
- 08/02/2004 a 14/02/2004
- 01/02/2004 a 07/02/2004



Outros sites:

- UOL
- Antonio Mariano
- André Ricardo Aguiar
- Dira Vieira
- Maria José Limeira & Amigos
- Hilton Júnior
- Cintia Melo
- Rogério Santos
- Gisele
- Nel Meirelles - Fala Poética
- A Teia da Aranha
- João Andrade - Por sobre as cabeças
- João Andrade - Poemóides
- Palavra ardente
- Clube do Conto-PB
- Clube da Gravura da Paraíba
- Poros e Cendais - Antoniel Campos
- Eu sei escrever
- Literatura clandestina
- Lúmini - Companhia de Dança
- Douglas Mondo
- Opinião
- Rubens da Cunha - Casa de Paragens
- Amina Ruthar
- Mauro Cherobim
- Boicote contra Bush
- Cinema
- Alameda Santo Antonio
- Andréa Motta
- Ana Maria Costa
- Haikais amargos
- Viagens InSanas - Federico Baudelaire
- Ricardo Pinto
- Manuel Rodrigues


Votação:

- Dê uma nota para meu blog

Indique esse Blog


Contador:

Layout por


EM DISCUSSÃO:

“O BEIJO”,

DE NARA TOLEDO

..................................

 

O BEIJO

 

Ai! Como demoras.....

Por que espero tanto teu beijo?

Se beijo vem da boca,

Por que a outra não beijo?

Mas, se outra não quero,

De onde virá o beijo?

 

O beijo, não sei o que é

Beijo é o que quero

Porque dele se alimento meu desejo

 

Ah! Vem, com pressa, trazer-me teus lábios

Por que me torturas?

Acaso pensas que não sou tua?

Sou tua...

 

Hã!? Mas, de súbito, já não sou -

E quero ser d'outros lábios vermelhos, quem sabe róseos?

Que beijo terá aquela boca daqueles lábios de tanta carne?

 

Amor, não te demores

Estou aqui a morder-me

A trair-te...

Queres perder-me?

Quem sabe - em minutos -

Descubro o que é o beijo?

 

Nara Toledo.



- Postado por: Oficina às 01h01
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

O BEIJO

Um texto de Nara Toledo

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Não é dos piores este texto “O beijo”, de Nara Toledo, autora ainda totalmente desconhecida (talvez um heterônimo?), cujos dados escapam ao site de busca Google...

Tem suas qualidades como Poesia. Pelo menos, foge do convencional, pois o beijo, amigos, seria muito bom se não fosse “a véspera do escarro”... Aliás, sobre o beijo, Augusto dos Anjos disse tudo em seus “Versos íntimos”. E quem mais ousaria contestá-lo?

O tema é gasto e cansado. Este é o problema. Mas, a nossa amiga Toledo o encara com a coragem e a cara. Contudo, para encará-lo precisa-se de muito mais que coragem e cara. É preciso talento!

Faltou língua, no texto de Nara Toledo...

E onde já se viu beijo sem língua?

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 00h57
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

ola, Maria  

  Escrevo-te apenas agora porque entrei na lista (a qual quero devotar meus elogios por ser um grande espaço de democracia e interação) no exato período em que vc precisou estar fora e, ao mesmo tempo, porque me pareceu adequado me apresentar melhor, já que vc levantou algumas  dúvidas curiosas sobre mim:   

  Primeiro, eu me chamo Nara mesmo. Assim como também é meu o sobrenome

Toledo.

  Segundo, não estou em site algum e, tão pouco, publiquei alguma obra.

Até porque, os meus interesses de publicação são técnicos - sou  advogada e formanda em Ciências Sociais. Gosto de trabalhar com pesquisa de campo e é nessa área que desejo publicar... no momento exerço carreira  administrativa no Instituto Nacional do Seguro Social.

