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AGRADECIMENTO AO AMIGO POETA JOSÉ FÉLIX

Agradeço, de público, ao doce amigo José Félix, pelo destaque à nossa Oficina Literária, em seu blog "A Teia da Aranha", onde fui citada nominalmente. Nossa Oficina Literária foi fundada em 2002, quando eu estava proscrita de todas as listas, acusada de "mau comportamento", quando ousava criticar os textos que eu lia na internet. Minhas críticas pulavam as barreiras dos "gostei, queridinha"  e "adorei,
amorzinho". Elogiar os textos sofríveis, é prestar um mau serviço aos autores e leitores. As opiniões dos leitores não podem ser tratadas como ofensas aos
autores, pois sem leitores os livros não existem...
Fui apoiada por uma boa parceira chamada Dira Vieira (a doce Dira!), que vem tocando para frente o nosso lindo projeto nesta linda Lista. A criação do blog, que veio posteriormente, foi apenas uma ousadia a mais! O mais interessante é que existiam muito mais pessoas insatisfeitas na net do que pensávamos e doidas (como nós) para debater textos.

Visitem, por favor, o blog de José Félix, "A Teia da
Aranha":
http://www.ateiadaaranha.blogspot.com/

Vejam nossa Oficina Literária:
http://oficinaliteraria.zip.net

Saludos, com meu sincero apreço.
Maria José Limeira





- Postado por: Oficina às 14h54
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NOVO TEXTO EM DEBATE:

“AINDA HÁ”,

DE ANDERSON SANTOS

......................

 

Ainda há

 

Ainda há quem dance

quando toca nossa música

ainda há quem dance

 

Há quem coma pães de queijo

com goiabada, há quem ria

de piadas de salão

 

'Inda há quem diga sim

dizendo não, e há quem diga não

sem dizer nada

 

Ainda há quem,

mesmo que não exista mais nada

além de fantasmas tangíveis

dance, e coma, e ria

como se houvesse espaço

em meio a densidade

da solidão.

 

Anderson Santos



- Postado por: Oficina às 01h55
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Ainda há - Cont.

AINDA HÁ

Um texto de Anderson Santos

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Gostei muito deste texto “Ainda há”, de Anderson Santos. A solução em tercetos, inclusive, é muito boa, pois ajuda a dar ritmo ao poema.

Eu escrevi, lá pelos anos antigos, um livro de contos, que trata do mesmo tema, onde há um texto intitulado “Muita gente ainda canta” que, inclusive, foi filmado pelo meu amigo Ademar Ribeiro. Minha prosa usa este “apesar de” que Anderson Santos inclui em seu poema, para dizer no fim que muita gente ainda canta. Talvez meu conto não tenha a qualidade deste texto-poema, mas é sofrido como ele.

Essa “densidade de solidão”  de Anderson Santos, sinceramente, é um achado incrível para “arredondar”  o texto.

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 01h53
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Ainda há - Cont.

Bem, Anderson, é aquela velha história já tão debatida por aqui, sobre a diferença entre a prosa poética e o texto em poesia. A colocação do texto abaixo sob forma de poesia, com estrofes metrificadas ao início, de três versos cada, e depois uma última estrofe com sete versos para finalizar, deixa, a meu ver, uma formatação pessoal que se desliga da forma de poesia e arremete à prosa poética. Poderia se tentar encaixar o texto abaixo naquela estória de versos brancos e tal, mas como tem a base que inicia toda estrofe, o "ainda há" que sempre arranca o assunto da estrofe, reclama ao velho estilo em que se deveria ter uma formatação padronizada, com métrica e ritmo, para ser um texto em poesia. Nem quanto à necessidade de rimas, mas até que, se a última estrofe fosse repensada e dividida em duas de três, tv ficaria melhor. Quanto ao tema da poesia, é bastante poético, e bonito. Fala da dor de um dos envolvidos pelo amor, pela rejeição e pela solidão. E pela ironia que nos persegue a  vida, dentre tantos encontros e desencontros de sentimentos.

  Sds,

Ricardo.



- Postado por: Oficina às 01h50
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Ainda há - Cont.

Psoler.

Acho que o grande defeito da análise em poesia é tentar encaixá-la em fórmulas e formas mortas.

Não sou um sonetista. Não utilizo manuais. Acho fantástico conseguir utilizar a bagagem da poesia metrificada, rimada e rica para fazer algo novo, mas acredito que a grande maioria dos que o fazem são natimortos... repetem apenas o que já foi feito, sem acrescentar nada à poesia "moderna" (sem relação com o movimento modernista)

O tanto que estudei de lingüística, de semiótica, e de teoria, só me serviram para saber o que já havia sido feito, e começar exercícios fora da fôrma.

