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EM DEBATE,

“NATAL”,

DE ZÉMARIA

........................

 

Natal

   

mesmo sabendo

da mesmice do natal

o poeta foi atacado

pelo costumeiro lirismo doentio

pegou o telefone e ligou

para o seu amor proibido

- talvez o derradeiro -

e disse-lhe - minha morena

fique sabendo que gosto de você

com aquele amor desenganado

mas que bate manhá tarde e noite.

Ai, o poeta, se viu menino outra vez

e mesmo desenganadamente

vai botar os sapatos

na soleira antiga da porta.

 

zemaria, de improviso, desejando

feliz natal aos amigos e amigas da lista



- Postado por: Oficina às 23h01
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Natal - Cont.

NATAL

Um texto de zémaria

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este “Natal”, de zémaria marques, pode até ser um texto simplório, sem grandes vôos, talvez um tanto meloso, etc. e tal, mas me deixou comovida pra danado.

O poeta avisa logo sobre a mesmice do Natal e, nessa conversa, compõe um poema lírico (de amor!), tão sentido e dolorido como só pode ser o amor proibido, desses tantos amores que  passaram, deixando marcas inesquecíveis.

Êêta, poeta bom, poeta do improviso que eu gosto tanto, e... meudeusdocéu... tenho dito! Saludos!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)



- Postado por: Oficina às 22h59
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Natal - Cont.

nossa, zé... que lindo! depois desse, quem precisa de presentes????

o que me encanta na escrita do zemaria é a delicadeza com que ele desenvolve os temas que escolhe - dá-me a impressão que seus versos fluem como as águas de um regato à sombra da mata...

beijão

líria

...........

 

Liria

a culpa foi sua. Depois que li Bilis, baixou um desengano, (aquilo lá é tão verdade), que disse: - essa Líria me mata, preciso fazer um contracanto, andamos tão desiludidos, eu e Liria. Foi isso.

Um abração pra você.

zémaria



- Postado por: Oficina às 22h57
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Natal - Cont.

presente

líria porto

 

(para zémaria)

 

essa vida torta

esperança morta

desilusão desatino

vem esse menino

chega tão sem jeito

toca no meu peito

fico tão feliz

 

beijão, poeta!

líria



- Postado por: Oficina às 22h54
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Natal - Final

O "improviso" de zémaria é surpreendente.

Escrita instintiva ou não, o poema é suave, e os erros de digitação (manhá ao invés de manhã, falta de vírgulas no mesmo verso, vírgulas em excesso no verso seguinte) não diminuem o texto que, por ser suave e verdadeiro, revive meninices, ingenuidades e fé (por que é preciso ter viva a criança dentro de si para ter fé)

Um bom texto.

Abraços

Anderson Santos



- Postado por: Oficina às 22h52
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EM DISCUSSÃO,

“METÁFORA”,

DE LEONOR CORDEIRO

......................

 

METÁFORA

Leonor Cordeiro

 

Não é o toque,

não é a pele quente e úmida

nem os dedos escorregadios,

mas o amor.

É ele que me joga, estende, desarruma .

Pronto, virei holocausto !



- Postado por: Oficina às 16h31
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Metáfora - Final

METÁFORA

Um texto de Leonor Cordeiro

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

A amiga Leonor Cordeiro diz que só recentemente resolveu escrever, e até nem tinha, há pouco, um blog onde expor sua produção... Pois agora já tem seu espaço na internet, escreve como se fosse profissional, e seus textos são ótimos.

O que mais admira é que mantém a unidade em sua produção e tudo indica que está construindo uma obra. Seus textos-relâmpagos guardam sempre uma surpresa no final, são escritos em ordem direta, em linguagem corrida, sem mais delongas.

Usa palavras simples para dizer coisas novas.

Este texto “Metáfora”, de sua autoria, não foge à regra. É Poesia do primeiro ao quinto, não fica nada a dever aos poetas consagrados, e pronto!

A autora nos dá uma grande lição de Poesia, num “holocausto”, que é metáfora pura...

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)

..........

 

O poema em análise é de boa cepa.

Fala do amor que (des)arranja nossa vida em versos pessoais e sintéticos.

Espero que a autora nos traga novos textos com a qualidade deste primeiro.

Abração.

Ricardo Mainieri

...........

 

Fonte:

Comunidade “Discutindo Literatura”

www.orkut.com/



- Postado por: Oficina às 16h28
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NOVO TEXTO EM DEBATE:

“POLÊMICA”, DE LÍRIA PORTO

..............

 

polêmica

líria porto

 

natal para mim

é outro dia somente

em que as pessoas mentem

fingem ter ficado boas

comem exageradamente

e gastam o que não podem

 

prefiro finados



- Postado por: Oficina às 23h15
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Polêmica - Cont.