Uma biografia  deveras enfadonha como se pode notar! Mas que, infelizmente, consome

consideravelmente meu tempo e diminui minha disposição a algo que considero tão

importante: o ócio criativo! Penso que apenas trabalhar para sobreviver nada mais é do que  função vital de todos os animais... então temos de ter um momento para criar ou apreciar as criações, temos de ter um momento para a arte, caso contrário, não estamos

exercendo com plenitude nossa humanidade!

  Então, literatura para mim é um prazer - amo ler! Razão pela qual fui estudar letras e que me permitiu até dar algumas aulas de literatura.

  Descobrimos, dessa maneira, que não sou escritora... sou experimentadora, adoro experimentar ... é isso que faço ao escrever.

  Tenho procurado o que é mais atual, mas perto do que e do como se fala,  como lê e o que se compreende na literatura atual. Não que eu faça isso de forma acadêmica, por mais que use meus conhecimentos de lingüística e Língua, não sou de debruçar-me sobre a técnica, tão pouco tenho pesquisado empiricamente os novos e desconhecidos

autores. e até  na maior parte das vezes, autores consagrados....

  Mesmo assim,  experimento e vejo no que dá -  sem crises  e menos ainda pretensões. De modo que cada apreciação que recebi no grupo foi  muito bem vinda, acho interessante saber o que as pessoas pensam e o que  as fazemos pensar.

  Por isso dou tanto valor a esse grupo, gosto da proposta de uma lista de discussão, de troca de experimentação.

  Os outros grupos que conheço parecem ter a função de abrir espaço para se publicar aquilo que o mercado não comporta...(um mercado marcado hoje pela literatura de entretenimento, no qual a arte é sublimada), já a Oficina é muito mais interessante. Para tal, eu tento contribuir com o meu melhor, o pouquinho que sei de literatura

luso-brasileira e teoria literária.

  Então é isso, espero ter ajudado em suas dúvidas.  

  um forte abraço e até breve,  

  Nara Toledo.



- Postado por: Oficina às 00h54
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

Olá Nara! Prazer em conhecê-la. Estimo que tenha assumido nossos desafios e esteja muito à vontade para analisar nossos textos e ouvir nossas opiniões. Um abraço e saludos! Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h44
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

Este poema contém um desejo escondido. Ao mesmo tempo que se declara apaixonada por um certo amor, revela um desejo por outro amor.

Podendo até mesmo ser um desejo reprimido, por alguém do mesmo sexo, talvez.

Ou outros lábios, em outros lugares. É um poema cheio de tesão, erótico e forte.

  Estou com vontade de beijar, vou lá embaixo agarrar minha mulher e enchê-la de beijos. Se ela não me quiser beijar vou pra rua e lascar um beijo na primeira gostosa que encontrar.

  desculpe a forma bruta com que respondo, mas beijo bão tamém é assim. de rancar os beiços do lugar.

  abraço e, claro, beijos do pisoler.



- Postado por: Oficina às 00h42
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

O Beijo de Nara Toledo

 

  Breves Comentários:

 

  Cada leitor recebe um Poema conforme suas extensões ou limitações- literárias. No meu caso , com  limites de saber, declaro. Claro , conheço das normas e regras da língua que nos são impostas pelo bom e difícil Português, todavia na Poesia acolho as palavras mais pelos sentidos ( emoção) que pelos ditames lingüísticos. Ao ler um poema  fico à espreita  de algo mágico , que inaugure um sentir renovado até mesmo sobre o que é lugar comum, como no caso de Nara Toledo com O Beijo.

 Com todo respeito , devo dizer : - não me senti tocada pelo poema de Nara Toledo, achei o poema frágil tanto na forma, quanto no conteúdo.

  Abraços de, Amina Ruthar



- Postado por: Oficina às 00h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

Texto: O BEIJO

Autora: Nara Toledo

Comentário: Ademar Ribeiro

 

Não vou perder tempo discutindo se este escrito da Nara é, ou não, prosa, poema ou até mesmo se vem a ser um texto.