Walt Whitman, poeta incontestável, dá um exemplo do que quero dizer:

 

Affection shall solve the problems

Of Freedom yet;

Those who love each other shall

Become invincible.

 

A afeição ainda resolverá os problemas

Da Liberdade;

Aqueles que se amam

Se tornarão invencíveis.



- Postado por: Oficina às 01h49
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Aina há - Cont.

Abaixo, ainda, Fernando Pessoa na roupa de Álvaro de Campos, nos presenteia:

 

Apontamento

 

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.

Caiu pela escada excessivamente abaixo.

Caiu das mãos da criada descuidada.

Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. 

Asneira? Impossível? Sei lá!

Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

 

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.

Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.

E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. 

 

Não se zanguem com ela.

São tolerantes com ela.

O que era eu um vaso vazio? 

 

Olham os cacos absurdamente conscientes,

Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles. 

 

Olham e sorriem.

Sorriem tolerantes à criada involuntária. 

 

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?

Um caco.

E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

 -0-   



- Postado por: Oficina às 01h47
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Ainda há - Cont.

Então segue a pergunta: Qual é mesmo o limiar entre a poesia e a prosa poética? Metrificação? Estrofes, rimas? Formatação? Ou poesia é o que está dito? Versos ricos X versos brancos X versos leoninos indicam a  verdadeira poesia? A matemática é a chave do poema? 4 4 3 3, ABBA BABB CDC DCD?

Obrigado pelo elogio ao tema. Bom que tenhas gostado dessa poesia/prosapoética/texto.

Abraço

Anderson Santos



- Postado por: Oficina às 01h45
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Ainda há - Final

Então, vc mesmo respondeu...

  Sempre esteve claro, como estes dois exemplos abaixo, que não é  necessário ter formatação ou métrica, rimas e etceteras para escrever   poesia. Disse que quando há uma chave, no seu caso, o "ainda há", tem um nome para isso, o João Andrade já disse isso aqui uma vez e me esqueci. Mas então, quando vc sempre começa as estrofes com este início, tipo mais comum de poesia que já li (não direi o mais correto, porque não sei se é) é que este poema seja feito com rimas, métrica, forma, para se alcançar um ritmo mais agradável de leitura, isso é o que eu quis dizer.

  Ok?

  Sds,

Ricardo



- Postado por: Oficina às 01h43
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NOVO TEXTO EM DEBATE:

“INSPIRAÇÃO”,

DE ANA MARIA COSTA

.................

 

Inspiração

 

Sem pulsação

procuro em outro corpo

a brisa que ondula o aroma dos cabelos.

No rosto pula o espaço na moldura de silêncio!

 

Ana Mª Costa



- Postado por: Oficina às 00h36
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Inspiração - Cont.

INSPIRAÇÃO

Um texto de Ana Maria Costa

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Gostei muitíssimo deste texto “Inspiração”, de Ana Maria Costa, pela riqueza das imagens, pela concisão, e por tudo que faz dele um poema. Até o título, que dá a idéia de ins-piração (em contraposição a ex-piração, por exemplo), casou bem com o conteúdo.

Meninos & meninas! Bons frutos ao desempenho de nossa linda Oficina Literária, e um brinde à boa atuação de nossos associados. Saludos e tim-tim!

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 00h32
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Inspiração - Cont.

obrigada pela sua opinião acerca do poema "Inspiração". As palavras quando sinceras levantam o ego e o meu foi levantado.

 Ao saber que contribuo para valorizar este espaço é deveras gratificante, mas a todos ergo a minha taça!

um jinho

Ana



- Postado por: Oficina às 00h31
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Inspiração - Cont.

Ana Maria, a sua forma de poética, amplamente abstrata, permite àqueles  que se seduzem com o desconhecido, prazeres enigmáticos.

  É um texto que pode ter muitas interpretações, e muitas delas levam a conclusões parecidas, aquela que defende que não há uma conclusão completamente verdadeira sobre nada nesta vida.

  Particularmente, eu não aprecio esta forma de arte, a totalmente  abstrata. Eu vejo um  quadro rabiscado e para mim é um quadro rabiscado, e nada mais. Pode ser bonito, pode ter um sentimento envolvido, uma história, um significado, um mistério. Um poema que fala exclusivamente de si, onde a definição é indefinida pelo propósito pessoal não me satisfaz.

  Mas não é este o problema, muitos não acham bonito transportar a inteligência e a genialidade artística para assuntos que tenham múltiplas definições. Preferem aquela coisa que lhes fira a testa, como se arrancando dali algo em que acreditam e nunca haviam descoberto que sempre estivera morando dentro de si.

