
EM DEBATE,
“NATAL”,
DE ZÉMARIA
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Natal
mesmo sabendo
da mesmice do natal
o poeta foi atacado
pelo costumeiro lirismo doentio
pegou o telefone e ligou
para o seu amor proibido
- talvez o derradeiro -
e disse-lhe - minha morena
fique sabendo que gosto de você
com aquele amor desenganado
mas que bate manhá tarde e noite.
Ai, o poeta, se viu menino outra vez
e mesmo desenganadamente
vai botar os sapatos
na soleira antiga da porta.
zemaria, de improviso, desejando
feliz natal aos amigos e amigas da lista
NATAL
Um texto de zémaria
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este “Natal”, de zémaria marques, pode até ser um texto simplório, sem grandes vôos, talvez um tanto meloso, etc. e tal, mas me deixou comovida pra danado.
O poeta avisa logo sobre a mesmice do Natal e, nessa conversa, compõe um poema lírico (de amor!), tão sentido e dolorido como só pode ser o amor proibido, desses tantos amores que passaram, deixando marcas inesquecíveis.
Êêta, poeta bom, poeta do improviso que eu gosto tanto, e... meudeusdocéu... tenho dito! Saludos!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
nossa, zé... que lindo! depois desse, quem precisa de presentes????
o que me encanta na escrita do zemaria é a delicadeza com que ele desenvolve os temas que escolhe - dá-me a impressão que seus versos fluem como as águas de um regato à sombra da mata...
beijão
líria
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Liria
a culpa foi sua. Depois que li Bilis, baixou um desengano, (aquilo lá é tão verdade), que disse: - essa Líria me mata, preciso fazer um contracanto, andamos tão desiludidos, eu e Liria. Foi isso.
Um abração pra você.
zémaria
presente
líria porto
(para zémaria)
essa vida torta
esperança morta
desilusão desatino
vem esse menino
chega tão sem jeito
toca no meu peito
fico tão feliz
beijão, poeta!
líria
O "improviso" de zémaria é surpreendente.
Escrita instintiva ou não, o poema é suave, e os erros de digitação (manhá ao invés de manhã, falta de vírgulas no mesmo verso, vírgulas em excesso no verso seguinte) não diminuem o texto que, por ser suave e verdadeiro, revive meninices, ingenuidades e fé (por que é preciso ter viva a criança dentro de si para ter fé)
Um bom texto.
Abraços
Anderson Santos
EM DISCUSSÃO,
“METÁFORA”,
DE LEONOR CORDEIRO
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METÁFORA
Leonor Cordeiro
Não é o toque,
não é a pele quente e úmida
nem os dedos escorregadios,
mas o amor.
É ele que me joga, estende, desarruma .
Pronto, virei holocausto !
METÁFORA
Um texto de Leonor Cordeiro
(Análise crítica)
Maria José Limeira
A amiga Leonor Cordeiro diz que só recentemente resolveu escrever, e até nem tinha, há pouco, um blog onde expor sua produção... Pois agora já tem seu espaço na internet, escreve como se fosse profissional, e seus textos são ótimos.
O que mais admira é que mantém a unidade em sua produção e tudo indica que está construindo uma obra. Seus textos-relâmpagos guardam sempre uma surpresa no final, são escritos em ordem direta, em linguagem corrida, sem mais delongas.
Usa palavras simples para dizer coisas novas.
Este texto “Metáfora”, de sua autoria, não foge à regra. É Poesia do primeiro ao quinto, não fica nada a dever aos poetas consagrados, e pronto!
A autora nos dá uma grande lição de Poesia, num “holocausto”, que é metáfora pura...
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
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O poema em análise é de boa cepa.
Fala do amor que (des)arranja nossa vida em versos pessoais e sintéticos.
Espero que a autora nos traga novos textos com a qualidade deste primeiro.
Abração.
Ricardo Mainieri
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Fonte:
Comunidade “Discutindo Literatura”
NOVO TEXTO EM DEBATE:
“POLÊMICA”, DE LÍRIA PORTO
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polêmica
líria porto
natal para mim
é outro dia somente
em que as pessoas mentem
fingem ter ficado boas
comem exageradamente
e gastam o que não podem
prefiro finados
POLÊMICA
Um texto de líria porto
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Este texto “Polêmica”, de líria porto, é bem o retrato de uma autora travessa e brincalhona, cujo exercício lúdico encanta leitores e fãs, internet a fora (eu sou fã de carteirinha de líria linda!).