A não ser se considerado naquela acepção genérica, por extensão de sentido, que inclui tudo quanto se escreve como sendo “literatura”, incluindo-se bulas de remédios, prescrições médicas, receitas culinárias, listas de supermercado, legendas de antigas fotonovelas e o diabo a quatro...

O que lemos aqui seria a tentativa de um monólogo interior, dos mais melífluos e titubeantes, totalmente inócuo, sem nenhuma qualidade estética ou literária, que a autora usa para se declarar à pessoa eleita –  pobre criatura!

Até aí tudo bem. Cada um escreve como pode, e não como quer.

Mas uma vez o texto nos aparecendo para análise numa 0ficina Literária,  atinge-me quase como ofensa pessoal, ou como chacota com a Língua e a Literatura brasileiras, dignas de todo o nosso acato.

Para quem já bateu mundos e fundos no aprendizado literário internacional, com uma bagagem que incluiria cursos e mais cursos, em USPs, Mackenzie´s e outras Universidades que tais, como já gritou sobre o telhado a  nossa amiga Nara, este seu “texto” só pode ser uma peça que a autora nos prega para checar a nossa paciência. E conseguiu!

OK, Nara?



- Postado por: Oficina às 00h36
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Cont.

Ademar,

você me fez pensar.

Você me faz cagar.

Tá vendo Ademar?!

Rimou.

Fico impressionado com uma coisa.

De quê gosta? Por que vive?

Não vejo um único e sequer comentário positivo de sua parte.

Tirando sobre aquela merda de NY que escrevi um dia....

Cara... vc tem que se revelar em preto e branco, que suas cores estão mortas. Natureza morta.

Ficarei feliz em ouvir suas réplicas, me haverão em si mais vivas do que se tem mostrado.

E não adiantará tb se retirar desta oficina, o perseguirei implacavelmente por todos os lares que houver uma coberta.

É a vida, nobre Ademar.

Uns a deixam ferida, outros, em panos quentes a amordaçam....

Eu prefiro seguir a cruz.

Norte sul leste oeste.

Capiche?

Meu Jesus, na cruz, me deu este ensinamento.

Grande abraço do Pisoler.



- Postado por: Oficina às 00h34
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




O beijo - Final

Sobre "O beijo"

De que nos fala "O beijo", em seu primeiro verso? Dúvidas, dúvidas perguntantes, aflição de não saber, e aflição lutadora, buscando...onde estás, o que é que faço ? Desconfio, o amor está "fritando" alguém...e deve ser amor de jovem, na disposição de luta, porém, quantas perguntas, mistérios da vida, a resolver...o amor na linda idade. O ar é refrescante, o dos jovens dias...e também é um amor "encarnado", manifesta-se no corpo, na boca, pede atos concretos, sensuais, pede beijos...um corpo amoroso pede beijos; como não, com ele, pulsar ? A emoção foi posta, de chofre, impacto, no primeiro beijo, ou melhor, no primeiro verso. A "encarnação", esta foi posta no fraseado  " se beijo vem da boca, "; beijo, ato físico, boca, "locus", espaço físico pro amor. Situou-se, e bem, o fremir dos sentimentos.

Jovem amor, não tem ainda teorias, e, honesto, declara-se não saber estabelecer o que caracteriza o beijo, primeira frase, no 2º verso; mas dele sabe que lhe alimenta o desejo; sabe e diz; assume e declara seu desejo. É 2005, e a poesia de astramercurio fala instalada no feminismo, no direito às mulheres de donas serem de tudo que é seu, corpo incluso; então fala de seu tempo, sem panfletos ou registros discursivos, da modernidade; pode-se também esperar isso das artes, que digam sobre seu tempo, que o revelem.