  Muitos acham e desacham, e sendo assim, retornamos ao fato concreto que não há uma só verdade estabelecida. Talvez esta seja a única verdade estabelecida, a de que não há verdade estabelecida. Então, baseado nesta hipótese, a sua abstração tem todo o sentido do mundo, mesmo tendo vários sentidos, ou não tendo nenhum.

  Poderíamos falar sobre horas sem chegar a uma conclusão satisfatória, e talvez seja este o verdadeiro sentido da arte, que seria encontrar a direção e o sentido desconhecido daquele que nos criou, alguns tendo a certeza que este não exista, outros tendo a impressão que já há muito o encontraram. Tanto aos crentes quanto aos descrentes, aos racionais e aos sentimentalistas, aos concretos e aos abstratos.

  Abraço.

 Ricardo.



- Postado por: Oficina às 00h29
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Inspiração - Cont.

O poema "Inspiração" é interessante, porém deveria ser mais longo,  propõe imagens poéticas, mas do jeito que está estruturado parece uma estrofe retirada de um poema maior. Penso que Ana tenha fôlego para alargar este poema, ou ao fazer poemas tão curtos, percebe que devem ser mais cortantes, mais soco e não tão vagos como este. Gostei do estilo, da linguagem, mas repito: precisava me dizer mais coisas, ir mais longe do que foi.  

  abraços

  Rubens

...........

 

obrigada Rubens pela força!

um jinho

Ana



- Postado por: Oficina às 00h25
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Inspiração - Cont.

Infelizmente, mesmo, eu não apreendi o  significado  de "no rosto pula o espaço na moldura do  silêncio",  nem o motivo de ele estar ali.

 Parece uma frase solta para impactar. 

Não li as análises feitas pelos colegas para não me   influenciar... apenas deixei a frase vagar na  mente  em busca de signos que não foram encontrados. 

Sou incompetente para analisar, então, o texto

 Abraço

Anderson Santos



- Postado por: Oficina às 00h20
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Inspiração - Cont.

Amigo Anderson... Quem está na escola aprende. E com  quem você aprendeu a dizer que se acha  incompetente  para analisar algum texto? Não, não. Não  acredito.

 Pois saiba que agora vamos brigar nós dois. Não  acho,  não acho. De jeito nenhum. Viu? Se você quiser,  posso  interpretar o texto da Ana, e foi justamente "...na  moldura do silêncio"  que o salvou (grande  metáfora!).

 É um texto sofrido sobre a solidão, onde a  autora  apenas usa o eu como pretexto para alçar vôo e  alcançar o universal. Frase solta? Não diga! Tem  tudo  a ver com o texto inteiro. Ana Linda. Saiba que  estamos felizes de tê-la como companheira de  trabalho  nesta linda lista, e este seu texto é perfeito  como  Poesia.

Saludos. Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h18
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Inspiração - Cont.

Maria eu também estou na escola para  aprender/apreender.

Não acho que o meu amigo Anderson seja  incompetente, se calhar está     dentro de alguma moldura_branca, acontece!

Obrigada Maria nem eu mesma sabia que este poema  era perfeito mas     também é para saber isso que entro nesta linda  lista.

Vocês são uns quidos.

um jinho

ana



- Postado por: Oficina às 00h16
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Inspiração - Cont.

Ihhh Ana..

Eu adoro brigar com a Zezé... até por que, nesses  longos anos, nossas brigas sempre mantiveram um  GRANDE respeito.

mas que aquela frase não me disse nada...

sinceramente, não disse.

Abraços

Anderson



- Postado por: Oficina às 00h15
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Inspiração - Cont.

Para Anderson:

Querido, me chame de "Zezinha", por favor. Que eu gosto muito.

 

Para Ana Maria Costa:

Amiga, me explique, por favor, o que quer dizer "quido", que você usa com tanta freqüência. Será algum mimo do Português de Portugal? Procurei no dicionário brasileiro, e não encontrei. Vamos, diga. Um abraço em vocês dois, e saludos.

Maria José Limeira.



- Postado por: Oficina às 00h13
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Inspiração - Final

hihihi

meus queridos, quidos ou quidinhos é um mimo meu que tenho por costume diminuir/inventar amorosamente os termos que mais uso na minha linguagem, como o jinho, zézinha, (An)dersinho,hihihi e aninhas!

gosto de falar com as letras e quando escrevo um destes termos lanço um sorriso e sei que do outro lado, também hihihi.

jinhos para todos!