Trata-se de um poema irreverente, cuja função é derrubar o mito do Natal, festa eminentemente cristã que, no entanto, foi desvirtuada ao longo do tempo pelos tubarões da mídia globalizada, com o fim exclusivo de promover o consumo desenfreado (ah coca-cola, pepsi & fanta! vocês me pagam!)
Falar de líria porto é dizer concisão, trabalho ininterrupto na arte de versejar, sendo que uma de suas melhores qualidades é a abertura para o diálogo. Tanto que o conteúdo do texto casa bem com o título, pois essa autora está sempre lançando desafios aos quatro ventos, e aceitando outros com a mesma tranqüilidade e bom-humor.
Irreverência soma com alegria, e os textos de líria são sempre assim: despanaviados, descontraídos, informais, espontâneos...
Um dos recursos da Poesia é confrontar o sim e o não gerando o que chamamos de “figura de pensamento”.
No caso deste poema de líria, um final surpreendente opõe a idéia de nascimento (Natal) ao arquétipo de morte (Finados), realizando a linguagem poética que, em outro nível, Chico Buarque cantou, em música memorável de Gilberto Gil, que diz “melhor seria ser filho da outra”...
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB)
querida limeira
tens sempre palavras boas para minhas letrinhas, até quando não as mereço!
esse poeminha é bem ruinzinho... risos
foi mais para dar o contra na unanimidade do natal! da propaganda!
mesmo assim, obrigada, amiga!
Beijão
ah... tens razão, os grupos estão quase todos uma pasmaceira!
ó a mangueira aí, gente!!!!!!
Líria
Líria:
..gostei daquele teu poema que fala da falsa generosidade natalina, e que terminei deletando, sem querer..
..e esse aí me lembrou um daqueles filmes do Drácula, em que ele ardeu
emaranhado numa espinheira santa, virando pó..
hehehe...
Ademar
kakakkkkak
esse que gostaste ninguém nem olhou, cutuca nossa hipocrisia, né?...
risos
beijão
líria
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Também Finados é dia macabro:
gasta-se inutilmente
com flores.
Bom mesmo é Carnaval:
beijim, beijim
amores
pau, pau.
(Ademar Ribeiro)
até tu, brutus? e poema é pra desfiar assim????? explicar tim-tim por tim-tim? jogaste areia no ventilador, não me lembrei das flores - ao cemitério vou só morrrrrrrrrrrta... hummmm... carnaval é muito óbvio - quem não gosta de samba???? ah... bom mesmo é aniversário, pronto! cada um comemora como achar melhor e quem se esquecer - azar!
(ufa!!!! ficar na defensiva is not mole!)
beijim beijim, ademau!
líria
Para Líria e Ademar:
Tem um personagem com qual eu brinco (e as vezes chamo heterônimo)
chamado Osni Rebello que tem seus problemas com o natal tb.
Olha lá (escrito em 2004):
NATAL
Osni Rebello
Está claro que é antevéspera de natal
as pessoas correm, suas expressões são felizes
meu quarto está escuro, e no chão ainda restam
restos de curativos e papéis de presentes
que os familiares me trouxeram antes de suas viagens.
Estranhamente, meu neto mais velho me deu este gravador
como se soubesse o quanto tenho a dizer e não digo
o quanto tenho a dizer e não digo
o quanto repito o que digo,
o quanto deixei de dizer
Meus pés estão destapados, e este frio é o único indício
de que ainda estou vivo, ou de que existe vida após a morte.
Papai Noel não me trouxe meias novas. Apenas um bisneto.
Mais uma prova de que já é chegada a hora
de eu criar um pouco de responsabilidade.
Acho que nunca saberei ser tão maduro quanto rancoroso
pois não adquiri maturidade a cada tragada nos cigarros da vida,
nem em cada gole ou tropeço nos porres. Amanhã gostaria de estar
rodeado de prostitutas, todas de vermelho, em plena meia noite
com um charuto na boca, e uma dose de uísque na mão.
É realmente uma pena não podermos viver de passado.
-o-
Abraços. Anderson Santos.