Continuando moderna, dona de sua vida e corpo, à aflição, responde explorando a possibilidade do outro, de outras bocas, com naturalidade, independente, ausência de pejo, à claridade, em alto e bom som.

E, mas, aí então, essa fala  para um " tu ", 2º pessoa, será que teria uns ares "retrô" ?seria a formulação do poema algo meio antiquado, gastinho, impróprio em jovens mãos , principalmente as escancaradas modernas ?  Ah, a modernamercurial demostrou apreço à estética Pós-moderna, em escritos, é ocorre-me a visão de certos edifícios da Paulicéia de Andrada, pós-modernos, com elevadores e outros equipamentos de última geração, atualíssimos, formatados em estilo que lembra o neo-clássico. É. pós-modernos admitem o resgate da herança, os dados do passado, para comporem com o hoje, com elementos hodiernos. A composição de astraNara faz-me pensar nesse caminho.

Não querendo parecer professoralmente muito sábia e arrogante ( há postos de observação mais interessantes e profícuos), até porque jovens, como parece o poema, detestam isto, arriscaria sugerir um pouco mais de música, fazer as palavras serem mais "dançantes" em sua própria melodia, "surfarem".

Refrescante, em sua afoiteza moderna, fremente, em sua busca amorosa, pós-moderno, em sua contemporaneidade. Bom trabalho, astramercúrio.

Astrais saudações

Ney  Maria  

- Postado por: Oficina às 00h31
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




“VELHA CASA”,

DO POETA ZÉ MARIA,

EM DEBATE:

.................

 

Velha casa

 

Eis aqui ainda a mesma casa

só que hoje é só destroços

o que eram porta, janelas

tapadas estão por tijolos.

 

Por dentro só vejo ruínas

por dentro está tudo oco

nela eu já morei um dia

quando anelava e era moço.

 

Neste quarto que é só piso

Muitos poemas hei composto

que não melhoraram o mundo

mas feitos neste propósito.

 

Passaram-se morte e vida

hoje só trago o arcabouço

por dentro sou só ruínas

por dentro está tudo morto.

 

zémaria in concebidos com pecado



- Postado por: Oficina às 22h18
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Velha casa - Cont.

VELHA CASA

Um texto de zémaria

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Um poema é ou não é.  Sem meio termo.

Para sê-lo, precisa ter: dramaticidade, conflito e emoção no conteúdo. Ritmo, musicalidade e tchan, na forma.

Este poema de zémaria, “Velha casa”, tem tudo isto, e muito mais.

Tem a marca de um autor em comunhão com sua obra.

Tem todo o contexto de quem constrói com responsabilidade, sem esquecer do compromisso com a Língua.

O tema da “velha casa”  é antigo. Tão antigo quanto a humanidade em seus esforços primeiros para se fixar à terra.

Casa não é apenas prédio que abriga o corpo físico. É também a morada do coração e da alma.

É esta simbologia, sobretudo, que vejo no texto de zémaria.

Um belo texto, aliás!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 22h14
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Velha casa - Cont.

Eita... difícil falar desse poema.

Primeiro, se as portas e janelas estão tapadas com tijolos, como o personagem entrou ou olhou lá pra dentro? Narrador onisciente em poesia?

As quadras são confusas e lembram quadras infantis.

 

 Neste quarto que é so piso

 Muitos poemas hei composto

 que não melhoraram o mundo

 mas feitos neste propósito.

 

 Não há vida nesses versos. Não há poiesis. O moto-contínuo do poema é fátuo. Parece que frases se elencaram sem vontade, se particionaram e se maquiaram de poema.

zémaria já postou tantas coisas boas aqui, que nem acredito que o

poema é dele.

Parece poema escrito aos 12.

Talvez eu é que esteja ranzinza hoje.

Sei lá

Abraços

 Anderson Santos

...........

 

Anderson

boa análise concreta do poema

grato

zémaria



- Postado por: Oficina às 22h12
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Velha casa - Cont.