Ana



- Postado por: Oficina às 00h10
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EM DEBATE:

“SEGUNDA CHANCE”,

DE LUCIANO RATAMERO

...........................

 

Segunda chance

(inspirado em um poema de Paulo Mendes Campos)

 

Luciano Ratamero

 

Quando se chega ao fim da vida, dizem que tudo que é passado, que já  passou, passa novamente. Você vê os momentos passando, como um filme, enquanto relembramos os destinos de cada cena. Lembra-se de cada um dos amores, cada uma das viagens, cada uma das vezes em que queria jogar tudo pro alto e fugir de tudo e todos. Momentos.

O momento é a chance de cada um. Chance de ver e viver várias possibilidades, múltiplas interpretações. Chance de ser alguém que não  é ou de ser o mais honesto e sincero possível. O momento deixa esse vão,  essa lacuna entre o que foi e o que poderia ter sido.

Sendo assim, quando se chega ao fim da vida, tudo que é passado passa novamente, em momentos, que nos dão a chance de mudar nossos destinos, imaginar onde tudo poderia ter mudado de rumo ou simplesmente apagar o indesejável. Vivemos duas vezes em apenas uma vida.

Foi assim que ele pensou e foi assim que decidiu viver sua segunda  vida. Não ateve-se ao que tinha impresso em sua memória, mas tentou fazer daquela chance, uma certeza. Tentou pensar em como, onde e quando foi o momento  no qual tudo poderia ter mudado. Foi então que lembrou-se daquela noite.

Já passava da meia-noite. Ele não mais tinha oitenta e dois anos. Agora tinha quinze, tinha espinhas, tinha sardas, tinha tudo para dar errado.

 



- Postado por: Oficina às 00h05
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Segunda chance - Cont.

 Lugar errado, hora errada, dia errado. Aos poucos ia se lembrando do que de fato aconteceu e do que faria para que o destino fosse mais brando consigo mesmo.

Andava pelas ruas, pensando naquela garota que conhecera dois dias  atrás, em um bar, no seu aniversário de quinze anos. Aniversários de quinze anos  são assim: não importa onde vá ou o que queira, terá tudo, por um dia. E  ele teve tudo. Não sabia se era a bebida que pela primeira vez corria em  suas veias ou se era o próprio charme da garota que o fazia tão desinibido, tão receptivo, tão apaixonado.

Voltava seus olhos para o asfalto molhado. Chovia calmamente, e a lua, dentre nuvens, prateava cada gota. E cada gota o convencia que não era  o certo sair de casa à noite, a esmo, procurando por ela. Mas o momento  era aquele, e a escolha foi a de seguir em frente.

Enquanto vagava com seu olhos por entre cada lágrima, ouvia a voz do pensamento. Dizia que o momento já chegara, que desta vez tudo daria certo, mesmo sem saber de fato o que se passava. Mas outra voz se ouviu, de  uma janela.

Não podia lembrar ao certo qual era a cor dos olhos dela, ou do que vestia naquela noite. Só podia se lembrar de ouvir sua voz doce lhe dizendo  que não era mais hora de andar pelas ruas, que era muito perigoso. Mas se corria algum perigo, era o de viver sem ela, sem ver seu rosto novamente. Viu seus olhos vazios, sem cor ou alvo, e perdeu a fala. Foi por isso  que se perdeu. Perdeu-se por perder a fala diante do momento. Ela perguntava o  que fazia ali tão tarde, perguntava se ainda lembrava-se dela ou se aquilo

Era mais um de seus erros peculiares. Ele nem sequer ouvia sua voz,

Contrariado por seu breve pensamento de loucura. O pensamento de que o que mais



- Postado por: Oficina às 00h01
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Segunda chance - Cont.

Queria era viver ao lado dela, mesmo que não a conhecesse, mesmo que tudo Indicasse que ele não tinha chances.

Ela já esboçava um riso. Ele percebeu que aquele era o momento. E naquele momento, nada mudou além da flor e do papel que surgiram em suas mãos.

Ela riu. E quando ele achava que tinha desperdiçado sua segunda chance, percebeu um tom de expectativa em seu riso.

Leu no papel três palavras, mas nem se deu conta de que estava lendo. Somente percebeu o que acontecia quando ela, com a rosa entre as mãos, o beijava enquanto dizia que aquele poderia ser o começo de uma longa história.

Mas no fundo ele sabia que nada daquilo tinha de fato acontecido. Porque o passado é o espaço de cada um. O que aconteceu é tarefa já cumprida, a  vida que se obteve de percepções ilusórias, o reino tranqüilo dos demasiadamente emotivos. O que aconteceu já é eternidade.