POLÊMICA

Um texto de líria porto

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Este texto “Polêmica”, de líria porto, é bem o retrato de uma autora travessa e brincalhona, cujo exercício lúdico encanta leitores e fãs, internet a fora (eu sou fã de carteirinha de líria linda!).

Trata-se de um poema irreverente, cuja função é derrubar o mito do Natal, festa eminentemente cristã que, no entanto, foi desvirtuada ao longo do tempo pelos tubarões da mídia globalizada, com o fim exclusivo de promover o consumo desenfreado (ah coca-cola, pepsi & fanta! vocês me pagam!)

Falar de líria porto é dizer concisão, trabalho ininterrupto na arte de versejar, sendo que uma de suas melhores qualidades é a abertura para o diálogo. Tanto que o conteúdo do texto casa bem com o título, pois essa autora está sempre lançando desafios aos quatro ventos, e aceitando outros com a mesma tranqüilidade e bom-humor.

Irreverência soma com alegria, e os textos de líria são sempre assim: despanaviados, descontraídos,  informais, espontâneos...

Um dos recursos da Poesia é confrontar o sim e o não gerando o que chamamos de “figura de pensamento”.

No caso deste poema de líria, um final surpreendente opõe a idéia de nascimento (Natal) ao arquétipo de morte (Finados), realizando a linguagem poética que, em outro nível, Chico Buarque cantou, em música memorável de Gilberto Gil, que diz “melhor seria ser filho da outra”...

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)



- Postado por: Oficina às 23h13
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Polêmica - Cont.

querida limeira

tens sempre palavras boas para minhas letrinhas, até quando não as  mereço!

esse poeminha é bem ruinzinho... risos

foi mais para dar o contra na unanimidade do natal! da propaganda!

mesmo assim, obrigada, amiga!

Beijão

ah... tens razão, os grupos estão quase todos uma pasmaceira!

ó a mangueira aí, gente!!!!!!

Líria



- Postado por: Oficina às 23h11
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Polêmica - Cont.

Líria:

 ..gostei daquele teu poema que fala da falsa generosidade natalina, e que  terminei deletando, sem querer..

 ..e esse aí me lembrou um daqueles filmes do Drácula, em que ele ardeu

emaranhado numa espinheira santa, virando pó..

hehehe...

Ademar



- Postado por: Oficina às 23h09
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Polêmica - Cont.

kakakkkkak

esse que gostaste ninguém nem olhou, cutuca nossa hipocrisia, né?...

risos

beijão

líria

...........

 

Também Finados é dia macabro:

gasta-se inutilmente

com flores.

 

Bom mesmo é Carnaval:

beijim, beijim

amores

pau, pau.

 

(Ademar Ribeiro)



- Postado por: Oficina às 23h07
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Polêmica - Cont.

até tu, brutus? e poema é pra desfiar assim????? explicar tim-tim por tim-tim? jogaste areia no ventilador, não me lembrei das flores - ao cemitério vou só morrrrrrrrrrrta... hummmm... carnaval é muito óbvio - quem não gosta de samba???? ah... bom mesmo é aniversário, pronto! cada um comemora como achar melhor e quem se esquecer - azar!

 

(ufa!!!! ficar na defensiva is not mole!)

 

beijim beijim, ademau!

líria



- Postado por: Oficina às 23h05
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Polêmica - Cont.

Para Líria e Ademar:

Tem um personagem com qual eu brinco (e as vezes chamo heterônimo)

chamado Osni Rebello que tem seus problemas com o natal tb.

Olha lá (escrito em 2004):



- Postado por: Oficina às 23h03
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Polêmica - Final

NATAL

Osni Rebello

 

Está claro que é antevéspera de natal

as pessoas correm, suas expressões são felizes

meu quarto está escuro, e no chão ainda restam

restos de curativos e papéis de presentes

que os familiares me trouxeram antes de suas viagens.

 

Estranhamente, meu neto mais velho me deu este gravador

como se soubesse o quanto tenho a dizer e não digo

o quanto tenho a dizer e não digo

o quanto repito o que digo,

o quanto deixei de dizer

 

Meus pés estão destapados, e este frio é o único indício

de que ainda estou vivo, ou de que existe vida após a morte.

Papai Noel não me trouxe meias novas. Apenas um bisneto.

Mais uma prova de que já é chegada a hora

de eu criar um pouco de responsabilidade.

 

Acho que nunca saberei ser tão maduro quanto rancoroso

pois não adquiri maturidade a cada tragada nos cigarros da vida,

nem em cada gole ou tropeço nos porres. Amanhã gostaria de estar

rodeado de prostitutas, todas de vermelho, em plena meia noite

com um charuto na boca, e uma dose de uísque na mão.

 

É realmente uma pena não podermos viver de passado.

-o-

Abraços. Anderson Santos.



- Postado por: Oficina às 23h02
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