Velha Casa - Jose Maria - Analisando

 

      Farei minha leitura do poema de José Maria, sobre os argumentos de Anderson:

 

      Penso  sua leitura desapercebeu alguns elementos , vejamos:

      1. a velha casa  permanece inteira, apenas na memória do poeta, sob destroços as portas e janelas- recobertas pelos tijolos que o tempo revirou- isso é real , e no revisitar de  lembranças ei-la em ruínas , ainda que guardadora  de infâncias,sonhos , letras e mocidades vividas.

      Claro que a entrada é possível, sem carecimento de outra magia ou poderes, que não aqueles da poesia.

 

      2. Destaco  "in concebidos com pecado" , ai a salvaguarda do poeta , ai sua permissão para escritura singela  em quadras ( que também não são minha preferência), porque leva a imaginar uma série evolutiva de poemas -sentimentos, sem pacto com o rigor das métricas, regras e "tétricas" poéticas.

 

      3. Quantos de nós não escrevemos poemas inúteis , julgados porém agentes de transformação de uma realidade feia e suja?

 

      Na verdade, assim como as cartas de amor, todos os poemas são inúteis.

      Concordo que esse não é o melhor poema de nosso José Maria, assim como concordo que você anda mesmo em rabugices.

 

      Abraços,

      Amina



- Postado por: Oficina às 22h06
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Vela casa - Cont.

a morte é feito uma vela

uma vela imensa que se abre

defronte ao vento

diante do mar

partindo da terra.

é coisa que precipício algum

que delírios o seja

coisa mais forte que nos despeja

sem sentido em encontrar.

a morte é o ponto final de nossas

mesmo que possas

aqui estar.

(r.pisoler)

..........

 

Alô Ricardo, obrigado pelo poema-apoio.

 zémaria



- Postado por: Oficina às 22h03
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Vela casa - Final

adoro esse poema! pra variar, né, sabiá-laranjeira????

beijão

líria

...........

 

Oi Liria, obrigado. Vc sabe que todo poeta traz um passarim

no peito, né? Vc., acho, tem uma cotovia.

abraço



- Postado por: Oficina às 21h59
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




EM DISCUSSÃO,

“`POEMA”,

DE LÍRIA PORTO:

...............................

 

poema

líria porto

 

eu sei

existe um anjo

e ele me alumia

acende a lamparina

clareia a escuridão

 

percebo então a fonte

o verso até a rima

e mesmo se tropeço

não levo grandes tombos

 

achei a janela

o poço a gamela

o sal o barco à vela

um pouco de lentilhas

o vinho o batom

 

assim vivo eu a vida

a soprar feridas

a tocar meus sonhos



- Postado por: Oficina às 01h15
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Poema - Cont.

POEMA

Um texto de líria porto

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Gostei muito do texto “Poema”, de líria porto, que não fica nada a dever aos demais textos que conheço da autora.

Em se tratando de líria porto, não seria nenhum favor dizer o quanto a sua profícua produção nos presenteia na internet, ora com tiradas humorísticas, ora em reflexões filosóficas ou como respostas a qualquer desafio, que ela aceita todos, na maior desenvoltura e com a mesma competência.

No caso deste “Poema”, líria não foge de si mesma.

Numa linguagem simples e escorrida, enfoca o cotidiano, reciclando linguagem, ritmando versos, etc.

Gostei muito do verbo “alumiar”, que casa bem com a palavra “lamparina”, e gostei também do fecho do poema, que é o “arredondamento” do texto que muitos “bons autores”  ainda desconhecem, mas líria usa-o como ninguém.

Sem dúvida, um texto bonito, com ótimo resultado.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).

..........

 

tu, maria, sempre generosa com meus versos!

eu tinha saudades tuas! beijo

líria



- Postado por: Oficina às 01h12
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Poema - Cont.