Não importava o quanto ele mudasse os destinos, porque o destino dele já havia se cumprido: ele estava na cama de um hospital, com oitenta e dois anos e um câncer no estômago. A vida passava diante dos seus olhos, e mesmo que esta vida fosse diferente, nada poderia mudar os fatos.

Enquanto os olhos se apagavam, fitaram outros olhos, apagados muito, muito tempo atrás.



- Postado por: Oficina às 23h59
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Segunda chance - Cont.

SEGUNDA CHANCE

Um texto de Luciano Ratamero

 

(Análise crítica)

 

Maria José Limeira

 

Surpreendente este texto “Segunda chance”, de Luciano Ratamero. Foge inteiramente ao estilo de sua Poesia, que é concisa (e imprecisa). Esta prosa de Luciano, embora longa (longuíssima) tem o sabor de memórias que muito me agrada. É uma longa história, em tom intimista, onde o eu-lírico viaja, levando o leitor a um final imprevisto.

É um texto um tanto pessimista, do qual gostei muito.

Lembra um texto de autor desconhecido, atribuído a Jorge Luís Borges, que diz mais ou menos assim: se eu pudesse voltar ou viver de novo, se me fosse dado, eu faria isso ou aquilo, etc.etc., mas o caso é que já estou com oitenta anos, e não é possível voltar atrás.

Gostaria de saber em que texto de Paulo Mendes Campos o autor se baseou para escrever esta prosa deliciosa...

 

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de João Pessoa-PB).



- Postado por: Oficina às 23h57
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Segunda chance - Cont.

O texto do qual tirei a base (e até um parágrafo que, no caso, ficou um tanto fora do contexto) se chama "A fugacidade de todas as coisas". É  uma prosa na qual explicita todas suas impressões sobre o tempo passado e outras cositas mais. Eu gosto de uma frase, também desse texto, que parece que ele fez exatamente pra mim: "É que o adolescente não é um poeta, é uma vítima da poesia".

Recomendo esse autor, principalmente em sua fase média/final, pois no início ele simplesmente não conseguia fazer uma poesia decente. ^^

Beijinhos e brigado pela nota

Lucci.



- Postado por: Oficina às 23h55
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Segunda chance - Cont.

Sobre "Segunda chance" de Luciano Ratamero:

"Quando se chega ao fim da vida, dizem que tudo que é passado, que já  passou, passa novamente."

 

Se eu estivesse lendo este texto por diversão, teria parado e passado a página da revista/livro em que ele se encontra ao terminar de ler essa frase. Em "tudo que é passado, que já passou,..." o aposto ", que já passou," é uma explicação ao leitor sobre o que é o passado... oras... como leitor, eu me sentiria ofendido lendo isso. Ou acharia que o autor estava me subestimando, ou que o autor escrevera algo em tom de comédia, e, ainda assim, esse aposto me jogaria pra fora do texto.

 

"Você vê os momentos passando, como um filme, enquanto relembramos os destinos de cada cena."

 

não seria "enquanto relembra"? Ou tem mais gente vendo o passado que passou passando?

 

 

"Lembra-se de cada um dos amores, cada uma das viagens, cada uma das vezes em que queria jogar tudo pro alto e fugir de tudo e todos."

 

Cada, cada, cada, cada. Que, que, que, que. As repetições de palavras e conetivos lembra textos brutos e descuidados. Já se prenuncia um daqueles textos de auto-ajuda com moral da história ou lição de moral.

 

Momentos, momentos, momento, momentos, momentos.

Sinceramente, Luciano... Um texto que não me agrada em nada. Nem na forma, nem na construção, nem no tema. Não é conto, não é prosa poética, não é crônica.

Como minha aptidão para interpretá-lo é zero, não vou dizer mais nada sobre seu contexto.

Tecnicamente falando, evite repetições. Os "QUE"s devem sempre ser reduzidos ao limite máximo. Existem sinônimos e formas verbais suficientes para isso. Quando quiseres enfatizar algo num texto, veja se esta explicação, este aposto, ou esta repetição não parecerão subestimação à inteligência do leitor, ou uma armadilha para o próprio texto.

Abraço

Anderson



- Postado por: Oficina às 23h52
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Segunda chance - Final

eu havia lido anteriormente o texto do ratamero e de todos do grupo e só não o respondera porque estive com a internet absolutamente precária, o sinal fraco, caindo toda hora - então pego o bonde andando na hora de responder - e o anderson diz aqui o que de forma geral senti ao ler o texto do lucci - completo dizendo, teus versos, luciano, estão evoluindo, já esta prosa deixou muitíssimo a desejar...

beijão

líria



- Postado por: Oficina às 23h50
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