A líria tem um dom natural de cadência de versos que, se aprimorado, seria uma pérola

Ela inicia o poema com os heróico-quebrados (ou hexassílabos)

 

EU SEI E XIS TEUM AN

E E LE MEA LU MI

A CEN DEA LAM PA RI

CLA REI AES CU RI DÃ

 

A segunda estrofe mantém o ritmo, mas na terceira estrofe começa uma mistura de redondilhas menores (pentassílabos) e heróico-quebrados que tira o brilho anterior.

O poema que antes ganhava um estilo sonoro bucólico, trovadoresco, se perde na sonoridade, apesar de sustentar-se no tema.

A autora poderia tentar manter as redondilhas ou buscar os heróicos.

Mas isso é apenas tecnicismo.

Em relação ao tema, bucólico como o estilo, o poema é muito bem alcançado. Gostei bastante.

Meu lado tecnicista é que queria vê-lo redondo.

Abraços

Anderson



- Postado por: Oficina às 01h08
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Poema - Cont.

O poema de Líria , ou a lírica de Liria:

    Essa Moça, escreve como se tirasse os sons de uma harpa, suave e terna , doce e amorosamente.

    Novamente, volto ao Anderson : - muitas vezes a redondice cansa, ó Menino, e nem sempre o tecnicismo é capaz de fazer uma Poesia... Liria domina a temática proposta, flui sem rigores na sonoridade que o poema

exige.

    Tenho lido alguns poemas (?) onde o comprometimento técnico arruína o belo.( o que não se aplica ao Anderson, é claro,  Poeta que aprecio)

    Claro, para transgredir é preciso conhecer , evidente que a licença poética nasce dos saberes tidos.

    Líria, penso...escreve como quem canta em versos, tem ouvido afinado: basta! 

    Ei, Anderson, acho que sua rabugice me pegou!

    Abraços,

    Amina   



- Postado por: Oficina às 01h05
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Poema - Final

os poemas de Liria sempre são alumbramento.

este devia chamar-se "Tocadora de Sonhos".

abraço

zémaria



- Postado por: Oficina às 01h03
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




“DESLUMBRAMENTO”,

DE MARIA JOSÉ LIMEIRA,

EM DISCUSSÃO:

......................................

 

DESLUMBRAMENTO

Maria José Limeira

 

Tão longe de mim, estás tão perto

que até posso tocar-te com os dedos.

Ao largo, no entanto, és meu incerto.

E tão perto assim és meus degredos.

 

Distante, mar bravio que não toco.

Quanto mais perto ficas mais te avultas.

Tanto mais brado mais além o foco.

Quando cicio, porém, tu não me escutas.

 

Estando longe, não sabes meu anseio.

Estando perto, contudo, mais descrença.

Tão longe-e-perto sem um termo-meio,

tua proximidade desavença.

 

Tua distância irrompe no infinito.

Se chegas perto, és só uma miragem,

ora silente e, em seguida, grito

de voz amordaçada em carceragem.



- Postado por: Oficina às 00h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

Tocante poema da Limeira. Maria, "touché".

abraços

zemaria

...........

 

Maria José,

  Bom  sua volta, melhor assim com poema de deslumbrar, revirando emoções.

  Abraços,

  Amina Ruthar



- Postado por: Oficina às 00h36
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

TEXTOS PARA ANÁLISE:  

 “poema” – líria porto

 “Velha casa” – José Maria Marques

 “DESLUMBRAMENTO” – Maria José Limeira 

 

 Nesta atual rodada de textos para análise, temos  três poemas de três autores distintos, dois dos  quais de poetas por excelência ( líria e José Maria  Marques ), e um terceiro de Maria José Limeira, mais  propriamente contista.

 Três textos que não representam nenhum fiasco  literário, não se estropiam na gramática ou na  semântica, não “sacaneiam” os leitores com aqueles  bla-bla-blás semióticos nem assinalam nenhuma  disfunção psíquica da parte dos autores, mas que  ficaram aquém das suas capacidades enquanto  escritores veteranos.

 O que mais me chama atenção, desta feita, sobretudo  ao longo do texto da líria, é uma acentuada arritmia  decorrente da métrica irregular, bem como a  predominância de rimas foscas, do tipo “tombos/“batom”/“sonhos”; ou, quanto ao José Maria,  “destroços”/“tijolos”, “oco”/“moço” etc.

 No caso da Maria José, por outro lado, a tentativa  de metrificar e rimar a todo custo para compor o  soneto limitou o texto a um mero exercício de  versificação, engendrando imagens bem simplórias.

 Resultado. Os poemas não evoluíram em nenhum  sentido, fragmentando-se pelo caminho, antes de se  morderem as caudas.

 Como se esses garotos pudessem – como podem - dar-se  ao luxo de sair por aí escrevendo às pressas, sem  voltarem aos seus escritos para os devidos  reajustes. Ora, ora, ora... Hê-hê-hê..

 Ademar Ribeiro



- Postado por: Oficina às 00h32
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

Eu protesto!

Caro Ademar. Eu protesto e não aceito.

Primeiro lugar. Não reconheço em sua opinião uma crítica literária isenta e comprometida com os cânones da ética e da política de boa vizinhança estabelecida no relacionamento humano.

Segundo. Não concordo quanto aos "erros"  que você aponta nos textos analisados, sem especificar os trechos onde os lapsos estão inseridos.

Terceiro. Quanto ao texto da líria, não vi as "rimas" de que você fala com tanta ênfase. Aliás, não vi rima nenhuma no texto citado.

Quarto. O zémaria é um poeta consciente. Seus textos guardam a simplicidade da poesia nordestina e o texto dele em questão foi publicado num livro solo de nome "concebidos com pecado". É um bom poema.

Quinto. Agora vamos especificamente ao que interessa. Você diz: "Os poemas não evoluíram em nenhum  sentido, fragmentando-se pelo caminho, antes de se  morderem as caudas".  Ora, amigo Ademar... Isto é "crítica literária"? Por que este desprezo e escárnio sobre o alheio?

Sexto. Sobre meu poema "Deslumbramento", você equivoca-se na classificação. Não é um soneto, viu? Soneto tem regras próprias e não estou à altura delas...

Conversamos pessoalmente sobre meu texto – por telefone, e quando estivemos juntos em sua casa, recentemente - quando lhe falei das minhas dificuldades em escrever poemas, e lhe pedi uma crítica isenta, com sugestões para retificações, etc.

Inclusive, lhe disse que aceitaria todas as sugestões possíveis para melhorar meu texto, pois, apesar de trabalhado durante muito tempo, o resultado não havia me deixado satisfeita. Estou decepcionada com sua "crítica" e peço-lhe, por favor, que me ajude de novo, desta vez dentro das regras... Saludos, obrigada, e aguardo. Vamos retomar

as discussões literárias nesta Linda Lista, até dar no osso, gentes lindas! Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h25
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

Maria José:

Em primeiro lugar. Se a minha crítica é isenta, não pode se comprometer com os cânones estabelecidos pela política de boa vizinhança no relacionamento humano, que, a essas alturas do campeonato, só podem causar nojo.

O que, por exemplo, sabe você de relacionamento humano?

O que eu disse sobre os textos apresentados foi o máximo que deles se poderia dizer. Não implica nenhum xingamento ou ameaça pessoal velada à integridade física, moral ou literária dos autores analisados: a ninguém chamei de “puta”, “viado” ou veado

( aquele bichinho obra-prima da criação) .

Está de acordo com os propósitos da oficina, de analisar imparcialmente os trabalhos apresentados.

Se os textos são bons, não hesito em me desdobrar em elogios; quando não, fazer o quê?

São textos previsíveis, que nada representam na ordem as coisas, inclusive em relação a outros já escritos pelos mesmos autores.  

Não sou crítico literário, e o máximo que posso fazer é lançar o meu alerta. Quando escrevo meus próprios textos, não conto com ajuda alheia e assumo todos os riscos.

Quanto ao seu poema, seja ou não soneto – mais uma vez digo – achei um texto muito fraco, repleto de rimas e versos forçados.

Além do mais, não entendo nem me interesso por sonetos.

Peça opinião a alguns dos seus amigos críticos literários.

Ademar



- Postado por: Oficina às 00h19
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

Ademar Lindo. Estamos numa Oficina Literária, e a todo vapor. Daí porque acho que toda opinião é válida, inclusive a sua (claro). Seria muito interessante que todos os associados desta Linda Lista colaborassem nos debates, com sua dúvidas, adendos, discordâncias, brigas pelos bons textos, etc., pois este é o espírito deste espaço. Pedi esclarecimentos sobre a opinião que você externou quanto ao meu texto. Você responde que, não sendo “crítico literário”, só lhe resta dizer quando o texto “presta” e quando “não presta”. Mas, agora eu pergunto: o texto não presta por quê?  E, não prestando para uns, isto seria definitivo? Ou tem textos que não prestam para mim, mas para você são bons, e vice-versa?

Neste ponto, seria bom levantarmos a mesma questão que vimos debatendo desde a criação desta lista:

Seria válido aferir o mérito de um texto apenas com a medida precária do “gostar”  ou “não gostar”? Ou deveríamos levar a discussão mais a fundo, para ver até onde a corda estica e onde pode estourar?

Um abraço, e obrigada por aceitar nossos desafios.

Saludos.

Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h16
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Cont.

Esse poema da Zezé tem algumas coisas que eu não gosto.

Primeiramente, o repetido "tão perto... tão distante" dos poemas de saudades.

É certo que diversas e diversas vezes nos apropriamos de temas para

contar a história com a nossa voz, mas há temas que por vezes cansam (já não suporto mais ler histórias de suspense/terror onde alguém é enterrado vivo).

A voz da Maria José neste poema dá ao tema um sentido dúbio. A dualidade do distante próximo se inverte, mescla e mistura num jogo de gato e rato. distante/perto, distante/distante, perto/perto, perto/distante. O EU poético se mistura com o EU mutilador, o Eu da auto-comiseração, ou o NÃO-EU. É um poema de dor, mas uma dor também dual, que gera um tipo de felicidade masoquista.

Acho que o problema real é o clichê das distâncias. O poema tem seu brilho, pois ainda é um poema da Maria José, com sua marca.

Um poema bom com um tema ruim.

Abraços

Anderson Santos



- Postado por: Oficina às 00h14
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Deslumbramento - Final

Obrigada ao Anderson pela sua análise lúcida. É a análise mais próxima do “contraditório”  que o meu texto enfoca. Quanto ao “tema ruim”, devo lhe dizer que sei tudo sobre os “temas ruins”, pois sou fã ardorosa de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa, poetas que souberam trabalhar como ninguém os “temas ruins”... Saludos. Maria José Limeira.

..........

oi, ademar

sobre tua análise:

 - o poema de zé maria eu já tinha me manifestado a respeito - gosto de tudo  que ele publicou em concebidos com pecado! e "a velha casa" está  entre eles! o livro é primoroso, de poemas lindíssimos!

- deslumbramento, da maria limeira, é um poema bem trabalhado, mas me agrada

menos, ela tem escritos muito melhores... não sei dizer exatamente o quê, parece-me que neste sobram e repetem-se palavras, lugares comuns...

- sobre o meu, tens toda razão - é um poeminha bem ruinzim...  desculpa-me por tê-lo enviado! beijão e obrigada!

Líria

..........

 

Quieta, líria!!! 

Não fales mal do soneto da Maria José, que ela vai trepidar dentro da lata como siri na Lua Cheia, e vai pinçar tua língua.. <